CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

22 22UTC nov 22UTC 2006

CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

Naquela ocasião, o Buda disse aos Bodhisattvas, seres celestiais, humanos e membros da Assembléia dos Quatro Tipos de Crentes: “No passado, ao longo de ilimitados kalpas, eu procurei o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa sem preguiça ou cansaço. Durante muitos kalpas eu fui um rei devotado a buscar a Suprema Iluminação com um pensamento obstinado. Desejando realizar os Seis Paramitas, eu diligentemente pratiquei caridade, sem nunca regatear quer fossem elefantes, cavalos, os sete artigos raros, países, cidades, cônjuges, filhos, serviçais, ou mesmo minha cabeça, olhos, tutano, cérebro, corpo, carne, mãos e pés que eu desse; não poupando mesmo a própria vida”.

“As pessoas daquela época tinham vida ilimitada. Em prol da Lei, eu renunciei a posição de monarca, deixando o governo para um príncipe da coroa. Eu fiz soar o tambor do Dharma, anunciando minha busca pela Lei nas quatro direções, dizendo: ‘A quem puder pregar o Grande Veículo para mim, servirei como um escravo pelo resto da minha vida ’!”.

“Naquela ocasião um vidente veio a mim, o rei, dizendo: ‘Eu possuo uma escritura do Grande Veículo chamado o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Se você não me desobedecer, expô-la-ei para você’”.

“Quando eu, o rei, ouvi as palavras do vidente, saltei de alegria. Então, segui o vidente suprindo-lhe de todas as suas necessidades: colhendo frutas, ofertando água, apanhando lenha, preparando comida ou oferecendo meu próprio corpo como um colchão para ele, sem sentimento de cansaço do corpo ou da mente. Em prol da Lei, eu diligentemente o servi por milhares de anos, de tal forma que nada lhe faltasse”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando reforçar este significado, falou em versos, dizendo:

“Lembro-me que em kalpas passados,
quando buscava a Lei,
embora fosse um rei naquela época,
não tinha a ambição de satisfazer os Cinco Desejos.
Tocando o sino, eu anunciava nas quatro direções:
‘Caso alguém possua a Grande Lei,
exponha-a para mim, e serei seu escravo’.

Então o vidente Asita veio até mim, o rei, falando-me:
‘Eu tenho a mais rara, sutil e maravilhosa Lei de todo o mundo.
Se puder cultivá-la, expô-la-ei em seu benefício’.

Ouvindo o que o vidente dissera,
meu coração encheu-se de grande alegria.
Então segui o vidente,
suprindo-lhe de todas as suas necessidades:
apanhar lenha, frutas e melões;
presenteando-o, respeitosamente, nas ocasiões corretas.
Em razão de ter prestigiado a Lei Maravilhosa,
nunca estive com preguiça ou cansado de corpo ou mente.
Eu busquei a Grande Lei, diligentemente,
em prol de todos os seres viventes.
Nunca em benefício próprio,
ou para satisfazer os Cinco Desejos.

Assim como um Rei de um Grande Reinado,
eu dediquei-me diligentemente para obter esta Lei e,
tendo em conformidade atingido o Estado de Buda,
agora a prego para vocês”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Arquivado em: O SUTRA DE LOTUS I

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