CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Difusão – Aglomerados (sem perda de identidade)

19 19UTC set 19UTC 2006

Difusão - Aglomerados (sem perda de identidade)

Experiências com sólidos irradiados (nas quais a criação de defeitos simples em concentrações muito maiores que as encontradas no equilíbrio térmico propicia melhores condições para o estudo do comportamento destes) mostram que lacunas por um lado, e átomos intersticiais por outro, uma vez que tenham mobilidade no meio, podem migrar e se associar em grupos sem que necessariamente percam sua identidade de defeito puntiforme. Em materiais policristalinos existem evidências de que, em certas condições termodinâmicas, átomos intersticiais migram para discordâncias da rede e se aglomeram. Por sua vez, as lacunas migrariam preferencialmente para regiões onde existem tensões compressivas. Esses aglomerados freqüentemente recebem o nome de anéis (“loops” ou espirais) de intersticiais ou de lacunas. Estes anéis, perfeitos ou não na sua forma, são agrupamentos planares de defeitos simples, em forma de disco, dispostos entre planos atômicos habitados. As distorções conseqüentes desses aglomerados têm a forma de anéis que circundam a periferia do defeito e se fazem sentir por algumas distâncias atômicas. Essas distorções, por sua vez, funcionam como forças de atração de defeitos com a mesma identidade, assimilando-os para os aglomerados.

CAPÍTULO SEIS: CONCESSÃO DE PROFECIAS

18 18UTC set 18UTC 2006

CAPÍTULO SEIS: CONCESSÃO DE PROFECIAS

Naquela ocasião, após a sua exposição em versos, o Honrado pelo Mundo pregou para a grande assembléia desta maneira: “Meu discípulo, Mahakashyapa, numa era vindoura, servirá e contemplará três trilhões de Budas, Honrados pelo Mundo, fazendo oferecimentos, reverência, venerando-os e elogiando-os; ele proclamará amplamente a ilimitada Grande Lei de todos os Budas”.

“Em sua encarnação final ele tornar-se-á um Buda chamado Brilho da Luz. Tathagata, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, Senhor Supremo, um Herói Disciplinado e Justo, um Mestre de Seres Celestiais e Humanos, um Buda, Honrado pelo Mundo. Seu país será chamado Virtude da Luz e seu kalpa será chamado Grande Adorno. O período da sua vida como um Buda durará doze pequenos kalpas. Sua Lei Correta perdurará por vinte pequenos kalpas. A era da sua Lei Adulterada também perdurará por vinte pequenos kalpas”.

“Seu reinado será adornado e livre de impurezas ou maldades, degraus ou pedras, espinhos ou espinheiros, excrementos ou outras impurezas. Sua terra será plana, sem lugares altos ou baixos, ravinas ou montanhas. O chão será feito de lápis-lazúli, e ladeado por fileiras de árvores de jóias. As estradas serão guarnecidas com cordas de ouro. Flores preciosas espalhar-se-ão, purificando-a inteiramente. Os Bodhisattvas daquela terra serão em número de ilimitados milhares de milhões, a assembléia de ouvintes será igualmente incontável. Nenhuma ação de Mara terá efeito ali e, embora Mara e seus seguidores existam ali, todos eles protegerão a lei do Buda”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando reforçar este princípio, falou em versos dizendo:

“Declaro aos Monges que,
através do meu olho Búdico,
vejo que Kashyapa numa era futura,
há incontáveis kalpas desta,
tornar-se-á um Buda e que,
no futuro, ele fará oferecimentos,
reverenciará e adorará três trilhões de Budas,
Honrados pelo Mundo.
E, em prol da sabedoria do Buda,
ele cultivará a pura conduta Brahman.
Fará oferecimentos ao supremamente Honrado,
Duplamente Realizado,
e então cultivará e praticará a sabedoria insuperável.
Em sua última encarnação ele tornar-se-á um Buda.

Sua terra será pura,
com o chão feito de lápis-lazúli,
e com muitas árvores de jóias perfilando os caminhos;
e suas estradas serão demarcadas por cordas de ouro,
deleitando a todos que verem-nas.
Uma fina fragrância sempre se fará sentir,
de flores raras que por lá se espalharão,
sendo adornada com toda a sorte de artigos raros.
A terra será lisa e plana,
sem montanhas ou ravinas.

