CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Mensagem de Ano Novo

28 28UTC dez 28UTC 2007

 Tags: Flor de Lotus

Que o ano vindouro de 2008 seja para você como o desabrochar de uma
Flor de Lótus.

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Os Benefícios da Não Extinção da Vida do Tathagata

18 18UTC dez 18UTC 2007

Tags: Bodhisattvas Mahasattvas, Lei Maravilhosa, Nâo Extinção, Não Nascimento, Sutra de Lótus

Naquela ocasião, quando a assembléia ouviu o Buda descrever o número de kalpas da duração da sua vida, ilimitados, incomensuráveis asamkhyas de seres viventes obtiveram um grande benefício. O Honrado pelo Mundo então disse ao Bodhisattva Mahasattva Maitreya: “Ajita! Quando falei da grande extensão da duração da vida do Tathagata, seres viventes numerosos como os grãos de areia de seiscentas e oito miríades de kotis de nayutas de Rios Ganges obtiveram a Consciência do Não-nascimento de todos os Fenômenos”.

 “Também, um número mil vezes maior de Bodhisattvas Mahasattvas obtiveram o dharani-portal da audição e apreensão.

Também, Bodhisattvas Mahasattvas numerosos como as partículas de pó de um pequeno sistema de mundos obtiveram a eloqüência do deleite na pregação sem obstruções.

Também, Bodhisattvas Mahasattvas numerosos como as partículas de pó de um pequeno sistema de mundos obtiveram o dharani das cem mil miríades de kotis de ilimitadas repetições (do aprendizado).

Também, Bodhisattvas Mahasattvas numerosos como as partículas de pó de um grande sistema de mundos tornaram-se capazes de girar a irreversível Roda-da-Lei.

Também, Bodhisattvas Mahasattvas numerosos como as partículas de pó de um sistema de mundos de tamanho médio tornaram-se aptos a girar a pura Roda-da-Lei.

Também, Bodhisattvas Mahasattvas numerosos como as partículas de pó de um pequeno sistema de mundos tornaram-se destinados a alcançar o Anuttara-Samyak-Sambodhi após oito existências.

Também, Bodhisattvas Mahasattvas numerosos como as partículas de pó de quatro mundos de quatro continentes tornaram-se destinados a alcançar o Anuttara-Samyak-Sambodhi após quatro existências.

Também, Bodhisattvas Mahasattvas numerosos como as partículas de pó de três mundos de quatro continentes tornaram-se destinados a alcançar o Anuttara-Samyak-Sambodhi após três existências.

Também, Bodhisattvas Mahasattvas numerosos como as partículas de pó de dois mundos de quatro continentes tornaram-se destinados a alcançar o Anuttara-Samyak-Sambodhi após duas existências.

Também, Bodhisattvas Mahasattvas numerosos como as partículas de pó de um mundo de quatro continentes tornaram-se destinados a alcançar o Anuttara-Samyak-Sambodhi após uma única existência.

Também, seres viventes numerosos como as partículas de pó de oito sistemas de mundos tomaram a decisão pela consecução do Anuttara-Samyak-Sambodhi[1]”.

 

[1] Por que tais imensuráveis benefícios? Ora, a duração da vida do Buda tal como exposta, estando sempre aqui sem nunca extinguir-se, revela a inerência do estado de Buda na vida de todos os seres de todos os mundos em todas as direções. Esse profundo ensino beneficia indistinta e amplamente incontáveis seres viventes, bem como Bodhisattvas Mahasattvas.

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.

A Natureza Intrínseca de Todos os Fenômenos

12 12UTC dez 12UTC 2007

Tags: Cinco Desejos, Estado de Buda, Lei Maravilhosa, Pico da Águia, Sutra de Lótus, Terra Pura, Via do Buda

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:

“Desde quando atingi o Estado de Buda,

os kalpas, que então se passaram,

são em número de ilimitadas centenas de milhares de miríades de kotis de asamkhyas.

Desde então, eu tenho pregado a Lei para ensinar e converter incontáveis milhões de seres viventes,

tal que eles possam entrar na Via do Buda.

