CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO II.6

30 30UTC nov 30UTC 2006

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO II.6


“Shariputra, nos mundos das dez direções, não há sequer dois veículos, quanto mais três. Shariputra, todos os Budas aparecem no mundo manchado pelas cinco impurezas, quais sejam a impureza do kalpa (tempo), a impureza da aflição, a impureza dos seres viventes, a impureza da visão, e a impureza da vida. É por essa razão, Shariputra, que na era da confusão devida à impureza do kalpa, os seres viventes são pesadamente carregados de impurezas; por serem miseráveis, ambiciosos, invejosos e ciumentos eles plantam as raízes da insalubridade. Por esta razão, todos os Budas, através do poder dos meios hábeis, dentro do Veículo Único do Buda, fazem distinções e pregam como se fossem três”.

“Shariputra, se um discípulo meu autodenomina-se Arhat ou Pratyekabuda, mas nunca ouviu ou soube que de fato todos os Budas, os Tathagatas, somente ensinam e convertem Bodhisattvas, então ele não é um discípulo do Buda, nem é um Arhat, e nem um Pratyekabuda[1]”.

[1] Acredito ser esta a segunda grande admoestação do Buda neste sutra. O profundo significado desta passagem é que as pessoas (incluindo monges e monjas) que ouvirem, aceitarem e acreditarem neste ensino são Bodhisattvas. Apenas de presumirem que sejam arhats ou pratyekabudas, estarão destruindo a semente de sua própria iluminação; estarão contrariando o exato âmago deste ensino; obstruirão o caminho que as leva de encontro ao Buda. A frase “então ele não é meu discípulo, nem arhat nem pratyekabuda”, coloca essa pessoa como alguém de descrença incorrigível.

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.


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Trecho IV - CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

29 29UTC nov 29UTC 2006

Trecho IV - CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

Manjushri disse: “Enquanto no oceano, eu tenho proclamado e ensinado unicamente o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa”!

Sabedoria Acumulada indagou a Manjushri: “Este Sutra é extremamente profundo e sutil. Em meio a todos os outros Sutras, ele é uma jóia raramente encontrada no mundo. Existe algum ser vivente que possa, através da diligência e vigor, cultivar este Sutra e rapidamente atingir o Estado de Buda”?

Manjushri disse: “Existe uma filha do Rei Dragão que tem apenas oito anos de idade. Ela possui as faculdades, condutas e Karmas dos seres viventes e obteve Dharanis. Ela está apta a receber e ostentar repositórios inteiros de segredos extremamente profundos pregados pelo Buda. Ela adentrou profundamente o Samadhi Dhyana e penetrou completamente todas as Leis. No espaço de um Kshana (instante) ela concebeu o desejo da iluminação e atingiu o estágio da não-regressão . Sua eloqüência não tem obstruções e ela tem pensamento compassivo de todos os seres viventes como se fossem seus filhos. Seu mérito e virtude são completos. Os pensamentos em sua mente e as palavras da sua boca são sutis, maravilhosas, e expansivas. Ela é compassiva, humana e complacente; harmoniosa e refinada no pensamento, ela está apta a alcançar a Iluminação”.

O Bodhisattva Sabedoria Acumulada disse: “Eu vi o Tathagata Shakyamuni levando a cabo difíceis práticas ascéticas através de ilimitados kalpas, acumulando méritos e virtudes quando ele buscou a Iluminação sem qualquer descanso. Como eu observo os três mil grandes sistemas de mil mundos, não há lugar, nem mesmo do tamanho de uma semente de mostarda, onde como um Bodhisattva ele não tenha renunciado sua vida em prol dos seres viventes. Somente após aquilo ele atingiu a Via Insuperável. Eu não compreendo que esta garota possa atingir a iluminação correta no espaço de um instante ”.