A assembléia dos Bodhisattvas será em número incontável,
suas mentes serão gentis.
Tendo ganhado grandes poderes espirituais,
eles reverentemente manterão em observância os sutras do Grande Veículo do Buda.

A assembléia dos Ouvintes,
já sem falhas e em sua última encarnação,
Filhos do Rei do Dharma,
também será para além de todas as contas.
Tão imensa será que,
mesmo através do Olho Celestial,
seu número não poderá ser estimado.

Seu tempo de vida como um Buda será de doze kalpas menores,
e sua Lei Pura permanecerá no mundo por vinte kalpas menores.
Sua Lei adulterada perdurará também por vinte kalpas menores.

O Honrado pelo Mundo, chamado Brilho da Luz,
terá uma história como esta”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

A Razão, do Abrangente ao Restrito

16 16UTC set 16UTC 2006

A Razão, do Abrangente ao Restrito

“No reinado de um sábio, a razão irá prevalecer. Mas, quando reina um soberano tolo, a falta de razão terá supremacia”. (Nitiren Daishonin em “A Abertura dos Olhos”) (6).

“Numa democracia, o soberano não é ninguém senão o povo, a coletividade”(8). Do abrangente ao restrito, aquilo que sabemos ou pensamos (sujeito), e aquilo que vemos (objeto), não difere daquilo que somos (ação). Ainda que o aspecto individual de uma única pessoa revele inequivocamente quem a governa no âmbito restrito; o aspecto de uma coletividade, de uma sociedade e de uma nação não revelará quem a governa, mas quem nela habita, no sentido abrangente.

Emprestando mais um termo da Física, a democracia é uma proposta de superestrutura social, onde cada indivíduo é da mesma qualidade do todo, onde cada indivíduo é instrumento da vontade dos demais e, em nome dessa vontade, aciona uma prensa, avia um receituário ou empunha a caneta dos poderes estabelecidos. Todavia, e como numa religião, “por mais que uma doutrina possa parecer formidável como argumento, se não for possível pô-la em prática, torna-se um ensino vazio”(4). Uma democracia torna-se uma doutrina vazia quando não posta em prática. Torna-se vazia e, como ali cada indivíduo é da mesma qualidade do todo, todos se esvaziam da própria responsabilidade, transferindo-a para outrem. Torna-se um verdadeiro “salve-se quem puder” ou “primeiro eu”.

Qual a evidência da perda da razão em uma democracia?

Certamente, o aparecimento de líderes que não advogam pelas maiorias. Este é o primeiro sinal e o mais grave indicador de uma profunda ruptura na base democrática. Segue-se, como conseqüência dessa ruptura, a formação de grupos dominantes os quais, seja pelo poder econômico ou pelo poder político, tentam impedir a alternância no poder, negando alternativas à massa votante. Essa degenerescência surge primeiramente nos pequenos organismos (no restrito) para, depois, refletir-se nas grandes instituições (no abrangente). Um dos mais consagrados engodos (adulação astuciosa segundo o dicionário Aurélio) da organização social democrática é o da minoria oprimida. A opressão só se instala com o consentimento das minorias, por omissão ou impotência; ou com o consentimento de todos nós, indivíduos, sós, minoria absoluta. Segue-se o descrédito nas instituições, o voto útil. Já que não podemos evitar, locupletemo-nos. Segue-se a desagregação social. Ninguém faz mais nada por ninguém. Segue-se a perda da identidade do ser social, a perda da integridade individual e floresce a corrupção em todos os segmentos da sociedade. Em sucessão, surgirão os desastres e as calamidades.

Um líder que quando se pronuncia, em redes televisivas e radiodifusivas, todos desligam os seus aparelhos: esse é o Executivo. Câmaras municipais, distritais, estaduais e federais omissas, a defender seus próprios interesses, a legislar em causa própria: esse é o Legislativo. Juízes milionários que tergiversam o corpo das leis, atuando nos seus interstícios, subvertendo as verdadeiras intenções das leis e tornando a subjetiva interpretação mais forte que a própria lei: esse é o Judiciário. Numa passagem do Sutra do Nirvana o Buda Sakyamuni afirma: “Confiar na Lei, e não na pessoa” (6). Segue-se então a impunidade e a máxima de uma sociedade desagregada: “o crime compensa”.

