CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

CAPÍTULO DEZOITO: OS MÉRITOS E VIRTUDES

31 31UTC jan 31UTC 2007

CAPÍTULO DEZOITO: OS MÉRITOS E VIRTUDES DA ALEGRE CONCORDÂNCIA

Naquela ocasião, o Bodhisattva Maitreya falou ao Buda, dizendo: “Honrado pelo Mundo, se um bom homem ou uma boa mulher ouvirem este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa e alegrarem-se em concordância com ele, quantas bênçãos ele ou ela obterão”?

Ele, então, disse este verso:

“Após a extinção do Honrado pelo Mundo,
se alguém ouvir este Sutra,
e puder alegrar-se em concordância,
quantas bênçãos ele obterá”?

O Buda então disse ao Bodhisattva Mahasattva Maitreya: “Ajita! Após a passagem do Tathagata à extinção, se um Monge, Monja, Leigo, Leiga ou qualquer pessoa sábia, seja jovem ou velha, que tendo ouvido este Sutra e se alegrado em concordância, deixe a assembléia da Lei e dirija-se para um outro lugar, seja um aposento da Sangha ou um lugar tranqüilo, uma cidade, uma rua, uma localidade ou uma vila, e exponha-o usando o melhor das suas habilidades para seu pai, sua mãe, parentes, bons amigos e familiares ; e se, tendo ouvido-o, aquelas pessoas alegrarem-se em concordância com ele e, além disso, transmitirem os ensinamentos para outros que, tendo ouvido-o, alegrem-se em concordância e da mesma forma o transmitam, e este processo avance até a qüinquagésima pessoa; Ajita, agora falarei acerca dos méritos e virtudes do qüinquagésimo bom homem ou boa mulher que alegre-se em concordância. Ouça bem”!

“Suponha que em quatro milhões de kotis de asamkhyas de mundos, em meio a seres viventes dos seis caminhos da existência e dos quatro tipos de nascimentos que são o ovo, o útero, a umidade e a transformação ; aqueles com forma, aqueles sem forma, aqueles racionais, aqueles irracionais, aqueles não totalmente dotados de raciocínio, aqueles não totalmente desprovidos de raciocínio, aqueles sem pernas, aqueles com duas pernas, aqueles com quatro pernas, aqueles com muitas pernas, e assim por diante; haja uma pessoa que em busca de bênçãos dê-lhes todo o tipo de coisas agradáveis que eles desejem, dando a cada ser um continente Jambudvipa inteiro repleto de ouro, prata, lápis-lazúli, madrepérola, carnelian, coral e âmbar, gemas preciosas e raras, bem como elefantes, cavalos, carruagens, palácios e pavilhões feitos dos sete tesouros”.

“Este grande filantropo, dessa forma, concedeu doações durante oitenta anos completos. Então ele pensou: ‘Já dei aos seres viventes essas muitas coisas agradáveis de acordo com os seus desejos. Todavia, esses seres viventes estão velhos e decrépitos, com mais de oitenta anos de idade, cabelos brancos e faces enrugadas. A hora da sua morte não está longe. Instrui-los-ei através da Lei Búdica’”.

“Ele então reuniu os seres viventes e expôs-lhes a Lei para instruí-los, concedendo-lhes benefícios e agradando-lhes tanto que todos eles alcançaram o caminho do Srotaapanna, o caminho do Sakridagamin, o caminho do Anagamin e o caminho do Arhatship , eliminando todas as falhas, obtendo conforto em todas as profundas concentrações Dhyana, e alcançando as oito emancipações”.

“O quê você pensa? Seriam grandes ou não os méritos e virtudes deste grande filantropo”?

Maitreya disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, os méritos e virtudes desta pessoa seriam extremamente grandes, imensuráveis e ilimitados. Se o filantropo tivesse dado aos seres somente brinquedos, seus méritos e virtudes já seriam ilimitados. Quanto mais seriam se ele os habilitou a atingirem a fruta do Arhatship”!

O Buda disse a Maitreya: “Eu agora lhe direi plenamente: os méritos e virtudes obtidos por esta pessoa, que doou brinquedos para seres viventes dos seis caminhos da existência em quatro milhões de kotis de asamkhyas de mundos, e que além disso levou-os a obter a fruta do Arhatship, não se iguala aos méritos e virtudes da qüinquagésima pessoa que ouviu mesmo que um simples verso do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa e alegrou-se em concordância com ele . Seu mérito não se iguala à centésima parte, à milésima parte, a uma centésima milésima miríade milionésima parte, e assim por diante, até que ela não possa ser expressa ou conhecida através do cálculo ou analogia”.

“Ajita! Os méritos e virtudes da qüinquagésima pessoa que ouviu o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa e alegrou-se em concordância com ele são ilimitados, incomensuráveis e incalculáveis. Quanto mais não os são os méritos e virtudes daquele que em meio à assembléia o ouviu pela primeira vez e alegrou-se em concordância com ele. As bênçãos daquela pessoa serão supremas, sem limites, sem medida, sem expressão e além das comparações”.