Eles ainda não haviam terminado suas palavras quando subitamente e filha do Rei Dragão apareceu diante deles, curvou-se com sua cabeça aos seus pés, e afastou-se para um lado para dizer estes versos:

“Tendo compreendido profundamente os aspectos das ofensas e das bênçãos,
pelo seu polimento através das dez direções ,
agora o maravilhoso e puro Corpo da Lei está completo,
detendo as Trinta e Duas Marcas Distintivas,
e as Oito Características Menores.
O adornado Corpo da Lei é honrado e admirado por seres celestiais e humanos,
e reverenciado por todos os dragões e espíritos.
Dentre todas as variedades de seres,
nenhum falha em respeitá-lo e reverenciá-lo.
Ouvindo sobre a consecução da Iluminação,
da qual somente um Buda pode certificar-se,
eu proclamo o Grande Veículo ensinando,
libertando os seres viventes do sofrimento”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

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Elipsóide de Deformações

28 28UTC nov 28UTC 2006

Elipsóide de Deformações:

Para imaginar mais claramente a deformação de um corpo, é conveniente utilizar o chamado elipsóide de deformações: é uma superfície para a qual passará a esfera de raio unitário observada em um corpo não deformado, depois da deformação deste corpo. A equação da esfera de raio unitário é:

x12 + x22 + x32 = 1

Fixemos o raio vetor da esfera Ox , cujas coordenadas são (x1, x2, x3). Depois da deformação do corpo descrita com o tensor

r1

0

0

0

r2

0

0

0

r3

este raio vetor se converte no vetor Ox’ com coordenadas (x1’, x2’, x3’). As componentes do vetor Ox’ estão relacionadas com o vetor Ox mediante as equações:

x1

=

x1 (1 + r1)

x2

=

x2 (1 + r2)

x3

=

x3 (1 + r3)

Ao sacar dessas equações os valores das componentes do vetor Ox, substituindo da equação da esfera, vem

x12 / (1 + r1)2 + x22 / (1 + r2)2 + x32 / (1 + r3)2 = 1

Precisamente, esta é a equação do elipsóide de deformações. O elipsóide de deformações demonstra de um modo muito claro a distribuição das deformações de um corpo: por exemplo, as direções de deformações máximas e mínimas. Chamamos a atenção, neste momento, para as tão comuns formas elipsoidais do macrocosmo, a saber: massas estelares, aglomerados, órbitas planetárias e campos gravitacionais e zonas de influência em geral.

Trecho III - CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

27 27UTC nov 27UTC 2006

Trecho III - CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

O Buda disse aos Monges: “no futuro, se um bom homem ou uma boa mulher ouvirem o Capítulo Devadatta do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, e com um pensamento puro compreendê-lo e honrá-lo, não alimentando dúvidas, essa pessoa nunca cairá no mundo do inferno, dos espíritos famintos ou da animalidade. Essa pessoa nascerá na presença dos Budas das dez direções, sempre ouvindo este Sutra onde quer que ela venha nascer. Se ela renascer em meio aos humanos e seres celestiais, receberá a suprema e sutil bênção. Se nascer na presença de um Buda, nascerá pela transformação de uma Flor de Lótus”.

Naquela ocasião, um Bodhisattva assistente do Buda Muitos Tesouros, Honrado pelo Mundo, vindo das regiões inferiores e chamado Sabedoria Acumulada, dirigiu-se ao Buda Muitos Tesouros, dizendo: “Deixe-nos retornar à nossa própria terra ”.

O Buda Shakyamuni disse a Sabedoria Acumulada: “Bom homem, espere mais um momento. Há um Bodhisattva chamado Manjushri com o qual você deve reunir-se e discutir a Lei Maravilhosa. Então, você poderá retornar à sua terra”.

