CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Mensagem de Ano Novo

28 28UTC dez 28UTC 2007

 Tags: Flor de Lotus

Que o ano vindouro de 2008 seja para você como o desabrochar de uma
Flor de Lótus.

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Apresentação de Fotos

Obs: Sugiro usar as opções para ampliar as fotos e de exibição dos seus respectivos títulos.

Religião? O que é?

12 12UTC out 12UTC 2006

Religião? O que é?


4ª parte

A turbulência de uma sociedade é medida pelo grau de insatisfação de cada indivíduo. No mundo Budista não há lugar para a lamentação que gera a insatisfação, e que gera a frustração. Este ciclo afasta a pessoa da sua verdadeira função existencial, transformando o lugar onde essa pessoa vive num verdadeiro inferno. Não há grades e cães que bastem para refrear os mais insatisfeitos.

A arte da vida está em edificar sobre escombros. Escombros estes que, antes de significarem a extinção dos valores de uma civilização, sociedade ou experiência individual; significam sim o triunfo da Lei Última da Vida e da Morte. Se assim não o fosse, estaríamos para sempre condenados a trilhar os maus caminhos, sem nenhuma conseqüência para os acertos e erros que perpetramos em cada momento de nossas vidas. Seria como não ter os méritos (bons e maus) do passado e nem o direito ao futuro pelo quê fazemos. Exatamente, os méritos do passado resultam no quê somos, e aquilo quê somos no presente, resultará no quê seremos no futuro.

A arte de edificar sobre escombros requer Sabedoria para identificar a profundidade e robustez dos valores sobre os quais nos apoiaremos; requer Fé para acatar e incorporar a Verdadeira Lei da Vida, a qual em muitos aspectos foge à razão humana; requer Coragem para, honestamente, descartar os falsos valores e soterrá-los para sempre na nova experiência. A isto tudo chamamos “arte” porque o requisito resultante dos três acima citados (Sabedoria, Fé e Coragem) pode ser traduzido simplesmente como talento ou vocação para a vida. Para aqueles que não os possuem, a vida estará mais para um jogo de azar. Mas, para aqueles que os cultivam, não faltará oportunidade para exercitá-los na transposição dos obstáculos naturais que vão desde a resistência do ar, num simples caminhar, até o abismo da ignorância, causa fundamental de todos os sofrimentos. Na ausência da Sabedoria, a Fé e a Coragem possuem um alto poder destrutivo.

Considerando o que foi dito, nunca utilize as tradições transmitidas oralmente ou os escritos da literatura secular como guias ou “Manuais de Instrução para a Auto-Realização”, algo que eles não podem ser devido à limitada visão e experiência dos seus autores. Seu objetivo real deveria ser o de estimular mentes a refletirem acerca das suas próprias experiências, e a buscarem as fontes do verdadeiro saber para a sua emancipação. Fazendo assim, o leitor estará edificando sua própria obra.

Religião? O que é?

07 07UTC out 07UTC 2006

Religião? O que é?

3ª parte

Podemos identificar três mundos onde a vida manifesta seus diferentes aspectos (SANSEKEN), a saber: das relações sociais (abrangendo as relações familiares); das relações com a natureza e; das relações da mente com o corpo. Neste sentido, as religiões, enquanto um meio-expediente para a iluminação de todas as pessoas, devem se fundamentar na rearmonização das relações do indivíduo nestes três mundos. Se não o fazem, é porque são falhas na sua ação-básica. Pior, podem ser desencaminhadoras na medida em que induzam os seus seguidores a ignorarem os dessemelhantes dentro da própria família ou no círculo social próximo; a usurparem das falhas da sociedade onde vivem; e a transgredirem a própria razão humana e a sua consciência na propalação de dogmas absurdos, nos quais nem eles acreditam. “Na sociedade em que vivemos, há muitos cujas ações diferem das suas palavras, ou seja, enquanto falam de coisas maravilhosas, agem de forma totalmente oposta. A realidade é que há casos em que, como os líderes de certas organizações, denominando-se religiosos, muitos vêm ensinando a outros, de forma irresponsável, algo que nem eles sequer conseguem colocar em prática”(12).