Antes de isso tudo acontecer, todavia, os sábios e protetores da nação ter-se-ão retirado e, desta sorte, tudo se passa sem que se esboce reação, qualquer que seja. A própria doença começa a dosar as suas investidas contra o organismo doentio que não reage, apenas para que esse organismo não morra; pois, uma vez morto o organismo, morta estará a doença.

Qual a evidência da retirada dos sábios e protetores da nação?

A fome, o desemprego, os conflitos sociais, a violência, as contendas judiciais sem fim, o escárnio da ignorância, doenças desconhecidas, epidemias, ventos fortes, enchentes, incêndios, ingestão de poderes externos nos assuntos da nação.

Isso tudo poderia ser uma evidência objetiva, mas qual a evidência lógica da retirada dos sábios e protetores da nação afinal?

Somente os ignorantes podem valer-se da miséria como plataforma política. Um mal que aniquila e mata o organismo no qual se instala e do qual se nutre, é o pior dos males. “Se alguém estivesse para matar nossos pais e então tentasse oferecer-nos um presente, poderíamos aceitá-lo? Nem Budas, nem deuses e nem os sábios aceitariam oferecimentos daqueles que caluniam a Lei” (Nitiren Daishonin em “Carta a Niike”) (11).

Mas, a escuridão não possui a propriedade da Lei, isto é, a capacidade de propagar-se. Este é o Paralelo Perfeito. Ela, a escuridão, só se manifesta na ausência da Lei. A luz, entretanto, pode debelar a mais profunda escuridão. Isto aponta para a necessidade de restabelecer a Verdade e iluminar a realidade da nação em todos os seus aspectos.

Basta! Do restrito ao abrangente, como reconduzir as pessoas e a nação ao caminho da razão?

Conforme Nitiren Daishonin observa em sua escritura intitulada “A Abertura dos Olhos”, já na época do Confucionismo na antiga China considerava-se: “Se uma pessoa leva a ordem à sua família, cumpre as exigências do amor filial e pratica as cinco virtudes constantes da benevolência, retidão, decoro, sabedoria e boa fé, os seus amigos a respeitarão e seu nome será conhecido em todo o país. Se há um sábio governante no trono, ele convidará tal pessoa para ser seu ministro ou conselheiro, ou pode inclusive tornar-lhe chefe da nação. O céu irá proteger e cuidar de tal pessoa”(6). Tais atributos ainda não são tudo, mas essenciais para tornar a pessoa um receptáculo da Grande Lei e, assim, torná-la uma propagadora da mesma. Em outro caso, na ausência de tais atributos, pode-se chamar essa pessoa de devoradora da Lei.

Que Lei é esta?

Somos Nós.

Trecho Final - CAPÍTULO CINCO: ERVAS MEDICINAIS

Trecho Final - CAPÍTULO CINCO: ERVAS MEDICINAIS

Todos os seres viventes que ouvem a minha Lei recebem-na de acordo com a sua capacidade,
pois esses seres residem em vários níveis .

Eles podem residir em meio aos humanos ou seres celestiais,
ou em meio aos Reis Sábios Giradores de Roda,
Reis Shakra ou Reis Brahma:
estas são as pequenas ervas .

Aqueles que conhecem a Lei sem falhas,
aqueles que podem atingir o Nirvana,
obtendo o poder das Seis Penetrações Espirituais e atingindo as Três Compreensões,
residindo sozinhos nos bosques das montanhas,
sempre praticando o Samadhi Ch’na,
atingindo a certificação para o estado de iluminação,
estes são as ervas de tamanho médio .

Aqueles que buscam o lugar do Honrado pelo Mundo,
dizendo: ‘ Nós nos tornaremos Budas!’,
praticando vigorosamente a concentração,
esses são ervas superiores .

Além destes, aqueles discípulos do Buda que orientam seu pensamento para a Via do Buda,
sempre praticando a compaixão,
sabendo que eles tornar-se-ão Budas de certo,
sem dúvida,
esses são chamados pequenas árvores .

Aqueles que residem nas penetrações espirituais,
girando a irreversível roda da Lei,
salvando incontáveis centenas de milhares de milhões de seres viventes,
tais Bodhisattvas são chamados grandes árvores .

