CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

O Samadhi do Daimaku do Sutra de Lótus

08 08UTC out 08UTC 2008

Tags: Buda Muitos Tesouros, Buda Shakyamuni, Daimoku, Lei Maravilhosa, Mundo Saha, Myoho Rengue Kyo, Rei da Medicina, Saddharma Pundarika, Som Maravilhoso, Sutra de Lótus

Naquela ocasião, o Bodhisattva Virtude da Flor disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, o Bodhisattva Som Maravilhoso possui raízes de benevolência profundamente plantadas. Honrado pelo Mundo, em qual samadhi reside este Bodhisattva, que o torna capaz de transformar-se e salvar os seres viventes”?

O Buda disse ao Bodhisattva Virtude da Flor: “Bom homem, este samadhi é chamado Manifestação de Todas as Formas Físicas. O Bodhisattva Som Maravilhoso, residindo neste samadhi, pode beneficiar incontáveis seres viventes”.

Quando este capítulo sobre o Bodhisattva Som Maravilhoso foi pregado, todos aqueles que tinham acompanhado o Bodhisattva Som Maravilhoso, oitenta e quatro mil ao todo, obtiveram o Samadhi da Manifestação de Todas as Formas Físicas. Incontáveis Bodhisattvas no mundo Saha também obtiveram este samadhi, bem como o dharani[1].

Naquela ocasião o Bodhisattva Mahasattva Som Maravilhoso, tendo feito oferecimentos ao Buda Shakyamuni e à torre do Buda Muitos Tesouros, retornou para a sua própria terra. As terras por onde ele passou tremeram de seis formas diferentes, preciosas flores de lótus choveram dos céus, e centenas de milhares de miríades de kotis de músicas tocaram.

Quando ele chegou à sua terra, cercado pelos oitenta e quatro mil Bodhisattvas, ele apresentou-se ao Buda Sabedoria do Rei da Constelação Pura Flor e disse: “Honrado pelo Mundo, estive no mundo Saha onde beneficiei os seres viventes. Eu vi o Buda Shakyamuni e a torre do Buda Muitos Tesouros, saudei-os, e fiz-lhes oferecimentos. Eu também vi o Bodhisattva Manjushri, o Príncipe do Dharma, bem como o Bodhisattva Rei da Medicina, o Bodhisattva que Adquiriu o Poder do Esforço Diligente, o Bodhisattva Doador Intrépido, e outros, e possibilitei a oitenta e quatro mil Bodhisattvas obterem o Samadhi da Manifestação de Todas as Formas Físicas”.

Quando este capítulo sobre o trânsito do Bodhisattva Som Maravilhoso foi pregado, quarenta e dois mil seres celestiais obtiveram a compreensão da verdade do não-nascimento e não-extinção de todos os fenômenos. O Bodhisattva Virtude da Flor obteve o Samadhi da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa[2].

 

[1] Este samadhi também chamado Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, e que permite manifestar todos os tipos de corpos, é o mesmo que no passado permitiu ao Bodhisattva Alegremente Visto Por Todos os Seres manifestar quaisquer formas físicas, após a exposição do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa pelo Buda Pura Virtude e Brilhante como o Sol e a Lua. Este Bodhisattva Virtude da Flor do presente Capítulo 24, foi no passado o Buda Pura Virtude e Brilhante como o Sol e a Lua do Capítulo 23, e será o Buda Pura Virtude e Brilhante como o Sol e a Lua do Capítulo 23 do futuro e que retransmitirá esse samadhi para o Bodhisattva Alegremente Visto por Todos os Seres do futuro, hoje Bodhisattva Rei da Medicina. Este Bodhisattva Som Maravilhoso, transposto do remoto passado graças aos poderes transcendentais do Buda, que já serviu e fez oferendas a um imensurável número de Budas e que há muito plantou raízes de virtude e encontrou centenas, milhares, dezenas de milhares, milhões de nayutas de Budas iguais em número às areias do rio Ganges; é o próprio Buda Shakyamuni do presente, dando consistência do princípio ao fim. Este poder manifestado pelo Buda Shakyamuni é a Verdadeira Possessão Mútua, e este samadhi e dharani chamado Flor de Lótus da Lei Maravilhosa – Myoho-Rengue-Kyo – é a Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos. Os oitenta e quatro mil Bodhisattvas que acompanham o Bodhisattva Som Maravilhoso são os oitenta e quatro mil caracteres do Sutra Lótus. Cada um desses caracteres, sendo um Bodhisattva, possui a natureza inerente de Buda, significando que o samadhi desse Bodhisattva Som Maravilhoso abrange todo o sutra. Mais ainda, a entonação do mantra-dharani
chamado Flor de Lótus da Lei Maravilhosa (Myoho-Rengue-Kyo) corresponde a entoar o Sutra de Lótus em sua íntegra.

[2] “Flor de Lótus da Lei Maravilhosa” é o próprio título deste sutra que em sânscrito se denota por ‘Saddharma-Pundarîka’. Quando acrescido da palavra “(Sutra) da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa”, torna-se ‘Saddharma-Pundarîka Sotaram’, que em caracteres chineses se traduz por ‘Myoho-Rengue-Kyo’.

Extraído do CAP. 24: O Bodhisattva Som Maravilhoso.

