CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Trecho II - CAP. 8: A CONCESSÃO DE PROFECIAS…

21 21UTC out 21UTC 2006

Trecho II - CAPÍTULO OITO: A CONCESSÃO DE PROFECIAS AOS QUINHENTOS DISCÍPULOS

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando reforçar o significado das suas palavras, falou em versos, dizendo:

“Todos vocês, Monges, ouçam bem!
O caminho trilhado pelos filhos do Buda,
em razão de eles serem bem instruídos nos meios hábeis,
é inconcebível.
Sabendo que as multidões deleitam nas Leis menores,
e que também temem a grande sabedoria,
por essa razão os Bodhisattvas tornam-se Ouvintes e Pratyekabudas.
Empregando incontáveis meios hábeis,
eles convertem toda a variedade de seres viventes.
Eles proclamam-se como sendo Ouvintes,
muito afastados da Via do Buda.
Assim, eles salvam ilimitadas multidões,
conduzindo todos à realização.
Mesmo aqueles de pequena aspiração e que são remissos,
são gradualmente levados a tornarem-se Budas.
Intimamente os filhos do Buda praticam como Bodhisattvas,
enquanto externamente eles manifestam-se como Ouvintes.
Eles parecem ter poucos desejos,
e que desprezam o nascimento e a morte,
enquanto na realidade eles estão purificando as suas terras Búdicas.
Demonstrando para as multidões os Três Venenos ,
parecendo possuir visões distorcidas,
dessa forma meus discípulos,
expedientemente salvam seres viventes .
Fosse eu discorrer completamente sobre seus vários métodos de conversão dos seres viventes, ouvindo-os,
vocês poderiam guardar dúvidas dentro das suas mentes .

Agora, este Purnamaitreyaniputra,
sob as leis de bilhões de Budas no passado,
cultivou diligentemente sua prática da Via proclamando e protegendo a Lei de todos aqueles Budas.
Buscando a sabedoria insuperável,
na presença dos Budas,
ele apareceu como o líder dos discípulos.
Com muito conhecimento e com sabedoria,
ele pregou sem medo,
levando a assembléia a exultar-se,
sem jamais se deixar fatigar na participação no trabalho do Buda.
Tendo já adquirido grandes poderes de penetrações espirituais,
e tendo adquirido as Quatro Sabedorias sem Obstrução,
ele conhecia as capacidades dos seres viventes,
se aguçadas ou deficientes,
e sempre pregava a pura Lei.

Proclamando princípios tais como este,
ele ensinou milhares de milhões de multidões a residirem na Lei do Grande Veículo,
enquanto purificava a sua própria terra Búdica.
No futuro, também,
ele fará oferecimentos a ilimitados, incontáveis Budas,
ajudando a proclamar a Lei Correta,
e também purificando a sua própria terra Búdica.
Sempre usando meios hábeis,
ele pregará o Dharma sem medo,
salvando incalculáveis multidões,
tal que essas multidões possam alcançar a Grande Sabedoria.
Tendo feito oferecimentos ao Tathagata,
protegido e mantido os preciosos repositórios da Lei,
ele então se tornará um Buda chamado Brilho da Lei.

Sua terra será chamada ‘Boa e Pura’,
sendo feita das sete jóias.
Seu kalpa será chamado ‘Brilho do Tesouro’.
As multidões de Bodhisattvas, muito grandes,
preencherão inteiramente aquela terra;
contados em número de ilimitados milhões,
todos com grandes poderes de penetrações espirituais,
serão perfeitamente dotados de extraordinária virtude;
os Ouvintes também serão incontáveis.
Possuindo as Três Compreensões,
as Oito Emancipações e as Quatro Sabedorias sem Obstruções,
esses Ouvintes constituirão a Sangha daquela terra.
Os seres viventes daquela terra estarão todos libertos dos desejos sexuais,
nascerão puramente a partir da transformação,
tendo seus corpos adornados com as marcas da perfeição.
Alimentando-se da Alegria da Lei e da Felicidade da Meditação,
eles não pensarão em qualquer outro tipo de comida.
Não existirão ali diferentes gêneros,
nem quaisquer tipos de maus caminhos.