O Buda prega a Lei igualmente,
tal como a chuva de um único sabor.
De acordo com as naturezas dos seres viventes,
eles recebem-na diferentemente,
tal como as ervas e árvores,
cada uma recebendo uma medida diferente.

O Buda usa esta analogia para instruir habilmente.
Com várias frases,
ele expõe e proclama uma única Lei que,
em termos da sabedoria do Buda,
é como uma gota dentro do oceano.

Faço cair a chuva do Dharma humidificando todo o mundo.
A Lei de um único sabor é cultivada de acordo com a vossa capacidade,
assim como naqueles bosques de florestas,
todas as ervas e árvores,
de acordo com o seu tamanho,
crescem e florescem.

A Lei de todos os Budas é sempre de um único sabor,
fazendo com que todo o mundo alcance a perfeição.
Através de sua gradual cultivação,
todos alcançam os frutos da Via.

Os Ouvintes e Pratyekabudas residindo nos bosques das montanhas,
vivendo a sua última encarnação,
ouvindo a Lei ganham o fruto;
eles são chamados ervas,
e cada um deles cresce.

Se houver Bodhisattvas,
cuja sabedoria é inabalável e sólida,
que compreendam completamente o Mundo Tríplice,
e busquem o supremo veículo;
eles são chamados pequenas árvores,
e cada um deles cresce.

Além destes, aqueles que residem em Ch’na,
obtendo poderes espirituais,
que ouvem a Lei do vazio e regozijam em seus pensamentos,
emitindo incontáveis luzes interpenetrando todos os seres;
eles são chamados grandes árvores,
e cada um deles cresce.

Nesta via, Kashyapa,
a Lei pregada pelo Buda é como aquela grande nuvem.
Com uma chuva de um único sabor,
ele humidifica todas as pessoas e flores,
tal que cada um frutifique.
Kashyapa, saiba que usando causas e condições,
e várias analogias,
eu demonstro e revelo a Via do Buda.
Esses são os meus meios hábeis e os outros Budas também são assim.
Agora, em vosso benefício,
eu prego sobre este assunto verdadeiro:
dentre todos vocês Ouvintes,
nenhum de vocês encontrou a extinção.
O caminho que vocês estão trilhando agora,
é a Via do Bodhisattva.
Gradualmente, gradualmente, cultivem e estudem,
e todos vocês atingirão o estado de Buda”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Recombinação Elétron-Pósitron

15 15UTC set 15UTC 2006

Recombinação Elétron-Pósitron

A idéia devida a Dirac sobre os buracos de energia, que tem servido de base para as teorias de coexistência de matéria e antimatéria (lembremos a indissociabilidade de matéria e energia), vem agora realimentar a discussão que mantivemos até aqui. Evento já observado em inúmeras experiências, a recombinação de pares elétron-pósitron nos coloca diante de um Universo de dimensões jamais sonhadas pela ciência pré-Einsteniana.

Em primeiro lugar, lembremos o fenômeno de irradiação de luz dos elétrons. Estas partículas de carga elétrica negativa e massa de repouso m = 9.1 x 10**(-28) g, seja na sua propagação num campo elétrico ordinário, seja nas órbitas atômicas, eventualmente podem irradiar freqüências na faixa do visível. Esta emissão de energia radiante é indissociável da sua própria função de existência ou, em outras palavras, de sua energia total. Quando aceleradas em campos, estas partículas emitem luz característica de sua freqüência de vibração; isto é, a quantidade de energia (E = mc**2) e a sua energia cinética traduzem-se pela emissão de fótons. Por outro lado, quando se encontra num sistema em equilíbrio dinâmico, tal como numa órbita atômica, estas partículas-onda não podem ter sua existência detectada senão através de uma perturbação externa. A perturbação, excitando o elétron para níveis de energia acima do fundamental, confere a este um caráter de defeito e, nesse caso, a recombinação se dá pela desexcitação do nível de energia através da emissão de fótons de luz característicos de cada nível. Esta experiência nos informa e individualiza a natureza de cada átomo, bem como descreve a sua estrutura de camadas eletrônicas.

