CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

O Ato da Transmissão da Lei

27 27UTC jun 27UTC 2008

Tags: Iluminação Perfeita e Imediata, Transmissão da Lei

Naquela ocasião, o Buda Shakyamuni levantou-se de seu trono da Lei e manifestou grandes poderes espirituais. Com sua mão direita ele tocou o topo da cabeça de ilimitados Bodhisattvas Mahasattvas e disse: “Através de ilimitadas centenas de milhares de miríades de kotis de asamkhyas de kalpas, eu tenho cultivado e praticado a rara Lei do Anuttara-Samyak-Sambodhi. Eu agora a transmito a todos vocês. Devem, com um pensamento único, propagar esta Lei, fazendo-a disseminar extensivamente”.

Dessa forma, ele tocou o topo da cabeça dos Bodhisattvas Mahasattvas por três vezes, dizendo: “Através de ilimitadas centenas de milhares de miríades de kotis de asamkhyas de kalpas, eu tenho cultivado e praticado a rara Lei do Anuttara-Samyak-Sambodhi. Eu agora a transmito a todos vocês. Devem receber, ostentar, ler, recitar e proclamar vastamente esta Lei, fazendo com que todos os seres viventes ouçam-na e compreendam-na[1]”.

 “Por que razão? O Tathagata é grandemente piedoso e compassivo, sem mesquinhez e sem receio. Ele é capaz de conceder aos seres viventes a sabedoria do Buda, a sabedoria do Tathagata e a sabedoria que vem por si mesma[2]. O Tathagata é um grande anfitrião dadivoso para todos os seres viventes. Sendo assim, todos devem estudar adequadamente as Leis do Tathagata e nunca se tornarem mesquinhos[3]”.

 

[1] Neste ato o Buda Shakyamuni faz a Transmissão da rara Lei do Anuttara-Samyak-Sambodhi (iluminação suprema e perfeita), aos incontáveis Bodhisattvas Mahasattvas presentes.

[2] Refere-se à sabedoria de Buda infinitamente profunda e imensurável. Uma sabedoria que excede a razão humana e que através desta não pode ser alcançada. Por isso, vem por si mesma, emanando daqueles que alcançam a iluminação do Buda.

[3] “… nunca se tornarem mesquinhos”. A sabedoria e o mérito são atributos que somente o Buda pode conferir a um Bodhisattva, neste caso, um mortal comum. Esses atributos estão além daquilo que a razão humana possa conceber, entender ou relacionar com as coisas do mundo tríplice. Nutrir sentimentos de avareza e inveja significa, num sentido, relacionar os atributos da Lei com os valores mundanos. A inveja e a avareza são também as inspirações dos que buscam a fama e a fortuna, ferindo o exato âmago deste Sutra.

Extraído do CAP. 22: A Transmissão.

A Iluminação de Todos os Seres das Dez Direções

16 16UTC jun 16UTC 2008

Tags: Buda Muitos Tesouros, Buda Shakyamuni, Lei Maravilhosa, Mundo Saha, Olhos Búdicos, Sutra de Lótus, Via Láctea, Via Recíproca

Naquela ocasião, na presença de Manjushri e outros, ilimitadas centenas de milhares de miríades de kotis de Bodhisattvas Mahasattvas que há longo tempo residiam no mundo Saha, bem como dos Monges, Monjas, Leigos, Leigas, seres celestiais, dragões, yakshas, gandharvas, asuras, garudas, kinnaras, mahoragas, humanos, não-humanos, e assim por diante; o Honrado pelo Mundo manifestou grandes poderes espirituais.

Ele estendeu sua vasta e longa língua até alcançar os céus Brahma. De todos os seus poros ele emitiu luzes de ilimitadas, incontáveis cores, e cujo poder de penetração iluminou os mundos das dez direções. Da mesma forma, todos os Budas sentados nos seus tronos de leão sob as árvores de jóias também estenderam suas vastas e longas línguas e emitiram ilimitadas luzes. Após o Buda Shakyamuni e os Budas sentados sob as árvores de jóias terem manifestado seus poderes espirituais durante cem mil anos[1], eles recolheram suas línguas. Então, eles tossiram e estalaram seus dedos, e aqueles dois sons por eles produzidos penetraram os mundos Búdicos das dez direções.

