CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Feliz Aniversário !!!

14 14UTC jul 14UTC 2007

Parabéns a Todos!!!

O blog Cristal Perfeito – A Trilha do Grande Veículo completa um ano. Neste período, cumpriu o objetivo de publicar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa em sua íntegra, para o benefício de todos os seres.

Mas, o que isso significaria não fossem as 24.000 visitas que recebeu? Esses “contatos” com o Sutra de Lótus, considerados os fatores multiplicadores, nortearão os passos de incontáveis seres na busca da Via Insuperável. Por essa razão,

Parabéns a Todos!!!

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O Bom e Sábio Conselheiro

30 30UTC jan 30UTC 2007

O Bom e Sábio Conselheiro

Prandini escreve:

Caro Marcos,

Eu intuí que tivesse sido isto. Eu sabia que o menino tinha o seu nome mas não imaginava que também tivesse o meu. Depois vc me explica porque a figura dele é a do “Bom e Sábio Conselheiro”.

Bem, na realidade a compartimentação que vc disse que estou fazendo é uma alusão à forma vigente de se olhar para tudo, inclusive as pessoas, e que nos foi ensinada desde o nascimento e continuará vigindo por muito tempo ainda provavelmente.

Não é a forma mais elevada ou inteligente de se olhar pessoas, mas existe.

O que é sim a minha forma de ver é a que admite o externo como diferenciador das expressões de um mesmo fundamento, mas não um determinante importante do que quer que seja.

Dizer que não somos impactados pelo aspecto geral de uma pessoa é nos candidatar a uma ingenuidade descabida. Ainda que nus, temos todos diferenciais, uns em relação aos outros.

Ainda que cegos, nos diferenciaríamos por som, tato, cheiro e sei lá mais o que.

A ponderação que se faz das diferenças estéticas ou outras de ordem física, por assim dizer, é que conta. Claro que não só seres humanos como tudo e todos são interligados a uma coisa só. Que quando olho para o outro, ainda que tão diferente de mim, estou olhando para mim mesmo como parte destacável (no sentido de dar destaque), porém indissociável unidade.

Destacável porque somos indivíduos, e indissociáveis por sermos partes da expressão do todo e, portanto, integrantes deste. Reconhecer a individualidade é tão importante quanto reconhecer a indissociabilidade - se o termo existe.

Meu treinamento, pergunta vc.

Ainda não começou efetivamente porque, como vc percebeu, ainda estou matraqueando e isso tira o necessário silêncio interior da verdadeira observação, como imagino que ela seja. Mas é o meu caminho, minha forma de aproximação, a minha espiral. Posso até dizer que já comecei algo. Superficial ainda. Difícil pra burro, mas possível. Claro que, como disse, comecei com os mais palatáveis e, ainda assim, é difícil. A contradição é que, teoricamente, não acredito em meia consciência como não creio em meio grávida. O que vale para o palatável, vale para o execrável. E agora? Continuarei tentando e vou ler novamente a Teoria Geral da Fatalidade que talvez derrube tudo que está escrito aí em cima.

Um grande abraço,

Prandini

30/11/2006.

Marcos responde:

Prandini,

Nem sempre aquilo que nos oprime é um “mau conselho”. Às vezes é a razão a nos oprimir, em retribuição aos nossos erros. Às vezes é a verdade a nos oprimir, em retribuição às nossas ilusões e visões distorcidas. Às vezes é uma Lei Superior a nos oprimir: o triunfo da lei da vida e da morte. Em todos esses casos, um “Bom e Sábio Conselheiro” está a atuar como uma função benéfica, sem dúvida. Assim, eu vi a curta passagem de Marcos Wagner por este “Mundo Saha”, que traduzindo significa “Mundo da Tolerância”. Quando você ler o Capítulo Doze: Devadatta, você compreenderá melhor essa figura do “Bom e Sábio Conselheiro”.