Há relativamente pouco tempo, a Física das partículas elementares detectou uma partícula de comportamento muito semelhante ao do elétron, com exceção da carga que, de mesmo valor, apresentava sinal positivo. Batizada com o nome de pósitron, esta partícula trouxe aos olhos da ciência o Universo do “Anti”, proposto filosoficamente até então. Finalmente, a evolução dos experimentos da Física Nuclear mostrou que esta partícula (ente do Universo de energia negativa) poderia manifestar-se em sua forma no Universo material (do lado de energia positiva), portanto, na forma de um “defeito” e, eventualmente, recombinar-se com seu par, o elétron. Mostraram ainda as experiências que o encontro de ambas na presença de um campo forte o suficiente para que haja conservação de momento no recuo da interação, faz com que as mesmas aniquilem-se mutuamente, emitindo dois fótons de energia E = 0.511 keV, na mesma direção e sentidos opostos para a conservação de momento. O evento sugere que as antipartículas possuem massa negativa, sendo necessário um fóton de energia E > 2mc**2 para, no processo inverso, criar o par nas mesmas circunstâncias acima (por exemplo, nas vizinhanças de um núcleo atômico onde o campo é forte o bastante). Revela ainda a experiência que a recombinação manifesta-se pela emissão de luz, indicando uma desexcitação de energia em forma material (defeito) para um estado energético mais fundamental (luz).

Trecho II - CAPÍTULO CINCO: ERVAS MEDICINAIS

14 14UTC set 14UTC 2006

Trecho II - CAPÍTULO CINCO: ERVAS MEDICINAIS

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos, dizendo:

“O Demolidor da existência,
o Rei do Dharma manifesta-se no mundo,
e de acordo com os desejos dos seres viventes,
ele ensina a Lei de variadas formas.
O Tathagata, não necessitando de veneração por esta sabedoria,
profunda e imensurável,
permaneceu por longo tempo em silêncio acerca deste assunto,
não se precipitando ou apressando-se em seguir adiante.
Aqueles com sabedoria, se ouvirem-na,
serão capazes de entendê-la e compreendê-la;
mas aqueles de escassa sabedoria duvidarão e,
desse modo, a perderão por um longo tempo.
Por esta razão, Kashyapa,
ela é pregada de acordo com as suas capacidades,
empregando-se várias causas e condições para conduzi-los a uma visão correta.

Kashyapa, saiba que ela é como uma grande nuvem emergindo sobre o mundo e recobrindo a tudo.
Uma nuvem de sabedoria repleta de umidade,
iluminada com flashes luminosos,
e vibrante como o rugido dos trovões.
Ela traz o deleite para todos,
obscurecendo a luz do sol,
e refrescando a terra.
A nuvem abaixa-se e expande-se como se pudéssemos encontrá-la e tocá-la.
Faz chover com equidade em todos os lugares,
caindo igualmente nas quatro direções,
derramando incomensuráveis benefícios e saturando toda a terra.

Nas montanhas, rios e vales íngremes,
nos profundos recessos,
lá crescem as gramas, árvores e ervas,
tanto as grandes como as pequenas,
as sementes, brotos e plantas,
a cana-de-açúcar e a uva do vinho;
todas são nutridas pela chuva,
e nunca falham em tornarem-se ricas.

Quando o solo ressequido é embebido,
as ervas e árvores florescem juntas.
Emanando daquela nuvem,
a água de um único sabor humedece as gramas,
árvores e florestas.
Cada uma, de acordo com a sua medida,
todas as árvores grandes, médias ou pequenas,
de acordo com o seu tamanho,
podem crescer e desenvolver-se.
Quando encontradas por aquela singela chuva,
as raízes, troncos, galhos e folhas,
flores e frutos com seu brilho e cor,
todos são refrescados e limpos.
De acordo com a sua substância,
características e natureza,
sejam grandes ou pequenas,
elas igualmente recebem a umidade,
e cada uma floresce.

O Buda, da mesma forma,
manifesta-se neste mundo como uma grande nuvem,
recobrindo todas as coisas.
Uma vez no mundo,
em prol dos seres viventes,
ele discrimina e expõe a realidade de todos os Fenômenos.