O Monge Purna,
tendo aperfeiçoado as suas virtudes,
ganhará uma terra pura como essa,
com uma multidão de sábios de grande dignidade.
Tais são as ilimitadas coisas sobre as quais eu tenho pregado agora senão de uma forma abreviada”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO I.2

20 20UTC out 20UTC 2006

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO I.2

Lá estavam oitenta mil Bodhisattvas Mahasattvas[1], todos irreversivelmente estabelecidos no Anuttara-Samyak-Sambodhi[2]. Todos haviam obtido Dharanis[3], a eloqüência e o deleite na palavra, e girado a irreversível roda da Lei. Eles haviam feito oferecimentos para ilimitadas centenas de milhares de Budas e, na presença daqueles Budas, haviam plantado as raízes da virtude. Eles recebiam constantemente elogios daqueles Budas. Eles aplicaram-se na compaixão e eram bem capacitados a penetrar a sabedoria dos Budas. Eles haviam penetrado a grande sabedoria e alcançado a outra margem. Suas reputações repercutiam através de ilimitados reinos de mundos, abarcando incontáveis centenas de milhares de seres viventes[4].

[1] Em Pali, Bodhisattva significa um ser que aspira pelo estado de Buda ou pela iluminação. Um Mahasattva é um Bodhisattva do Grande Veículo, do ensino Mahayana Verdadeiro ou Sutra de Lótus.

[2] Suprema e Perfeita Iluminação (anuttara-samyak-sambodhi).

[3] Dharanis são mantras extensos. A raiz man significa "pensar", enquanto o sufixo tra exprime um instrumento, um recurso de acionamento. "Através da meditação profunda (samadhi), adquire-se uma verdade; através do dharani, ela é fixada e retida na memória”.

[4] Esta é a primeira referência que aparece no sutra de que os Bodhisattvas e Mahasattvas presentes na cena da iluminação recente do Buda (na Índia) são, na verdade, seus discípulos desde o remoto passado. Caso contrário, como poderiam ter acumulado tantos méritos?

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Arquivado em: COMENTARIOS I Comentários (0)

CAPÍTULO OITO: A CONCESSÃO DE PROFECIAS…

19 19UTC out 19UTC 2006

CAPÍTULO OITO: A CONCESSÃO DE PROFECIAS AOS QUINHENTOS DISCÍPULOS

Naquela ocasião, Purnamaitreyaniputra tendo ouvido sobre a sabedoria e os meios hábeis do Buda que prega a Lei de acordo com o que é apropriado; tendo ouvido todos os grandes discípulos receberem profecias da consecução do Anuttara-Samyak-Sambodhi; e além disso, tendo ouvido sobre as causas e relações das vidas passadas; e mais, tendo ouvido sobre a grande liberdade e o poder das penetrações espirituais obtidas pelo Buda, e que ele nunca possuiu; sentiu seu pensamento purificado e exultou-se.

Com isso, ele levantou-se do seu assento, curvou-se com a sua cabeça aos pés do Buda, e postou-se a um lado, fitando a face do Honrado pelo Mundo fixamente, sem piscar os olhos.

Ele então pensou: “O Honrado pelo Mundo é Inigualável. Suas aparições são raras. Ele aquiesce com as várias disposições dos seres no mundo e, utilizando-se de meios hábeis com sabedoria e visão, ele prega a Lei para eles, libertando-os de toda a sorte de ambições e apegos. Nós nunca poderíamos expressar plenamente em palavras os méritos e virtudes do Buda. Somente o Buda, o Honrado pelo Mundo, pode saber nossas mais profundas intenções e votos do passado”.

Naquela ocasião, o Buda disse aos Monges: “Vocês vêem este Purnamaitreyaniputra? Eu constantemente o reputo como sendo o maior entre aqueles que pregam o Dharma, e exalto suas várias qualidades meritórias, seus vigorosos e diligentes esforços para ajudar a proclamar a minha Lei. Em meio à assembléia dos quatro tipos de crentes, ele pode demonstrar o ensino para deleite e benefício de todos. Ele interpreta perfeitamente a Lei Correta do Buda, beneficiando enormemente seus companheiros praticantes da conduta Brahman. Com exceção ao Tathagata, não há quem possa apreciar plenamente a sua eloqüência na discussão”.

“Nunca digam que Purnamaitreyaniputra é apenas apto a proteger, apoiar e ajudar a propagar somente a minha Lei. Ele também esteve na presença de noventa milhões de Budas do passado, protegeu, apoiou e ajudou a propagar a Lei Correta daqueles Budas, sendo o maior em meio aos pregadores da Lei”.