A terra tremeu de seis formas diferentes e os seres viventes naqueles mundos, sejam seres celestiais, dragões, yakshas, gandharvas, asuras, garudas, kinnaras, mahoragas, humanos, não-humanos, e assim por diante; através dos poderes espirituais do Buda, todos viram, no mundo Saha, os ilimitados, incomensuráveis centenas de milhares de miríades de kotis de Budas sentados em tronos de leão sob as árvores de jóias. Eles também viram o Buda Shakyamuni, junto com o Tathagata Muitos Tesouros, sentados no trono de leão dentro da torre de tesouros. Além disso, eles viram ilimitadas, incomensuráveis centenas de milhares de miríades de kotis de Bodhisattvas Mahasattvas, bem como as assembléias dos quatro tipos de crentes, reverentemente circundando o Buda Shakyamuni. Tendo visto isto, eles alegraram-se enormemente, tendo ganhado o que nunca tiveram antes[2].

[1] A nossa galáxia, a Via Láctea, tem a sua extensão maior estimada em cem mil anos luz. Isto significa que os raios de luz emitidos pelo Buda Shakyamuni e suas emanações, pelo período de cem mil anos, abrangeriam toda a galáxia chamada Via Láctea, com seus bilhões de estrelas e incontáveis mundos em todas as direções.

[2] Neste caso, o que nunca haviam possuído antes significa os olhos Búdicos: viram no mundo Saha. O que o Buda revela nesta passagem é a sua iluminação original, a iluminação de suas emanações e de todos os seres viventes naqueles mundos. Evidentemente, aqueles seres viram tal incontável número de Bodhisattvas e Mahasattvas por uma imposição da reciprocidade da via de Buda. Esse poder do Buda decorre da virtude revelada no Capítulo Vinte - O Bodhisattva Sem Desprezo.

Extraído do CAP. 21: Os Poderes Espirituais do Tathagata.


Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 20/10/2007.

Os Ensinos do Buda D’água

09 09UTC jun 09UTC 2008

Tags: Bodhisattva, Lei Maravilhosa, Lei Suprema, Mahasattva, Sem Desprezo, Sutra de Lótus

A multidão de quinhentos Bodhisattvas nesta assembléia,
e os homens e mulheres de pura fé na assembléia dos quatro tipos de crentes,
que estão agora diante de mim ouvindo o Dharma,
em existências prévias,
eu exortei essas pessoas a ouvir e receber este Sutra,
que é a mais suprema Lei.
Eu os instrui e levei-os a residir no Nirvana,
e vida após vida, a receber e ostentar um Sutra como este.
Somente em milhões e milhões de miríades de kalpas,
inconcebíveis em número,
pode-se vir a ouvir O Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.
 

E somente em milhões e milhões de miríades de kalpas,
inconcebíveis em número,
os Budas, Honrados pelo Mundo,
fazem acontecer de este Sutra ser pregado.
Portanto, os praticantes após a extinção do Buda,
ao ouvir este Sutra,
não deveriam dar lugar às dúvidas,
mas, com um pensamento único,
deveriam proclamar extensivamente este Sutra,
tal que vida após vida eles possam encontrar-se com Budas[1] e rapidamente realizarem a Via do Buda”.

 