O Grande Sábio, o Honrado pelo Mundo,
em meio às multidões de seres celestiais e humanos,
proclama essas palavras dizendo:
‘Eu sou o Tathagata,
o Honrado e Duplamente Realizado.
Apareço neste mundo como uma grande nuvem,
humidificando a todos os ressequidos seres viventes,
de tal forma a que todos se libertem dos sofrimentos,
obtendo a paz, a felicidade e a alegria mundanas,
e também a alegria do Nirvana.

Todos os seres celestiais e humanos aqui reunidos,
ouçam atentamente em pensamento único.
Todos deveriam vir aqui para contemplar aquele de Honradez Insuperável.
Eu sou o Honrado pelo Mundo,
aquele que está além das comparações.
Para trazer a paz e a tranqüilidade aos seres viventes,
manifesto-me neste mundo e,
em prol da assembléia,
eu prego o doce orvalho da pura Lei.
A Lei de um único sabor,
o sabor da libertação e do Nirvana.
Usando um singelo e maravilhoso som,
eu proclamo este princípio constantemente criando as causas e condições para o Grande Veículo.

Eu contemplo a tudo e a todos como sendo iguais,
sem ‘este’ ou ‘aquele’ e sem sentimentos de amor ou ódio.
Eu não tenho a ganância ou o apego,
e não tenho limites ou obstáculos.
Constantemente, para cada um,
eu prego o Dharma igualmente,
pregando para uma única pessoa como o faria para as multidões.
Eu constantemente exponho e proclamo a Lei,
e não tenho outro trabalho.
Indo, vindo, sentado ou em pé,
eu nunca me torno fatigado,
preenchendo todo o mundo como a umidade da chuva universal.

Aos nobres, aos humildes, aos superiores e inferiores;
àqueles observadores dos preceitos e aos violadores dos preceitos;
àqueles com as aptidões surpreendentemente perfeitas e àqueles imperfeitos;
àqueles com visões corretas e àqueles com visões distorcidas;
aos de aguçadas raízes e àqueles enraizados na estupidez;
eu envio igualmente a chuva da Lei sem nunca me cansar.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

NAMU BUDAS - 1000


Homenagem aos Budas do Universo!

Parabéns!!!

Hoje, 14/setembro/2006, seremos mais de 1000 visitantes nesta Trilha, numa crescente e silenciosa Assembléia.

Permaneça! Esteja sempre atento(a) às palavras do Honrado pelo Mundo.

TRADUÇÃO PERFEITA DO SUTRA DE LOTUS

13 13UTC set 13UTC 2006

TRADUÇÃO PERFEITA DO SUTRA DE LOTUS

Segue abaixo a íntegra do e-mail por mim recebido da BTTS – Buddhist Text Translation Society in USA - sobre este trabalho de tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Mensagem Original:
Data: 20:42:00 08/09/2006
De: hengjhuang
Assunto: Re: The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra to Brazilian-Portuguese

Dear Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo,

Our reader of your translation has informed us that the translation is very well done, the sutra translation is perfect. However, the notes contain errors and are not Master Hua’s explanations. Could you mind review and correct them using Master Hua’s commentaries? This will help us a lot.

Sincerely,
Heng Jhuang

Como diz o texto: a tradução é muito bem feita, a tradução do sutra é perfeita. Com relação aos comentários e notas de rodapé introduzidos no volume completo da tradução, que são da minha autoria e responsabilidade, e que não serão publicados neste Blog até a sua total aprovação, estou agora solicitando ajuda do venerável Mestre Hua para as revisões e correções necessárias.

Portanto, visitante, esteja seguro quanto à fidelidade dos conteúdos aqui publicados, em relação aos textos originais.

CAPÍTULO CINCO: ERVAS MEDICINAIS

CAPÍTULO CINCO: ERVAS MEDICINAIS

Naquela ocasião, o Honrado Pelo Mundo disse a Mahakashyapa e a todos os grandes discípulos: “Excelente! excelente! Kashyapa falou muito bem acerca dos verdadeiros méritos e virtudes do Tathagata. É exatamente como ele disse. Além disso, o Tathagata possui ilimitados, inconcebíveis Asamkhyas de méritos e virtudes. Se vocês fossem falar sobre eles ao longo de incontáveis milhões de kalpas, não poderiam esgotá-los”.