Então Manjushri, sentando sobre um lótus de mil pétalas, tão imenso quanto uma roda de carroça, acompanhado dos Bodhisattvas que o seguiam, também sentados em lótus de jóias, espontaneamente emergiu do Grande Oceano do Palácio do Dragão Sagara. Eles alçaram-se alto no ar e vieram à Mágica Montanha do Pico da Águia. Descendo de suas flores de lótus, eles vieram para diante dos Budas e curvaram-se em reverência aos pés dos dois Honrados pelo Mundo. Tendo prestado suas reverências, vieram até Sabedoria Acumulada e quando já haviam perguntado sobre o bem-estar de cada um dos outros, postaram-se a um lado e sentaram-se.

O Bodhisattva Sabedoria Acumulada indagou a Manjushri: “Como ser humano, quantos seres viventes você ensinou lá no Palácio do Dragão”?

O Bodhisattva Manjushri respondeu: “Um número ilimitado e incontável, que não pode ser expresso em palavras ou sondado pelo pensamento. Espere apenas um momento e você obterá a prova por si mesmo”.

Antes que ele tivesse terminado de falar, incontáveis Bodhisattvas sentados sobre lótus de jóias emergiram do oceano, vieram à Mágica Montanha do Pico da Águia e flutuaram no espaço. Aqueles Bodhisattvas foram ensinados, convertidos e salvos pelo Bodhisattva Manjushri. Todos eles haviam completado as práticas de Bodhisattva e estavam discutindo entre eles os Seis Paramitas. Aqueles que originalmente tinham sido Ouvintes estavam no espaço vazio expondo as práticas dos Ouvintes. Todos eles estavam agora cultivando o princípio da vacuidade do Grande Veículo.

O Bodhisattva Manjushri disse a Sabedoria Acumulada: “Tal é o trabalho de ensinamento e conversão que tenho feito dentro do oceano”.

Naquela ocasião, Sabedoria Acumulada recitou esses versos em louvor:

“De grande sabedoria, virtude e coragem,
você ensinou e salvou incontáveis seres.
Agora esta grande assembléia e eu vimos isto por nós mesmos.
Proclamando o princípio da Marca Real (Verdadeira Entidade),
abrindo a Lei do Veículo Único,
vocês são um guia para todos os seres viventes,
levando-os rapidamente à consecução da Iluminação”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO II.5

25 25UTC nov 25UTC 2006

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO II.5


“Shariputra, os Budas do passado utilizaram-se de ilimitados, incontáveis meios hábeis, várias causas e condições, analogias e parábolas para expor suas Leis para os seres viventes. Aquelas Leis eram todas em prol do Veículo Único do Buda. Todos aqueles seres viventes, ouvindo a Lei dos Budas, finalmente atingiram a Sabedoria que Abarca Todas as Espécies”.

“Shariputra, quando os Budas do futuro fizerem seu advento no mundo, eles também se utilizarão de ilimitados, incontáveis meios hábeis, várias causas e condições, analogias e parábolas, proclamando todas as Leis para os seres viventes. Essas Leis serão todas em prol do Veículo Único do Buda. Ouvindo a Lei dos Budas, todos aqueles seres viventes finalmente atingirão a Sabedoria que Abarca Todas as Espécies”.

“Shariputra, presentemente, todos os Budas, Honrados pelo Mundo, através das dez direções das ilimitadas centenas de milhares de miríades de milhões de Terras Búdicas, beneficiam enormemente os seres viventes e trazem-lhes paz e felicidade. Esses Budas também proclamam todas as leis para os seres viventes através de ilimitados, incontáveis meios hábeis, várias causas e condições, analogias e parábolas. Essas Leis são todas em prol do Veículo Único do Buda. Todos esses seres viventes, ouvindo a Lei dos Budas, finalmente atingirão a Sabedoria que Abarca Todas as Espécies”.

“Shariputra, todos os Budas somente ensinam e convertem Bodhisattvas[1] porque eles desejam demonstrar aos seres viventes a sabedoria e a visão do Buda, porque eles desejam despertar os seres viventes para a sabedoria e a visão do Buda, e porque eles desejam levar os seres viventes a entrar na sabedoria e na visão do Buda”.