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O Bom e Sábio Conselheiro

30 30UTC jan 30UTC 2007

O Bom e Sábio Conselheiro

Prandini escreve:

Caro Marcos,

Eu intuí que tivesse sido isto. Eu sabia que o menino tinha o seu nome mas não imaginava que também tivesse o meu. Depois vc me explica porque a figura dele é a do “Bom e Sábio Conselheiro”.

Bem, na realidade a compartimentação que vc disse que estou fazendo é uma alusão à forma vigente de se olhar para tudo, inclusive as pessoas, e que nos foi ensinada desde o nascimento e continuará vigindo por muito tempo ainda provavelmente.

Não é a forma mais elevada ou inteligente de se olhar pessoas, mas existe.

O que é sim a minha forma de ver é a que admite o externo como diferenciador das expressões de um mesmo fundamento, mas não um determinante importante do que quer que seja.

Dizer que não somos impactados pelo aspecto geral de uma pessoa é nos candidatar a uma ingenuidade descabida. Ainda que nus, temos todos diferenciais, uns em relação aos outros.

Ainda que cegos, nos diferenciaríamos por som, tato, cheiro e sei lá mais o que.

A ponderação que se faz das diferenças estéticas ou outras de ordem física, por assim dizer, é que conta. Claro que não só seres humanos como tudo e todos são interligados a uma coisa só. Que quando olho para o outro, ainda que tão diferente de mim, estou olhando para mim mesmo como parte destacável (no sentido de dar destaque), porém indissociável unidade.

Destacável porque somos indivíduos, e indissociáveis por sermos partes da expressão do todo e, portanto, integrantes deste. Reconhecer a individualidade é tão importante quanto reconhecer a indissociabilidade - se o termo existe.

Meu treinamento, pergunta vc.

Ainda não começou efetivamente porque, como vc percebeu, ainda estou matraqueando e isso tira o necessário silêncio interior da verdadeira observação, como imagino que ela seja. Mas é o meu caminho, minha forma de aproximação, a minha espiral. Posso até dizer que já comecei algo. Superficial ainda. Difícil pra burro, mas possível. Claro que, como disse, comecei com os mais palatáveis e, ainda assim, é difícil. A contradição é que, teoricamente, não acredito em meia consciência como não creio em meio grávida. O que vale para o palatável, vale para o execrável. E agora? Continuarei tentando e vou ler novamente a Teoria Geral da Fatalidade que talvez derrube tudo que está escrito aí em cima.

Um grande abraço,

Prandini

30/11/2006.

Marcos responde:

Prandini,

Nem sempre aquilo que nos oprime é um “mau conselho”. Às vezes é a razão a nos oprimir, em retribuição aos nossos erros. Às vezes é a verdade a nos oprimir, em retribuição às nossas ilusões e visões distorcidas. Às vezes é uma Lei Superior a nos oprimir: o triunfo da lei da vida e da morte. Em todos esses casos, um “Bom e Sábio Conselheiro” está a atuar como uma função benéfica, sem dúvida. Assim, eu vi a curta passagem de Marcos Wagner por este “Mundo Saha”, que traduzindo significa “Mundo da Tolerância”. Quando você ler o Capítulo Doze: Devadatta, você compreenderá melhor essa figura do “Bom e Sábio Conselheiro”.

No Budismo, rigorosamente, não há distinção entre os seres, mas sim entre as relações causais, que podem ser entendidas como circunstâncias que cercam a vida de uma pessoa: esta é a Lei do Carma. Os Físicos chamaram esse conjunto de relações de “nuvem de probabilidades”. Nada existe com certeza num determinado tempo e lugar, há apenas uma “tendência” de que isso ocorra dentro de uma “nuvem de probabilidades”. Se isto ocorre com as partículas atômicas, deve ocorrer também conosco que somos feitos de átomos. No nosso caso, veja você, chamados organismos superiores, esta verdade só não é mais dramática em razão da “desordem” que se estabelece nesses tais organismos superiores. Entenda: todo o defeito, toda a distorção possui um “caminho médio” que é o seu desvio médio para o estado fundamental. É por isso que nada que conhecemos dura para sempre. O aspecto (aparência) de uma pessoa ou coisa é apenas um dos 10(dez) aspectos a considerar para perceber a Verdadeira Entidade que está por trás de todos os fenômenos. Você encontrará uma descrição desses 10(dez) aspectos no Capítulo Dois: Meios Hábeis. No blog, essa descrição está em COMENTÁRIOS - CAPÍTULO II.2. Não deixe de ler. Está ficando longo demais.

um abraço.

Marcos.

01/12/2006.