“Além disso, ele compreendeu completamente a Lei do vazio pregada por aqueles Budas, e ganhou as Quatro Sabedorias sem Obstruções. Ele está sempre apto a pregar a Lei, pura e precisamente, sem dúvidas. Ele adquiriu o poder das penetrações espirituais do Bodhisattva. Ao longo de toda a sua vida, ele cultivou a conduta Brahman. Todos os Budas contemporâneos falaram dele como sendo um Ouvinte, mas isto foi apenas um meio hábil que eles usaram em prol do benefício de ilimitadas centenas de milhares de seres viventes. Além disso, ele converteu ilimitados Asamkhyas de pessoas, fazendo com que elas viessem a perseverar no Anuttara-Samyak-Sambodhi. No sentido de purificar as terras Búdicas, ele constantemente realizou o trabalho do Buda no ensino e na conversão dos seres viventes”.

“Oh! Monges, Purnamaitreyaniputra foi o mais eloqüente pregador do Dharma para os sete Budas do passado, e ele é também o mais eloqüente pregador do Dharma sob a minha lei. Ele também será o mais eloqüente pregador do Dharma sob a lei de todos os Budas que farão advento no Kalpa da Sabedoria, aos quais ele protegerá, reverenciará e auxiliará na propagação das Leis daqueles Budas. Ele também protegerá, reverenciará e auxiliará na propagação do Dharma de ilimitados, incontáveis Budas do futuro, ensinando, convertendo e beneficiando ilimitados seres viventes, fazendo com que venham a perseverar no Anuttara-Samyak-Sambodhi. No sentido de purificar as terras Búdicas, ele sempre será vigoroso e diligente no ensino e conversão dos seres viventes”.

“Ele gradualmente realizará a Via do Bodhisattva, e após ilimitados Asamkhyas de kalpas, nesta terra, ele atingirá o Anuttara-Samyak-Sambodhi. Seu nome será Tathagata Brilho da Lei, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, Senhor Supremo, um Herói que Subjuga e Doma, um Mestre de Seres Celestiais e Humanos, Buda, Honrado pelo Mundo”.

“Este Buda terá inconcebíveis milhões de mundos, numerosos como as areias do rio Ganges, como sua terra Búdica, sendo suas terras feitas das sete jóias. Suas terras serão planas como a palma de uma mão. Não existirão montanhas, morros, desfiladeiros, ravinas ou valas. Serão preenchidas com pavilhões e palácios feitos das sete jóias. Os palácios dos seres celestiais ficarão no espaço próximo aos seres humanos, tal que seres celestiais e humanos poderão comunicar-se e verem uns aos outros. Não haverão maus caminhos e nem diferentes gêneros, masculino ou feminino. Todos os seres viventes nascerão por transformação e não terão desejo sexual”.

“Eles obterão grandes poderes de penetrações espirituais. Seus corpos emitirão luz, bem como serão aptos a voar. Sua convicção será sólida. Serão vigorosos e sábios. Todos possuirão a cor do ouro, e serão adornados com as Trinta e Duas Marcas Distintivas. Os seres viventes naquelas terras se alimentarão sempre de dois tipos de comida: a primeira, a comida da Alegria do Dharma; a segunda, a comida da Felicidade da Meditação Dhyana”.

“As multidões de Bodhisattvas serão em número de ilimitados Asamkhyas de milhares de miríades de milhões de Nayutas. Eles atingirão grandes poderes de penetrações espirituais e as Quatro Sabedorias sem Obstruções, serão habilidosos no ensinamento e conversão de todos os seres viventes. As multidões de Ouvintes serão em número inconcebível. Todos possuirão os Seis Poderes Transcendentais, as Três Compreensões e as Oito Emancipações”.

“A realização dessa terra Búdica será assim adornada com ilimitadas virtudes meritórias. O kalpa chamar-se-á ‘Brilho do Tesouro’. A terra chamar-se-á ‘Boa e Pura’. A duração da vida daquele Buda será de ilimitados Asamkhyas de kalpas e sua Lei perdurará por muito longo tempo. Após a extinção daquele Buda, torres feitas das sete jóias serão erguidas por toda a parte naquela terra”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

III.2 – Propriedades da Física dos Cristais

18 18UTC out 18UTC 2006

III.2 – Propriedades da Física dos Cristais

Já em 1916, Einstein havia afirmado que a gravidade, talvez, não fosse uma força, mas sim uma das propriedades observáveis do próprio espaço-tempo. Indo um pouco além, especulou que o que chamamos “matéria” é, na realidade, apenas um fenômeno local exibido por regiões onde a energia do campo está muito concentrada. Em termos mais simples, Einstein encarava a “matéria” como uma manifestação da energia e, assim fazendo, ousou rejeitar a idéia tradicional de que matéria e energia são entidades separadas que coexistem.