O Ato da Transmissão da Lei

27 27UTC jun 27UTC 2008

Tags: Iluminação Perfeita e Imediata, Transmissão da Lei

Naquela ocasião, o Buda Shakyamuni levantou-se de seu trono da Lei e manifestou grandes poderes espirituais. Com sua mão direita ele tocou o topo da cabeça de ilimitados Bodhisattvas Mahasattvas e disse: “Através de ilimitadas centenas de milhares de miríades de kotis de asamkhyas de kalpas, eu tenho cultivado e praticado a rara Lei do Anuttara-Samyak-Sambodhi. Eu agora a transmito a todos vocês. Devem, com um pensamento único, propagar esta Lei, fazendo-a disseminar extensivamente”.

Dessa forma, ele tocou o topo da cabeça dos Bodhisattvas Mahasattvas por três vezes, dizendo: “Através de ilimitadas centenas de milhares de miríades de kotis de asamkhyas de kalpas, eu tenho cultivado e praticado a rara Lei do Anuttara-Samyak-Sambodhi. Eu agora a transmito a todos vocês. Devem receber, ostentar, ler, recitar e proclamar vastamente esta Lei, fazendo com que todos os seres viventes ouçam-na e compreendam-na[1]”.

 “Por que razão? O Tathagata é grandemente piedoso e compassivo, sem mesquinhez e sem receio. Ele é capaz de conceder aos seres viventes a sabedoria do Buda, a sabedoria do Tathagata e a sabedoria que vem por si mesma[2]. O Tathagata é um grande anfitrião dadivoso para todos os seres viventes. Sendo assim, todos devem estudar adequadamente as Leis do Tathagata e nunca se tornarem mesquinhos[3]”.

 

[1] Neste ato o Buda Shakyamuni faz a Transmissão da rara Lei do Anuttara-Samyak-Sambodhi (iluminação suprema e perfeita), aos incontáveis Bodhisattvas Mahasattvas presentes.

[2] Refere-se à sabedoria de Buda infinitamente profunda e imensurável. Uma sabedoria que excede a razão humana e que através desta não pode ser alcançada. Por isso, vem por si mesma, emanando daqueles que alcançam a iluminação do Buda.

[3] “… nunca se tornarem mesquinhos”. A sabedoria e o mérito são atributos que somente o Buda pode conferir a um Bodhisattva, neste caso, um mortal comum. Esses atributos estão além daquilo que a razão humana possa conceber, entender ou relacionar com as coisas do mundo tríplice. Nutrir sentimentos de avareza e inveja significa, num sentido, relacionar os atributos da Lei com os valores mundanos. A inveja e a avareza são também as inspirações dos que buscam a fama e a fortuna, ferindo o exato âmago deste Sutra.

Extraído do CAP. 22: A Transmissão.

Os Três Tesouros, O Grande Peixe e o Pescador

29 29UTC mai 29UTC 2008

 Tags: Buda, Grande Veículo, Lei, Lei Maravilhosa, Sangha, Sem Desprezo, Sonhos, Sutra de Lótus

“Grande Força, em razão dos quatro tipos de crentes, Monges, Monjas, Leigos e Leigas daquela época terem me injuriado odiosamente, durante duzentos kotis de kalpas eles não mais encontraram um Buda ou sequer ouviram o Dharma ou encontraram-se com a Sangha[1]. Durante mil kalpas eles sofreram grande tormento no Inferno Avichi. Tendo recebido a sua punição, eles novamente encontraram o Bodhisattva Sem-Desprezo, que ensinou-os e converteu-os ao Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

“Grande Força, o quê você pensa? Poderiam os quatro tipos de crentes na assembléia daquele tempo, que constantemente desprezaram este Bodhisattva, serem desconhecidos para você? Eles são nada mais que o Bodhisattva Bhadrapala e seu grupo de quinhentos Bodhisattvas presentes nesta assembléia, Leão da Lua e seu grupo de quinhentos Monges[2], e Sugatachetana e seu grupo de quinhentos Leigos, todos tendo alcançado o estágio de não regressão na busca pelo Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

[1] Que são os três tesouros do Budismo: O Buda, a Lei e a Sangha.

[2] Esses Monges são como o Grande Peixe que, enredado nas malhas dos ensinos provisórios, debatendo-se, acaba por agarrar-se na singela linha do Pescador Benevolente. Dando à praia, esse Pescador Benevolente, com a ajuda do seu filho, cuidará de libertá-lo das amarras e grilhões que o ferem e aprisionam, devolvendo-lhe às águas para recuperar-se da sua fadiga e ferimentos. Por mais que o Grande Peixe desejasse demonstrar a sua gratidão dando à praia novamente para fazer oferecimentos ao Pescador Benevolente e seu filho, este lhe devolveria sempre às águas para, junto dos demais, levar adiante a sua função existencial. Perguntado sobre seu nome, o Grande Peixe respondeu: “Monge. Meu nome é Monge”. O Grande Peixe é aquele Monge que caluniou o Bodhisattva Sem-Desprezo; a tênue e singela linha é o ensino do Grande Veículo, difícil de encontrar; e o Pescador Benevolente é o advento do Buda neste mundo, cujo propósito é libertar todos os seres viventes das amarras e grilhões dos ensinos inferiores. (em 30/05/2006 – 03h30min).

Extraído do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo.

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