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COMENTÁRIOS CAPÍTULO V.2

29 29UTC jan 29UTC 2007


COMENTÁRIOS - CAPÍTULO V.2


Eu contemplo a tudo e a todos como sendo iguais,
sem ‘este’ ou ‘aquele’ e sem sentimentos de amor ou ódio.
Eu não tenho a ganância ou o apego,
e não tenho limites ou obstáculos.
Constantemente, para cada um,
eu prego o Dharma igualmente,
pregando para uma única pessoa como o faria para as multidões.
Eu constantemente exponho e proclamo a Lei,
e não tenho outro trabalho.
Indo, vindo, sentado ou em pé,
eu nunca me torno fatigado,
preenchendo todo o mundo como a umidade da chuva universal.

Aos nobres, aos humildes, aos superiores e inferiores;
àqueles observadores dos preceitos e aos violadores dos preceitos;
àqueles com as aptidões surpreendentemente perfeitas e àqueles imperfeitos;
àqueles com visões corretas e àqueles com visões distorcidas;
aos de aguçadas raízes e àqueles enraizados na estupidez;
eu envio igualmente a chuva da Lei sem nunca me cansar.

Todos os seres viventes que ouvem a minha Lei recebem-na de acordo com a sua capacidade,
pois esses seres residem em vários níveis[1].

——————————————————————————–

[1] Níveis neste caso têm a conotação dos estados básicos de vida em que podem se encontrar os vários seres viventes e as várias relações próprias desses estados. Na passagem acima, o Buda afirma não fazer distinção entre os seres, quaisquer que sejam as circunstâncias que cercam suas vidas. Este ensino ultrapassa aqueles baseados na distinção dos 10(dez) estados de vida, e que os consideram distintos. Isto não significa que essas diferentes condições de vida não existam; mas que são mutuamente possuídas por todos os seres. É isto que está a ser ensinado nesta passagem.


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N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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Trecho Final CAP DEZESSETE: DISTINÇÃO DOS MÉRITOS

28 28UTC jan 28UTC 2007

Trecho Final - CAPÍTULO DEZESSETE: DISTINÇÃO DOS MÉRITOS E VIRTUDES

“Uma pessoa pode ler, recitar, receber, e manter este Sutra, explicá-lo aos outros, copiá-lo, ou induzir os outros a copiá-lo, e pode, além disso, construir torres votivas ou aposentos para a Sangha. Ela pode fazer oferecimentos e louvar a Sangha de Ouvintes, e louvar os méritos e virtudes dos Bodhisattvas através de centenas de milhares de miríades de milhões de modos. Além disso, ela pode explicar os significados contidos no Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para outros, de acordo com as suas várias causas e condições. E mais, ela pode observar puramente os preceitos, viver em harmonia com as pessoas, ser paciente e sem ódio, e ter uma sólida decisão e determinação. Ela pode sempre valorizar a meditação dhyana, obtendo a profunda concentração. Ela pode ser vigorosa e heróica, desenvolvendo-se em todas as boas doutrinas. Ela pode possuir faculdades apuradas e sabedoria, e ser hábil na resposta às questões”.

“Ajita! Se houver um bom homem ou uma boa mulher que, após a minha passagem à extinção, seja apto a receber, manter, ler e recitar este Sutra, e que também seja capaz de acumular essas outras boas ações e virtudes meritórias ditas acima, tal pessoa já está em direção ao Bodhimanda, ela já está próxima do Anuttara-Samyak-Sambodhi, e está sentada sob a árvore da Via. Ajita! Onde quer que tal bom homem ou boa mulher se encontre, se ele ou ela estiverem sentados, em pé ou caminhando, uma torre votiva deveria ser construída naquele local, e todos os seres celestiais e humanos deveriam fazer oferecimentos para eles como se fosse uma torre votiva do Buda ”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:

“Se uma pessoa, após a minha passagem à extinção,
puder reverentemente manter este Sutra,
suas bênçãos serão ilimitadas,
como acima descrevi .
Porque então, ela completará todas as formas de oferecimentos,
e construirá torres votivas às relíquias adornadas com os sete tesouros,
torres altas e amplas, alcançando os Céus Brahma,
ornamentadas com milhões e milhões de sinos cravejados de jóias, emitindo sons maravilhosos ao vento.
E também, ao longo de ilimitados kalpas,
aquela pessoa fará oferecimentos, a esta torre,
de flores, incenso, contas,
trajes celestiais e todas as variedades de música.
Ela queimará óleos fragrantes em lamparinas,
reluzindo brilhantemente todo o seu redor.
Numa era de maldade, durante o crepúsculo da Lei,
aquela pessoa poderá manter este Sutra,
e poderá então, como mencionado acima,
realizar todos aqueles oferecimentos.
Se uma pessoa puder manter este Sutra,
será como se, na presença do próprio Buda,
ela usasse sândalo cabeça-de-boi para construir aposentos para a Sangha,
como um oferecimento a eles.
Esses trinta e dois salões,
medindo oito árvores tala na altura,
repletos de finas iguarias, indumentárias e aposentos,
onde centenas de milhares possam se acomodar,
serão amplamente adornados com jardins,
bosques, lagos para banho,
trilhas e grutas para a meditação dhyana.