[1] Budas, neste contexto, são os Budas “vistos” pelo Bodhisattva Sem-Desprezo em quaisquer pessoas que encontrasse. Este capítulo sobre o Bodhisattva Sem-Desprezo segue uma longa exposição do Buda sobre a severa retribuição recebida por aqueles que insultam, falam mal ou caluniam o devoto do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa; e também sobre os benefícios auferidos por aqueles que o abraçam. Por quê? Entende-se que, sob o rigor da Lei, este sutra faz distinções entre os benefícios ou as retribuições, mas não faz distinções entre as pessoas e os seres em geral. Ao fazerem-se distinções entre os seres, fere-se o exato âmago deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, tornando impossível para quem as fazem agir como o Bodhisattva Sem-Desprezo. A prova disto está que mesmo os quatro tipos de crentes que desprezaram constantemente o Bodhisattva Sem-Desprezo, encontram-se agora na assembléia onde é pregado o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Um verdadeiro Mahasattva ou Bodhisattva do ensino de Lótus será capaz de fazer distinções entre as retribuições ou benefícios recebidos por cada um dos seres, bem como as causas e relações que cercam suas vidas. Não fará, entretanto, distinções entre os seres. Este é um ensino sutil. Esse Bodhisattva tratará equanimente todos os seres, encontrando e reverenciando os incontáveis Budas que repousam na natureza intrínseca de todos aqueles seres. Na verdade, só nos encontramos com este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa em razão das causas e relações estabelecidas com esse Bodhisattva Sem-Desprezo no passado. Representamos também a sua função neste mundo ao abraçarmos este profundo ensino. A essência da vida das pessoas e de todos os seres é inequivocamente boa porque possuem a natureza de Buda. Más poderão ser as causas ou relações que determinam a sua função existencial. Deve-se compreender a própria vida sob esta ótica, e nunca mais vir a pensar que é diferente. Assim eu ouvi: “Vá para o jardim e você encontrará o Buda D’água. Depois de encontrá-lo, você o verá por toda a parte”. (em 17/02/2006 – 03h00min)

Extraído do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo.

Um Ato de Pura Fé

04 04UTC jun 04UTC 2008

Tags: Bodhisattva, Buda, Rei do Som Maravilhoso, Sem Desprezo

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:
 

“No passado existiu um Buda chamado Rei do Som Maravilhoso.
Com seus ilimitados poderes espirituais e grande sabedoria,
ele conduziu todos os seres viventes.
Seres Celestiais, humanos,
dragões e espíritos fizeram-lhe oferecimentos.
Após esse Buda ter passado à extinção,
quando a sua Lei estava para tornar-se extinta,
existiu um Bodhisattva chamado Sem-Desprezo.
 

Naquela ocasião,
a assembléia dos quatro tipos de crentes era apegada à Lei.
O Bodhisattva Sem-Desprezo aproximava-se deles e dizia-lhes:
‘Não ouso desprezá-los,
porque vocês estão praticando a Via e tornar-se-ão Budas’.
Ouvindo aquilo, eles desprezaram-no,
caluniaram-no e insultaram-no;
mas o Bodhisattva Sem-Desprezo resistiu a tudo.
Quando sua punição acabou, ao final da sua vida,
ele veio a ouvir este Sutra,
e as suas seis faculdades sensitivas foram purificadas[1].
Através do poder das penetrações espirituais,
sua duração de vida foi acrescida,
e em benefício dos outros,
ele vastamente pregou este Sutra.
As multidões, que viviam apegadas à Lei,
receberam os ensinamentos deste Bodhisattva,
e foram levadas a residir na Via do Buda com sucesso.
 

Quando a vida de Sem-Desprezo acabou,
ele encontrou-se com incontáveis Budas,
e em razão de ter pregado este Sutra,
obteve ilimitadas bênçãos.
Gradualmente galgando seus méritos e virtudes,
ele rapidamente realizou a Via do Buda.
O Bodhisattva Sem-Desprezo daquele tempo era eu próprio!
Os quatro tipos de crentes na assembléia daquele tempo eram apegados à Lei.
Ouvindo as palavras de Sem-Desprezo:
‘vocês tornar-se-ão Budas’,
através daquelas causas e relações criadas,
encontraram incontáveis Budas[2].

 

[1] Nomeadamente correspondem às purificações dos seus olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente; expostas no Capítulo 19 – Os Méritos e Virtudes do Mestre da Lei.

[2] Como fica constatada nesta passagem, a adesão à Lei não se deve à compreensão da mesma, mas a um ato de pura fé. Dentre os quatro tipos de crentes, aqueles que ouviram e tiveram pura fé no Bodhisattva Sem Desprezo ao dizer, “Vocês tornar-se-ão Budas”, criaram as causas para encontrarem numerosos Budas.

Extraído do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo.