[1] Os Budas do passado, do futuro e do presente ensinam e convertem os Bodhisattvas, sendo este o único veículo para atingir a iluminação. Por essa razão o Buda afirma: “Essas Leis são todas em prol do Veículo Único do Buda”.


N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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Trecho II - CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

24 24UTC nov 24UTC 2006

Trecho II - CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

O Buda disse aos monges: “O Rei era eu mesmo numa vida anterior, e o vidente era o presente Devadatta”.

“É devido ao meu bom e sábio conselheiro, Devadatta, que eu atingi os Seis Paramitas da benevolência, compaixão, alegria e altruísmo; bem como as Trinta e Duas Marcas Distintivas e as Oitenta Características de Excelência; também a coloração púrpura do ouro polido, os Dez Poderes, os Quatro Tipos de Destemor, as Quatro Leis da Atração , as Dezoito Propriedades Não-Associativas, o poder da via das penetrações espirituais, da consecução da imparcialidade, da iluminação correta e o poder de salvar amplamente os seres viventes. Tudo isto veio a ocorrer graças ao meu bom e sábio conselheiro , Devadatta”.

“Eu anuncio à Assembléia dos Quatro Tipos de Crentes que, após ilimitados kalpas terem passado, Devadatta tornar-se-á um Buda chamado Tathagata Rei dos Seres Celestiais, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, Senhor Supremo, um Herói Disciplinado e Justo, Mestre de Seres Celestiais e Humanos, Buda, Honrado pelo Mundo. Seu mundo será chamado Caminho dos Seres Celestiais”.

“Ele residirá no mundo durante vinte kalpas médios, pregando amplamente a Lei Maravilhosa para os seres viventes. Seres viventes em número como as areias do Ganges obterão o fruto do Estado de Arhat. Ilimitados seres viventes desejarão buscar as condições da iluminação como Pratyekabudas. Seres viventes em número como as areias do Ganges conceberão o desejo da Via Insuperável, obtendo a compreensão do não-nascimento e da não-extinção dos fenômenos, e atingindo o estágio da não-regressão”.

“Após o Parinirvana do Buda Rei dos Seres Celestiais, a Lei Correta perdurará no mundo durante vinte kalpas médios. Uma torre de sessenta Yojanas de altura e quarenta Yojanas de largura, feita das sete jóias, será construída para abrigar as Relíquias do seu corpo inteiro. Todos os seres celestiais e humanos farão oferecimentos e reverenciarão a torre maravilhosa das sete jóias, usando uma variedade de flores, incenso em pó, incenso para queimar, incenso em pasta, vestimentas, colares, estandartes, dosséis de jóias, músicas instrumentais e vocais”.

“Ilimitados seres viventes obterão o fruto do Estado de Arhat. Ilimitados seres viventes despertarão para a iluminação do Pratyekabuda. Um inconcebível número de seres viventes resolutamente decidir-se-ão pela Via do Buda e encontrarão a não-regressão”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Eixos Principais do Tensor de Deformações

23 23UTC nov 23UTC 2006

Eixos Principais do Tensor de Deformações e Superfície Característica do Tensor de Deformações:

Posto que o tensor de tensões é simétrico, podemos reduzi-lo aos eixos principais. Isto significa que, qualquer que seja a deformação do corpo, pode-se escolher um sistema de coordenadas tal, em que a deformação do corpo pode ser representada só por compressões e trações em três direções perpendiculares entre si, sem deslocamentos. A deformação pode ser representada por uma superfície característica de deformações, cuja equação tem a forma:

rij xi xj = 1

Essa superfície pode tanto ser elipsóide como hiperbolóide, tanto efetivo como fictício. Se a deformação é homogênea, o deslocamento devido é dado por:

ui = rij xj

A direção do vetor u e o valor de r para uma direção I qualquer dada, podem ser encontrados mediante a propriedade do raio vetor e a normal à superfície de deformação. A expansão em uma direção arbitrária I se expressa por:

r = rij Ii Ij



N.Perelomova, M. Taguieva - Problemas de Cristalofísica – Ed. Mir, 1975 – Moscou – URSS.

CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

22 22UTC nov 22UTC 2006

CAPÍTULO DOZE: DEVADATTA

Naquela ocasião, o Buda disse aos Bodhisattvas, seres celestiais, humanos e membros da Assembléia dos Quatro Tipos de Crentes: “No passado, ao longo de ilimitados kalpas, eu procurei o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa sem preguiça ou cansaço. Durante muitos kalpas eu fui um rei devotado a buscar a Suprema Iluminação com um pensamento obstinado. Desejando realizar os Seis Paramitas, eu diligentemente pratiquei caridade, sem nunca regatear quer fossem elefantes, cavalos, os sete artigos raros, países, cidades, cônjuges, filhos, serviçais, ou mesmo minha cabeça, olhos, tutano, cérebro, corpo, carne, mãos e pés que eu desse; não poupando mesmo a própria vida”.

“As pessoas daquela época tinham vida ilimitada. Em prol da Lei, eu renunciei a posição de monarca, deixando o governo para um príncipe da coroa. Eu fiz soar o tambor do Dharma, anunciando minha busca pela Lei nas quatro direções, dizendo: ‘A quem puder pregar o Grande Veículo para mim, servirei como um escravo pelo resto da minha vida ’!”.

“Naquela ocasião um vidente veio a mim, o rei, dizendo: ‘Eu possuo uma escritura do Grande Veículo chamado o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Se você não me desobedecer, expô-la-ei para você’”.

“Quando eu, o rei, ouvi as palavras do vidente, saltei de alegria. Então, segui o vidente suprindo-lhe de todas as suas necessidades: colhendo frutas, ofertando água, apanhando lenha, preparando comida ou oferecendo meu próprio corpo como um colchão para ele, sem sentimento de cansaço do corpo ou da mente. Em prol da Lei, eu diligentemente o servi por milhares de anos, de tal forma que nada lhe faltasse”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando reforçar este significado, falou em versos, dizendo:

“Lembro-me que em kalpas passados,
quando buscava a Lei,
embora fosse um rei naquela época,
não tinha a ambição de satisfazer os Cinco Desejos.
Tocando o sino, eu anunciava nas quatro direções:
‘Caso alguém possua a Grande Lei,
exponha-a para mim, e serei seu escravo’.

Então o vidente Asita veio até mim, o rei, falando-me:
‘Eu tenho a mais rara, sutil e maravilhosa Lei de todo o mundo.
Se puder cultivá-la, expô-la-ei em seu benefício’.

Ouvindo o que o vidente dissera,
meu coração encheu-se de grande alegria.
Então segui o vidente,
suprindo-lhe de todas as suas necessidades:
apanhar lenha, frutas e melões;
presenteando-o, respeitosamente, nas ocasiões corretas.
Em razão de ter prestigiado a Lei Maravilhosa,
nunca estive com preguiça ou cansado de corpo ou mente.
Eu busquei a Grande Lei, diligentemente,
em prol de todos os seres viventes.
Nunca em benefício próprio,
ou para satisfazer os Cinco Desejos.

Assim como um Rei de um Grande Reinado,
eu dediquei-me diligentemente para obter esta Lei e,
tendo em conformidade atingido o Estado de Buda,
agora a prego para vocês”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO II.4

21 21UTC nov 21UTC 2006

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO II.4


“Shariputra, todos deveriam compreender que aquilo que o Buda diz por suas palavras, não é de forma alguma em vão ou falso. Shariputra, todos os Budas pregam a Lei de acordo com o que é apropriado, mas sua intenção é difícil de compreender. Qual é a razão? Eu preguei extensivamente todas as Leis através de incontáveis meios hábeis, várias causas e condições, analogias, parábolas e expressões. Esta Lei não pode ser compreendida através do discernimento (ponderação) ou da distinção (análise) [1]. Somente os Budas podem compreendê-la. Por que isto? Todos os Budas, os Honrados pelo Mundo, somente aparecem no mundo em razão de causas e condições de uma grande importância”.