Entendemos que a indissociabilidade de matéria e energia, hoje um fato plenamente aceito, tem perfeita analogia com a indissociabilidade do defeito e o meio cristalino no qual se manifesta. Assim como a energia só pode se manifestar através da sua associação-interação com a matéria, o meio ordenado do espaço-tempo-cristalino só pode manifestar-se através da sua interação com o defeito, um fenômeno local onde, além da energia intrínseca (E = mc**2), soma-se a energia de ligação necessária para “arrancar” a entidade de um lugar próprio da rede, mais a energia de migração necessária para a entidade executar os saltos pelos interstícios da rede cristalina. Portanto, o defeito no meio cristalino muito se parece com a idéia de Einstein sobre a “matéria” como sendo um fenômeno local exibido por regiões do espaço-tempo onde a energia está muito concentrada. Por outro lado, se a gravidade, antes de ser uma força, melhor seria uma das propriedades observáveis do espaço-tempo, acreditamos ser a reação entre o cristalino e o defeito que se encontra em seus interstícios, uma interação do tipo gravitacional que, em qualidade, nada tem de diferente daquilo que se observa no macrocosmo.

Dizem que Wolfgang Pauli8, um Físico que desistiu de trabalhar na teoria do campo unificado, desabafou da seguinte forma: “O que Deus separou, o homem não pode unir”. Com muita razão! Se a matéria vem a ser a própria criação num universo-material-observável, segundo a nossa analogia, essa aberração (defeito-matéria) não pode por si própria devolver-se ao espaço ordenado de onde se originou, a não ser através da atuação de um campo externo. Pelo que sabemos, uma vez criado um defeito no meio cristalino, e isto só é possível pela atuação de um campo externo que forneça a energia de limiar, somente outra contribuição externa poderá devolvê-lo à estrutura de origem. Certamente, “o que Deus separou o homem não pode unir”.

Sabe-se que a teoria do campo unificado de Einstein tinha em seu cerne um conjunto de 16 equações extremamente complexas, representadas por um tipo de notação matemática avançada na época, conhecida como notação tensorial. Dez dessas equações representavam a gravitação e outras seis o eletromagnetismo. Dessas equações é possível extrair uma conclusão interessante: um campo gravitacional puro pode existir sem um campo eletromagnético; mas, um campo eletromagnético puro não pode existir na ausência de um campo gravitacional.

Se o campo gravitacional é a manifestação observável do espaço ordenado (espaço-tempo ou cristalino) sobre o defeito (matéria), isto será sempre verdade. E mais, a grandeza tempo (quarta dimensão ou uma das dimensões de um outro espaço) deverá sofrer variações relativas para diferentes zonas de influência da distorção local provocada pela presença do defeito; isto é, ao afastar-se do núcleo da distorção local, ou seja, do centro material do defeito, o observador deverá sentir o tempo fluir cada vez mais lentamente até que, fora da zona de influência do defeito, este lhe pareça não mais fluir. Então, o tempo, como a matéria, é um fenômeno local. Aqui está o paradoxo dos gêmeos proposto de uma forma diferente. Nos cálculos da teoria da relatividade especial, a viagem hipotética leva em conta apenas a velocidade e o tempo. Aqui, levamos em conta a velocidade, o tempo e o espaço percorrido; isto é, a velocidade e o tempo necessários para produzir o paradoxo resultam num espaço percorrido mais que suficiente para trazer o itinerante para fora da zona de influência em que permanece o seu irmão gêmeo.

Trecho Final - CAP 7:A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

17 17UTC out 17UTC 2006

Trecho Final - CAPÍTULO SETE: A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

Naquela ocasião, os dezesseis príncipes deixaram o lar e tornaram-se Shramaneras.
Juntos, eles solicitaram que o Buda proclamasse extensivamente a Lei do Grande Veículo:
‘Poderíamos todos nós e nossos seguidores trilharmos a Vida do Buda?
Desejamos tornarmos como o Honrado pelo Mundo,
com os olhos da sabedoria e a suprema pureza’.

O Buda, sabendo as intenções daqueles jovens,
suas práticas nas vidas passadas,
usou ilimitadas causas e relações,
e várias analogias para ensinar-lhes os Seis Paramitas,
bem como questões sobre as penetrações espirituais.
Ele discriminou a verdadeira Lei,
e a via percorrida pelos Bodhisattvas.
E então ele pregou o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa,
em numerosos versos como as areias do Ganges.
Após o Buda ter pregado o Sutra,
ele entrou em Samadhi Dhyana num aposento silencioso,
em profunda meditação e imóvel,
durante oitenta e quatro mil kalpas.