Através desses ilimitados kalpas,

no sentido de salvar seres viventes,

expedientemente manifesto o Nirvana.

Mas, na verdade, eu nunca passo à extinção.

Eu permaneço aqui, sempre pregando a Lei.

Eu sempre estou exatamente aqui,

e usando o poder das penetrações espirituais,

faço com que os seres viventes em sua embriaguez,

embora próximos a mim, não me vejam.

 

Quando as multidões vêem-me passando à extinção,

fazem extensivamente oferecimentos para minhas relíquias.

Com todos sentindo um forte enternecimento por mim,

em seus corações surge o desejo de ver-me.

Quando os seres viventes tornam-se fiéis e dóceis,

fortes e de pensamentos condescendentes,

e em mente única desejam ver o Buda,

sem poupar as suas próprias vidas, naquele momento,

eu e a Sangha, em assembléia,

apareceremos juntos no Pico da Águia,

onde eu digo para os seres viventes que estou sempre aqui e nunca cesso de ser.

Mas usando o poder dos meios hábeis,

eu manifesto ‘cessando’ e ‘não cessando’ de ser.

Para os seres viventes em outras terras,

que sejam reverentes, fiéis e desejosos (de ver o Buda),

eu também prego a Lei Insuperável.

Mas aqueles que não ouvem isto,

pensam que passei à extinção.

 

Quando eu vejo os seres viventes afogando-se na miséria,

ainda assim, refreio-me em manifestar-me para eles,

para causar-lhes o sincero desejo de ver-me.

Então, quando seus corações encherem-se desse desejo,

eu apareço para pregar a Lei.

Dotado de tais poderes de penetrações espirituais,

através de asamkhyas de kalpas,

eu permaneço sempre no Pico da Águia,

e também resido em outros lugares.

Enquanto os seres vêem o final do kalpa,

e tudo ser consumido pelo grande fogo,

minha terra está em paz e segurança,

sempre repleta de seres celestiais e humanos[1],

jardins e bosques, salões e pavilhões,

e variados adornos preciosos.

Há árvores de jóias com muitas flores e frutos,

onde seres viventes passeiam e deleitam-se.

Seres celestiais tocam tambores celestiais,

constantemente fazendo vários tipos de música,

e flores de mandarava são espalhadas sobre o Buda e a grande assembléia.

Minha Terra Pura é indestrutível,

embora as multidões vejam-na sendo queimada inteiramente.

 

Aflitos, aterrorizados e miseráveis,

os seres viventes encontram-se por toda a parte.

Todos esses seres com suas ofensas,

em razão das suas más causas e relações cármicas,

passam através de asamkhyas de kalpas sem ouvir sequer o nome dos Três Tesouros.

Mas todos aqueles que tenham cultivado méritos e virtudes,

que são complacentes, agradáveis e honestos;

ver-me-ão aqui, pregando a Lei.

 

Às vezes para esta assembléia,

eu prego sobre a ilimitada duração da vida do Buda.

Para aqueles que vêem o Buda somente após um longo tempo,

eu prego o Buda como sendo difícil de encontrar.

O poder da minha sabedoria,

a ilimitada iluminação da minha sabedoria,

é tal que a minha duração de vida é de incontáveis kalpas,

tendo atingido isto através de longa prática e trabalho.

Aqueles que são sábios dentre vocês,

não devem ter dúvidas sobre isto.

Erradiquem-nas, eliminem-nas por completo,

porque as palavras do Buda são verdadeiras, e não falsas.

Elas são como os inteligentes meios hábeis do médico que,

para curar suas crianças insanas,

está de fato vivo, contudo diz que está morto,

e ninguém pode dizer que ele pregue falsidades.

Eu, também, sou como um pai para o mundo,

salvando todos do sofrimento e da aflição.

 

Mas para os seres viventes, embriagados como estão,

eu prego sobre a extinção, embora de fato aqui permaneça.

De outra forma, se constantemente me vissem,

tornar-se-iam crescentemente arrogantes e preguiçosos.

Teimosos e apegados aos cinco desejos,

cairiam nos maus caminhos.

Estou sempre ciente do que fazem os seres viventes.

