CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Trecho IV CAPíTULO QUINZE: EMERGINDO DA TERRA

31 31UTC dez 31UTC 2006

Trecho IV - CAPÍTULO QUINZE: EMERGINDO DA TERRA

Naquele momento todos os Budas que eram emanações do Buda Shakyamuni, que haviam chegado de ilimitados milhares de miríades de kotis de terras das outras direções , sentaram na postura de lótus nos tronos de leão sob as árvores de jóias através das oito direções. Os assistentes daqueles Budas, vendo esta grande assembléia de Bodhisattvas de três mil grandes sistemas de mundos emergindo da terra nas quatro direções e estabelecendo-se no espaço, cada um disse ao seu respectivo Buda: “Honrado pelo Mundo, de onde vieram todos esses ilimitados, incomensuráveis asamkhyas de Bodhisattvas nesta grande multidão”?

Cada um daqueles Budas então disse ao seu assistente: “Todos vocês, bons homens, aguardem apenas um momento! Há um Bodhisattva Mahasattva chamado Maitreya, a quem o Buda Shakyamuni concedeu uma profecia de que ele será o próximo Buda. Ele já indagou sobre este assunto, e o Buda está para responder-lhe. Por esta razão, todos vocês devem ouvi-lo a respeito”.

O Buda Shakyamuni então disse ao Bodhisattva Maitreya: “Excelente, excelente, Ajita, que você possa indagar o Buda sobre tão importante assunto. Todos vocês devem em pensamento único vestir a armadura da diligência e tomar uma firme resolução. O Tathagata agora deseja descortinar e proclamar a sabedoria de todos os Budas, o poder da soberania e das penetrações espirituais de todos os Budas, o poder do leão no ataque de todos os Budas, e o poder da extraordinária coragem e poderosa força de todos os Budas”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar estes princípios, disse versos:

“Sejam todos diligentes e de um único pensamento,
porque desejo explanar sobre este assunto.
Não alimentem dúvidas ou pesares.
A sabedoria dos Budas é inconcebível.
Agora devem, portanto, utilizar o poder da fé,
e perseverar na paciência e benevolência,
para uma Lei que desde o remoto passado nunca foi ouvida,
e que vocês agora estão para ouvir.
Estou encorajando-lhes agora,
assim não tenham dúvidas ou receios.
Os Budas nunca pregam falsidades,
e sua sabedoria não pode ser medida.
Aquela Lei Suprema que eles obtiveram é extremamente profunda, além do discernimento.
Como tal, ela agora será explanada,
devendo todos ouvir em pensamento único”.

O Honrado pelo Mundo, tendo recitado estes versos, então disse ao Bodhisattva Maitreya: “Nesta grande assembléia, farei agora este anúncio para todos vocês: Ajita! Esses incalculáveis asamkhyas de grandes Bodhisattvas Mahasattvas, que emergiram da terra e a quem vocês nunca viram antes, são aqueles a quem ensinei, converti e conduzi neste Mundo Saha após ter atingido o Anuttara-Samyak-Sambodhi. Eu domei e dominei os pensamentos desses Bodhisattvas, fazendo-lhes tomar a decisão pela Via. Todos esses Bodhisattvas vivem no espaço vazio sob o Mundo Saha. Eles leram e recitaram todos os Sutras até penetrarem-lhes completamente. Eles ponderaram seus significados em detalhes e estão devidamente cientes deles”.

“Ajita! Todos esses bons homens não se deleitam em permanecer com as multidões ou em muita conversa. Eles sempre apreciam viver em lugares quietos onde praticam com diligência e vigor, nunca descansando. Eles não aceitam residir com humanos ou seres celestiais . Eles sempre se deleitam na profunda sabedoria e não têm obstáculos. Eles também sempre se deleitam nas Leis de todos os Budas. Com diligência e pensamento único, eles buscam a suprema sabedoria”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:

“Ajita, agora você sabe que,
durante incontáveis kalpas,
todos esses Grandes Bodhisattvas cultivaram e praticaram a sabedoria dos Budas.
Eu ensinei-lhes tudo,
causando-lhes a tomada da grande decisão pela Via.
Eles são todos meus discípulos.
Residindo neste sistema de mundos,
sempre praticando o trabalho de dhuta,
eles deleitam-se nos lugares tranqüilos.
Renunciam à agitação das massas,
e não se deleitam em muita conversa.
Esses discípulos estudam e praticam o Dharma da minha Via.
Sempre vigorosos, dia e noite,
eles buscam a Via do Buda.
Eles residem no espaço vazio sob este Mundo Saha,
firmes e poderosos em sua resolução e vontade.
Eles são sempre diligentes, buscando a sabedoria.
Eles pregam várias Doutrinas Maravilhosas,
sem medo em seus corações.

Na cidade de Gaya,
sentando sob a árvore Bodhi,
alcancei a mais correta iluminação,
e girei a suprema Roda-da-Lei.
Somente então os ensinei e os converti,
fazendo-lhes pela primeira vez tomar a decisão pela Via.
Agora todos eles residem na não-regressão,
e todos se tornarão Budas.
Agora prego a verdade;
vocês devem compreendê-la com um pensamento único.
Durante infindáveis kalpas,
ensinei e converti essas multidões”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

COMENTáRIOS CAPíTULO III.4

30 30UTC dez 30UTC 2006

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO III.4


“Shariputra, se existirem seres viventes que interiormente possuam a sabedoria inata, e ouvindo a Lei do Buda, o Honrado pelo Mundo, compreenderem-na e aceitarem-na, diligentemente fazendo avanços, desejando rapidamente escapar do Mundo Tríplice e buscando o Nirvana para si; eles são chamados aqueles do Veículo do Ouvinte. Eles são como as crianças que buscaram a carroça puxada por carneiros e com isso escaparam da casa em chamas”.