Todos os Shramaneras,
sabendo que o Buda ainda não tinha deixado o seu (Samadhi) Dhyana,
em prol dos ilimitados milhões em assembléia,
pregaram a respeito da sabedoria insuperável do Buda.
Cada um deles sentado no seu Trono da Lei,
pregou este Sutra do Grande Veículo.
Após o Buda ter ficado pacificamente quieto (em seu Samadhi),
eles propagaram e ensinaram a Lei.
Cada um dos Shramaneras levou à salvação seres viventes iguais em número aos grãos de areia de seiscentas miríades de rios Ganges.
Após aquele Buda ter entrado em extinção,
todos aqueles que ouviram a Lei,
qualquer que seja a terra Búdica em que possam estar,
renascerão lá juntos com seus mestres.

Os dezesseis Shramaneras completaram as práticas da Via do Buda.
Presentemente, nas dez direções,
cada um atingiu a sua própria iluminação.
Aqueles que ouvem a Lei, então,
estão cada um na presença de um Buda;
Aqueles que são Ouvintes,
estão gradualmente sendo instruídos na Via do Buda.
Eu era um dos dezesseis;
no passado, eu treinei e converti todos vocês.
Portanto, eu uso meios hábeis para introduzi-los na sabedoria do Buda.

Através dessas relações causais do passado,
presentemente eu prego o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa,
fazendo-os entrar na Via do Buda.
Cuidado para não ficarem assustados!

Suponham que exista uma estrada acidentada e perigosa,
afastada e repleta de bestas venenosas,
carente tanto de água como de pastagens,
um lugar temido por todos.

Incontáveis milhares de miríades de seres desejam atravessar essa estrada perigosa,
com seus caminhos tão longos quanto quinhentas Yojanas.
Há em meio a eles um guia,
inteligente e sábio,
de pensamento claro e resoluto,
que pode salvá-los das suas dificuldades.

O grupo torna-se fatigado e diz ao guia:
‘Estamos todos exaustos e queremos voltar agora’.
O guia pensa para si:
‘Quão lamentáveis são eles.
Como podem desejar voltar e perder o grande e precioso tesouro’?
Instantaneamente ele pensa num meio hábil.
Usando o poder das penetrações espirituais,
ele cria uma grande cidade adornada com casas,
cercada por jardins e bosques,
riachos e lagos para banho,
protegida por portões e colunas de pavilhões,
habitada por homens e mulheres.
Após criá-la, ele,
com piedade, diz-lhes:
‘não fiquem com medo.
Mas, entrem nesta cidade e divirtam-se como desejarem’.

Quando eles entraram na cidade,
seus corações alegraram-se grandemente,
pensando que estivessem seguros e confortáveis,
e que estivessem salvos.

O guia, sabendo que eles estavam descansados,
reuniu-os e disse-lhes:
‘Todos vocês devem seguir adiante,
porque isto nada mais é que uma miragem,
uma cidade fantasma.
Vendo que vocês estavam exaustos,
e desejavam voltar atrás,
eu usei do poder dos meios hábeis para transformar provisionalmente esta cidade.
Vocês devem ser vigorosos e prosseguir em direção ao tesouro de jóias’.

Eu, também, sou assim,
eu sou o guia de todos;
Vendo aqueles que buscam a via,
cansados no meio da viagem,
incapazes de superar os perigosos caminhos do nascimento,
da morte e da aflição;
eu uso então o poder dos meios hábeis para pregar o Nirvana,
e prover-lhes um descanso, dizendo:
‘Seus sofrimentos terminaram.
Vocês fizeram o que tinha de ser feito’.
Então, sabendo que eles encontraram o Nirvana,
e todos se tornaram Arhats,
eu reúno-os para ensinar-lhes a genuína Lei.

Os Budas usam o poder dos meios hábeis,
para discriminar e pregar os Três Veículos,
mas, há somente o Veículo Único do Buda.
Os outros dois foram pregados como um lugar de descanso.
O quê estou lhes dizendo agora é a verdade;
o que vocês obtiveram não é a extinção.
Em prol da sabedoria de todos os Budas,
vocês devem empenhar-se com grande vigor.
Quando vocês estiverem certificados de todas as sabedorias,
possuírem os Dez Poderes e outras Leis do Buda,
tendo obtido as Trinta e Duas Marcas distintivas,
então aquela é a genuína extinção.

