CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

O Grande Filantropo

30 30UTC abr 30UTC 2008

Tags: Dharma, Filantropo, Grande Veículo, Lei Maravilhosa, Nirvana, Sutra de Lótus

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:

“Suponha uma pessoa que na assembléia do Dharma venha a ouvir este Sutra,
mesmo que apenas um simples verso,
e alegre-se em concordância e pregue-o para outros,
e dessa forma o ensinamento seja passado,
até alcançar o qüinquagésimo ouvinte.
As bênçãos alcançadas por esta última pessoa serão descritas em detalhes agora:

Suponha que exista um grande filantropo que ofereça donativos a incontáveis multidões,
de todos os tipos que queiram,
durante oitenta anos completos.

Vendo-os velhos e decrépitos,
com cabelos brancos e faces enrugadas,
seus dentes esparsos, seus corpos arqueados,
ele pensa: ‘Não tarde morrerão.
Devo agora instruí-los,
tal que possam obter o Fruto da ViaÂ’.

Então ele habilmente expõe-lhes a verdadeira Lei do Nirvana:
‘Este mundo não é um lugar seguro.
É como espuma, bolha de sabão, ou uma centelha.
Todos vocês devem urgentemente nutrir sentimentos de repulsão a ele[1]’.
As pessoas, ao ouvirem o Dharma,
todas atingem o estado de Arhat,
obtém os Seis Poderes de Penetrações Espirituais,
as Três Compreensões e as Oito Emancipações.

A última pessoa, a qüinquagésima,
que ouviu um simples verso (deste Sutra) e alegrou-se em concordância com ele,
obtém benefícios que excedem os da pessoa anterior (do filantropo),
os quais estão além do poder da analogia expressá-los.
Se os benefícios de alguém que o ouve em propagação são tão ilimitados,
quão maiores não serão os benefícios de quem , na assembléia,
foi o primeiro a ouvi-lo e alegrou-se[2].

[1] Esta é a Lei do Nirvana. Pode-se depreender desta passagem que este “grande filantropo” é o próprio Buda em suas pregações anteriores ao Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, nos seus oitenta anos de pregação dos ensinos provisórios. Percebe-se também ser essa “Verdadeira Lei do Nirvana” um ensino em prol do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, ou um mero meio hábil para conduzir os seres viventes ao Grande Veículo.

[2] Esta é uma clara distinção entre os benefícios auferidos através da apreensão da Lei do Nirvana, que em termos do Sutra de Lótus ainda é um ensino provisório; e aqueles auferidos através da aceitação com alegria de um único verso do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa pela qüinquagésima pessoa que o ouve em propagação, e mais ainda por aquele que foi o primeiro a ouvi-lo e alegrou-se.

Extraído do CAP. 18: Os Méritos e Virtudes da Alegre Concordância.

Os Benefícios da Alegre Concordância

16 16UTC abr 16UTC 2008

Tags: Benefícios, Flor de Lotus, Lei Maravilhosa, Méritos, Sutra de Lótus, Virtudes

“Suponha que em quatro milhões de kotis de asamkhyas de mundos, em meio a seres viventes dos seis caminhos da existência[1] e dos quatro tipos de nascimentos que são o ovo, o útero, a umidade e a transformação[2]; aqueles com forma, aqueles sem forma, aqueles racionais, aqueles irracionais, aqueles não totalmente dotados de raciocínio, aqueles não totalmente desprovidos de raciocínio, aqueles sem pernas, aqueles com duas pernas, aqueles com quatro pernas, aqueles com muitas pernas, e assim por diante; haja uma pessoa que em busca de bênçãos dê-lhes todo o tipo de coisas agradáveis que eles desejem, dando a cada ser um continente Jambudvipa inteiro repleto de ouro, prata, lápis-lazúli, madrepérola, carnelian, coral e âmbar, gemas preciosas e raras, bem como elefantes, cavalos, carruagens, palácios e pavilhões feitos dos sete tesouros”.

“Este grande filantropo, dessa forma, concedeu doações durante oitenta anos completos. Então ele pensou: ‘Já dei aos seres viventes essas muitas coisas agradáveis de acordo com os seus desejos. Todavia, esses seres viventes estão velhos e decrépitos, com mais de oitenta anos de idade, cabelos brancos e faces enrugadas. A hora da sua morte não está longe. Instrui-los-ei através da Lei Búdica’”.

“Ele então reuniu os seres viventes e expôs-lhes a Lei para instruí-los, concedendo-lhes benefícios e agradando-lhes tanto que todos eles alcançaram o caminho do Srotaapanna, o caminho do Sakridagamin, o caminho do Anagamin e o caminho do Arhatship[3], eliminando todas as falhas, obtendo conforto em todas as profundas concentrações Dhyana, e alcançando as oito emancipações”.

“O quê você pensa? Seriam grandes ou não os méritos e virtudes deste grande filantropo”?