“Se existirem seres viventes que ouvindo a Lei do Buda, o Honrado pelo Mundo, compreenderem-na e aceitarem-na, diligentemente fazendo avanços, e que busquem a sabedoria que vem por si própria, deleitando-se na solidão, procurando o silêncio, compreendendo profundamente as condições causais de todos os Fenômenos, eles são chamados aqueles do Veículo do Pratyekabuda. Eles são como as crianças que buscaram a carroça puxada por cervos e assim escaparam da casa em chamas”.

“Se existirem seres viventes que ouvindo a Lei do Buda, o Honrado pelo Mundo, compreenderem-na e aceitarem-na, sinceramente dedicando-se com vigor, buscando a emancipação, o conhecimento e a visão do Tathagata, seus poderes e coragem, compadecendo-se e confortando inúmeros seres viventes, beneficiando seres celestiais e humanos, salvando a todos, eles são chamados aqueles do Grande Veículo. Em razão dos Bodhisattvas buscarem esse veículo, eles são chamados Mahasattvas. Eles são como as crianças que buscaram a carroça puxada por bois e assim escaparam da casa em chamas”.

“Shariputra, semelhantemente àquele velho homem que, vendo todas as suas crianças escaparem corajosamente da casa em chamas para um lugar seguro, e considerando suas posses de ilimitados bens e fortuna, deu a todos os seus filhos uma grande carroça; assim o faz o Tathagata, que igualmente é o pai de todos os seres viventes. Quando ele vê incontáveis milhões de seres viventes usando o portal dos ensinamentos do Buda para fugir do temeroso e perigoso caminho do sofrimento do Mundo Tríplice para atingir o bem-estar do Nirvana, ele tem esse pensamento: ‘Eu tenho uma ilimitada e vasta sabedoria, poderes, coragem, e assim o completo repositório das leis Búdicas. Todos os seres viventes são meus filhos. Darei a todos eles uma grande carroça, não lhes permitindo ganhar a extinção individual, mas fazendo-os transpor a extinção individual obtendo a verdadeira extinção do Tathagata[1]. Tendo escapado do Mundo Tríplice, todos os seres viventes estarão aptos a brincar com os dons da meditação Dhyana, da concentração e da emancipação do Buda, e assim por diante, todos esses dons de uma mesma característica e tipo, apreciados pelos sábios e capazes de produzir o mais puro, maravilhoso e supremo bem-estar”.

——————————————————————————–

[1] Observe-se que quando, acima, o Buda faz a distinção entre os Veículos do Ouvinte, do Pratyekabuda e do Bodhisattva; enquanto os dois primeiros são distintos pela prática individual (para si), o Bodhisattva é distinto pela prática em prol dos seres viventes. Enquanto os dois primeiros buscam a extinção individual, o Bodhisattva transpõe o portal para a verdadeira e absoluta extinção do Tathagata.

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Arquivado em: COMENTARIOS I Comentários (0)

IV Preparação da Unificação das Interações

29 29UTC dez 29UTC 2006

IV – Preparação da Unificação das Interações Fundamentais

Parte 2


“As teorias de Gauge são similares. Elas são teorias nas quais há um princípio de invariância que logicamente requer a existência de forças em si. Todavia, nas teorias de Gauge, o princípio da invariância ou a simetria – usa-se as palavras como intercambiáveis - não é a simetria espacial com a qual estamos familiarizados, mas uma simetria interna. Sempre que tais simetrias surgem, elas forçam as partículas a cair dentro de uma família natural – dubletos, tripletos, etc. – tais como as famílias de níveis de energia de átomos comuns. As partículas que operam as regras para as teorias de Gauge, assim como o quantum da radiação gravitacional, o gráviton, opera para a relatividade geral, formam uma família em si cujos integrantes são determinados pela natureza da simetria. Na versão mais simples de uma teoria de Gauge de interações fracas e eletromagnéticas proposta no fim da década de 60, aquela família consiste do fóton – o quantum da radiação eletromagnética, a partícula que transmite a força elétrica – e uma pesada e carregada partícula intermediadora chamada weakon, ou a partícula W, que produz os rayons urânicos descobertos por Becquerel18. Na teoria mais simples, a massa da partícula W é cerca de 75 vezes a massa de um átomo de hidrogênio e, portanto, muito pesada em comparação com as massas típicas das partículas elementares; assim, o “range” (alcance destas) é extremamente curto, cerca de 0.003 Fermis. O fato de ser a massa grande explica porque a força fraca é tão fraca: é difícil para tal partícula ser intercambiada. Neste tipo de teoria, a força fraca permanece revelada como tendo exatamente a mesma resistência intrínseca que a força eletromagnética, e as experiências em muito altas energias mostrarão que as forças têm a mesma ordem de magnitude.