Ao invés do fanatismo religioso (crença cega) ou da doutrinação em massa, instrumentos comumente usados por muitos, o Budismo opta pela “abertura dos olhos” do homem como ser social e, através da sua evolução na sociedade e na vida familiar, transforma a fé num poderoso instrumento restaurador dos verdadeiros valores humanos. Os verdadeiros Budistas não se escondem dentro das facções religiosas, políticas ou ideológicas. Antes disso, apresentam-se à sociedade como um ser indagador, consciente de suas atribuições e pronto para a promoção da paz e da cultura. Fazem-no como verdadeiros Bodhisattvas da Terra, aqueles portadores e agentes do Grande Veículo. “Estes Bodhisattvas da Terra, conforme consta das escrituras, não se misturam à podridão do ambiente e não deixam penetrar o lodo e a lama e, tal como a água em que se encontra a flor de lótus, também não se separam deste lodo. Assim, imbuídos de grande benevolência, com sólida e poderosa determinação, propagam a Verdadeira Lei”(12). Observa, aliás, Nitiren Daishonin em uma das suas escrituras: “Quão mais profundo o lodo, maior o esplendor da flor de lótus”.

Religião? O que é?

02 02UTC out 02UTC 2006

Religião? O que é?

2ª parte

Deve-se esperar, então, que uma religião proporcione ao seu seguidor os meios para o seu auto-aperfeiçoamento, levando-o à percepção da verdade última de todos os fenômenos. O mundo de todos os fenômenos, enquanto realidade objetiva, só pode ser percebido e compreendido, com sabedoria, através de uma ação correta. Relembrando a constituição básica de uma oração (aquela das aulas de gramática), a conexão do sujeito ao objeto se dá através do predicado (o verbo que representa a ação). Pergunta-se: a oração de uma religião deveria ter essa mesma constituição? Rigorosamente sim, devendo exprimir com clareza a sua finalidade (intenção) e o seu objetivo. Essa oração deveria unicamente incorporar a prática daquela religião.

Isto significa que uma verdadeira religião deve de maneira inequívoca estabelecer uma ação-básica para a apreensão da sabedoria intrínseca do mundo fenomenológico (objeto), na fusão desta com a sabedoria subjetiva (sujeito). “Quando esse mundo objetivo estiver dotado de verdade de imensurável amplitude e profundidade, a sabedoria para perceber a sua própria verdade será também imensurável, ampla e profunda”(4). As especificidades desta ação-básica são a identidade de uma religião; ou seja, a sua doutrina específica, o seu objeto de adoração e a sua intenção ou propósito. E mais, essa ação-básica (ou prática religiosa) deve trazer no seu bojo uma norma de conduta baseada em princípios sólidos e verdadeiros, não restrita aos encontros entre os iguais nos interiores dos templos, mas, extensiva às relações familiares, sociais e, num sentido mais amplo, às próprias relações do homem com o meio-ambiente, suas relações com o mundo e a natureza. Isto tudo sem contar as insondáveis relações da mente de uma pessoa para consigo mesma (seu corpo, sua realidade individual). “A verdadeira religião é sempre acompanhada da prática, portanto, por mais que um ensino possa parecer formidável como argumento, se não for possível pô-lo em prática, torna-se um ensino vazio.”(4)

Religião? O que é?

28 28UTC set 28UTC 2006

Religião? O que é?

1ª parte

Não há nada mais real e verdadeiro do que um fato concreto diante dos nossos olhos. Não é? E se a ocorrência desse fato é prevista com exatidão, não pela capacidade premonitória de alguns, mas por uma Lei; então, essa Lei é Verdadeira e oferece uma Prova Real. Não é? A diferença básica está em que uma premonição antecipa a ocorrência de fatos isolados no futuro próximo ou distante. A Lei é diferente. Uma Lei estabelece uma relação causal inexorável, perpetuando a ocorrência do fato (ou efeito) sempre que a causa estiver presente.

Grandes incêndios, grandes enchentes, fortes ventos, secas, fome, conflitos internos, epidemias, invasão estrangeira, guerras. Tais são as calamidades e desastres previstos para uma nação quando sua sociedade torna-se desrespeitosa e hostil à Verdade. Às portas do novo século, e mesmo com toda a bagagem científica acumulada nos últimos cem anos, a humanidade parece impotente diante de fenômenos naturais (leia-se reações) resultantes da desagregação do sistema vida-meio-ambiente (incêndios, enchentes, secas, fome, etc.); da desagregação social (conflitos e guerras); e da violação da integridade individual (violência, doenças físicas, mentais e epidemias). Essas ocorrências assolam as civilizações há milênios, nada tendo em particular com a nossa época ou com o fim do mundo.