No Budismo, rigorosamente, não há distinção entre os seres, mas sim entre as relações causais, que podem ser entendidas como circunstâncias que cercam a vida de uma pessoa: esta é a Lei do Carma. Os Físicos chamaram esse conjunto de relações de “nuvem de probabilidades”. Nada existe com certeza num determinado tempo e lugar, há apenas uma “tendência” de que isso ocorra dentro de uma “nuvem de probabilidades”. Se isto ocorre com as partículas atômicas, deve ocorrer também conosco que somos feitos de átomos. No nosso caso, veja você, chamados organismos superiores, esta verdade só não é mais dramática em razão da “desordem” que se estabelece nesses tais organismos superiores. Entenda: todo o defeito, toda a distorção possui um “caminho médio” que é o seu desvio médio para o estado fundamental. É por isso que nada que conhecemos dura para sempre. O aspecto (aparência) de uma pessoa ou coisa é apenas um dos 10(dez) aspectos a considerar para perceber a Verdadeira Entidade que está por trás de todos os fenômenos. Você encontrará uma descrição desses 10(dez) aspectos no Capítulo Dois: Meios Hábeis. No blog, essa descrição está em COMENTÁRIOS - CAPÍTULO II.2. Não deixe de ler. Está ficando longo demais.

um abraço.

Marcos.

01/12/2006.

Visite também Cristal Perfeito : "O Espelho"

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O Poder das Visões Distorcidas

15 15UTC jan 15UTC 2007

O Poder das Visões Distorcidas

Prandini escreve:

Olá Marcos.

A diferença entre entender e compreender fica clara na história de um conhecido meu em uma aula de inglês que, após ler o texto para a classe, a professora perguntou o que êle havia entendido e o sujeito respondeu: “Ô professora, a senhora pediu para ler ou para entender?” Isso aconteceu.
Humorismos à parte, fica realmente clara a diferença entre o entender e o compreender. Cuidemos porém, porque isto corre o risco de ser apenas um “entender” também.
Parece-me que o primeiro esforço de uma pessoa nesse sentido é perceber a diferença na diferença percebida, entende? Ou seja, a minha percepção entre as duas coisas é um entender ou um compreender? É um pouco correr atrás do próprio rabo. Mas prefiro ter a dúvida de quem tem a percepção do que a percepção de quem não tem clareza. Isso me parece ser um primeiro passo para esse entendimento de coisas.
A questão do “aos outros como a si mesmo”, me parece, passa por entender a raça humana como sendo uma árvore originada da mesma semente onde somos galhos, troncos, flores, frutos, folhas ou qualquer forma particular pertencente ao todo chamado árvore. Na realidade essa origem comum deve ligar tudo que existe até a mais elementar manifestação de matéria …Mas voltando ao caso da árvore…
Pode a flor explendorosa olhar de esguelho para o raminho mirradinho?
Pode!!!
Pode? É, pode.
Ela é mais linda, mais explendorosa. É a ela que as abelhas procuram, que as pessoas admiram. Ninguém diz que linda árvore galhadinha, mas sim que linda árvore florida! É ela que gerará o fruto que gerará a semente que gerará outras árvores que gerarão outras flores que olharão outros galhinhos mirradinhos de esguelho. Isso, obviamente, é uma humanização da planta para nos compararmos, e dentro dessa linha, até o galhinho, se pudesse escolher, escolheria ser flor! Ser mais agradável e colorida do que ser galhinho. Nem o galhinho que sustenta a flor êle aceitaria ser. Nada desse consolo de que “sem vc a flor cairia …” Quero ser flor! É assim no nível objetivo. É assim no plano de obviedades. Nosso dia a dia.
Tudo isso muda a essência? Os faz, galhinho e flor, originados de sementes diferentes? Os condena a fazer menos parte do todo?
O que faz a diferença é o olhar que se tem. Ou talvez um certo estado interno que se estabelece antes do olhar ainda. Explico-me, ou tento, por comparação com outra situação.
Uma vez li um autor, que não me lembro o nome, dizer algo que resumidamente é o seguinte:
“Por que uma águia é feliz sendo uma águia e um elefante é feliz sendo um elefante? Porque não existe nem pretensão nem julgamento. Porque um não pretende ser o outro. Aliás, o conceito pretender é completamente alheio à natureza de ambos, e à própria natureza com exceção dos homens.”
Portanto é o olhar que vc diz “de dentro” que fará a diferença. O olhar pré-objetividade.
Mas veja o quão difícil é. Deveríamos entrar na nossa “pré-natureza humana”. Naquilo que nos aproxima da águia e do elefante conceitualmente. Observarmo-nos com a energia radiestésica, sei lá! Ou nem nos observarmos no sentido julgador ou avaliador do termo.
Em resumo, outro olhar!
Realmente, como diz vc, muito difícil.
Um complicador a mais.
Quando falamos em semelhantes começamos a nos referir aos “quase iguais”. Ou seja, pessoas que diferem em coisas como cor, sexo, posição social, inteligência e coisas “mais light”. Nesse âmbito a coisa é mais palatável.
De novo é o outro olhar que nos acode. É ver no galhinho minha essência de flor ou, o que talvez seja tão difícil quanto, ver na flor minha essência de galhinho. Ver por trás da manifestação estética e funcional. E aí ocorre a pergunta: Se não é para fazer diferença, porque as diferenças existem? Respondo ou acho que respondo: “para fazer diferença!”.
A questão é em que faixa de observação estamos. Com que olhos estamos olhando.
Porque até agora falei de apenas em entender, porque o compreender nem escrever real talvez se possa. Nesse nível de atividade, a distância entre a compreensão e o entendimento faz pouca diferença (embora a raiz da distância já esteja plantada e seja apenas uma questão de muito ou pouco podre)
Mas e naquele fundo de penitenciária como é?
Caramba! Nem resolvi o fácil e já temos o difícil? Isso talvez também deva fazer parte da mudança de paradigmas.
Bom meu amigo Mucamargo, veja só em que reflexões vc me enfiou. E eu estou apenas no terreno da falastronice ainda. Boas coisas poderão vir. Eu estou adorando isso, ainda que correndo o risco de devolver com bobagens as suas tentativas de me esclarecer.
Acho bom deixar vc falar um pouco.