Além do fóton, W+ e W-, há um outro membro da família, um vetor de bóson intermediador neutro, que pode ser chamado de partícula Z. Ele é ligeiramente mais pesado que o W e produz um tipo inteiramente novo de ligação fraca envolvendo a troca de partícula Z neutra. A teoria prévia não predisse que uma força fraca poderia ser produzida por correntes neutras, e quando esta idéia foi primeiramente proposta por teóricos, ela foi desprezada. Mas, em 1973, evidências de tais correntes neutras foram observadas num certo número de experiências”.

Para esclarecer o mecanismo que dá essas grandes massas aos weakons e sua relação com o vácuo, Sidney Coleman18 escreve: “Em geral, não há razão porque uma invariância de leis que governam um sistema mecânico quântico seria também uma invariância do estado fundamental do sistema. Assim, por exemplo, as forças nucleares são rotacionalmente invariantes, mas isto não implica que o estado fundamental de um núcleo é necessariamente invariante rotacional. Isto é uma trivialidade para o núcleo, mas tem conseqüências altamente não triviais se considerarmos sistemas que, ao contrário do núcleo, são de extensão espacial infinita. O exemplo padrão é o ferromagneto de Heisenberg19, que é uma rede cristalina infinita e dipolos magnéticos, com interações entre vizinhos próximos tal que os dipolos vizinhos tendem a alinhar-se. Ainda que as leis da natureza sejam rotacionalmente invariantes, o estado fundamental não é; ele é um estado no qual todos os dipolos estão alinhados numa direção arbitrária. Um pequeno homem vivendo dentro de tal ferromagneto teria uma dificuldade de detectar a invariância rotacional das leis da natureza; todas as sua experiências seriam corrompidas pelo campo magnético fundamental. Se seu aparato experimental interage apenas fracamente com o campo fundamental, ele pode detectar a invariância rotacional como uma invariância aproximada; todavia, se interage fortemente, ele pode comprometer tudo; no entanto, ele não teria razão para suspeitar que ele estava de fato numa simetria exata. Também, o pequeno homem não teria esperanças de detectar diretamente que o estado fundamental no qual se encontra é de fato um dos infinitos estados possíveis que têm diferentes orientações no espaço. Uma vez que ele é de dimensão finita (este é o significado técnico de “pequeno” homem), ele pode somente variar a direção de um número finito de dipolos ao mesmo tempo; mas, para ir de um estado fundamental do ferromagneto para outro, ele deve mudar as direções de um número infinito de dipolos: uma tarefa impossível”.

Amaldi, U. – Particle Accelerators and Scientific Culture – CERN-79-06, Experimental Physics Division, July, 12 1979 – Genova – Italy.

Trecho III CAPíTULO QUINZE: EMERGINDO DA TERRA

28 28UTC dez 28UTC 2006

Trecho III - CAPÍTULO QUINZE: EMERGINDO DA TERRA

Naquela ocasião o Bodhisattva Maitreya e os Bodhisattvas na multidão, tão numerosos quanto os grãos de areia de oito mil Rios Ganges, todos tiveram este pensamento: “Desde o remoto passado, nunca vimos ou ouvimos acerca destes grandes Bodhisattvas Mahasattvas que emergiram da terra e encontram-se diante do Honrado pelo Mundo, com as palmas das mãos unidas, fazendo oferecimentos, curvando-se desde a cintura, e indagando-o sobre o seu bem-estar”.

Então o Bodhisattva Mahasattva Maitreya, sabendo os pensamentos que iam na mente dos Bodhisattvas e os outros, tão numerosos quanto os grãos de areia de oito mil Rios Ganges, bem como desejando resolver suas próprias dúvidas, juntou as palmas das suas mãos, olhou fixamente para o Buda, e disse versos:

“Estes ilimitados milhares de miríades de kotis de Bodhisattvas formam uma grande multidão,
tal como nunca vimos antes.
Rogamos ao Honrado Duplamente Realizado,
que nos diga de onde eles vieram,
e por que eles estão reunidos aqui.
Eles possuem corpos enormes,
grandes poderes de penetrações espirituais,
e inconcebível sabedoria.
Eles são firmes e resolutos em sua intenção e pensamento,
e possuem o grande poder da paciência.
Os seres viventes deleitam-se ao vê-los.
Mas, de onde eles vieram?
Cada um daqueles Bodhisattvas apresentou um séqüito de seguidores ilimitados em número,
tal como os grãos de areia do Ganges.

Alguns daqueles Bodhisattvas conduzem um séqüito de seres tão numeroso quanto os grãos de areia de sessenta mil Rios Ganges.
Tais são as grandes assembléias que formam,
em pensamento único,
buscando a Via do Buda.
Esses Grandes Mestres,
em número como os grãos de areia de sessenta mil Rios Ganges,
vieram todos para fazer oferecimentos ao Buda e para proteger e ostentar este Sutra.

Aqueles com séqüitos abrangendo os grãos de areia de cinqüenta mil Rios Ganges são ainda mais numerosos.
Aqueles com séqüitos em número de quarenta ou trinta mil,
vinte mil, menos de dez mil, um mil, uma centena,
e assim por diante,
até menos que os grãos de areia de um único Rio Ganges;
e aqueles com metade, um terço, ou um quarto disso,
até menos de um décimo milésimo de um milionésimo disso,
ou um milésimo de um décimo milésimo de um nayuta disso,
e aqueles com dezenas de milhares de milhões de discípulos, ou somente metade de um milhão,
são ainda mais numerosos.