Todavia, se fizermos um mapeamento da freqüência e da intensidade dessas ocorrências sobre o globo terrestre, começaremos a notar que a distribuição desses “fenômenos” é heterogênea em qualidade, quantidade e intensidade. Parece haver regiões do planeta com mais “vocação” para este ou aquele tipo de calamidade. Claro que sim! Conflitos internos, invasões estrangeiras e guerras são desastres típicos das regiões do planeta onde coabitam diversas crenças religiosas. Uma torna-se o espelho dos erros da outra e não há paz. Já as calamidades dos incêndios, secas, fome endêmica, enchentes, etc.; são típicas das regiões onde há predomínio de 1(uma) religião e não resultam de contendas, mas, da ignorância. Em todos os casos, porém, a causa fundamental de todas as calamidades e desastres está em crenças cegas, errôneas e falsas doutrinas; e a razão fundamental de vivermos numa “casa em chamas” encontra-se no Sutra de Lótus: “…as pessoas preferem os ensinos inferiores, são pobres de virtudes e abundantes na corrupção.” (3)

Uma verdadeira religião deve ter como objetivo primordial a correta percepção do mundo fenomenológico. “Buda é aquele que atingiu a verdade (iluminação) no remoto passado e cujos ensinos visam conduzir todas as pessoas à mesma percepção da verdade tal como Ele o fez” (4). Buda, portanto, não existe como um Ser Supremo fora da vida das pessoas, mas sim como um estado de vida potencial e inerente à própria vida de todos os seres sensíveis e insensíveis. Como a essência da vida, dos sofrimentos aos prazeres, está nessa percepção da realidade, resta saber se essa percepção é correta, ampla e profunda; tal como o foi na iluminação do Buda. Nitiren Daishonin escreveu em Resposta ao Lorde Soya: “O mundo objetivo é o corpo de todas as leis, a sabedoria subjetiva significa o aspecto de iluminar e revelar o referido corpo”. (4)

Um Sonho Sobre o Passado

22 22UTC set 22UTC 2006

Um Sonho Sobre o Passado

Eu estava deitado de bruços sobre uma espécie de tablado e não tinha total visão à minha volta. Ouvia o som da recitação do “Nam-Myoho-Rengue-Kyo” bem compassado e uma voz profunda. Havia também um surdo solitário com uma batida singela coincidindo com o som de “Nam”. Com este som ao fundo, vi claramente inscrições do Daimoku do Sutra de Lótus ( ou seja, Myoho-Rengue-Kyo) em três colunas. O Daimoku era assim recitado, com uma batida profunda do surdo sobrepondo-se ao som do “Nam”.

Enquanto isso, do lado para o qual o meu rosto estava virado, três homens, um de cada vez, fizeram evoluções ao som da recitação do Daimoku. Eram saltos (piruetas) que eles davam no ar, apoiados em uma perna só, mas à frente, bem alto e depois de algumas piruetas (acho que três cada um) eles se deitavam ao chão e ficavam imóveis. Eram esguios e um estava de branco, um de preto e outro de vermelho, em trajes típicos.

Quando isso terminou, o tablado em que eu me encontrava começou a andar velozmente. Lembro-me que eu tinha receio de bater a cabeça nas paredes e pelas portas por aonde ia passando; mas, eu dizia para eu mesmo não me mexer. Fui empurrado até um determinado local. Chegando lá, levantei-me e vi quem havia me empurrado até lá: André e Fernanda, meus filhos. Fiquei em pé, sai daquele local e fui para outro. Acordei em 15 de abril de 1989.

Até hoje nada me convence do contrário. Tudo isso aconteceu quando sofri aquele acidente de automóvel em 18 de maio de 1978 e fiquei à beira da morte. O tablado era uma maca e o local da correria foi o Hospital das Clínicas de São Paulo. O detalhe é que meus filhos não haviam nascido quando tudo aconteceu, e eu próprio viria a me tornar Budista cerca de 9(nove) anos após o acidente.

A Razão, do Abrangente ao Restrito

16 16UTC set 16UTC 2006

A Razão, do Abrangente ao Restrito

“No reinado de um sábio, a razão irá prevalecer. Mas, quando reina um soberano tolo, a falta de razão terá supremacia”. (Nitiren Daishonin em “A Abertura dos Olhos”) (6).

“Numa democracia, o soberano não é ninguém senão o povo, a coletividade”(8). Do abrangente ao restrito, aquilo que sabemos ou pensamos (sujeito), e aquilo que vemos (objeto), não difere daquilo que somos (ação). Ainda que o aspecto individual de uma única pessoa revele inequivocamente quem a governa no âmbito restrito; o aspecto de uma coletividade, de uma sociedade e de uma nação não revelará quem a governa, mas quem nela habita, no sentido abrangente.