Ela poderá, com fé e compreensão,
receber, manter, ler, recitar e escrever,
ou requisitar a outros escreverem,
e fazer oferecimentos a este Sutra,
espalhando flores, incenso e pós perfumados,
e constantemente queimar óleos fragrantes em lamparinas,
feitos de sumana, champaka e atimuktaka.
Aquele que fizer tais oferecimentos obterá ilimitados méritos e virtudes.
Assim como o espaço vazio é infinito,
assim serão suas bênçãos .

Muito maior é o mérito daquele que mantém este Sutra,
mas que também pratica a doação, observa preceitos,
que é paciente e deleita-se no samadhi dhyana,
que nunca é odioso ou mal-falado,
e que é reverente nas torres e templos,
humilde para com os Monges, livre de arrogância,
e sempre meditando sobre a sabedoria.
Essa pessoa poderá refrear a ira quando indagado sobre questões difíceis,
e será complacente quando fizer explanações.
Aquele que puder desenvolver tais práticas terá ilimitados méritos e virtudes .

Se virmos um Mestre da Lei dotado de virtudes como estas,
deveríamos espalhar flores celestiais e oferecer-lhe trajes celestiais,
curvarmos com as nossas cabeças aos seus pés,
e considerá-lo como se fosse um Buda.
Deveríamos ainda pensar:
‘Tão logo ele chegue ao Bodhimanda,
atingirá a sabedoria sem falhas e incondicional,
e beneficiará amplamente seres celestiais e humanos’.
Onde quer que tal pessoa esteja,
andando, sentada ou reclinada,
ou pregando mesmo que um simples verso,
deveríamos construir uma torre,
maravilhosamente fina e adornada,
e fazer-lhe todos os tipos de oferecimentos.
O discípulo do Buda, residindo neste lugar,
o considerará como se fosse o Buda,
sempre perseverando nisto,
andando, sentando ou reclinando”.

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IV.2 Uma Técnica para Fusão do Vácuo

27 27UTC jan 27UTC 2007

IV.2 – Uma Técnica para “Fusão do Vácuo”

Parte 4


“A força magnética entre duas partículas carregadas é descrita pela lei de Coulomb24: a força decresce com o quadrado da distância entre as cargas. Kogut, Wilson e Susskind argüiram que a força forte entre dois quarks coloridos comporta-se completamente diferente: ela não diminui com a distância, mas, permanece constante independente da separação dos quarks. Se seu argumento é válido, uma enorme quantidade de energia será requerida para isolar um quark. Separar um elétron da camada de valência de um átomo requer uns poucos eletronvolts. Desintegrar um núcleo atômico requer uns poucos milhões de eletronvolts. Em contraste com esses valores, a separação de um quark simples de apenas uma polegada do próton do qual ele é constituinte, requereria o investimento de 1013 GeV, energia suficiente para separar o autor da terra de uns 30 pés. Muito antes de tal nível de energia ser alcançado, um outro processo interviria. Da energia fornecida no esforço para extrair um quark simples, um novo quark-antiquark se materializaria (do vácuo). O novo quark substituiria aquele removido do próton e reconstituiria a partícula. O novo antiquark associar-se-ia ao quark deslocado, fazendo um meson. Ao invés de isolamento de um quark colorido, tudo é resumido na criação de um meson incolor.

“Se esta interpretação do confinamento do quark é correta, sugere-se uma engenhosa maneira de terminar a regressão aparentemente infinita da estrutura fina da matéria. Átomos podem ser analisados em elétrons e núcleo; núcleos em prótons e nêutrons; e prótons e nêutrons em quarks. Entretanto, a teoria do confinamento do quark sugere que a série para aqui. É difícil imaginar como que uma partícula poderia existir numa estrutura interna se a partícula não pode ser criada.”

A tentativa feita com a hipótese do “bootstrap” para deter a infinita regressão no nível dos hadrons, falhou por causa dos quarks. O confinamento do quark deve ser uma forma de encerrar a série para o nível da matéria que alcançamos, mas ele é ainda um trabalho hipotético, embora atrativo.


Na teoria do modelo do Cristalino, acredito que há um limiar de energia para o estudo das partículas elementares através da análise (isto é, por cisão e isolamento e confinamento), a partir do qual passa a ocorrer a fusão do Cristalino, excitando partículas de semelhante natureza daquelas que se pretende isolar da estrutura mais complexa que, segundo o modelo, tiveram sua origem nas interações dessas partículas primas. Essas partículas primas, nos primeiros instantes do Universo, teriam se associado através das ligações fortes, fracas e eletromagnéticas, constituindo os átomos, moléculas etc.; e através das interações gravitacionais, vieram constituindo as entidades do macrocosmo. É claro que a hierarquia das interações submete-se ao seguinte comando: sendo o tamanho da entidade comparável ao alcance da interação, predomina a interação de alcance imediatamente superior e, portanto, mais fraca.


Amaldi, U. – Particle Accelerators and Scientific Culture – CERN-79-06, Experimental Physics Division, July, 12 1979 – Genova – Italy.