Os Budas, os mestres-guia,
pregam o Nirvana para prover um descanso aos seres viventes,
mas somente os Budas sabem que,
quando eles estiverem descansados,
eles os conduzirão à sabedoria dos Budas ”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO I.1

16 16UTC out 16UTC 2006

COMENTÁRIOS - CAPÍTULO I.1

Assim eu ouvi.

Naquela ocasião, o Buda residia no Monte Gridhrakuta, próximo à cidade do Palácio dos Reis (Rajagriha[1]), junto com uma congregação de grandes Monges, vinte mil ao todo. Todos eram Arhats[2] que haviam eliminado todos os desejos e não tinham mais sofrimentos. Tendo atingido o autoconhecimento, eles haviam eliminado os elos da existência e suas mentes haviam atingido a emancipação.

[1] Grande cidade murada na antiga Índia, segundo se acredita, continha novecentas mil casas, e que foi destruída por grandes incêndios que irromperam em sete ocasiões.

[2] Santos que optaram por não atingir o Nirvana para auxiliar outros a trilhar o caminho de iluminação.

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Arquivado em: COMENTARIOS I Comentários (0)

Trecho IX - CAP. 7: A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

15 15UTC out 15UTC 2006

Trecho IX - CAPÍTULO SETE: A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

Naquela ocasião o Honrado pelo Mundo, desejando reforçar o significado das suas palavras, falou em versos, dizendo:

“O Buda Vitória da Sabedoria da Grande Penetração sentou-se no Lugar da Iluminação por dez kalpas,
sem dar manifestações das Leis Búdicas,
e nem realizou a Via do Buda.
Espíritos Celestes, Reis Dragões,
e multidões de Asuras,
fizeram chover constantemente sobre ele flores celestiais,
como um oferecimento ao Buda.

Os Deuses bateram seus tambores celestiais,
e fizeram todo o tipo de música;
brisas fragrantes sopravam as flores murchas,
enquanto novas flores frescas choviam.
Quando dez kalpas se passaram,
ele então realizou a Via do Buda.
Todos os seres celestiais e humanos dançaram de alegria em seus pensamentos.

Os dezesseis filhos daquele Buda,
bem como os seus séqüitos de bilhões rodeando-os,
todos se postaram diante daquele Buda.
Eles curvaram-se com suas cabeças aos pés do Buda, dizendo:
‘Leão da Sabedoria, permita que a chuva da Lei caia sobre nós e todos os outros’!

Um Honrado pelo Mundo é muito difícil de encontrar,
aparecendo no mundo não antes de um longo período de tempo.
Com o propósito de despertar todas as criaturas,
ele faz agitar todas as coisas.

Em quinhentas miríades de milhões de terras,
nos mundos da direção leste,
os palácios Brahma resplandeceram com uma luz como nunca dantes.
Os Brahmas, vendo esses sinais,
seguiram-no até o Buda;
espalharam flores sobre ele como oferendas,
e ofereceram seus palácios,
pedindo ao Buda que girasse a Roda da Lei,
usando versos em suas súplicas.

O Buda sabia que o tempo ainda não havia chegado,
e recebeu as suas súplicas sentado em silêncio.
Das outras três direções,
das quatro direções intermediárias e,
igualmente, de cima e de baixo,
eles espalharam flores e ofereceram seus palácios,
pedindo ao Buda que girasse a Roda da Lei:
‘O Honrado pelo Mundo é muito difícil de encontrar;
rogamos que através da sua grande compaixão e piedade,
ele abra amplamente a porta do doce orvalho,
e gire a insuperável Roda da Lei’.

O Honrado pelo Mundo,
tendo ilimitada sabedoria,
recebeu as súplicas da multidão e proclamou várias Leis em seu benefício.
As Quatro Nobres Verdades, os Doze Elos da Causação,
da ignorância até a velhice e a morte –
tudo se passa em razão do nascimento.
Neste caminho, uma infinidade de calamidades vêm a ocorrer;
todos deveriam saber disto.
Quando ele expôs esta Lei,
seiscentas miríades de trilhões escaparam dos grilhões de todos os sofrimentos,
e todos se tornaram Arhats.
Quando ele pregou a Lei pela segunda vez,
multidões como os grãos de areia de mil miríades de rios Ganges,
com seus pensamentos não mais se apegando às coisas do mundo fenomenológico,
também atingiram o estado de Arhat.
Após isto, aqueles que ganharam a Via,
tornaram-se incalculáveis em número;
mesmo que fossem contados ao longo de miríades de milhões de kalpas,
não poderíamos encontrar o seu limite.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