Emprestando mais um termo da Física, a democracia é uma proposta de superestrutura social, onde cada indivíduo é da mesma qualidade do todo, onde cada indivíduo é instrumento da vontade dos demais e, em nome dessa vontade, aciona uma prensa, avia um receituário ou empunha a caneta dos poderes estabelecidos. Todavia, e como numa religião, “por mais que uma doutrina possa parecer formidável como argumento, se não for possível pô-la em prática, torna-se um ensino vazio”(4). Uma democracia torna-se uma doutrina vazia quando não posta em prática. Torna-se vazia e, como ali cada indivíduo é da mesma qualidade do todo, todos se esvaziam da própria responsabilidade, transferindo-a para outrem. Torna-se um verdadeiro “salve-se quem puder” ou “primeiro eu”.

Qual a evidência da perda da razão em uma democracia?

Certamente, o aparecimento de líderes que não advogam pelas maiorias. Este é o primeiro sinal e o mais grave indicador de uma profunda ruptura na base democrática. Segue-se, como conseqüência dessa ruptura, a formação de grupos dominantes os quais, seja pelo poder econômico ou pelo poder político, tentam impedir a alternância no poder, negando alternativas à massa votante. Essa degenerescência surge primeiramente nos pequenos organismos (no restrito) para, depois, refletir-se nas grandes instituições (no abrangente). Um dos mais consagrados engodos (adulação astuciosa segundo o dicionário Aurélio) da organização social democrática é o da minoria oprimida. A opressão só se instala com o consentimento das minorias, por omissão ou impotência; ou com o consentimento de todos nós, indivíduos, sós, minoria absoluta. Segue-se o descrédito nas instituições, o voto útil. Já que não podemos evitar, locupletemo-nos. Segue-se a desagregação social. Ninguém faz mais nada por ninguém. Segue-se a perda da identidade do ser social, a perda da integridade individual e floresce a corrupção em todos os segmentos da sociedade. Em sucessão, surgirão os desastres e as calamidades.

Um líder que quando se pronuncia, em redes televisivas e radiodifusivas, todos desligam os seus aparelhos: esse é o Executivo. Câmaras municipais, distritais, estaduais e federais omissas, a defender seus próprios interesses, a legislar em causa própria: esse é o Legislativo. Juízes milionários que tergiversam o corpo das leis, atuando nos seus interstícios, subvertendo as verdadeiras intenções das leis e tornando a subjetiva interpretação mais forte que a própria lei: esse é o Judiciário. Numa passagem do Sutra do Nirvana o Buda Sakyamuni afirma: “Confiar na Lei, e não na pessoa” (6). Segue-se então a impunidade e a máxima de uma sociedade desagregada: “o crime compensa”.

Antes de isso tudo acontecer, todavia, os sábios e protetores da nação ter-se-ão retirado e, desta sorte, tudo se passa sem que se esboce reação, qualquer que seja. A própria doença começa a dosar as suas investidas contra o organismo doentio que não reage, apenas para que esse organismo não morra; pois, uma vez morto o organismo, morta estará a doença.

Qual a evidência da retirada dos sábios e protetores da nação?

A fome, o desemprego, os conflitos sociais, a violência, as contendas judiciais sem fim, o escárnio da ignorância, doenças desconhecidas, epidemias, ventos fortes, enchentes, incêndios, ingestão de poderes externos nos assuntos da nação.

Isso tudo poderia ser uma evidência objetiva, mas qual a evidência lógica da retirada dos sábios e protetores da nação afinal?

Somente os ignorantes podem valer-se da miséria como plataforma política. Um mal que aniquila e mata o organismo no qual se instala e do qual se nutre, é o pior dos males. “Se alguém estivesse para matar nossos pais e então tentasse oferecer-nos um presente, poderíamos aceitá-lo? Nem Budas, nem deuses e nem os sábios aceitariam oferecimentos daqueles que caluniam a Lei” (Nitiren Daishonin em “Carta a Niike”) (11).

Mas, a escuridão não possui a propriedade da Lei, isto é, a capacidade de propagar-se. Este é o Paralelo Perfeito. Ela, a escuridão, só se manifesta na ausência da Lei. A luz, entretanto, pode debelar a mais profunda escuridão. Isto aponta para a necessidade de restabelecer a Verdade e iluminar a realidade da nação em todos os seus aspectos.