Aqueles que praticam a Via e aqueles que não praticam.

Eu prego várias Doutrinas em seu benefício,

para salvá-los da maneira apropriada.

Medito constantemente:

‘Como posso levar os seres viventes a adentrar a Via Insuperável e, rapidamente,

adquirir o corpo de um Buda’?”.

 

[1] Nessa passagem o Buda afirma que o estado de Buda possui também, além do estado de Bodhisattva, os demais estados, estando a sua terra “sempre repleta de seres celestiais e humanos”; afinal, neste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, o Buda provê a iluminação de todos os seres de todos os mundos das 10(dez) direções. Isto sugere que, à semelhança do Buda e dos Bodhisattvas da Terra, os seres celestiais e humanos das 8(oito) direções são também emanações daqueles que se encontram na Terra do Buda. Sendo emanações, não há nascimento e nem extinção dos seres e de toda a fenomenologia daqueles mundos das oito direções. A revelação de que os Budas das oito direções são suas emanações encontra-se no capítulo sobre o “Aparecimento da Torre de Tesouro”. Por sua vez, a revelação de que os Bodhisattvas das oito direções são emanações dos Bodhisattvas da Terra encontra-se no capítulo “Emergindo da Terra”. Neste capítulo sobre “A Duração da Vida do Tathagata” está a revelação de que todos os seres celestiais e humanos das oito direções também são emanações daqueles que se encontram na Terra Búdica. A partir dessas 3(três) revelações pode-se entender qual é a Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos, geratriz de toda a fenomenologia das dez direções. Um aspecto dessa entidade é revelado no capítulo “Emergindo da Terra” quando o Buda, juntamente com os 4(quatro) líderes dos Bodhisattvas da Terra, forma a “célula básica” que possui a forma piramidal. Essa célula, ao ser replicada preenche todo o espaço sob a Torre de Tesouro que também é piramidal com 500 yojanas de altura e 50 yojanas de lado. Essa entidade também é representada pelos dois Budas: o Buda Shakyamuni Original, que é o Buda do estado de Buda e corresponde à sabedoria subjetiva; e o Buda Muitos Tesouros ou Buda Taho, que é o Buda do estado de Bodhisattva ou o Portal Original e corresponde à realidade objetiva. Esses dois Budas encontram-se sentados na Torre de Tesouro e representam a Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos. Esses são aspectos que o Buda revela e utiliza como um meio hábil, pois, a compreensão da Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos está para além do que a razão humana pode conceber ou ponderar.

Extraído do CAP. 16: A Duração da Vida do Tathagata.

O Médico Excelente

06 06UTC dez 06UTC 2007

Tags: Bodhisattva, Corpo de Dharma, Dúvida, Grande Veículo, Lei Maravilhosa, Parábola, Portal, Sonhos, Sutra de Lótus, Vazio

“É como se existisse um bom médico, sábio e bem versado nas artes medicinais, inteligente e habilidoso na cura de uma infinidade de doenças. Este homem também tem muitos filhos, talvez dez, vinte ou mesmo cem. Então, solicitado pela clientela distante, ele viaja para um longínquo país estrangeiro. Neste ínterim, as crianças tomam algum veneno, que lhes faz rolar no chão em delírio”.

“Apenas então seu pai retorna para casa. Em razão de terem tomado veneno, alguns dos filhos perderam os sentidos, enquanto outros não. Vendo seu pai à distância, ficaram todos muito felizes. Eles curvaram-se para ele, ajoelharam e depois lhe informaram: ‘Seja bem-vindo em paz e segurança. Em razão de nossa tolice, tomamos algum veneno por engano. Rogamos que nos recupere, cure-nos, e devolva-nos nossas vidas’”.

“Vendo seus filhos em tal agonia, o pai consultou suas receitas médicas e então procurou por finas ervas, boas na cor, no aroma e no sabor. Ele então as moeu, peneirou-as, misturou-as e deu aquele composto para seus filhos tomarem. E disse-lhes: ‘Este é um excelente remédio de boa cor, aroma e sabor. Tomem-no. Sua agonia será aliviada, e não sofrerão mais tormento’. Alguns entre as crianças não haviam perdido seu sentido. Vendo aquele fino remédio com sua boa cor e aroma, imediatamente tomaram-no e sua doença foi curada completamente”.