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Trecho IV CAP. DEZESSETE: DISTINÇÃO DOS MÉRITOS

26 26UTC jan 26UTC 2007

Trecho IV - CAPÍTULO DEZESSETE: DISTINÇÃO DOS MÉRITOS E VIRTUDES

“Além disso, Ajita, se alguém ouvir a respeito da longa duração da extensão da vida do Buda e compreender a importância dessas palavras, os méritos e virtudes que tal pessoa obterá serão sem fronteiras ou limites, porque possibilitarão àquela pessoa ascender à suprema sabedoria do Tathagata. Quanto mais não será o caso para aquele que possa ouvir este Sutra extensivamente; induzir outros a ouvir; mantê-lo para si; induzir outros a mantê-lo; copiá-lo em si; induzir outros a copiá-lo; ou usar flores, incenso, contas, estandartes, bandeiras, dosséis de seda, óleos fragrantes ou velas para fazer oferecimentos a este Sutra. Os méritos e virtudes de tal pessoa serão ilimitados e infinitos, porque possibilitarão àquela pessoa ascender à Sabedoria que Abarca Todos os Fenômenos ”.

“Ajita! Se um bom homem ou uma boa mulher ouvirem a respeito da longa duração da extensão da vida do Buda, e com um profundo sentimento compreender e entender, ele ou ela, então, verão o Buda sempre presente no Monte Gridhrakuta juntamente com os grandes Bodhisattvas e a assembléia de Ouvintes circundando-o enquanto ele prega a Lei. Ele ou ela também verão o solo do mundo Saha transformar-se em lápis-lazúli. Eles o verão liso e plano, com as oito estradas maiores delimitadas com ouro de Jambunada e ladeadas com árvores de jóias. No espaço adjacente às estradas, existirão pavilhões e torres feitas de jóias, onde as multidões de Bodhisattvas residirão. A contemplação deste caminho é indicativa de profunda fé e compreensão”.

“Além disso, após a passagem do Tathagata à extinção, se uma pessoa ouvir este Sutra e não difamá-lo, mas ao invés disso regozijar-se com ele, saiba que isto indica que ela já possui profunda fé e compreensão. Quanto mais não será o caso para aquele que o lê, o recita, o recebe e o mantém. Esta pessoa carrega o Tathagata no topo da sua cabeça”.

“Ajita! Este bom homem ou boa mulher não necessitam construir torres votivas ou templos para mim, nem construir aposentos para a Sangha, nem fazer os quatro tipos de oferecimentos à Sangha. Por que não? Este bom homem ou boa mulher, recebendo, ostentando, lendo e recitando este Sutra, já construíram torres votivas, erigiram aposentos para a Sangha e fizeram oferecimentos à Sangha. Eles construíram torres votivas feitas dos sete tesouros para as relíquias do Buda. As torres votivas que construíram são altas e amplas, alcançando os céus Brahma, e são decoradas com estandartes e dosséis que delas pendem. Eles também ofereceram muitos sinos cravejados de jóias, flores, incenso, contas, incenso granulado, em pasta e para queimar, bem como muitos tambores, músicas instrumentais, trompas, flautas, conchas, várias danças e cantos de louvor com sons maravilhosos. Eles já fizeram tais oferecimentos ao longo de ilimitados milhares de miríades de milhões de kalpas”.

“Ajita! Se, após a minha passagem à extinção, uma pessoa, ouvindo este Sutra, puder recebê-lo e ostentá-lo, copiá-lo, ou induzir outros a copiá-lo…, desse modo ela construirá aposentos à Sangha e fará trinta e dois salões de sândalo vermelho, adornados, medindo oito árvores tala na altura, largura e profundidade, com centenas de milhares de Monges residindo dentro deles, repletos de jardins, bosques, lagos para banho, trilhas, grutas para meditação dhyana, indumentárias, comidas, bebidas, aposentos, remédios e músicas instrumentais. Tais aposentos para a Sangha, salões e pavilhões, feitos aos milhares de miríades de milhões, serão incontáveis em número e se manifestarão como um oferecimento diante de mim e da Sangha de Monges. Portanto, eu digo que após o Tathagata ter entrado em extinção, se uma pessoa receber, ostentar, ler, recitar ou expor este Sutra para outros, se ela copiá-lo, induzir outros a copiá-lo, ou a fazer oferecimentos a este Sutra, ela não necessitará, além disso, construir torres votivas, monastérios, ou aposentos para a Sangha, nem necessitará fazer oferecimentos à Sangha. Quanto mais isso não se aplicará a uma pessoa que possa ostentar este Sutra e ao mesmo tempo praticar a doação, observando preceitos, possuindo a paciência, o vigor, o pensamento único e a sabedoria . Sua virtude será suprema, ilimitada e incomensurável. Assim como o espaço ao norte, ao leste, ao sul, ao oeste, no centro, no zenith e no nadir é ilimitado e infinito; assim também os méritos e virtudes dessa pessoa serão ilimitados e infinitos, e ela rapidamente atingirá a Sabedoria que Abarca Todos os Fenômenos ”.