Um grande abraço meu amigo.

Prandini

25/11/2006

Marcos responde:

Prezado Amigo,

O que me levou ao Budismo foi o sofrimento extremo, insuportável, pela morte de uma criança. Chamava-se Marcos Wagner, tinha o nosso nome. Você estava lá, em Campinas, Fevereiro de 1987, lembra-se? A figura de Marcos Wagner no Budismo é a do “Bom e Sábio Conselheiro”, aquele que aponta o caminho.

Mas, voltando ao nosso assunto, tentemos manter o foco na questão da visão/percepção. A questão da semântica, aqui, é irrelevante. Se você continuar fazendo distinção entre flores e ramos, acabará como os Físicos que tanto subdividiram o núcleo atômico e as suas partículas elementares, que acabaram constatando a existência de partículas que somente este ou aquele pesquisador, em seu ambiente, conseguia “ver”. Naufragaram na subjetividade dos próprios pesquisadores. Como podemos explicar o Universo assim, a partir de uma tola subjetividade (ou seria vaidade?). Lembre-se que estávamos falando de “seres” e não de partes deles. Releia a “Teoria Geral da Fatalidade”, sobre a questão da observação a partir das convenções que criamos. Agora, se você começar a imaginar todos os seres, visíveis ou não, perceptíveis ou não, como partes de um todo harmonioso; você poderá “escapar” desta prisão do bem e do mal, desta visão compartimentada de tudo, que é como uma casa em chamas. A porta de saída, desta casa em chamas, é estreita. Como vão seus exercícios diários do olhar sem distinção sobre todos os seres?

um abraço.

30/11/2006.

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O Impossível como Meta

27 27UTC dez 27UTC 2006

O Impossível como Meta

Prandini escreve:

Marcos,

Foi exatamente isto que eu imaginei para o verbo “Budar”. Não cheguei à ausência do ser supremo até porque eu o vejo de maneira mais causal do que determinativa, mas posso também refletir a respeito.
Imaginei que pelo “”Budar”, todos potencialmente se budariam, o que na minha concepção ignorante é ampliar ao extremo a consciência universal entre outras coisas.
A dificuldade para mim são os termos que por vezes me parecem saidos de uma mandala, de tão fantasiosos e elaborados. Coisas como “O portal do magnífico ser de luz” (inventei a figura de linguagem óbviamente). Faltam-me referências e informações nesse sentido.
Bem, aparentemente não errei por muito né?
Um abraço

Marcos responde:

Prandini,

Antes de mais nada, vamos estabelecer uma diferença entre entender e compreender, mesmo que seja só para nós. Entender significa conceber algo através de um procedimento lógico. Compreender significa abarcar, incorporar, experimentar uma verdade, estabelecer uma idéia ou fundamento nas profundezas do nosso ser, fazendo-o através de nossas próprias vidas. Se estiver de acordo, vamos à leitura do trecho abaixo, extraído do Capítulo Dez: Os Mestres da Lei.

“Naquela ocasião, o Buda falou uma vez mais ao Bodhisattva Mahasattva Rei da Medicina: ‘de todos os ilimitados milhares de miríades de milhões de Sutras que eu tenho pregado, digo agora e direi no futuro que o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é o mais difícil de crer e o mais difícil de compreender’”.

