CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

A Capitulação dos Bodhisattvas

26 26UTC set 26UTC 2007

Naquela ocasião, na grande assembléia, os Bodhisattvas Mahasattvas que haviam vindo de outras terras, em números que excedem os grãos de areia de oito Rios Ganges, levantaram-se, juntaram as palmas das mãos, fizeram reverência, e disseram ao Buda: “Honrado pelo Mundo, se permitir-nos, após a extinção do Buda, aqui neste mundo Saha, com um sempre crescente vigor, protegeremos, manteremos, leremos, recitaremos, copiaremos e faremos oferecimentos à este Sutra, e o proclamaremos longínqua e amplamente através desta terra[1]”.

[1] Aqui, os Bodhisattvas Mahasattvas reiteram o seu voto de propagar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa no mundo Saha. Isso se dá após a exposição pelo Buda das regras monásticas no Capítulo 14 - Conduta para a Prática Bem-Sucedida, que atenuariam ou até eliminariam os percalços preconizados no Capítulo 13 – Exortação para Abraçar o Sutra.

Extraído do CAP. 15: Emergindo da Terra.

Os Auspiciosos Sonhos de um Bem Aventurado

24 24UTC set 24UTC 2007

Após a minha extinção,

aqueles que buscarem a Via do Buda,

que desejarem obter paz e tranqüilidade,

e proclamar este Sutra,

devem ter afinidade com essas quatro leis.

Aqueles que lerem este Sutra não terão preocupações ou aflições;

serão livres de dores e doenças,

com um semblante suave e límpido.

Eles não nascerão pobres, subalternos ou famintos.

Os seres viventes ficarão felizes ao vê-los,

como se fossem meritórios sábios.

Todos os filhos dos seres celestiais agirão como seus mensageiros.

Espadas e bastões não os machucarão,

venenos não lhes causarão mal,

e se alguém injuriá-los,

sua boca será fechada.

Eles transitarão destemidamente como o rei leão.

A luz da sua sabedoria brilhará como o sol.

Em sonhos, verão apenas coisas maravilhosas.

Poderão ver os Tathagatas sentados em seus tronos de leão,

cercados por uma multidão de Monges,

e ver a forma como pregam o Dharma.

Eles também verão dragões, espíritos,

Asuras e assim por diante,

em número como as areias do Ganges,

todos reverentes, com as palmas das mãos unidas.

Eles verão a si mesmos surgindo para pregar-lhes o Dharma.

Além disso, eles verão todos os Budas,

seus corpos da cor do ouro emitindo ilimitadas luzes,

a tudo iluminando,

e proclamando todas as Leis empregando o som Brahma.

Os Budas, para as multidões dos quatro tipos de crentes,

pregarão a suprema Lei.

Eles ver-se-ão lá, também,

com as palmas das mãos unidas, louvando os Budas.

Ouvindo a Lei, alegrar-se-ão e farão oferecimentos.

Eles obterão Dharanis,

e certificar-se-ão da sabedoria da não-regressão.

Os Budas, sabendo que seus pensamentos adentraram profundamente a Via do Buda,

conceder-lhes-ão então uma profecia para a consecução da correta iluminação, dizendo:

‘Você, bom homem, atingirá, numa era futura,

a sabedoria ilimitada e a grande Via do Buda.

Sua terra será adornada e pura,

vasta e incomparável,

e lá as assembléias dos quatro tipos de crentes ouvirão a Lei com as palmas das mãos unidas’.

Eles também se verão residindo nas florestas das montanhas,

praticando todas as formas das leis,

certificando-se do Verdadeiro Aspecto de Todos os Fenômenos,

entrando profundamente na meditação Dhyana,

e vendo os Budas das dez direções.

Os Budas, com seus corpos dourados,

serão adornados com as marcas de uma centena de bênçãos.

Ouvindo sua Lei, eles a pregarão para os outros,

e sempre terão bons sonhos como estes.

Eles também sonharão que são reis que abandonam seus palácios e servos,

bem como os finos objetos dos cinco desejos,

para entrar no Bodhimanda.