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COMENTÁRIOS CAPÍTULO V.1

25 25UTC jan 25UTC 2007


COMENTÁRIOS - CAPÍTULO V.1


O Grande Sábio, o Honrado pelo Mundo,
em meio às multidões de seres celestiais e humanos,
proclama essas palavras dizendo:
‘Eu sou o Tathagata,
o Honrado e Duplamente Realizado.
Apareço neste mundo como uma grande nuvem,
humidificando a todos os ressequidos seres viventes,
de tal forma a que todos se libertem dos sofrimentos,
obtendo a paz, a felicidade e a alegria mundanas,
e também a alegria do Nirvana.

Todos os seres celestiais e humanos aqui reunidos,
ouçam atentamente em pensamento único.
Todos deveriam vir aqui para contemplar aquele de Honradez Insuperável.
Eu sou o Honrado pelo Mundo,
aquele que está além das comparações.
Para trazer a paz e a tranqüilidade aos seres viventes,
manifesto-me neste mundo e,
em prol da assembléia,
eu prego o doce orvalho da pura Lei.
A Lei de um único sabor,
o sabor da libertação e do Nirvana.
Usando um singelo e maravilhoso som,
eu proclamo este princípio[1] constantemente criando as causas e condições para o Grande Veículo.

——————————————————————————–

[1] Creio que esta passagem nos proporcione um mergulho nas profundezas deste ensino. “Usando um singelo e maravilhoso som, eu proclamo este princípio (da Lei de um único sabor)”. No Capítulo 24, o Bodhisattva Som Maravilhoso ao chegar ao mundo Saha de uma terra distante chamada Adornada com Pura Luz, revela seu corpo: “Os (Grandes) Olhos do Bodhisattva eram como as imensas pétalas de um lótus azul”. Esse Bodhisattva possuía o samadhi do Lótus da Lei Maravilhosa, dentre outros inúmeros samadhis, e foi instruído pelo Buda Sabedoria do Rei da Constelação Pura Flor para não menosprezar pelo pequeno tamanho o Buda e os Bodhisattvas que ele encontraria no mundo Saha, tal como neste capítulo o Buda faz chover igualmente para todos os seres, grandes ou pequenos, vendo a todos como universalmente iguais. Daimoku (que se traduz como Grande Olho) quer dizer título. Este Bodhisattva, com seus Grandes Olhos, representa o Título do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa; e o seu séqüito de 84.000 (oitenta e quatro mil) Bodhisattvas, que o acompanhavam representa o conjunto os 84.000 caracteres do Sutra de Lótus. Este Som Maravilhoso através do qual o Buda expõe a Lei de um único sabor e proclama o seu princípio é a entoação do título do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa: “Sadharma Pundarika Sotaram” ou “Myoho-Rengue-Kyo”. Este samadhi e dharani têm o poder de beneficiar igualmente a todos os seres, assim como a chuva do Dharma tem um único sabor e cai igualmente para todas as plantas.

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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Trecho III CAP. DEZESSETE: DISTINÇÃO DOS MÉRITOS

24 24UTC jan 24UTC 2007

Trecho III - CAPÍTULO DEZESSETE: DISTINÇÃO DOS MÉRITOS E VIRTUDES

Naquela ocasião o Buda disse ao Bodhisattva Mahasattva Maitreya: “Ajita! Se houver seres viventes que, ouvindo que a duração da vida do Buda é tão longa quanto dita acima, possam dar lugar mesmo que a um simples pensamento de fé e compreensão, os méritos e virtudes que eles obterão serão imensuráveis e ilimitados. Se um bom homem ou uma boa mulher, em prol do Anuttara-Samyak-Sambodhi, estivessem praticando os cinco paramitas ( dana-paramita, shila-paramita, kshanti-paramita, virya-paramita e o dhyana-paramita; exceto o (sexto) prajna-paramita ) através de oitenta miríades de milhões de nayutas de kalpas, os méritos e virtudes que ele ou ela obteriam, se comparado com os daquelas pessoas acima, não viriam a ser uma centésima parte daqueles, nem uma milésima parte, nem uma centésima milésima milionésima parte, e nem poderiam ser reduzidos através de cálculos ou analogias. Para um bom homem ou boa mulher que possuam méritos e virtudes como aqueles primeiros, recuar do Anuttara-Samyak-Sambodhi seria simplesmente impossível ”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:

“Se alguém desejasse buscar a sabedoria do Buda através de oitenta miríades de milhões de nayutas de kalpas,
praticando os cinco paramitas ao longo de todos aqueles kalpas,
fazendo oferecimentos aos Budas,
aos discípulos Pratyekabudas,
e às multidões de Bodhisattvas;
suas doações poderiam ser comidas e bebidas finas e raras,
finas indumentárias pessoais e para aposentos;
essa pessoa poderia doar moradas feitas de pura madeira de sândalo e adornadas com jardins e bosques.
Doações como estas, variadas e refinadas,
aquela pessoa poderia dedicar à Via do Buda.