Basta! Do restrito ao abrangente, como reconduzir as pessoas e a nação ao caminho da razão?

Conforme Nitiren Daishonin observa em sua escritura intitulada “A Abertura dos Olhos”, já na época do Confucionismo na antiga China considerava-se: “Se uma pessoa leva a ordem à sua família, cumpre as exigências do amor filial e pratica as cinco virtudes constantes da benevolência, retidão, decoro, sabedoria e boa fé, os seus amigos a respeitarão e seu nome será conhecido em todo o país. Se há um sábio governante no trono, ele convidará tal pessoa para ser seu ministro ou conselheiro, ou pode inclusive tornar-lhe chefe da nação. O céu irá proteger e cuidar de tal pessoa”(6). Tais atributos ainda não são tudo, mas essenciais para tornar a pessoa um receptáculo da Grande Lei e, assim, torná-la uma propagadora da mesma. Em outro caso, na ausência de tais atributos, pode-se chamar essa pessoa de devoradora da Lei.

Que Lei é esta?

Somos Nós.

Homenagem a Nitiren Daishonin

12 12UTC set 12UTC 2006

Homenagem a Nitiren Daishonin

Esta é uma tradução livre dos dizeres da gravura abaixo, ilustrativa da “Perseguição de Tatsunokuti”, uma tentativa frustrada de decapitação do Bonzo Nitiren Daishonin ocorrida em 12 de setembro de 1271.

“Tatsu No Kuti”
(Boca do Dragão)

O Bonzo Nitiren Daishonin, venerado como o Mestre dos Mestres, possuindo altas virtudes e considerado como capaz de salvar dezenas de milhares de pessoas foi incriminado falsamente e condenado à morte por uma autoridade de péssima reputação, sendo então conduzido ao cadafalso de “Tatsu No Kuti” (Boca do Dragão), onde reinava completa escuridão, pois já não havia a luz do luar.

Naquele instante, inesperado vendaval desceu à terra em redemoinho e no céu espalharam-se estranhas nuvens que, juntamente com relâmpagos e trovões ecoando em todas as direções, transformaram-se em fortes chuvas, derrubando os muros em volta do cadafalso e rasgando o pano das cortinas, enquanto fortes descargas elétricas iluminavam alternadamente o cenário.

Repentinamente, do canto sudeste do céu, surgiram estranhas luzes, que eram grandes como a lua cheia e rápidas como as flechas, fazendo com que as montanhas e rios tremessem, como se o céu e a terra fossem se desmanchar. O renomado sabre “Jadô-maru”, empunhado em posição de iminente desfecho pelo algoz Tomosaburo Naoshigue, que estava atrás do Grande Mestre, foi então partido em três pela ira dos deuses celestiais.

As Três Verdades

07 07UTC set 07UTC 2006


As Três Verdades


3a. Parte

Os materiais no estado sólido são arranjos geométricos de lugares ocupados por átomos ou moléculas. Chamamos esse arranjo de “rede cristalina”; e ao material no estado sólido chamamos genericamente de “cristal”. Tal como numa rede, os átomos ou moléculas ocupam os “nós” daquela rede, ligando-se um ao outro pelo “fio” da rede. Cada “nó” da rede é o centro da posição de um átomo e este é o seu estado fundamental. Todavia, o átomo não fica “estacionado” no seu lugar na rede. Ele vibra, oscila como um pêndulo em torno dessa posição, e é essa vibração que o torna visível e que confere as propriedades físicas à matéria. A visibilidade da matéria e a sua própria consistência advêm dessa constante vibração dos átomos ou moléculas em torno das suas posições de equilíbrio. Essa vibração, todavia, não é caótica e sim regida por uma lei que se propaga através do material, como uma onda; isto é, o movimento é coletivo e ondulatório. Isto significa que nunca todos os átomos passam pelo centro das suas posições ao mesmo tempo. Se assim não o fosse, a matéria teria uma existência “pulsante”, perdendo a visibilidade e consistência momentaneamente, cada vez que todos os seus átomos constituintes passassem ao mesmo tempo pela posição de equilíbrio. Por essa razão, a matéria, tal como a conhecemos, é um fenômeno ondulatório e a sua própria “existência” é conseqüência de um nível mínimo de vibração que lhe confira propriedades físicas. A este nível mínimo de vibração chamamos “energia do ponto zero”.