Lá, sob a árvore Bodhi,

sentam no trono de leão,

buscando a Via durante sete dias,

e obtendo a sabedoria do Buda.

Após realizar a suprema Via,

eles levantam-se e giram a Roda-da-Lei e pregam o Dharma para a multidão dos quatro tipos de crentes.

Ao longo de milhares de miríades de milhões de kalpas,

eles pregam a Lei Maravilhosa e sem falhas,

e salvam ilimitados seres viventes.

Mais tarde entram no Nirvana,

como uma lâmpada se apaga quando termina seu combustível.

Se, na futura era da maldade,

eles puderem pregar esta Lei suprema,

obterão grandes benefícios,

méritos e virtudes como disse acima[1]”.

[1] Acima o Buda descreve os auspiciosos sonhos de uma pessoa capaz de observar os quatro conjuntos de regras ao expor e ensinar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Observe-se que o Buda encerra este capítulo colocando esses “sonhos” como grandes benefícios e bênçãos. Evidentemente essa percepção deriva da compreensão de que “todos os fenômenos são vazios, sem ser, sem qualquer constância eterna, sem aparecimento nem extinção”. Outra importante observação é a de que, até este capítulo, o Buda prega aos “Bodhisattvas Mahasattvas que se tinham reunido vindos das terras das outras direções, numerosos como as areias de oito rios Ganges”, e demais presentes na assembléia, antes do “Emergir da Terra” dos Bodhisattvas nunca dantes conhecidos, e que residem no vazio sob o mundo Saha.

Extraído do CAP. 14: Conduta para a Prática Bem-Sucedida.

A Glória dos Dignos e Sábios

17 17UTC set 17UTC 2007

“Assim, também, é com o Tathagata. Como grande rei da Lei nos três domínios da existência, ele usa a Lei para ensinar e converter todos os seres viventes. Vendo o exército daqueles que são dignos e sábios travando batalhas com demônios dos cinco componentes, os demônios das aflições e os demônios da morte[1]; e sendo bem sucedidos extinguindo os três venenos[2], escapando do mundo tríplice e rasgando as redes dos demônios, o Tathagata sente-se grandemente gratificado. Ele então lhes prega o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, que pode levar todos os seres viventes à Sabedoria que abarca todos os fenômenos, que erradica o ressentimento e a desavença no mundo, e que ele nunca pregou antes”.

[1] Consubstanciando o mundo tríplice dos três domínios da matéria (cinco elementos) do desejo (das aflições) e do espírito (morte).

[2] Da avareza, da ira e da estupidez.

Extraído do CAP. 14: Conduta para a Prática Bem-Sucedida.

A Proteção Que Vem do Vazio

13 13UTC set 13UTC 2007

“Além disso, Manjushri, na futura era dos últimos dias, quando a Lei estiver para extinguir-se, o Bodhisattva Mahasattva que ostenta o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa nutrirá sentimentos de grande benevolência tanto por aqueles que vivem em seus lares como por aqueles que deixaram seus lares. Ele também sentirá grande compaixão por aqueles que não são Bodhisattvas”.

“Ele pensará: ‘Para pessoas assim falta uma grande motivação. Embora o Tathagata pregue a Lei habilmente e apropriadamente, eles não ouvem, entendem, ou despertam para ela. Eles não indagam no sentido de compreendê-la ou entendê-la. Embora essas pessoas não indaguem para compreender ou entender este Sutra, ainda assim, quando eu atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi, onde quer que eles surjam, usarei o poder das penetrações espirituais e o poder da sabedoria para levá-los a permanecer dentro desta Lei’”.

“Manjushri, após o Nirvana do Tathagata, o Bodhisattva Mahasattva que mantiver isto em observância, a quarta regra, será livre de erros quando pregar esta Lei. Ele sempre receberá oferecimentos e será reverenciado, honrado e elogiado por Monges, Monjas, Leigos, Leigas, reis, príncipes, altos ministros, pessoas do povo, Brahmans, magistrados, e assim por diante. Os deuses do espaço vazio sempre o acompanharão e o servirão com o objetivo de ouvir a Lei. Se nas vilas ou cidades, selvas ou florestas, alguém desejando formular questões difíceis se aproximar dele, todos os deuses, em benefício da Lei, o protegerão dia e noite e, assim, ele fará com que os ouvintes se alegrem”.