Os Três Tesouros, O Grande Peixe e o Pescador

29 29UTC mai 29UTC 2008

 Tags: Buda, Grande Veículo, Lei, Lei Maravilhosa, Sangha, Sem Desprezo, Sonhos, Sutra de Lótus

“Grande Força, em razão dos quatro tipos de crentes, Monges, Monjas, Leigos e Leigas daquela época terem me injuriado odiosamente, durante duzentos kotis de kalpas eles não mais encontraram um Buda ou sequer ouviram o Dharma ou encontraram-se com a Sangha[1]. Durante mil kalpas eles sofreram grande tormento no Inferno Avichi. Tendo recebido a sua punição, eles novamente encontraram o Bodhisattva Sem-Desprezo, que ensinou-os e converteu-os ao Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

“Grande Força, o quê você pensa? Poderiam os quatro tipos de crentes na assembléia daquele tempo, que constantemente desprezaram este Bodhisattva, serem desconhecidos para você? Eles são nada mais que o Bodhisattva Bhadrapala e seu grupo de quinhentos Bodhisattvas presentes nesta assembléia, Leão da Lua e seu grupo de quinhentos Monges[2], e Sugatachetana e seu grupo de quinhentos Leigos, todos tendo alcançado o estágio de não regressão na busca pelo Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

[1] Que são os três tesouros do Budismo: O Buda, a Lei e a Sangha.

[2] Esses Monges são como o Grande Peixe que, enredado nas malhas dos ensinos provisórios, debatendo-se, acaba por agarrar-se na singela linha do Pescador Benevolente. Dando à praia, esse Pescador Benevolente, com a ajuda do seu filho, cuidará de libertá-lo das amarras e grilhões que o ferem e aprisionam, devolvendo-lhe às águas para recuperar-se da sua fadiga e ferimentos. Por mais que o Grande Peixe desejasse demonstrar a sua gratidão dando à praia novamente para fazer oferecimentos ao Pescador Benevolente e seu filho, este lhe devolveria sempre às águas para, junto dos demais, levar adiante a sua função existencial. Perguntado sobre seu nome, o Grande Peixe respondeu: “Monge. Meu nome é Monge”. O Grande Peixe é aquele Monge que caluniou o Bodhisattva Sem-Desprezo; a tênue e singela linha é o ensino do Grande Veículo, difícil de encontrar; e o Pescador Benevolente é o advento do Buda neste mundo, cujo propósito é libertar todos os seres viventes das amarras e grilhões dos ensinos inferiores. (em 30/05/2006 – 03h30min).

Extraído do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo.

As Profundas Práticas do Buda

21 21UTC mai 21UTC 2008

Tags: Buda, Lei Maravilhosa, Práticas, Sutra de Lótus

“Grande Força, o Bodhisattva Mahasattva Sem-Desprezo fez oferecimentos a tantos Budas quanto aqueles citados[1]: reverenciando-os, honrando-os e louvando-os; e assim plantando as raízes da benevolência. Mais tarde ele encontrou mil miríades de Budas, e durante a vigência da Lei daqueles Budas, ele pregou este Sutra. Quando seus méritos e virtudes se completaram, ele tornou-se um Buda”.

 “Grande Força, o quê você pensa? Poderia o Bodhisattva Sem-Desprezo ser desconhecido para você? Ele não era outro senão eu mesmo! Não tivesse eu nas vidas anteriores recebido, ostentado, lido e recitado este Sutra, e lhe explicado para outros, não seria capaz de atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi tão rapidamente. Em razão de ter recebido, ostentado, lido e recitado este Sutra na presença dos Budas anteriores, e lhe explicado para outros, eu rapidamente alcancei o Anuttara-Samyak-Sambodhi[2]”.

 

[1] Aqui, “tantos Budas quanto aqueles citados” indica também as pessoas comuns às quais esse Bodhisattva sempre fez reverência. Portanto, servir a um vasto número de Budas, segundo este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, significa fazer reverência, honrar e louvar todos os seres. Esta revelação, certamente, constitui um dos mais profundos segredos deste sutra. Encontrar um Buda neste mundo é extremamente raro. Então, como servir a incontáveis Budas para, somente então, atingir a iluminação? Este é um longo caminho que exigiria incontáveis kalpas para se atingir a iluminação. Este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, todavia, revela o caminho curto através desta passagem. Servir a incontáveis Budas é uma tarefa que pode ser levada a cabo numa existência momentânea da vida, bastando para isso “enxergar” o Buda que existe inerentemente em todos os seres, reverenciá-lo e louvá-lo. Isto estará sendo feito ao expor e ensinar este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa por toda a parte, a todos os seres, revelando-lhes que, infalivelmente, tornar-se-ão Budas. Mesmo seres insensíveis, aos quais não cabe ensinar o sutra, poderão ser beneficiados uma vez o sutra lhes seja exposto.