Além disso,
ela poderia observar puramente os preceitos proibitivos,
sem falha ou omissão,
buscando a via insuperável,
louvada por todos os Budas.
Ainda, ela poderia praticar a paciência,
estabelecendo-se no Estado de Complacência,
e mesmo que a maldade lhe acontecesse,
seu pensamento não seria perturbado.
Também, se aqueles que obtiveram o Dharma,
mas que guardam uma arrogância desmedida,
ridicularizassem-lhe e atormentassem-lhe,
ela seria capaz de suportá-los.
Ela poderia ser diligente e vigorosa,
sempre firme em sua resolução,
ao longo de ilimitados milhões de kalpas,
com pensamento único e sem lassidão.
E por incontáveis kalpas,
ela poderia residir num lugar tranqüilo,
sempre depurando seus pensamentos, em vigília,
quer estivesse sentada ou caminhando.

Em razão dessas causas e relações,
ela então alcançaria a concentração dhyana,
tal que por oitenta milhões de miríades de kalpas,
seu pensamento seria seguro e sem confusão.
Abençoada por este pensamento único,
ela buscaria a via insuperável, dizendo:
‘Posso alcançar a Sabedoria que Abarca Todos os Fenômenos e ultrapassar os limites das concentrações dhyana’.
Esta pessoa, ao longo de centenas de milhares de milhões de kalpas,
poderia praticar tais virtudes meritórias como ditas acima .

Mas, se houver um bom homem ou uma boa mulher que,
ouvindo-me pregar sobre a duração da minha vida,
der lugar mesmo que a um simples pensamento de fé,
suas bênçãos excederão aquelas da pessoa acima descrita.
Qualquer pessoa que esteja completamente livre de dúvidas ou pesares e que,
com um profundo sentimento,
compreender por não mais que um instante,
obterá bênçãos tais como estas.

Se houver Bodhisattvas que tenham praticado a Via durante ilimitados kalpas,
e que me ouçam pregar sobre a duração da minha vida,
eles serão capazes de compreendê-la e aceitá-la .
Pessoas tais como estas receberão esse Sutra acima do topo de suas cabeças, jurando:
‘No futuro, poderemos obter longas vidas e salvar seres viventes.
Assim como hoje o Honrado pelo Mundo,
Rei dos Shakyas,
no Bodhimanda emite o seu rugido de leão pregando o Dharma sem medo,
alguns de nós, nas vidas que virão,
seremos reverenciados por todos e,
enquanto sentados no Bodhimanda,
pregaremos sobre a duração de nossas vidas do mesmo modo’.

Existirão aqueles que compreenderão profundamente,
que serão puros e fortes,
com muito aprendizado e dharanis,
que exporão as palavras do Buda de acordo com a doutrina.
Pessoas tais como essas não terão dúvidas sobre este assunto”.

Veja a íntegra dos capítulos já publicados em Cristal Perfeito

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IV.2 Uma Técnica para Fusão do Vácuo

23 23UTC jan 23UTC 2007

IV.2 – Uma Técnica para “Fusão do Vácuo”

Parte 3

A hipótese de cores não só multiplica a razão R por três, colocando-a de acordo com as observações experimentais, mas é também útil na explicação de outros fenômenos observados e abre caminho para um profundo conhecimento das interações fortes e da falta de observação de quarks livres. (Aqui pode ser desenvolvido um raciocínio analógico sobre a possibilidade de serem os quarks os constituintes de um Cristalino, a partir dos quais, pela fusão em determinadas condições, são criados os hadrons. O modelo do Cristalino, em princípio prevê constituintes de uma única espécie que, todavia, tem suas manifestações diversificadas pelo nível de excitação ou simetria. Esta seria uma explicação para outros tipos de partículas como os leptons, que podem ser igualmente excitadas do vácuo tendo como mediadores – tanto os leptons como os hadrons - os fótons e weakons). Para descrever as idéias desta recente e ainda hipotética teoria das interações fortes, é necessário introduzir um novo rótulo para os quarks: flavour. Desnecessário dizer que ele nada tem a ver com os sabores dos objetos macroscópicos; dizemos que os quarks aparecem em três sabores e cada sabor tem três cores.