“Shariputra, qual é o significado de ‘Todos os Budas, os Honrados pelo Mundo, somente aparecem no mundo em razão de causas e condições de uma grande importância’? Os Budas, os Honrados pelo Mundo, aparecem no mundo porque desejam levar os seres viventes a vislumbrar a sabedoria e a visão dos Budas e purificarem-se. Eles aparecem no mundo porque desejam demonstrar a todos os seres viventes a sabedoria e a visão dos Budas. Eles aparecem no mundo porque desejam levar os seres viventes a despertar para a sabedoria e a visão dos Budas. Eles aparecem no mundo porque desejam levar os seres viventes a entrar no Caminho da sabedoria e da visão dos Budas.[2]”

“Shariputra, estas são as causas e condições de grande importância pelas quais todos os Budas aparecem no mundo”.

O Buda disse a Shariputra: “Todos os Budas, Tathagatas, ensinam e convertem somente Bodhisattvas. Todas as suas ações são sempre visando um único interesse, que é unicamente demonstrar e iluminar os seres viventes para a sabedoria e visão do Buda. Eles usam somente o Veículo Único do Buda. Não há outros veículos, nem sequer dois ou três. Shariputra, a Lei de todos os Budas das dez direções é assim[3]”.

[1] Isto é, não é uma Lei que a racionalidade humana possa equacionar ou compreender.

[2] Esta passagem estabelece inequivocamente o Veículo Único do Buda, que significa haver uma e somente uma Via para a consecução do estado de Buda: a Via do Bodhisattva (o mortal comum que se tornará Buda). Este interprete refere-se a esta Lei sutil do Veículo Único do Buda como Via Recíproca, porque ela é biunívoca, significando que existe uma e somente uma Via para o aparecimento do Buda neste mundo: a Via do Bodhisattva (o Buda tornado mortal comum). Esta é a Verdadeira Jóia Real deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, que nos revela que a verdadeira e única causa para o aparecimento do Buda neste mundo é tornar os seres viventes iguais a Ele.

[3] Esta passagem descredencia os ensinos provisórios dos três veículos como um caminho para compreender a Grande Lei, reputando-os meramente como meios hábeis ou preparatórios.

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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Trecho Final - CAP. ONZE: O APARECIMENTO DA TORRE

20 20UTC nov 20UTC 2006

Trecho Final - CAPÍTULO ONZE: O APARECIMENTO DA TORRE DE TESOURO

Eu, em prol da Via do Buda,
através de ilimitadas terras,
desde o princípio até agora,
tenho amplamente exposto todos os Sutras,
e em meio a todos os outros,
este Sutra é superior.
Se alguém puder ostentá-lo,
aquela pessoa estará ostentando o corpo do Buda.

Bons homens,
após a minha extinção,
quem poderá receber, ostentar,
ler e recitar este Sutra?
Agora, na presença dos Budas,
façam seu voto.

Este Sutra é difícil de ostentar,
se alguém ostentá-lo mesmo que por um instante,
eu rejubilarei,
bem como todos os outros Budas.

Uma pessoa assim será elogiada por todos os Budas:
‘Isto é coragem!
Isto é diligência,
isto é o que se chama observar os preceitos e praticar Dhutas ’.

Essa pessoa obterá rapidamente a suprema Via do Buda.
Se, no futuro,
alguém puder ler e ostentar este Sutra,
essa pessoa será então um verdadeiro discípulo do Buda,
residindo num estado de pureza e benevolência.

E alguém que, após a extinção do Buda,
puder compreender o seu significado,
será como olhos para todos os seres celestiais e humanos no mundo.

Na era do terror,
alguém que possa expô-lo mesmo que por um instante,
será merecedor de oferecimentos de todos os seres celestiais e humanos ”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

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