“Embora os outros que haviam perdido os seus sentidos tenham se alegrado com a chegada do seu pai, tendo indagado sobre o seu bem-estar e procurado a cura para a sua enfermidade, recusaram-se a tomar o remédio. Qual a razão? O veneno havia penetrado-lhes tão profundamente que eles tiveram a perda dos seus sentidos, e assim diziam que o remédio de boa cor e aroma não era bom[1]”.

“O pai então pensou: ‘quão lamentáveis são estas crianças! O veneno confundiu seus pensamentos. Embora tenham se alegrado em ver-me e me solicitado que os recuperasse e curasse, ainda assim recusam um remédio tão bom como este. Devo agora utilizar-me de um meio hábil para induzi-los a tomar este remédio’. Imediatamente ele disse: ‘Saibam que já estou velho e fraco, e minha morte está próxima. Deixarei aqui este bom remédio para seu benefício. Não tenham preocupações de que ele não os curará’. Tendo instruído-lhes dessa maneira, ele então retornou para aquele longínquo país estrangeiro e de lá enviou um mensageiro para anunciar: ‘Seu pai morreu’”.

“Quando as crianças ouviram que seu pai havia morrido, seus corações encheram-se de dor, e eles pensaram: ‘se nosso pai estivesse aqui, ele seria compassivo, sentiria piedade de nós, e teríamos um salvador e protetor. Agora ele abandonou-nos ao morrer num outro país, deixando-nos órfãos, e sem ninguém em quem confiar’. Constantemente sofrendo, suas mentes então despertaram. Eles compreenderam que aquele remédio possuía boa cor, aroma e sabor. Tomaram-no imediatamente, e sua doença por envenenamento foi completamente curada. O pai, ouvindo que seus filhos tinham sido completamente curados, então retornou e todos eles viram-no[2]”.

“Bons homens, o que pensam, poderíamos dizer que este bom médico cometeu a ofensa do falso testemunho”?

“Não, Honrado pelo Mundo”.

[1] Naqueles filhos que se encontravam fora de si, surgiu o obstáculo da dúvida. Esse remédio é a fé na verdade subjacente aos ensinos deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. O Buda lhe confere atributos físicos como cor, fragrância e sabor apenas como um meio hábil para explicar a excelência do remédio.

[2] Semelhante fato ocorre com as pessoas que procuram os verdadeiros ensinos do Buda, os encontram neste Sutra, mas continuam atribuladas com as questões mundanas. Enquanto isto ocorre, o Buda permanece oculto. Isto significa que o único Buda que uma pessoa pode “ver” é aquele que reside no espaço vazio sob si mesma, em seu próprio âmago. Neste sentido, “desejar ver o Buda” significa desejar “tornar-se um receptáculo da Lei” (Corpo de Dharma) ou desejar “vir a ser Buda” (o Bodhisattva). Este é o verdadeiro e único portal do Grande Veículo, da Via recíproca que, em uma direção, faz penetrar a sabedoria do Buda e, na direção recíproca, representa o advento do Buda neste mundo (03/12/2005 – 05h30min).

Extraído do CAP. 16: A Duração da Vida do Tathagata.

O Poder do Tathagata

04 04UTC dez 04UTC 2007

Tags: Buda, Lei Maravilhosa, Sutra de Lótus

“Bons homens, se um ser vivente vem a mim, eu observo com o meu olho de Buda a sua fé e outras qualidades, bem como a acuidade ou deficiência das suas faculdades, e o conduzo à salvação da maneira mais apropriada. Em todos os lugares, embora os nomes pelos quais me identifico sejam diferentes e eu possa ser velho ou jovem, também apareço e anuncio que estou prestes a entrar no Nirvana. Eu também emprego vários meios hábeis, pregando a sutil e maravilhosa Lei, e permitindo aos seres viventes despertarem para a felicidade em suas mentes. [1]”

[1] Este é o poder do Buda.

Extraído do CAP. 16: A Duração da Vida do Tathagata.

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