Como no modelo anterior, a amplitude de oscilação de um átomo em torno da sua posição de equilíbrio na rede também é discretizada (ou seja, quantizada, uma escada); isto é, existem estados ou modos de vibração. Aqui os pacotes mínimos de energia ou “quantas” absorvidos ou emitidos pelos átomos recebem o nome específico de “fônons”, os quais são unidades e agentes portadores da energia de vibração. O átomo pode ser “arrancado” da sua posição ao absorver uma quantidade de energia maior que a energia que o prende na sua posição própria da rede. É como se arrancássemos uma laranja do galho onde ela se prende à árvore. Com um pouco de força, ela sai. Quando isto acontece, o átomo migra (fica vagando) através dos vazios da rede, deixando atrás de si uma lacuna (um buraco). O número de saltos pela rede que um átomo dá até encontrar o seu lugar - ou o lugar deixado por outro átomo semelhante também deslocado - reassumindo uma posição própria, convencionou-se chamar de caminho-médio na Física. A identidade de um átomo é de natureza dinâmica e ele só existe como uma individualidade durante o tempo em que ele “vaga” sem encontrar um lugar. No mais, quando preso a uma posição própria da rede, ele é parte de uma superestrutura que dá consistência ao material, não existindo o átomo como uma individualidade. Com os “buracos” (lacunas) ocorre o mesmo. Eles só possuem uma identidade transitória, enquanto não ocupados pelos átomos. Tanto o deslocamento médio em torno da posição de equilíbrio da rede como o número de saltos que um átomo dá até encontrar um lugar (lembre-se da dança das cadeiras), fenomenologicamente são a mesma coisa: imperfeições, distorções, coisa fora do lugar. Portanto, tudo o que vemos, sondamos ou medimos pelos métodos físicos (ou seja, por interferência), são sistemas de pequenos defeitos associados dentro da perfeição (um campo primordial?). Isto me faz aceitar o fenômeno da vida, e o próprio universo conhecido, como um sistema de falhas associadas ( os nove estados ) dentro da perfeição ( Buda ). Do lado oposto de Buda (perfeição) está a amorfia, ou seja, ausência da ordem, entropia máxima, o caos ( estado de inferno ).

Temos agora um paralelo da Física para a possessão mútua (degraus entre os andares), para a transitoriedade (trânsito entre posições próprias), para a não-substancialidade (a lacuna) e para o caminho-médio (o átomo deslocado do seu lugar).

As Três Verdades

05 05UTC set 05UTC 2006

As Três Verdades


2a. Parte

Simplificando o modelo atômico, os elétrons, girando em torno do núcleo tal como a Terra e os demais planetas giram em torno do Sol, são uma mesma entidade em estados diferentes (energias diferentes, órbitas diferentes). Quanto maior o nível de excitação (energia absorvida) de um elétron, maior a distância deste para o seu estado fundamental. Ilustrativamente, imagine as motocicletas dentro do “globo da morte”. Ao serem aceleradas, recebendo energia dos seus motores, as motocicletas “grudam” no globo e, girando em órbitas cada vez maiores, atingem o seu topo. Se faltar aceleração, elas vão caindo até estacionarem no ponto mais baixo do globo. Este ponto mais baixo é o estado fundamental e a passagem das motocicletas por todos os outros pontos é o trânsito. O fenômeno que pode “arrancar” um elétron do seu estado fundamental, ou reconduzi-lo a este, é um fenômeno transitório bem conhecido. O elétron o faz, como a motocicleta, absorvendo ou emitindo energia em quantidades mínimas, ou pacotes de energia. Na Física, esses pacotes mínimos de energia receberam o nome de “quantas” (uma designação genérica para os pacotes). Os “quantas” de energia absorvidos ou emitidos pelos elétrons recebem o nome específico de “fótons”, os quais são unidade e agentes portadores da radiação luminosa (luz). O fato de o elétron só poder receber ou ceder energia em pacotes, revela a existência de estados intermediários entre um estado energético qualquer e o estado fundamental. Esses pacotes de energia são como degraus de uma escada, do topo à base, por onde transitam os elétrons.

Pois bem, as órbitas possíveis são macro-estados como os andares de um edifício. Entre esses andares, existem micro-estados ou os degraus das escadas que os unem. Neste caso, a transição poderá se dar entre os macro-estados (diretamente de um andar para o outro) ou entre micro-estados (degrau por degrau da escada), dependendo da natureza do fenômeno.

Temos aqui um paralelo da Física para a transitoriedade (trânsito entre os andares) e para a possessão mútua (os degraus da base ao topo dos andares, interligando-os).

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