III.1 – O Modelo de Tensão de Caráter Expansivo

14 14UTC out 14UTC 2006

III.1 – O Modelo de Tensão de Caráter Expansivo

2ª. Parte

Existem evidências de que a luz apresenta constância na velocidade de propagação em todas as direções no meio ao qual nos referimos como “vácuo absoluto”. De acordo como modelo que estamos construindo, e sendo a luz o nosso observador, essa constância não é uma propriedade da luz, mas do meio. Conseqüentemente, o que a Física convencionou chamar de “vácuo absoluto” é o nosso Cristalino, onde as influências de distorções locais como manifestações materiais estejam ausentes. Quanto à simetria do Cristalino, se cúbica ou rômbica, a propagação da luz nos revelaria tais propriedades do meio.

Não sabemos até que ponto o desvio da luz nas vizinhanças de uma grande massa estelar, previsto por Einstein, pode ser interpretado como mera atração gravitacional, mesmo considerando que a própria gravitação apareça neste modelo com uma nova roupagem. Justifica-se essa atração da luz por uma grande massa estelar a partir da dualidade; entretanto, entendemos ser exatamente esse comportamento dual da luz que está a exigir um reinterpretação do modelo simplificado de atração gravitacional. No modelo do Cristalino, onde a matéria aparece como uma distorção local, na forma de um defeito ou aglomerado destes, o que chamamos de campo gravitacional pode ser entendido sob dois pontos de vista, aliás, concordantes: do ponto de vista do corpo material “ativo”, este atua sobre o meio determinando um campo de força de caráter expansivo; do ponto de vista do corpo material “passivo”, o meio reage determinando ali uma zona de tensão. A matéria não causa, mas se ajusta e se conforma às posições, simetria e movimentos de um meio ordenado. As tensões que se verificam, em si, são de caráter expansivo e há de se esperar que localmente o índice de refração do meio sofra variações em função das tensões locais. Assim, a luz que adentra a zona de influência dessas tensões encontrará um índice de refração diferente daquele encontrado no vácuo absoluto, sofrendo desvio. Isto não é previsto pela hipótese de tratar-se de pura atração gravitacional. Não se pretende aqui invalidar a hipótese da atração gravitacional, mas como descartar a hipótese da refração já defendida em fins da década de 1910? Somente juntas essas hipóteses poderão sustentar o caráter dual da luz na sua variação de velocidade de propagação, seja na direção ou no módulo.

Trecho VIII - CAP. 7:A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

13 13UTC out 13UTC 2006

Trecho VIII - CAPÍTULO SETE: A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

“Monges, saibam que os expedientes do Tathagata penetram profundamente as naturezas dos seres viventes. Conhecendo o que eles aspiram, que estão satisfeitos com as Leis menores e que estão profundamente apegados aos Cinco Desejos, ele prega-lhes o Nirvana. Quando eles ouvirem-no, então imediatamente o entenderão e o aceitarão”.

“É como se, por exemplo, houvesse uma longa estrada, com quinhentas Yojanas de comprimento, acidentada e perigosa, num lugar inóspito e aterrorizante. Um grande grupo de pessoas deseja viajar por essa estrada à busca de um tesouro de jóias preciosas. Em meio a eles, há um guia inteligente, sábio e esclarecido; que conhece bem a estrada, seus trechos transitáveis e intransitáveis; e que deseja conduzir o grupo através desse caminho difícil”.

“Em meio à viagem, o grupo que ele está conduzindo torna-se fatigado e deseja voltar. Eles dizem ao guia: ‘estamos exaustos e receosos. Não podemos seguir adiante. É muito longe. Queremos voltar atrás agora’”.

“Seu líder, que possui muitos expedientes, tem o seguinte pensamento: ‘quão lamentáveis eles são. Como podem renunciar ao grande e precioso tesouro e desejar voltar’? Tendo este pensamento, através do poder dos meios hábeis, ele cria uma cidade em meio à estrada perigosa, com trezentas Yojanas de extensão, e diz-lhes: ‘Não tenham receio. Não voltem, fiquem agora nesta grande cidade que eu criei especialmente para vocês. Se vocês entrarem nesta cidade, serão felizes e obterão a paz. E então, se desejarem prosseguir à busca do tesouro de jóias, poderão fazê-lo’”.