Como um primeiro passo, pergunto-lhe: você já tentou olhar, respeitar e reverenciar todos os seres como sendo iguais em essência, sem fazer distinção entre eles (de etnia, cor, gênero, aparência, condição social, facilidade para aprender, dotes físicos e tantos outros diferenciais que criamos para classifica-los)?

Já sei a resposta: Ah, não dá! Isto é impossível, vou desistir.

Não desista. Coloque o impossível como uma meta. Transforme o ato de olhar, respeitar e reverenciar todos os seres sem fazer distinções em um exercício diário. Mesmo que você não alcance a meta do impossível, através desse esforço você abrirá um caminho. Esse caminho é a Via do Bodhisattva Sem Desprezo, que é a Via percorrida pelo Buda Sakyamuni e que, por sua vez, é o caminho mais curto.

Comece hoje mesmo, não perca tempo com vãs erudições acerca da Sabedoria do Buda. A Sabedoria do Buda é compartilhada apenas entre Budas. Essas erudições são uma invenção daqueles que, julgando-se superiores aos outros, vão contra o exato âmago deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, destruindo para sempre as sementes da sua própria iluminação.

Se você concordar, meu velho amigo, vou criar uma seção para “Cartas” no blog e publicar essas coisas. Por quê? Porque muitos são os que querem saber, mas poucos são os preparados para indagar. O indagador, na Grande Assembléia, é o segundo em importância. É em razão da sua capacidade de indagar que o Buda expõe os seus mais profundos ensinos.

em 24/11/2006.

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Budar: Alguma Luz para este Poço Escuro

17 17UTC dez 17UTC 2006

Budar - Alguma Luz para este Poço Escuro

Prandini escreve:

Marcos,

Tudo é alternadamente compreensível, para mim, e sem sentidos contínuos, se é que posso usar esta expressão. Às vezes é como olhar uma pintura de Picasso onde aparece a orelha na testa ou no lugar do olho. Diante da estranheza, vê-se que na realidade êle desconstruiu a perspectiva e apenas jogou-a em um lugar pouco (na realidade nada) convencional, mostrando na frente algo que só se vê de lado. Outras vezes tudo é mais simples, parecendo até um conto infantil (sem desmerecer óbviamente).

Vem-me algo na parte dos presságios do passado no presene, mas não consigo me fixar bem. Fica para impressões futuras.

Mas, a impresão que mais me fica é a de que o Budismo prega que a pessoa conjugue acima de tudo o verbo “”Budar”” (não à tôa colocado entre quatro aspas) e que qualquer pessoa que o conjugue pela via das ações reais tenderá a ser o verbo ou se aproximar assintoticamente dele.

Cheirei?

Mande alguma luz para este poço escuro.

Abraço e grato pelo texto. Eu ainda não o havia lido e lerei mais vezes para ver se a cheirada acima se confirma.

Marcos responde:

Vamos lá Prandini.

Vamos ver se entendemos a mesma coisa por “Budar”.

“Budar” significa a pessoa ver o Buda na sua própria mente. O Buda reside no vazio subjacente às nossas próprias vidas. Você, como todos os outros, está cansado de mergulhar nesse vazio através dos seus sonhos. Isso mesmo: sonhos. É por essa razão que de lá, do mundo dos sonhos, não se traz nada para a realidade objetiva, somente informações.

“Budar” significa abandonar a idéia de que possa existir um ser supremo fora da nossa realidade.

“Budar” significa tornar-se Buda.

Então, Budismo é para Budas, a prática Budista é a prática dos Budas, a ação do Budista é a ação dos Budas, o pensamento do Budista é o pensamento dos Budas; enfim, o desejo do Budista é o desejo dos Budas: tornar todos os seres iguais a ele, sem distinção. Essa, também, é uma promessa solene do Buda, a qual jamais deixará de se cumprir.

Se a pessoa não compreende isto, ela não é Budista. De nada adiantará ler milhares de livros ou recitar milhões de mantras na busca de uma compreensão que ela não possui. Pratica-se o quê e para quê? Para assistir aos outros tornarem-se Budas? É como tentar capturar o reflexo da lua num lago, sem saber que a lua é um esferóide suspenso no ar.

Se a pessoa não compreende isto, ela não consegue penetrar o portal do Annutara-Samyak-Sambodhi. Pior do que isso, nenhuma sabedoria Búdica perpassará a sua mente, iluminando o mundo real. Ela viverá na escuridão.

Vamos aos poucos.

em 23/11/2006.

