CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Os Três Tesouros, O Grande Peixe e o Pescador

29 29UTC mai 29UTC 2008

 Tags: Buda, Grande Veículo, Lei, Lei Maravilhosa, Sangha, Sem Desprezo, Sonhos, Sutra de Lótus

“Grande Força, em razão dos quatro tipos de crentes, Monges, Monjas, Leigos e Leigas daquela época terem me injuriado odiosamente, durante duzentos kotis de kalpas eles não mais encontraram um Buda ou sequer ouviram o Dharma ou encontraram-se com a Sangha[1]. Durante mil kalpas eles sofreram grande tormento no Inferno Avichi. Tendo recebido a sua punição, eles novamente encontraram o Bodhisattva Sem-Desprezo, que ensinou-os e converteu-os ao Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

“Grande Força, o quê você pensa? Poderiam os quatro tipos de crentes na assembléia daquele tempo, que constantemente desprezaram este Bodhisattva, serem desconhecidos para você? Eles são nada mais que o Bodhisattva Bhadrapala e seu grupo de quinhentos Bodhisattvas presentes nesta assembléia, Leão da Lua e seu grupo de quinhentos Monges[2], e Sugatachetana e seu grupo de quinhentos Leigos, todos tendo alcançado o estágio de não regressão na busca pelo Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

[1] Que são os três tesouros do Budismo: O Buda, a Lei e a Sangha.

[2] Esses Monges são como o Grande Peixe que, enredado nas malhas dos ensinos provisórios, debatendo-se, acaba por agarrar-se na singela linha do Pescador Benevolente. Dando à praia, esse Pescador Benevolente, com a ajuda do seu filho, cuidará de libertá-lo das amarras e grilhões que o ferem e aprisionam, devolvendo-lhe às águas para recuperar-se da sua fadiga e ferimentos. Por mais que o Grande Peixe desejasse demonstrar a sua gratidão dando à praia novamente para fazer oferecimentos ao Pescador Benevolente e seu filho, este lhe devolveria sempre às águas para, junto dos demais, levar adiante a sua função existencial. Perguntado sobre seu nome, o Grande Peixe respondeu: “Monge. Meu nome é Monge”. O Grande Peixe é aquele Monge que caluniou o Bodhisattva Sem-Desprezo; a tênue e singela linha é o ensino do Grande Veículo, difícil de encontrar; e o Pescador Benevolente é o advento do Buda neste mundo, cujo propósito é libertar todos os seres viventes das amarras e grilhões dos ensinos inferiores. (em 30/05/2006 – 03h30min).

Extraído do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo.

As Profundas Práticas do Buda

21 21UTC mai 21UTC 2008

Tags: Buda, Lei Maravilhosa, Práticas, Sutra de Lótus

“Grande Força, o Bodhisattva Mahasattva Sem-Desprezo fez oferecimentos a tantos Budas quanto aqueles citados[1]: reverenciando-os, honrando-os e louvando-os; e assim plantando as raízes da benevolência. Mais tarde ele encontrou mil miríades de Budas, e durante a vigência da Lei daqueles Budas, ele pregou este Sutra. Quando seus méritos e virtudes se completaram, ele tornou-se um Buda”.

 “Grande Força, o quê você pensa? Poderia o Bodhisattva Sem-Desprezo ser desconhecido para você? Ele não era outro senão eu mesmo! Não tivesse eu nas vidas anteriores recebido, ostentado, lido e recitado este Sutra, e lhe explicado para outros, não seria capaz de atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi tão rapidamente. Em razão de ter recebido, ostentado, lido e recitado este Sutra na presença dos Budas anteriores, e lhe explicado para outros, eu rapidamente alcancei o Anuttara-Samyak-Sambodhi[2]”.

