CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

O Bom e Sábio Conselheiro

30 30UTC jan 30UTC 2007

O Bom e Sábio Conselheiro

Prandini escreve:

Caro Marcos,

Eu intuí que tivesse sido isto. Eu sabia que o menino tinha o seu nome mas não imaginava que também tivesse o meu. Depois vc me explica porque a figura dele é a do “Bom e Sábio Conselheiro”.

Bem, na realidade a compartimentação que vc disse que estou fazendo é uma alusão à forma vigente de se olhar para tudo, inclusive as pessoas, e que nos foi ensinada desde o nascimento e continuará vigindo por muito tempo ainda provavelmente.

Não é a forma mais elevada ou inteligente de se olhar pessoas, mas existe.

O que é sim a minha forma de ver é a que admite o externo como diferenciador das expressões de um mesmo fundamento, mas não um determinante importante do que quer que seja.

Dizer que não somos impactados pelo aspecto geral de uma pessoa é nos candidatar a uma ingenuidade descabida. Ainda que nus, temos todos diferenciais, uns em relação aos outros.

Ainda que cegos, nos diferenciaríamos por som, tato, cheiro e sei lá mais o que.

A ponderação que se faz das diferenças estéticas ou outras de ordem física, por assim dizer, é que conta. Claro que não só seres humanos como tudo e todos são interligados a uma coisa só. Que quando olho para o outro, ainda que tão diferente de mim, estou olhando para mim mesmo como parte destacável (no sentido de dar destaque), porém indissociável unidade.

Destacável porque somos indivíduos, e indissociáveis por sermos partes da expressão do todo e, portanto, integrantes deste. Reconhecer a individualidade é tão importante quanto reconhecer a indissociabilidade - se o termo existe.

Meu treinamento, pergunta vc.

Ainda não começou efetivamente porque, como vc percebeu, ainda estou matraqueando e isso tira o necessário silêncio interior da verdadeira observação, como imagino que ela seja. Mas é o meu caminho, minha forma de aproximação, a minha espiral. Posso até dizer que já comecei algo. Superficial ainda. Difícil pra burro, mas possível. Claro que, como disse, comecei com os mais palatáveis e, ainda assim, é difícil. A contradição é que, teoricamente, não acredito em meia consciência como não creio em meio grávida. O que vale para o palatável, vale para o execrável. E agora? Continuarei tentando e vou ler novamente a Teoria Geral da Fatalidade que talvez derrube tudo que está escrito aí em cima.

Um grande abraço,

Prandini

30/11/2006.

Marcos responde:

Prandini,

Nem sempre aquilo que nos oprime é um “mau conselho”. Às vezes é a razão a nos oprimir, em retribuição aos nossos erros. Às vezes é a verdade a nos oprimir, em retribuição às nossas ilusões e visões distorcidas. Às vezes é uma Lei Superior a nos oprimir: o triunfo da lei da vida e da morte. Em todos esses casos, um “Bom e Sábio Conselheiro” está a atuar como uma função benéfica, sem dúvida. Assim, eu vi a curta passagem de Marcos Wagner por este “Mundo Saha”, que traduzindo significa “Mundo da Tolerância”. Quando você ler o Capítulo Doze: Devadatta, você compreenderá melhor essa figura do “Bom e Sábio Conselheiro”.

No Budismo, rigorosamente, não há distinção entre os seres, mas sim entre as relações causais, que podem ser entendidas como circunstâncias que cercam a vida de uma pessoa: esta é a Lei do Carma. Os Físicos chamaram esse conjunto de relações de “nuvem de probabilidades”. Nada existe com certeza num determinado tempo e lugar, há apenas uma “tendência” de que isso ocorra dentro de uma “nuvem de probabilidades”. Se isto ocorre com as partículas atômicas, deve ocorrer também conosco que somos feitos de átomos. No nosso caso, veja você, chamados organismos superiores, esta verdade só não é mais dramática em razão da “desordem” que se estabelece nesses tais organismos superiores. Entenda: todo o defeito, toda a distorção possui um “caminho médio” que é o seu desvio médio para o estado fundamental. É por isso que nada que conhecemos dura para sempre. O aspecto (aparência) de uma pessoa ou coisa é apenas um dos 10(dez) aspectos a considerar para perceber a Verdadeira Entidade que está por trás de todos os fenômenos. Você encontrará uma descrição desses 10(dez) aspectos no Capítulo Dois: Meios Hábeis. No blog, essa descrição está em COMENTÁRIOS - CAPÍTULO II.2. Não deixe de ler. Está ficando longo demais.

um abraço.

Marcos.

01/12/2006.

Visite também Cristal Perfeito : "O Espelho"

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