[2] Tão rapidamente em comparação com a necessidade de incontáveis kalpas para se atingir a iluminação através dos três veículos praticados por aqueles monges de grande arrogância. O Veículo Único é o caminho curto seguido pelo Buda Shakyamuni desde o infinito passado.

Extraído do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo.


Foto de Marcos Ubirajara. Local: sítio da Dôra em 14/10/2007.

A Iluminação na Forma Presente

13 13UTC mai 13UTC 2008

Tags: Forma, Iluminação, Incomensuráveis Significados, Lei Maravilhosa, Presente, Sutra de Lótus

“Além disso, Sempre-Vigoroso, se um bom homem ou uma boa mulher, após a passagem do Tathagata à extinção, receber e ostentar este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, seja lendo, recitando, explicando-o para outros ou copiando-o, eles obterão mil e duzentas virtudes meritórias da mente. Com suas mentes purificadas, ouvindo não mais que um simples verso ou uma simples sentença deste Sutra, compreenderão ilimitados, incomensuráveis significados. Tendo compreendido esses significados, serão então capazes de expor uma simples sentença ou um simples verso ao longo de um mês, quatro meses ou até um ano. Todas as Leis eles pregarão em concordância com a real intenção e o real significado, e nunca contradirão o Verdadeiro Aspecto daquelas Leis. Se pregarem através de textos mundanos, expondo princípios morais, governamentais, ou seguindo uma carreira profissional para a sua sobrevivência, estarão sempre de acordo com a verdadeira Lei. Nos três mil grandes sistemas de mil mundos, todos os seres viventes dos seis caminhos, seus processos mentais, suas atividades mentais, as frívolas convicções em suas mentes, tudo isso eles conhecerão completamente. Embora não tenham ainda ganho a sabedoria sem falhas, ainda assim as suas mentes serão tão puras como descrito. Todos os pensamentos destas pessoas, cálculos ou pronunciamentos, estarão de acordo com a Lei Búdica, nunca serão falsos, e estarão de acordo com o que foi pregado nos Sutras dos Budas anteriores[1]”.

 

[1] Com os benefícios da mente, essa pessoa na sua forma presente “conhecerá as Leis superiores, medianas e inferiores. Se ela ouvir não mais que um verso, compreenderá ilimitados significados e os pregará em plena concordância com a Lei”, entendendo as características de todos os fenômenos. Essa pessoa, dotada dos benefícios dos demais órgãos sensoriais do corpo e da mente aqui descritos, é reputada pelo Buda como “Mestre da Lei”, pois, “o quê esta pessoa diz é a Lei dos Budas anteriores, e em razão de ela expor em acordo com esta Lei, ela o faz destemidamente na assembléia”. O Buda ainda afirma “Embora ele ainda não tenha atingido a sabedoria sem falhas, ele já possuirá as marcas acima descritas”. Ao conjunto de benefícios auferidos pelo Mestre da Lei, e expostos acima, podemos nos referir como atingir a iluminação na forma presente.

Extraído do CAP. 19: Os Méritos e Virtudes do Mestre da Lei.


Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 22/09/2007.

O Grande Filantropo

30 30UTC abr 30UTC 2008

Tags: Dharma, Filantropo, Grande Veículo, Lei Maravilhosa, Nirvana, Sutra de Lótus

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:

“Suponha uma pessoa que na assembléia do Dharma venha a ouvir este Sutra,
mesmo que apenas um simples verso,
e alegre-se em concordância e pregue-o para outros,
e dessa forma o ensinamento seja passado,
até alcançar o qüinquagésimo ouvinte.
As bênçãos alcançadas por esta última pessoa serão descritas em detalhes agora:

Suponha que exista um grande filantropo que ofereça donativos a incontáveis multidões,
de todos os tipos que queiram,
durante oitenta anos completos.