Há também aqueles com centenas ou dezenas de milhares,
ou dez milhares, milhares, ou centenas, cinqüenta, ou dez,
menos que três, dois, ou um,
e aqueles que chegaram sozinhos sem seguidores,
preferindo o isolamento.
Todos estes vieram para diante do Buda em número ultrapassando os já descritos acima .
Tão grande é a assembléia,
que se fossemos contá-la durante kalpas,
mais numerosos que os grãos de areia do Ganges,
ainda assim não poderíamos conhecê-la totalmente.

Quem pregou o Dharma para todos estes de grande e extraordinária virtude – esta vigorosa multidão de Bodhisattvas – ensinando, convertendo e conduzindo-os à realização?
Quem os induziu originalmente a decidirem-se pela busca da iluminação?
Qual Lei Búdica que eles louvam e proclamam?
Quais sutras eles recebem, ostentam e praticam?
E em qual Via do Buda eles perseveram?
Os poderes de penetrações espirituais e grande sabedoria desses Bodhisattvas são tais que,
através das quatro direções,
a terra treme e abre-se,
e então eles emergem dela.

Honrado pelo Mundo,
desde o remoto passado,
nunca vi tal coisa.
Rogo que diga-nos os nomes das terras de onde eles vieram.
Eu estou sempre em trânsito através das terras,
mas nunca havia visto esta assembléia.
Eu não reconheço sequer um deles.
Subitamente eles emergiram da terra.
Rogo que exponhas por que razão.
Agora, nesta grande assembléia,
as ilimitadas centenas de milhares de milhões de Bodhisattvas,
todos desejam compreender esse evento:
as causas e relações, da primeira à última,
desta multidão de Bodhisattvas.
Oh! Honrado pelo Mundo de ilimitadas virtudes,
somente rogamos que elimine as dúvidas da assembléia ”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

O Impossível como Meta

27 27UTC dez 27UTC 2006

O Impossível como Meta

Prandini escreve:

Marcos,

Foi exatamente isto que eu imaginei para o verbo “Budar”. Não cheguei à ausência do ser supremo até porque eu o vejo de maneira mais causal do que determinativa, mas posso também refletir a respeito.
Imaginei que pelo “”Budar”, todos potencialmente se budariam, o que na minha concepção ignorante é ampliar ao extremo a consciência universal entre outras coisas.
A dificuldade para mim são os termos que por vezes me parecem saidos de uma mandala, de tão fantasiosos e elaborados. Coisas como “O portal do magnífico ser de luz” (inventei a figura de linguagem óbviamente). Faltam-me referências e informações nesse sentido.
Bem, aparentemente não errei por muito né?
Um abraço

Marcos responde:

Prandini,

Antes de mais nada, vamos estabelecer uma diferença entre entender e compreender, mesmo que seja só para nós. Entender significa conceber algo através de um procedimento lógico. Compreender significa abarcar, incorporar, experimentar uma verdade, estabelecer uma idéia ou fundamento nas profundezas do nosso ser, fazendo-o através de nossas próprias vidas. Se estiver de acordo, vamos à leitura do trecho abaixo, extraído do Capítulo Dez: Os Mestres da Lei.

“Naquela ocasião, o Buda falou uma vez mais ao Bodhisattva Mahasattva Rei da Medicina: ‘de todos os ilimitados milhares de miríades de milhões de Sutras que eu tenho pregado, digo agora e direi no futuro que o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é o mais difícil de crer e o mais difícil de compreender’”.

Como um primeiro passo, pergunto-lhe: você já tentou olhar, respeitar e reverenciar todos os seres como sendo iguais em essência, sem fazer distinção entre eles (de etnia, cor, gênero, aparência, condição social, facilidade para aprender, dotes físicos e tantos outros diferenciais que criamos para classifica-los)?

Já sei a resposta: Ah, não dá! Isto é impossível, vou desistir.

Não desista. Coloque o impossível como uma meta. Transforme o ato de olhar, respeitar e reverenciar todos os seres sem fazer distinções em um exercício diário. Mesmo que você não alcance a meta do impossível, através desse esforço você abrirá um caminho. Esse caminho é a Via do Bodhisattva Sem Desprezo, que é a Via percorrida pelo Buda Sakyamuni e que, por sua vez, é o caminho mais curto.

Comece hoje mesmo, não perca tempo com vãs erudições acerca da Sabedoria do Buda. A Sabedoria do Buda é compartilhada apenas entre Budas. Essas erudições são uma invenção daqueles que, julgando-se superiores aos outros, vão contra o exato âmago deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, destruindo para sempre as sementes da sua própria iluminação.

Se você concordar, meu velho amigo, vou criar uma seção para “Cartas” no blog e publicar essas coisas. Por quê? Porque muitos são os que querem saber, mas poucos são os preparados para indagar. O indagador, na Grande Assembléia, é o segundo em importância. É em razão da sua capacidade de indagar que o Buda expõe os seus mais profundos ensinos.

em 24/11/2006.

Arquivado em: CARTAS I Comentários (0)

Trecho II CAPíTULO QUINZE: EMERGINDO DA TERRA

26 26UTC dez 26UTC 2006

Trecho II - CAPÍTULO QUINZE: EMERGINDO DA TERRA

Desde o primeiro momento em que os Bodhisattvas Mahasattvas emergiram da terra, e enquanto eles louvavam os Budas com vários louvores de Bodhisattva, um período de cinqüenta pequenos kalpas transcorreu. Durante aquele tempo, o Buda Shakyamuni permaneceu sentado em silêncio, e a assembléia dos quatro tipos de crentes ficou igualmente silenciosa durante os cinqüenta pequenos kalpas. Em virtude do poder espiritual do Buda, todos na grande assembléia sentiram ter passado apenas a metade de um dia. Naquela ocasião a assembléia dos quatro tipos de crentes, em virtude do poder espiritual do Buda, foi capaz de ver todos os Bodhisattvas preenchendo totalmente o espaço de ilimitadas centenas de milhares de miríades de milhões de terras.