Maitreya disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, os méritos e virtudes desta pessoa seriam extremamente grandes, imensuráveis e ilimitados. Se o filantropo tivesse dado aos seres somente brinquedos, seus méritos e virtudes já seriam ilimitados. Quanto mais seriam se ele os habilitou a atingirem a fruta do Arhatship”!

O Buda disse a Maitreya: “Eu agora lhe direi plenamente: os méritos e virtudes obtidos por esta pessoa, que doou brinquedos para seres viventes dos seis caminhos da existência em quatro milhões de kotis de asamkhyas de mundos, e que além disso levou-os a obter a fruta do Arhatship, não se iguala aos méritos e virtudes da qüinquagésima pessoa que ouviu mesmo que um simples verso do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa e alegrou-se em concordância com ele[4]. Seu mérito não se iguala à centésima parte, à milésima parte, a uma centésima milésima miríade milionésima parte, e assim por diante, até que ela não possa ser expressa ou conhecida através do cálculo ou analogia”.

“Ajita! Os méritos e virtudes da qüinquagésima pessoa que ouviu o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa e alegrou-se em concordância com ele são ilimitados, incomensuráveis e incalculáveis. Quanto mais não os são os méritos e virtudes daquele que em meio à assembléia o ouviu pela primeira vez e alegrou-se em concordância com ele. As bênçãos daquela pessoa serão supremas, sem limites, sem medida, sem expressão e além das comparações”.

[1] Correspondendo aqui aos 6(seis) mundos inferiores (do estado de inferno ao estado de alegria).

[2] Estes são os quatro tipos de nascimentos, ou as quatro formas através das quais os seres viventes vêm a existir.

[3] Na ordem, Srotaapanna – morre e renasce sete vezes e, finalmente, alcança o estado de Arhat; Sakridagamim – ascende aos céus (depois da morte), regressa uma vez mais à terra e obtém, então, o estado de Arhat; Anagamim – no fim da vida ascende ao 19o. paraíso e alcança o estado de Arhat; Arhat – é um santo capaz de viajar pelo espaço e assumir diferentes formas. Sua vida é eterna e representa o último estágio alcançado através das práticas dos ensinos que tratam dos aspectos transitórios dos fenômenos. Na ordem, seguem os ensinos que incorporam os aspectos da não-substancialidade aos da transitoriedade. Finalmente, seguem os ensinos do que incorporam o conceito do caminho médio aos aspectos da não-substancialidade e da transitoriedade.

[4] Nesta passagem o Buda faz a distinção entre todos os méritos e virtudes auferidos por aquele filantropo que proporcionou aos incontáveis seres viventes em quatro milhões de kotis de asamkhyas de mundos alcançarem o estado de Arhat, beneficiados pelos ensinos provisórios; e os benefícios auferidos por uma única qüinquagésima pessoa que ouve apenas um verso do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa (um ensino para instruir Bodhisattvas) e o aceita com alegria. Por que os méritos e virtudes auferidos por aquele filantropo não superam aqueles de uma qüinquagésima pessoa que ouve apenas um verso do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa e o aceita com alegria? Ora, porque aqueles ensinos dirigidos para os seres dos seis mundos não os conduzem à Budeidade. Conduzem, quando muito, ao mundo celestial, sendo esses caminhos ainda dominados pela transitoriedade e pela impermanência de todos os fenômenos, até atingir o estado de Arhat (“aquele que venceu os inimigos”, venceu os demônios do nascimento, da velhice, da doença e da morte, através das práticas do pequeno veículo; ou seja, através das práticas para si). Estamos falando da transposição do ciclo da vida e da morte - que aprisiona os seres dos seis mundos – para o nirvana provisório. Este estado de Arhat é também chamado de estado de erudição ou ouvinte, sétimo estado ou o primeiro dos quatro nobres caminhos (Erudição, Absorção, Bodhisattva e Buda).

Extraído do CAP. 18: Os Méritos e Virtudes da Alegre Concordância.


Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 30/09/2007.

As Três Grandes Distinções e o Mestre da Lei

09 09UTC abr 09UTC 2008

Tags: Lei Maravilhosa, Mestre da Lei, Oferecimentos, Paramitas, Prática, Sutra de Lótus, Virtude

“Se uma pessoa, após a minha passagem à extinção,
puder reverentemente manter este Sutra,
suas bênçãos serão ilimitadas,
como acima descrevi[1].
Porque então, ela completará todas as formas de oferecimentos,
e construirá torres votivas às relíquias adornadas com os sete tesouros,
torres altas e amplas, alcançando os Céus Brahma,
ornamentadas com milhões e milhões de sinos cravejados de jóias,
emitindo sons maravilhosos ao vento.
E também, ao longo de ilimitados kalpas,
aquela pessoa fará oferecimentos, a esta torre,
de flores, incenso, contas,
trajes celestiais e todas as variedades de música.
Ela queimará óleos fragrantes em lamparinas,
reluzindo brilhantemente todo o seu redor.
Numa era de maldade, durante o crepúsculo da Lei,
aquela pessoa poderá manter este Sutra,
e poderá então, como mencionado acima,
realizar todos aqueles oferecimentos.
Se uma pessoa puder manter este Sutra,
será como se, na presença do próprio Buda,
ela usasse sândalo cabeça-de-boi para construir aposentos para a Sangha,
como um oferecimento a eles.
Esses trinta e dois salões,
medindo oito árvores tala na altura,
repletos de finas iguarias, indumentárias e aposentos,
onde centenas de milhares possam se acomodar,
serão amplamente adornados com jardins,
bosques, lagos para banho,
trilhas e grutas para a meditação dhyana.