Vendo-os velhos e decrépitos,
com cabelos brancos e faces enrugadas,
seus dentes esparsos, seus corpos arqueados,
ele pensa: ‘Não tarde morrerão.
Devo agora instruí-los,
tal que possam obter o Fruto da ViaÂ’.

Então ele habilmente expõe-lhes a verdadeira Lei do Nirvana:
‘Este mundo não é um lugar seguro.
É como espuma, bolha de sabão, ou uma centelha.
Todos vocês devem urgentemente nutrir sentimentos de repulsão a ele[1]’.
As pessoas, ao ouvirem o Dharma,
todas atingem o estado de Arhat,
obtém os Seis Poderes de Penetrações Espirituais,
as Três Compreensões e as Oito Emancipações.

A última pessoa, a qüinquagésima,
que ouviu um simples verso (deste Sutra) e alegrou-se em concordância com ele,
obtém benefícios que excedem os da pessoa anterior (do filantropo),
os quais estão além do poder da analogia expressá-los.
Se os benefícios de alguém que o ouve em propagação são tão ilimitados,
quão maiores não serão os benefícios de quem , na assembléia,
foi o primeiro a ouvi-lo e alegrou-se[2].

[1] Esta é a Lei do Nirvana. Pode-se depreender desta passagem que este “grande filantropo” é o próprio Buda em suas pregações anteriores ao Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, nos seus oitenta anos de pregação dos ensinos provisórios. Percebe-se também ser essa “Verdadeira Lei do Nirvana” um ensino em prol do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, ou um mero meio hábil para conduzir os seres viventes ao Grande Veículo.

[2] Esta é uma clara distinção entre os benefícios auferidos através da apreensão da Lei do Nirvana, que em termos do Sutra de Lótus ainda é um ensino provisório; e aqueles auferidos através da aceitação com alegria de um único verso do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa pela qüinquagésima pessoa que o ouve em propagação, e mais ainda por aquele que foi o primeiro a ouvi-lo e alegrou-se.

Extraído do CAP. 18: Os Méritos e Virtudes da Alegre Concordância.

Os Benefícios da Alegre Concordância

16 16UTC abr 16UTC 2008

Tags: Benefícios, Flor de Lotus, Lei Maravilhosa, Méritos, Sutra de Lótus, Virtudes

“Suponha que em quatro milhões de kotis de asamkhyas de mundos, em meio a seres viventes dos seis caminhos da existência[1] e dos quatro tipos de nascimentos que são o ovo, o útero, a umidade e a transformação[2]; aqueles com forma, aqueles sem forma, aqueles racionais, aqueles irracionais, aqueles não totalmente dotados de raciocínio, aqueles não totalmente desprovidos de raciocínio, aqueles sem pernas, aqueles com duas pernas, aqueles com quatro pernas, aqueles com muitas pernas, e assim por diante; haja uma pessoa que em busca de bênçãos dê-lhes todo o tipo de coisas agradáveis que eles desejem, dando a cada ser um continente Jambudvipa inteiro repleto de ouro, prata, lápis-lazúli, madrepérola, carnelian, coral e âmbar, gemas preciosas e raras, bem como elefantes, cavalos, carruagens, palácios e pavilhões feitos dos sete tesouros”.

“Este grande filantropo, dessa forma, concedeu doações durante oitenta anos completos. Então ele pensou: ‘Já dei aos seres viventes essas muitas coisas agradáveis de acordo com os seus desejos. Todavia, esses seres viventes estão velhos e decrépitos, com mais de oitenta anos de idade, cabelos brancos e faces enrugadas. A hora da sua morte não está longe. Instrui-los-ei através da Lei Búdica’”.

“Ele então reuniu os seres viventes e expôs-lhes a Lei para instruí-los, concedendo-lhes benefícios e agradando-lhes tanto que todos eles alcançaram o caminho do Srotaapanna, o caminho do Sakridagamin, o caminho do Anagamin e o caminho do Arhatship[3], eliminando todas as falhas, obtendo conforto em todas as profundas concentrações Dhyana, e alcançando as oito emancipações”.