Em meio às multidões de Bodhisattvas Mahasattvas havia quatro líderes. O primeiro era chamado Práticas Superiores, o segundo era chamado Práticas Ilimitadas, o terceiro era chamado Práticas Puras, e o quarto era chamado Práticas Seguras (Firmemente Estabelecidas). Esses quatro Bodhisattvas, em meio à assembléia, eram líderes supremos, porta-vozes e guias. Diante das grandes multidões, eles juntaram as palmas das suas mãos, contemplaram o Buda Shakyamuni, fizeram profunda reverência curvando seus corpos a partir da cintura e disseram: “O Honrado pelo Mundo encontra-se gozando de boa saúde e livre de preocupações? Encontra-se em paz e feliz em sua prática? Aqueles a serem salvos estão receptivos aos ensinamentos? Eles não têm causado algum cansaço ao Honrado pelo Mundo”?

Os quatro Grandes Bodhisattvas então falaram versos, dizendo:

“O Honrado pelo Mundo encontra-se feliz e em paz,
livre de preocupações e enfermidades?
No ensinamento e conversão dos seres,
está livre de cansaço?
E, além disso,
têm os seres viventes recebido a conversão facilmente?
Eles não causam fadiga ao Honrado pelo Mundo”?

O Honrado pelo Mundo então, em meio à grande multidão de Bodhisattvas, disse isto: “Muito bem, muito bem, bons homens. O Tathagata encontra-se em paz e feliz, livre de enfermidades ou preocupações. Todos os seres viventes são fáceis de converter e salvar, e eles não me causam cansaço. Por que isto? Porque todos os seres viventes, em existência após existência, têm sempre recebido meus ensinamentos, e também têm prestado reverência e venerado os Budas do passado, plantando, portanto, as raízes da benevolência. Quando esses seres viventes viram-me e ouviram meus ensinamentos pela primeira vez, todos, exceto aqueles que anteriormente praticaram e estudaram o Pequeno Veículo, imediatamente os compreenderam, os aceitaram e entraram na sabedoria do Tathagata. Agora, tornarei possível a tais pessoas ouvirem este Sutra e adentrar a sabedoria do Buda”.

Naquele momento os Grandes Bodhisattvas falaram estes versos:

“Excelente, excelente,
Grande Herói, Honrado pelo Mundo,
que todos os seres viventes sejam fáceis de converter e salvar,
que eles possam indagar acerca da profunda sabedoria do Buda
e, tendo ouvido-a, compreendam-na e pratiquem-na.
Todos nós regozijamos em concordância”.

Então o Honrado pelo Mundo elogiou os líderes de todos aqueles Grandes Bodhisattvas: “Excelente, excelente, que vocês, bons homens, tenham enchido seus corações de alegria em concordância com o Tathagata”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

COMENTÁRIOS CAPÍTULO III.3

25 25UTC dez 25UTC 2006

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO III.3


O Buda disse a Shariputra: “Excelente, excelente! É justamente como você diz”.

“Shariputra, o Tathagata também é assim. Ele é um pai para todos os seres no mundo. Ele erradicou para sempre todos os temores, fraquezas, aflições, ignorância e obscuridade. Ele atingiu completamente a ilimitada sabedoria, visão, poder e coragem. Ele possui grande poder espiritual e o poder da sabedoria. Ele consumou os Paramitas dos Meios Hábeis e da Sabedoria. Ele é grandemente benevolente e compassivo. Incansável, sempre busca o bem, beneficiando a todos. E assim, ele nasce no Mundo Tríplice[1] que é como uma casa em chamas, com a intenção de salvar os seres viventes dos fogos do nascimento, velhice, doença, morte, dor, miséria, estupidez, indolência e dos Três Venenos[2]. Ele ensina-os e converte-os, levando-os a atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

“Ele vê todos os seres viventes sendo chamuscados pelo nascimento, velhice, doença, morte, dor e miséria. Eles se sujeitam aos vários sofrimentos em função dos Cinco Desejos[3], da riqueza e do lucro. Em razão do apego e da ganância, além de no presente se sujeitarem a todo tipo de sofrimentos, no futuro sujeitar-se-ão aos sofrimentos do inferno, em meio aos animais ou espíritos famintos. Se nascidos no mundo celestial ou em meio aos seres humanos, eles sofrerão da pobreza e da aflição, do sofrimento de serem separados de quem amam, do sofrimento de estarem juntos de quem odeiam, e todos os vários sofrimentos como esses. Mesmo assim, os seres viventes mergulham neste marasmo, nos esportes recreativos, inconscientes, desavisados, sem susto ou temor. Eles não se tornam saciados em seus desejos e nem buscam a libertação. Na casa em chamas do Mundo Tríplice, eles correm de um lado para outro. Embora encontrem tremendos sofrimentos, eles não estão preocupados”.