Ela poderá, com fé e compreensão,
receber, manter, ler, recitar e escrever,
ou requisitar a outros escreverem,
e fazer oferecimentos a este Sutra,
espalhando flores, incenso e pós perfumados,
e constantemente queimar óleos fragrantes em lamparinas,
feitos de sumana, champaka e atimuktaka.
Aquele que fizer tais oferecimentos obterá ilimitados méritos e virtudes.
Assim como o espaço vazio é infinito,
assim serão suas bênçãos[2].

Muito maior é o mérito daquele que mantém este Sutra,
mas que também pratica a doação, observa preceitos,
que é paciente e deleita-se no samadhi dhyana,
que nunca é odioso ou mal-falado,
e que é reverente nas torres e templos,
humilde para com os Monges, livre de arrogância,
e sempre meditando sobre a sabedoria.
Essa pessoa poderá refrear a ira quando indagado sobre questões difíceis,
e será complacente quando fizer explanações.
Aquele que puder desenvolver tais práticas terá ilimitados méritos e virtudes[3].

Se virmos um Mestre da Lei dotado de virtudes como estas,
deveríamos espalhar flores celestiais e oferecer-lhe trajes celestiais,
curvarmos com as nossas cabeças aos seus pés,
e considerá-lo como se fosse um Buda.
Deveríamos ainda pensar:
‘Tão logo ele chegue ao Bodhimanda,
atingirá a sabedoria sem falhas e incondicional,
e beneficiará amplamente seres celestiais e humanos’.
Onde quer que tal pessoa esteja,
andando, sentada ou reclinada,
ou pregando mesmo que um simples verso,
deveríamos construir uma torre,
maravilhosamente fina e adornada,
e fazer-lhe todos os tipos de oferecimentos.
O discípulo do Buda, residindo neste lugar,
o considerará como se fosse o Buda,
sempre perseverando nisto,
andando, sentando ou reclinando”.

[1] Primeira distinção dos benefícios. Refere-se a escolher este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa dentre os demais ensinos.

[2] Segunda distinção dos benefícios. Refere-se a quem elege o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa dentre os outros ensinos e ainda o propaga e lhe faz oferecimentos.

[3] Terceira distinção dos benefícios. Refere-se aos que elegem o Sutra de Lótus dentre os outros ensinos, o promovem, fazem-lhe oferecimentos e se conduzem exemplarmente como descrito.

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.


Foto de Marcos Ubirajara. Local: sítio da Dôra em 15/09/2007.

A Prática do Sutra de Lótus Rumo ao Bodhimanda

03 03UTC abr 03UTC 2008

Tags: Bodhimanda, Lei Maravilhosa, Paramitas, Prática, Sutra de Lótus

“Uma pessoa pode ler, recitar, receber, e manter este Sutra, explicá-lo aos outros, copiá-lo, ou induzir os outros a copiá-lo, e pode, além disso, construir torres votivas ou aposentos para a Sangha. Ela pode fazer oferecimentos e louvar a Sangha de Ouvintes, e louvar os méritos e virtudes dos Bodhisattvas através de centenas de milhares de miríades de milhões de modos. Além disso, ela pode explicar os significados contidos no Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para outros, de acordo com as suas várias causas e condições. E mais, ela pode observar puramente os preceitos, viver em harmonia com as pessoas, ser paciente e sem ódio, e ter uma sólida decisão e determinação. Ela pode sempre valorizar a meditação dhyana, obtendo a profunda concentração. Ela pode ser vigorosa e heróica, desenvolvendo-se em todas as boas doutrinas. Ela pode possuir faculdades apuradas e sabedoria, e ser hábil na resposta às questões”.

“Ajita! Se houver um bom homem ou uma boa mulher que, após a minha passagem à extinção, seja apto a receber, manter, ler e recitar este Sutra, e que também seja capaz de acumular essas outras boas ações e virtudes meritórias ditas acima, tal pessoa já está em direção ao Bodhimanda, ela já está próxima do Anuttara-Samyak-Sambodhi, e está sentada sob a árvore da Via. Ajita! Onde quer que tal bom homem ou boa mulher se encontre, se ele ou ela estiverem sentados, em pé ou caminhando, uma torre votiva deveria ser construída naquele local, e todos os seres celestiais e humanos deveriam fazer oferecimentos para eles como se fosse uma torre votiva do Buda[1]”.

[1] A estes o Buda refere-se como já portadores da sabedoria que abarca todos os fenômenos, ou já iluminados para essa sabedoria, chamando-lhes, mais adiante, de Mestres da Lei.

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.

Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 22/09/2008.

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