“O quê você pensa? Seriam grandes ou não os méritos e virtudes deste grande filantropo”?

Maitreya disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, os méritos e virtudes desta pessoa seriam extremamente grandes, imensuráveis e ilimitados. Se o filantropo tivesse dado aos seres somente brinquedos, seus méritos e virtudes já seriam ilimitados. Quanto mais seriam se ele os habilitou a atingirem a fruta do Arhatship”!

O Buda disse a Maitreya: “Eu agora lhe direi plenamente: os méritos e virtudes obtidos por esta pessoa, que doou brinquedos para seres viventes dos seis caminhos da existência em quatro milhões de kotis de asamkhyas de mundos, e que além disso levou-os a obter a fruta do Arhatship, não se iguala aos méritos e virtudes da qüinquagésima pessoa que ouviu mesmo que um simples verso do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa e alegrou-se em concordância com ele[4]. Seu mérito não se iguala à centésima parte, à milésima parte, a uma centésima milésima miríade milionésima parte, e assim por diante, até que ela não possa ser expressa ou conhecida através do cálculo ou analogia”.

“Ajita! Os méritos e virtudes da qüinquagésima pessoa que ouviu o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa e alegrou-se em concordância com ele são ilimitados, incomensuráveis e incalculáveis. Quanto mais não os são os méritos e virtudes daquele que em meio à assembléia o ouviu pela primeira vez e alegrou-se em concordância com ele. As bênçãos daquela pessoa serão supremas, sem limites, sem medida, sem expressão e além das comparações”.

[1] Correspondendo aqui aos 6(seis) mundos inferiores (do estado de inferno ao estado de alegria).

[2] Estes são os quatro tipos de nascimentos, ou as quatro formas através das quais os seres viventes vêm a existir.

[3] Na ordem, Srotaapanna – morre e renasce sete vezes e, finalmente, alcança o estado de Arhat; Sakridagamim – ascende aos céus (depois da morte), regressa uma vez mais à terra e obtém, então, o estado de Arhat; Anagamim – no fim da vida ascende ao 19o. paraíso e alcança o estado de Arhat; Arhat – é um santo capaz de viajar pelo espaço e assumir diferentes formas. Sua vida é eterna e representa o último estágio alcançado através das práticas dos ensinos que tratam dos aspectos transitórios dos fenômenos. Na ordem, seguem os ensinos que incorporam os aspectos da não-substancialidade aos da transitoriedade. Finalmente, seguem os ensinos do que incorporam o conceito do caminho médio aos aspectos da não-substancialidade e da transitoriedade.

[4] Nesta passagem o Buda faz a distinção entre todos os méritos e virtudes auferidos por aquele filantropo que proporcionou aos incontáveis seres viventes em quatro milhões de kotis de asamkhyas de mundos alcançarem o estado de Arhat, beneficiados pelos ensinos provisórios; e os benefícios auferidos por uma única qüinquagésima pessoa que ouve apenas um verso do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa (um ensino para instruir Bodhisattvas) e o aceita com alegria. Por que os méritos e virtudes auferidos por aquele filantropo não superam aqueles de uma qüinquagésima pessoa que ouve apenas um verso do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa e o aceita com alegria? Ora, porque aqueles ensinos dirigidos para os seres dos seis mundos não os conduzem à Budeidade. Conduzem, quando muito, ao mundo celestial, sendo esses caminhos ainda dominados pela transitoriedade e pela impermanência de todos os fenômenos, até atingir o estado de Arhat (“aquele que venceu os inimigos”, venceu os demônios do nascimento, da velhice, da doença e da morte, através das práticas do pequeno veículo; ou seja, através das práticas para si). Estamos falando da transposição do ciclo da vida e da morte - que aprisiona os seres dos seis mundos – para o nirvana provisório. Este estado de Arhat é também chamado de estado de erudição ou ouvinte, sétimo estado ou o primeiro dos quatro nobres caminhos (Erudição, Absorção, Bodhisattva e Buda).

Extraído do CAP. 18: Os Méritos e Virtudes da Alegre Concordância.


Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 30/09/2007.