——————————————————————————–

[1] Mundo Tríplice, onde imperam os três maus domínios da existência, a saber: o domínio dos desejos, o domínio da matéria e o domínio espiritual. Referindo-se ao Honrado pelo Mundo: “Ele nasce no Mundo Tríplice”; isto é, Ele, o Buda é o mortal comum que, nascido no mundo tríplice, numa casa em chamas, o faz dentre os seres viventes “para ensiná-los e convertê-los permitindo-lhes alcançar anuttara-samyak-sambhodi”. Assim como a via do Bodhisattva é o único e verdadeiro portal para o estado de Buda, esta via é também o único e verdadeiro portal para o ingresso do Buda no mundo tríplice, ou a única e verdadeira causa do advento do Buda neste mundo.

[2] Três Venenos: avareza, ira e a estupidez.

[3] Cinco Desejos: comida e bebida; sono; sexo; bens materiais; e fama.

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Arquivado em: COMENTARIOS I Comentários (0)

CAPíTULO QUINZE: EMERGINDO DA TERRA

24 24UTC dez 24UTC 2006

CAPÍTULO QUINZE: EMERGINDO DA TERRA

Naquela ocasião, na grande assembléia, os Bodhisattvas Mahasattvas que haviam vindo de outras terras, em números que excedem os grãos de areia de oito Rios Ganges, levantaram-se, juntaram as palmas das mãos, fizeram reverência, e disseram ao Buda: “Honrado pelo Mundo, se permitir-nos, após a extinção do Buda, aqui neste mundo Saha, com um sempre crescente vigor, protegeremos, manteremos, leremos, recitaremos, copiaremos e faremos oferecimentos à este Sutra, e o proclamaremos longínqua e amplamente através desta terra ”.

O Buda então disse à multidão de Bodhisattvas Mahasattvas: “Basta! Bons homens, vocês não necessitam proteger e manter este Sutra. Por que não? Dentro deste meu mundo Saha há Bodhisattvas Mahasattvas iguais em número às areias de sessenta mil Rios Ganges, tendo cada um deles um séqüito igual em número às areias de sessenta mil Rios Ganges. Após a minha extinção, todos eles protegerão, ostentarão, lerão, recitarão e proclamarão vastamente este Sutra ”.

Tão logo o Buda disse isto, nos três mil grandes sistemas de mundos do Mundo Saha a terra tremeu e abriu-se, e do seu interior ilimitadas dezenas de bilhões de Bodhisattvas Mahasattvas emergiram simultaneamente. Todos aqueles Bodhisattvas possuíam os corpos da cor dourada, as trinta e duas marcas distintivas, e inconcebível luz. Eles residiam sob o Mundo Saha, no espaço vazio pertencente a este mundo . Ouvindo o som da voz do Buda Shakyamuni, todos aqueles Bodhisattvas vieram de baixo.

Cada um daqueles Bodhisattvas era um líder que instruía e conduzia uma grande multidão. Cada um tinha um séqüito tão numeroso quanto os grãos de areia de sessenta mil Rios Ganges. Alguns outros tinham um séqüito tão numeroso quanto os grãos de areia de cinqüenta mil, quarenta mil, trinta mil, vinte mil, ou mesmo dez mil Rios Ganges. Outros ainda tinham um séqüito tão numeroso quanto os grãos de areia de um Rio Ganges, metade de um Rio Ganges, um quarto, e sucessivamente abaixo, até um milésimo de um décimo milésimo de um milionésimo de um nayuta de Rios Ganges.

Outros tinham um séqüito numeroso contado em bilhões de nayutas. Outros tinham seu séqüito contado em centenas de milhões. Outros tinham séqüito contado em dezenas milhões, milhões ou menos, até de dezenas de milhares. Outros tinham um séqüito de apenas mil, cem e até menos que dez discípulos. Outros tinham cinco, quatro, três, dois ou mesmo um discípulo. Ainda outros chegavam sozinhos, preferindo o isolamento. E assim eles eram em número ilimitado, inconcebível, para além do poder de cálculo ou da analogia para se fazer conhecido.

Tendo emergido da terra, todos os Bodhisattvas vieram à Torre Maravilhosa dos Sete Tipos de Jóias suspensa no espaço, onde o Tathagata Muitos Tesouros e o Buda Shakyamuni se encontravam. Chegando lá, eles circundaram os dois Honrados pelo Mundo e curvaram-se com suas cabeças aos pés daqueles Budas. Então, eles dirigiram-se para onde todos os Budas encontravam-se sentados em tronos de leão sob as árvores de jóias, curvaram-se para eles, circundaram-nos três vezes pelo lado direito, juntaram as palmas das suas mãos respectivamente, e louvaram-nos com vários louvores de Bodhisattva. Então, eles afastaram-se para um lado e contemplaram alegremente os dois Honrados pelo Mundo.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