Tomando de Sheldon Glashow22 a descrição da ainda especulativa teoria da cromodinâmica quântica, que faz uso de dois atributos, cor e sabor, para rotular os quarks, ou melhor, os campos fundamentais da natureza: “Nós podemos propor uma questão fundamental: o que explica o postulado de que todos os hadrons devem ser coloridos? Uma aproximação incorpora o modelo de cor dos hadrons numa classe de teorias chamadas teorias de gauge. A teoria de gauge em cores postula a existência de oito partículas sem massa, às vezes chamadas gluons, que são portadoras da força “forte”, assim como o fóton é portador da força eletromagnética. Gluons, como os quarks, não foram detectados. Quando um quark emite ou absorve um gluon, o quark varia de cor mas não seu sabor. Por exemplo, a emissão de um gluon pode transformar um quark vermelho num azul ou amarelo, mas não num quark de outro sabor. Uma vez que os gluons coloridos são os quanta das ligações fortes, segue-se que a cor é o aspecto dos quarks que é mais importante nas ligações fortes. A teoria de gauge colorida propõe que a força que mantém juntos quarks coloridos, representa o verdadeiro caráter da ligação forte. A mais familiar interação forte dos hadrons (tal como a ligação de prótons e nêutrons no núcleo) é uma manifestação da mesma força fundamental; mas, as interações dos hadrons incolores não são mais que uma remanescência da interação fundamental entre quarks coloridos. Assim como forças de Van Der Waals23 entre moléculas é somente um leve vestígio da força eletromagnética que liga o elétron ao núcleo, a força forte observada entre hadrons é somente um vestígio daquela que está operando dentro de um hadron individual.

Amaldi, U. – Particle Accelerators and Scientific Culture – CERN-79-06, Experimental Physics Division, July, 12 1979 – Genova – Italy.

Visite também Cristal Perfeito : "O Espelho"

Trecho II CAP. DEZESSETE: DISTINÇÃO DOS MÉRITOS

22 22UTC jan 22UTC 2007

Trecho II - CAPÍTULO DEZESSETE: DISTINÇÃO DOS MÉRITOS E VIRTUDES

Naquela ocasião o Bodhisattva Maitreya levantou-se do seu assento, descobriu seu ombro direito, juntou as palmas das suas mãos e disse ao Buda:

“O Buda prega uma Lei rara,
como nós nunca ouvimos antes.
O Honrado pelo Mundo possui grande poder,
sendo a duração da sua vida ilimitada.
Os incontáveis discípulos do Buda,
ouvindo o Honrado pelo Mundo fazer distinções,
e falar sobre aqueles que obterão os benefícios da Lei,
encheram-se de alegria.
Alguns se estabeleceram no estágio de não-regressão.
Alguns obtiveram dharanis.
Outros obtiveram o deleite na pregação sem obstruções,
ou miríades de milhões de dharanis das repetições.
Dentre os muitos Bodhisattvas,
numerosos como as partículas de pó de um grande sistema de mundos,
todos obtiveram a habilidade para girar a irreversível Roda-da-Lei.

Também, Bodhisattvas numerosos como as partículas de pó de um médio sistema de mundos,
obtiveram todos a habilidade para girar a pura Roda-da-Lei.
Também, Bodhisattvas numerosos como as partículas de pó de um pequeno sistema de mundos,
tornaram-se destinados a obter a Via do Buda após mais oito existências.
Também, Bodhisattvas numerosos como as partículas de pó de quatro, três ou dois mundos de quatro continentes,
atingirão o Estado de Buda após um respectivo número de existências.
Além disso, Bodhisattvas numerosos como as partículas de pó de um mundo de quatro continentes,
obterão a Sabedoria que Abarca Todos os Fenômenos após mais uma existência.

Seres viventes tais como estes,
ouvindo sobre a vasta extensão da vida do Buda,
obtém ilimitadas, puras e irrepreensíveis recompensas como retribuição.
Também os seres viventes,
numerosos como as partículas de pó de oito mundos,
ouvindo o Buda pregar sobre a duração da sua vida,
todos se decidiram pelo Ideal Supremo .

O Honrado pelo Mundo prega ilimitadas, inconcebíveis Leis,
trazendo muitos benefícios, tão imensos quanto o espaço em si.
Chovem flores celestiais de mandarava e mahamandarava.
De incontáveis terras Búdicas chegam Shakras e Brahmas,
numerosos como as areias do Ganges.
Incensos de madeira de Sândalo e Aloés penetram o ar,
caindo em profusão como nuvens de pássaros voando dos céus,
e espalhando-se como um oferecimento aos Budas.
No espaço vazio, tambores celestiais ressoam magnificentes sons espontaneamente,
enquanto dezenas de milhões de trajes celestiais caem rodopiando e girando.
Maravilhosos incensórios cravejados de jóias queimam preciosos incensos,
os quais penetram naturalmente toda a vizinhança,
como um oferecimento ao Honrado pelo Mundo.

A grande assembléia de Bodhisattvas segura estandartes e dosséis feitos dos sete tesouros,
altos e esplendorosos, de um milhão de variedades,
numa procissão que alcança os céus Brahma.
E, diante de cada Buda,
encontram-se içadas bandeiras e estandartes da vitória, cravejados de jóias,
bem como miríades de miríades de versos são cantados para elogiar e louvar o Tathagata.
Todas essas muitas coisas jamais foram vistas antes.
Ouvindo sobre a ilimitada duração da vida do Buda,
todos se encheram de alegria.
O nome do Buda penetra as dez direções.
Ele beneficia vastamente os seres viventes,
e todos aqueles que cultivam boas raízes são incentivados a decidir pelo Ideal Supremo”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Veja a íntegra dos capítulos em Cristal Perfeito

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