“Então o grupo exausto alegrou-se grandemente, ganhando o que nunca houveram possuído, dizendo: ‘nós agora escapamos dessa estrada ruim e obtivemos a felicidade e a paz’. Então o grupo seguiu adiante e entrou na cidade fantasma; pensando que já houvessem sido salvos, sentiram-se felizes e em paz”.

“Naquela ocasião, o guia, sabendo que eles estavam descansados e não mais fatigados, fez a cidade desaparecer, dizendo-lhes: ‘Todos vocês, vamos, sigamos. O tesouro de jóias está próximo. A grande cidade era meramente uma miragem, algo que criei através da transformação para prover-lhes descanso’”.

“Monges, o Tathagata também é assim. Ele age agora como um grande guia para todos vocês. Ele sabe que os seres viventes abandonariam a travessia da estrada ruim dos tormentos do nascimento e da morte, que é acidentada, difícil e longa”.

“Se os seres viventes ouvirem somente o Veículo do Buda, eles não desejarão ver o Buda ou aproximar-se dele. Ao invés disso, pensarão: ‘o caminho do Buda é longo e distante; ele pode ser seguido apenas após muito trabalho e sofrimento’. O Buda sabe que seus pensamentos são débeis e rebaixados. Quando eles estão no meio do caminho, o Buda usa o poder dos meios hábeis para pregar dois Nirvanas com o intuito de prover-lhes um descanso. Se os seres viventes residirem nesses dois estados, o Tathagata então lhes diz: ‘Ainda não terminaram o seu trabalho. O estado no qual vocês estão residindo está próximo da sabedoria do Buda. Vocês devem observar e ponderar sobre isto: o Nirvana que vocês atingiram não é o verdadeiro Nirvana. O Tathagata utilizou-se do poder dos meios expedientes e, dentro do Veículo Único do Buda, discriminou e pregou como se fossem três’”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Religião? O que é?

12 12UTC out 12UTC 2006

Religião? O que é?


4ª parte

A turbulência de uma sociedade é medida pelo grau de insatisfação de cada indivíduo. No mundo Budista não há lugar para a lamentação que gera a insatisfação, e que gera a frustração. Este ciclo afasta a pessoa da sua verdadeira função existencial, transformando o lugar onde essa pessoa vive num verdadeiro inferno. Não há grades e cães que bastem para refrear os mais insatisfeitos.

A arte da vida está em edificar sobre escombros. Escombros estes que, antes de significarem a extinção dos valores de uma civilização, sociedade ou experiência individual; significam sim o triunfo da Lei Última da Vida e da Morte. Se assim não o fosse, estaríamos para sempre condenados a trilhar os maus caminhos, sem nenhuma conseqüência para os acertos e erros que perpetramos em cada momento de nossas vidas. Seria como não ter os méritos (bons e maus) do passado e nem o direito ao futuro pelo quê fazemos. Exatamente, os méritos do passado resultam no quê somos, e aquilo quê somos no presente, resultará no quê seremos no futuro.

A arte de edificar sobre escombros requer Sabedoria para identificar a profundidade e robustez dos valores sobre os quais nos apoiaremos; requer Fé para acatar e incorporar a Verdadeira Lei da Vida, a qual em muitos aspectos foge à razão humana; requer Coragem para, honestamente, descartar os falsos valores e soterrá-los para sempre na nova experiência. A isto tudo chamamos “arte” porque o requisito resultante dos três acima citados (Sabedoria, Fé e Coragem) pode ser traduzido simplesmente como talento ou vocação para a vida. Para aqueles que não os possuem, a vida estará mais para um jogo de azar. Mas, para aqueles que os cultivam, não faltará oportunidade para exercitá-los na transposição dos obstáculos naturais que vão desde a resistência do ar, num simples caminhar, até o abismo da ignorância, causa fundamental de todos os sofrimentos. Na ausência da Sabedoria, a Fé e a Coragem possuem um alto poder destrutivo.

Considerando o que foi dito, nunca utilize as tradições transmitidas oralmente ou os escritos da literatura secular como guias ou “Manuais de Instrução para a Auto-Realização”, algo que eles não podem ser devido à limitada visão e experiência dos seus autores. Seu objetivo real deveria ser o de estimular mentes a refletirem acerca das suas próprias experiências, e a buscarem as fontes do verdadeiro saber para a sua emancipação. Fazendo assim, o leitor estará edificando sua própria obra.

« Posts mais novosPosts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://muccamargo.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.