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Um Fio de Meada para o Budismo

04 04UTC dez 04UTC 2006

Um Fio de Meada para o Budismo

Prandini escreve:

Olá Marcos,

Não sei se você sabe, mas o Budismo sempre exerceu em mim uma grande atração. Desde muito tempo. Até andei tentando ler alguns livros, mas me pareceu um terreno árido demais para seguir sozinho e acabei desestimulado. Uma pena.

Bem, apesar do $ curto, anida não desisti daquele teu convite para ir passar um final de semana por aí . Não perder o objeitvo de vista já é um passo.Talvez isto aconteça um dia. Até lá vou tocando minha vida por aqui.

Se você tiver alguma sugestão de fio de meada para eu me aproximar do Budismo, me sugira por favor .

Um grande abraço.

21/11/2006.

Marcos responde:

Meu Prezado Amigo Prandini,

O Budismo não é alcançado através de um aprendizado convencional, um adestramento. É uma “descoberta” no profundo sentido da palavra. É um despir-se da roupagem do Mundo Tríplice (mundo da matéria, do espírito e do desejo) para “descobrir” e revelar a grande jóia que se encontra no âmago de nossas próprias vidas. O estudo (aqui representando o aprendizado convencional) e a prática (aqui representando o adestramento) são apenas meios expedientes. Acredita-se que são indispensáveis. Mas eu, pessoalmente, também acredito que essa “descoberta” possa ocorrer de forma súbita e irreversível. O texto que segue é o trecho final do Capítulo Um: Introdução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Se você já o leu, faça-o novamente. A “descoberta” está ai, logo na introdução do Sutra.

“O Mestre da Lei Luz Maravilhosa tinha um discípulo naquela ocasião cujo coração dava lugar à lassidão,
e que tinha grande apego à fama e à fortuna.
Buscando a fama e a fortuna incansavelmente,
ele freqüentemente visitava os grandes Clãs;
ele deixava de lado as suas recitações,
negligenciava, esquecia, e falhava na compreensão delas.
Estas, então, eram as razões pelas quais ele foi chamado ‘Ávido da Fama’.

Mesmo assim, ele também praticou muitas boas ações,
permitindo-lhe encontrar incontáveis Budas,
e fazer oferecimentos para todos eles.
Dessa forma,
ele trilhou o grande caminho e completou os Seis Paramitas.
Agora ele encontra-se com o Leão dos Shakyas[1];
no futuro, ele tornar-se-á um Buda chamado Maitreya,
que salvará amplamente todos os seres,
em número para além de todas as contas.

Após aquele Buda ter passado à extinção,
o indolente era tu[2],
e o Mestre da Lei Luz Maravilhosa,
era eu próprio, agora aqui presente.

Eu vi o Buda Brilho da Chama do Sol e da Lua;
sua luz e presságios eram como estes.
Assim, eu sei que o presente Buda deseja pregar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Os sinais presentes são como os presságios do passado,
são meios hábeis dos Budas.
O Buda agora emite essa luz brilhante[3] para ajudar a revelar o significado do selo real.
Todos agora compreendem,
e com o pensamento único,
juntam as palmas das mãos e esperam;
o Buda fará cair a chuva da Lei,
para satisfazer todos aqueles que buscam o Caminho.

Aqueles que procuram os três veículos,
caso tenham dúvidas ou pesares,
o Buda os removerá agora,
tal que se retirem e não permaneçam na assembléia”.

em 21/11/2006.

[1] Uma referência ao Buda Shakyamuni ou ao próprio Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

[2] Nessa passagem, sutilmente o Bodhisattva Manjushri coloca o Bodhisattva Maitreya na terceira pessoa e passa a dirigir-se a uma segunda pessoa (Tu). Tu, mortal comum, que agora te encontras diante do Leão dos Shakyas, desejoso de entender o que são esses auspiciosos sinais em versos: “o mestre do Dharma era eu” (este Sutra de Lótus que vos fala), louvado pelo Buda como “o olho do mundo, refúgio para todos, em quem podemos ter fé, capaz de honrar e promover o repositório do Dharma” (Tu).

[3] Uma luz que revela o Verdadeiro Aspecto de Todos os Fenômenos, que são como defeitos, imperfeições, distorções e discordâncias dentro de um Cristal Perfeito. Pois, tudo o quê se manifesta no mundo fenomenológico, deixa atrás de si um vazio imponderável, ao qual retornará quando a anarmonia que rege o fenômeno da sua existência for eliminada. (20/06/2006 – 17h00min).

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