IV Preparação da Unificação das Interações

23 23UTC dez 23UTC 2006

IV – Preparação da Unificação das Interações Fundamentais

Parte 1

A Física é a ciência da matéria e forças; no passado, seus principais avanços foram ou as descobertas das subestruturas (e isto se relaciona à matéria) ou a compreensão de que duas forças muito diferentes são a manifestação de uma simples interação (e isto é uma propriedade das forças). A cadeia dada por átomo-núcleo-nucleon-quark, descreve a primeira linha de desenvolvimento, enquanto a segunda remonta a unificação de Newton do peso na Terra em meio a atração dos corpos astronômicos. Mais tarde, Maxwell unificava os fenômenos elétrico e magnético; e somente vinte anos atrás (década de 60) o decaimento beta-nuclear foi unificado com o decaimento muon e a existência de uma ligação universal fraca (weak) estabelecida. Desde então temos vivido com 4(quatro) diferentes e não relacionadas forças fundamentais: gravitacional, fraca, eletromagnética e forte. As ligações fortes envolvendo hadrons são agora admitidas ser apenas um pálido vestígio das intensas forças atuando entre os quarks dentro de cada hadron. Forças gravitacionais são tão fracas que ninguém teve sucesso ainda na detecção de seu efeito no mundo subnuclear. As duas interações que parecem, a priori, menos dissimilares são a eletromagnética e a fraca; a primeira sendo intermediada por fótons e a segunda por weakons hipotéticos. Essas partículas virtuais, usualmente indicadas pelos símbolos W+ e W-, possuem carga elétrica e devem possuir grande massa, uma vez que até agora elas não foram produzidas em qualquer colisão de alta energia. Recentes experiências com neutrinos indicam que sua energia de repouso tem que ser maior do que 30 GeV.

Esta década foi o início de um novo processo de unificação das interações fracas e eletromagnéticas, e isso a despeito das notáveis diferenças entre os mediadores dessas forças. Gell-Mann15, de maneira até que bem humorada, listou os diferentes comportamentos dos dois mediadores: “Você pode ver a imensa similaridade das propriedades dos fótons e dos weakons W± : o fóton é eletricamente neutro, o weakon é carregado; o fóton move-se à velocidade da luz e tem massa de repouso zero, o weakon tem energia de repouso de 50 ou 100 GeV, próxima de zero, mas há uma notável diferença; para o fóton o acoplamento é de paridade invariante ou direito-esquerdo simétrico, para o weakon nós sabemos ser puramente esquerdo”. “Exceto essas diferenças menores, os acoplamentos são virtualmente idênticos e apresentam uma analogia matemática quase perfeita que nenhum teórico dos campos pode perceber até o momento”.

A primeira entre essas muitas diferenças entre fótons e weakons foi resolvida pela descoberta feita no CERN em 1973, de um novo tipo de força fraca, a então chamada “interação fraca neutra”. A teoria que abrange o mais amplo espectro de fatos experimentais, todavia, é uma teoria de campos proposta em 1967 por Steven Weinberg16 da Universidade de Harvard, e independentemente, alguns meses mais tarde, por Abdus Salam17 do Centro Internacional de Física Teórica de Trieste. Seu desenvolvimento é intimamente ligado ao conceito de “renormalização” que tem transformado a eletrodinâmica quântica de uma interminável fonte de infinitos embaraçosos, numa respeitável teoria. Teorias desse tipo foram também conhecidas com o nome de teorias de “Gauge”. Aqui, pela primeira vez encontramos as palavras mágicas que os Físicos repetem tão assiduamente nos dias de hoje, enquanto discutem unificação das interações: Teorias de Gauge. Há um outro grupo de palavras mágicas e misteriosas que acompanham aquelas primeiras: simetria espontaneamente quebrada. Uma das melhores apresentações dessas idéias foi dada por Weinberg durante uma reunião da Academia Americana de Artes e Ciência em Boston:

“As boas novas são que há uma classe de teorias quânticas dos campos, conhecidas como teorias de gauge, que oferecem um prospecto de unificação das interações fracas, eletromagnéticas e, talvez, as fortes, num elegante formalismo matemático. Para explicar essas teorias, eu gostaria de fazer referência a algo muito mais familiar: a relatividade geral. Um dos princípios fundamentais da Física é que suas leis não são dependentes da orientação do laboratório. Mas, suponhamos que seja estabelecido um laboratório girante no qual a orientação variaria com o tempo. As leis da natureza, então, seriam as mesmas? Newton diria que não. Ele sustentaria que a rotação de um laboratório em relação ao espaço absoluto produz uma variação na forma das leis da natureza. Esta variação pode ser vista, por exemplo, na existência das forças centrífugas. Einstein, todavia, dá uma resposta diferente. Ele diz que as leis da natureza são exatamente as mesmas tanto para o laboratório girante quanto para o laboratório em repouso. No laboratório girante o observador vê um enorme firmamento de galáxias girando na direção oposta. Este fluxo de matéria produz um campo que age no laboratório e, em resposta, produz efeitos observáveis como a força centrífuga. Na teoria de Einstein, aquele campo é a gravitação. Em outras palavras, o princípio da invariância, a idéia de que as leis da natureza são as mesmas tanto no laboratório girante como no laboratório em repouso, requer a existência da força de gravitação. Além disso, esse campo gravitacional é responsável não somente pelas forças centrífugas mas também pela força gravitacional ordinária entre a terra e a maçã de Newton.”

Amaldi, U. – Particle Accelerators and Scientific Culture – CERN-79-06, Experimental Physics Division, July, 12 1979 – Genova – Italy.

Trecho Final CAP. QUATORZE: CONDUTA PARA A PRáTICA

22 22UTC dez 22UTC 2006

Trecho Final - CAPÍTULO QUATORZE: CONDUTA PARA A PRÁTICA BEM-SUCEDIDA

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:

“Sempre praticando a paciência e sendo misericordioso com todos,
então estará apto a proclamar este Sutra elogiado pelos Budas.
Na futura Era dos Últimos Dias,
aquele que ostentar este Sutra,
deverá estar imbuído da benevolência e compaixão,
tanto por aqueles que residem em seus lares,
como para com aqueles que deixaram seus lares,
e aqueles que não são Bodhisattvas,
pensando: ‘aqueles que não ouvem ou compreendem este Sutra
sofrem uma grande perda.
Quando eu tiver obtido a Via do Buda,
usarei de meios hábeis para pregar esta Lei para eles,
de tal forma que permaneçam dentro dela’.