As Três Grandes Distinções e o Mestre da Lei

09 09UTC abr 09UTC 2008

Tags: Lei Maravilhosa, Mestre da Lei, Oferecimentos, Paramitas, Prática, Sutra de Lótus, Virtude

“Se uma pessoa, após a minha passagem à extinção,
puder reverentemente manter este Sutra,
suas bênçãos serão ilimitadas,
como acima descrevi[1].
Porque então, ela completará todas as formas de oferecimentos,
e construirá torres votivas às relíquias adornadas com os sete tesouros,
torres altas e amplas, alcançando os Céus Brahma,
ornamentadas com milhões e milhões de sinos cravejados de jóias,
emitindo sons maravilhosos ao vento.
E também, ao longo de ilimitados kalpas,
aquela pessoa fará oferecimentos, a esta torre,
de flores, incenso, contas,
trajes celestiais e todas as variedades de música.
Ela queimará óleos fragrantes em lamparinas,
reluzindo brilhantemente todo o seu redor.
Numa era de maldade, durante o crepúsculo da Lei,
aquela pessoa poderá manter este Sutra,
e poderá então, como mencionado acima,
realizar todos aqueles oferecimentos.
Se uma pessoa puder manter este Sutra,
será como se, na presença do próprio Buda,
ela usasse sândalo cabeça-de-boi para construir aposentos para a Sangha,
como um oferecimento a eles.
Esses trinta e dois salões,
medindo oito árvores tala na altura,
repletos de finas iguarias, indumentárias e aposentos,
onde centenas de milhares possam se acomodar,
serão amplamente adornados com jardins,
bosques, lagos para banho,
trilhas e grutas para a meditação dhyana.

Ela poderá, com fé e compreensão,
receber, manter, ler, recitar e escrever,
ou requisitar a outros escreverem,
e fazer oferecimentos a este Sutra,
espalhando flores, incenso e pós perfumados,
e constantemente queimar óleos fragrantes em lamparinas,
feitos de sumana, champaka e atimuktaka.
Aquele que fizer tais oferecimentos obterá ilimitados méritos e virtudes.
Assim como o espaço vazio é infinito,
assim serão suas bênçãos[2].

Muito maior é o mérito daquele que mantém este Sutra,
mas que também pratica a doação, observa preceitos,
que é paciente e deleita-se no samadhi dhyana,
que nunca é odioso ou mal-falado,
e que é reverente nas torres e templos,
humilde para com os Monges, livre de arrogância,
e sempre meditando sobre a sabedoria.
Essa pessoa poderá refrear a ira quando indagado sobre questões difíceis,
e será complacente quando fizer explanações.
Aquele que puder desenvolver tais práticas terá ilimitados méritos e virtudes[3].

Se virmos um Mestre da Lei dotado de virtudes como estas,
deveríamos espalhar flores celestiais e oferecer-lhe trajes celestiais,
curvarmos com as nossas cabeças aos seus pés,
e considerá-lo como se fosse um Buda.
Deveríamos ainda pensar:
‘Tão logo ele chegue ao Bodhimanda,
atingirá a sabedoria sem falhas e incondicional,
e beneficiará amplamente seres celestiais e humanos’.
Onde quer que tal pessoa esteja,
andando, sentada ou reclinada,
ou pregando mesmo que um simples verso,
deveríamos construir uma torre,
maravilhosamente fina e adornada,
e fazer-lhe todos os tipos de oferecimentos.
O discípulo do Buda, residindo neste lugar,
o considerará como se fosse o Buda,
sempre perseverando nisto,
andando, sentando ou reclinando”.

[1] Primeira distinção dos benefícios. Refere-se a escolher este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa dentre os demais ensinos.

[2] Segunda distinção dos benefícios. Refere-se a quem elege o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa dentre os outros ensinos e ainda o propaga e lhe faz oferecimentos.

[3] Terceira distinção dos benefícios. Refere-se aos que elegem o Sutra de Lótus dentre os outros ensinos, o promovem, fazem-lhe oferecimentos e se conduzem exemplarmente como descrito.

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.


Foto de Marcos Ubirajara. Local: sítio da Dôra em 15/09/2007.

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