 

[1] Aqui, “tantos Budas quanto aqueles citados” indica também as pessoas comuns às quais esse Bodhisattva sempre fez reverência. Portanto, servir a um vasto número de Budas, segundo este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, significa fazer reverência, honrar e louvar todos os seres. Esta revelação, certamente, constitui um dos mais profundos segredos deste sutra. Encontrar um Buda neste mundo é extremamente raro. Então, como servir a incontáveis Budas para, somente então, atingir a iluminação? Este é um longo caminho que exigiria incontáveis kalpas para se atingir a iluminação. Este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, todavia, revela o caminho curto através desta passagem. Servir a incontáveis Budas é uma tarefa que pode ser levada a cabo numa existência momentânea da vida, bastando para isso “enxergar” o Buda que existe inerentemente em todos os seres, reverenciá-lo e louvá-lo. Isto estará sendo feito ao expor e ensinar este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa por toda a parte, a todos os seres, revelando-lhes que, infalivelmente, tornar-se-ão Budas. Mesmo seres insensíveis, aos quais não cabe ensinar o sutra, poderão ser beneficiados uma vez o sutra lhes seja exposto.

[2] Tão rapidamente em comparação com a necessidade de incontáveis kalpas para se atingir a iluminação através dos três veículos praticados por aqueles monges de grande arrogância. O Veículo Único é o caminho curto seguido pelo Buda Shakyamuni desde o infinito passado.

Extraído do CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo.


Foto de Marcos Ubirajara. Local: sítio da Dôra em 14/10/2007.

A Iluminação na Forma Presente

13 13UTC mai 13UTC 2008

Tags: Forma, Iluminação, Incomensuráveis Significados, Lei Maravilhosa, Presente, Sutra de Lótus

“Além disso, Sempre-Vigoroso, se um bom homem ou uma boa mulher, após a passagem do Tathagata à extinção, receber e ostentar este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, seja lendo, recitando, explicando-o para outros ou copiando-o, eles obterão mil e duzentas virtudes meritórias da mente. Com suas mentes purificadas, ouvindo não mais que um simples verso ou uma simples sentença deste Sutra, compreenderão ilimitados, incomensuráveis significados. Tendo compreendido esses significados, serão então capazes de expor uma simples sentença ou um simples verso ao longo de um mês, quatro meses ou até um ano. Todas as Leis eles pregarão em concordância com a real intenção e o real significado, e nunca contradirão o Verdadeiro Aspecto daquelas Leis. Se pregarem através de textos mundanos, expondo princípios morais, governamentais, ou seguindo uma carreira profissional para a sua sobrevivência, estarão sempre de acordo com a verdadeira Lei. Nos três mil grandes sistemas de mil mundos, todos os seres viventes dos seis caminhos, seus processos mentais, suas atividades mentais, as frívolas convicções em suas mentes, tudo isso eles conhecerão completamente. Embora não tenham ainda ganho a sabedoria sem falhas, ainda assim as suas mentes serão tão puras como descrito. Todos os pensamentos destas pessoas, cálculos ou pronunciamentos, estarão de acordo com a Lei Búdica, nunca serão falsos, e estarão de acordo com o que foi pregado nos Sutras dos Budas anteriores[1]”.

 

[1] Com os benefícios da mente, essa pessoa na sua forma presente “conhecerá as Leis superiores, medianas e inferiores. Se ela ouvir não mais que um verso, compreenderá ilimitados significados e os pregará em plena concordância com a Lei”, entendendo as características de todos os fenômenos. Essa pessoa, dotada dos benefícios dos demais órgãos sensoriais do corpo e da mente aqui descritos, é reputada pelo Buda como “Mestre da Lei”, pois, “o quê esta pessoa diz é a Lei dos Budas anteriores, e em razão de ela expor em acordo com esta Lei, ela o faz destemidamente na assembléia”. O Buda ainda afirma “Embora ele ainda não tenha atingido a sabedoria sem falhas, ele já possuirá as marcas acima descritas”. Ao conjunto de benefícios auferidos pelo Mestre da Lei, e expostos acima, podemos nos referir como atingir a iluminação na forma presente.

Extraído do CAP. 19: Os Méritos e Virtudes do Mestre da Lei.


Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 22/09/2007.

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