É como um poderoso rei girador-de-roda que concede recompensas aos soldados bem-sucedidos na batalha:
elefantes, cavalos, carruagens, ornamentos pessoais,
bem como terras, cavalos, vilas, cidades e países;
ou pode dar roupas,
ou vários tipos de tesouros raros,
servos e outros bens valorosos,
dando-lhes alegria.
Se houver um herói digno,
que seja capaz de empreender missões difíceis,
o rei pegará do seu turbante sua pérola brilhante e lhe concederá.

O Tathagata também é assim.
Como rei de todas as Leis,
com paciência, com grande poder,
e com o precioso repositório da sabedoria,
com grande benevolência e compaixão,
ele transforma o mundo de acordo com a Lei.
Ele vê todas as pessoas sofrendo pela dor e pela agonia,
buscando a libertação,
e travando batalhas com demônios.
Para esses seres viventes ele prega várias Doutrinas.
Usando grandes meios hábeis,
ele ensina-lhes os Sutras.

Quando ele sabe que aqueles seres viventes tornaram-se fortes,
Então, como num ato derradeiro,
ele prega-lhes o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa .
Isto é como o rei que desata seu turbante e concede finalmente sua pérola brilhante.
Sendo o mais elevado dentre as multidões de Sutras,
este Sutra é venerável.
Eu sempre o guardo e o protejo,
nunca o pregando descuidadamente.
Mas agora o tempo é exatamente correto para pregá-lo para todos os seres.

Após a minha extinção,
aqueles que buscarem a Via do Buda,
que desejarem obter paz e tranqüilidade,
e proclamar este Sutra,
devem ter afinidade com essas quatro leis.
Aqueles que lerem este Sutra não terão preocupações ou aflições;
serão livres de dores e doenças,
com um semblante suave e límpido.
Eles não nascerão pobres, subalternos ou famintos.
Os seres viventes ficarão felizes ao vê-los,
como se fossem meritórios sábios.
Todos os filhos dos seres celestiais agirão como seus mensageiros.

Espadas e bastões não os machucarão,
venenos não lhes causarão mal,
e se alguém injuriá-los,
sua boca será fechada.
Eles transitarão destemidamente como o rei leão.
A luz da sua sabedoria brilhará como o sol.
Em sonhos, verão apenas coisas maravilhosas.
Poderão ver os Tathagatas sentados em seus tronos de leão,
cercados por uma multidão de Monges,
e ver a forma como pregam o Dharma.

Eles também verão dragões, espíritos,
Asuras e assim por diante,
em número como as areias do Ganges,
todos reverentes, com as palmas das mãos unidas.
Eles verão a si mesmos surgindo para pregar-lhes o Dharma.
Além disso, eles verão todos os Budas,
seus corpos da cor do ouro emitindo ilimitadas luzes,
a tudo iluminando,
e proclamando todas as Leis empregando o som Brahma.

Os Budas, para as multidões dos quatro tipos de crentes,
pregarão a suprema Lei.
Eles ver-se-ão lá, também,
com as palmas das mãos unidas, louvando os Budas.
Ouvindo a Lei, alegrar-se-ão e farão oferecimentos.

Eles obterão Dharanis,
e certificar-se-ão da sabedoria da não-regressão.
Os Budas, sabendo que seus pensamentos adentraram profundamente a Via do Buda,
conceder-lhes-ão então uma profecia para a consecução da correta iluminação, dizendo:
‘Você, bom homem, atingirá, numa era futura,
a sabedoria ilimitada e a grande Via do Buda.
Sua terra será adornada e pura,
vasta e incomparável,
e lá as assembléias dos quatro tipos de crentes ouvirão a Lei com as palmas das mãos unidas’.

Eles também se verão residindo nas florestas das montanhas,
praticando todas as formas das leis,
certificando-se do Verdadeiro Aspecto de Todos os Fenômenos,
entrando profundamente na meditação Dhyana,
e vendo os Budas das dez direções.
Os Budas, com seus corpos dourados,
serão adornados com as marcas de uma centena de bênçãos.
Ouvindo sua Lei, eles a pregarão para os outros,
e sempre terão bons sonhos como estes.

Eles também sonharão que são reis que abandonam seus palácios e servos,
bem como os finos objetos dos cinco desejos,
para entrar no Bodhimanda.
Lá, sob a árvore Bodhi,
sentam no trono de leão,
buscando a Via durante sete dias,
e obtendo a sabedoria do Buda.
Após realizar a suprema Via,
eles levantam-se e giram a Roda-da-Lei e pregam o Dharma para a multidão dos quatro tipos de crentes.

Ao longo de milhares de miríades de milhões de kalpas,
eles pregam a Lei Maravilhosa e sem falhas,
e salvam ilimitados seres viventes.
Mais tarde entram no Nirvana,
como uma lâmpada se apaga quando termina seu combustível.
Se, na futura era da maldade,
eles puderem pregar esta Lei suprema,
obterão grandes benefícios,
méritos e virtudes como disse acima ”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://muccamargo.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.