“Por que isto? Este Sutra é protegido pelos poderes espirituais de todos os Budas do passado, do presente e do futuro[1]”.

“Manjushri, através de ilimitados kalpas, não é possível sequer ouvir o nome do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, muito menos ver, receber, manter, ler ou recitá-lo”.

[1] Significando que o fato do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa estar protegido pelos poderes espirituais de todos os Budas das três existências, torna igualmente protegidos todos os Bodhisattvas Mahasattvas que levem a cabo o conjunto de regras para a prática bem-sucedida e que, assim, não incorrem em erros ao ensinar a Lei.

Extraído do CAP. 14: Conduta para a Prática Bem-Sucedida.

Foto de Dôra. Local: Sítio da Dôra em Abril/2007.

A Paz no Dharma Correto

06 06UTC set 06UTC 2007

“O Bodhisattva sempre se deleita na tranqüilidade pregando a Lei;

no chão limpo ele prepara o seu assento,

unta seu corpo com óleo,

e lava-se do pó e da sujeira.

Vestindo roupas frescas e limpas,

completamente puro por dentro e por fora,

sentado seguramente no assento do Dharma,

ele responde as questões.

Se houver Monges ou Monjas,

reis, príncipes, altos ministros,

estudantes ou pessoas do povo,

em busca do princípio sutil e maravilhoso,

através de uma conduta harmoniosa ele prega-lhes a Lei.

Se houver questões difíceis,

ele as responde de acordo com o princípio.

Usando causas, relações e parábolas,

ele as expõe fazendo distinções.

Através do seu uso de tais meios hábeis,

todos são levados à decisão que gradualmente aumenta na medida em que entram na Via do Buda.

Abandonando pensamentos de lassidão e indolência,

libertando-se de todas as aflições,

ele prega a Lei com um sentimento compassivo.

Seja dia ou noite,

ele sempre prega o supremo ensino da Via.

Através de causas e relações,

e de ilimitadas parábolas e analogias,

ele instrui os seres viventes,

levando-os a tornarem-se alegres.

Sejam roupas, aposentos, comida, bebida ou remédios;

com relação a essas coisas,

ele não guarda expectativas.

Seu único objetivo é pregar a Lei de acordo com as relações causais;

seu desejo é realizar a Via do Buda,

e levar os seres viventes a fazer o mesmo.

Este, então, é o grande benefício:

o oferecimento da paz e do conforto.

Após o meu Nirvana,

se houver um Monge que, verdadeiramente,

esteja apto a expor acerca do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa,

sem sentimentos de inveja ou ódio,

sem aflições ou impedimentos,

ele não terá inimigos e nem detratores.

Ele também não temerá espadas ou bastões,

nem será exilado,

porque será resoluto na sua paciência[1].

Um sábio é assim:

cultivando bem suas idéias,

ele residirá na paz e no conforto.

Como explanei acima,

os méritos e virtudes desta pessoa não poderiam ser descritos completamente através de números ou parábolas,

mesmo ao longo de dez milhões de kalpas”.

[1] Nesta passagem o Buda diz que Monges verdadeiramente instruídos sobre as regras de conduta e as associações próprias de um Bodhisattva não estarão sujeitos às perseguições enumeradas no Capítulo 13 – Exortação para Abraçar o Sutra, feitas pelos Bodhisattvas em seu voto de expor o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa no mundo Saha. As distinções utilizadas pelos Bodhisattvas Mahasattvas quando se referem a uma “era vindoura” constituem uma retribuição pela discriminação que fazem: “É em razão da retribuição pela discriminação que os fenômenos vêm a existir ou a não existir, que os faz parecerem reais ou irreais, criados ou extintos”.

Extraído do CAP. 14: Conduta para a Prática Bem-Sucedida.

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