“Kashyapa, saiba que o Tathagata é o Rei de todas as Leis. Nada daquilo que ele ensina é falso. Ele proclama extensivamente todas as Leis através da sabedoria e dos meios hábeis, e quaisquer que sejam as Leis que ele prega, todas elas conduzem a mais profunda de todas as sabedorias”.

“O Tathagata contempla e conhece as tendências de todos os Fenômenos. Ele também conhece as profundezas dos processos mentais e pensamentos de todos os seres viventes, penetrando-os sem obstruções. Além disso, ele possui uma extrema e clara compreensão de todos os Fenômenos, e instrui os seres viventes acerca de todas as sabedorias”.

“Kashyapa, imagine três mil sistemas de três mil grandes mundos cada um e as gramas, árvores, florestas, bem como as muitas variedades de ervas medicinais, com seus diferentes nomes e cores, com suas montanhas, rios, vales e planícies cultivadas. Imagine também que uma espessa nuvem espalha-se sobre esses três mil sistemas de três mil grandes mundos cada um, fazendo chover igualmente em todos os lugares ao mesmo tempo, e fazendo com que a sua umidade chegue a cada parte. As gramas, árvores, florestas e ervas medicinais – aquelas de pequenas raízes, pequenos troncos, pequenas ramagens e pequenas folhas; aquelas de raízes de tamanho médio, troncos de tamanho médio, ramagens de tamanho médio e folhas de tamanho médio; ou aquelas de grandes raízes, grandes troncos, grandes ramagens e grandes folhas; todas as árvores, sejam grandes ou pequenas, de acordo com o seu tamanho pequeno, médio ou grande - todas receberão a sua porção. Da chuva de uma mesma e única nuvem, de acordo com a sua natureza, elas crescem, florescem e frutificam. Embora elas cresçam do mesmo chão e sejam humidificadas pela mesma chuva, mesmo assim, todas as gramas e árvores são diferentes”.

“Kashyapa, saiba que o Tathagata também é assim. Ele se manifesta no mundo como uma grande nuvem emergente; e com sua poderosa voz ele recobre o mundo com seus seres celestiais, humanos e Asuras; assim como aquela grande nuvem recobre três mil sistemas de três mil grandes mundos. Em meio à grande assembléia ele anuncia: ‘Eu sou o Tathagata, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, Senhor Supremo, um Herói Disciplinado e Justo, Mestre de Seres Celestiais e Humanos, Buda, Honrado pelo Mundo. Aqueles que ainda não fizeram a travessia, eu os atravessarei. Aqueles que ainda não se libertaram, eu os libertarei. Aqueles que ainda não se apaziguaram, eu os apaziguarei. Aqueles que ainda não atingiram o Nirvana, eu os farei atingir. Eu sou aquele que tudo compreende, que tudo vê, aquele que conhece o Caminho, aquele que abre o Caminho, aquele que expõe o Caminho. Todos na assembléia de seres celestiais, humanos e Asuras, sem exceção, devem vir aqui para ouvir a Lei’”.

“Então, incontáveis milhares de miríades de milhões de espécies de seres viventes vieram ao Buda para ouvir a Lei. Então, o Tathagata, contemplando as aptidões e deficiências das faculdades daqueles seres viventes, sua disposição ou lassidão, de acordo com suas capacidades, pregou a Lei através de ilimitadas formas, fazendo com que todos se deleitassem e rapidamente obtivessem grandes benefícios. Após terem ouvido esta Lei, todos aqueles seres viventes se tranqüilizarão no presente e, no futuro, nascerão em boas circunstâncias. Por meio da Via, eles experimentarão a felicidade e também poderão ouvir a Lei. Tendo ouvido a Lei, eles se libertarão das amarras e obstáculos. Qualquer que seja a Doutrina, de acordo com os seus poderes, eles gradualmente adentrarão a Via.

É como aquela grande nuvem que faz chover sobre todas as gramas, árvores, florestas e ervas medicinais; e cada uma, de acordo com a sua natureza, recebe a sua porção de umidade e cresce.

Assim, também, o Tathagata prega uma Lei que possui um único aspecto e sabor, isto é: o aspecto da libertação, o aspecto da extinção, culminando na sabedoria de todos os fenômenos. Todavia, os seres viventes que, ouvindo a Lei do Tathagata, mantiverem-na, lerem-na, recitarem-na e praticarem-na de acordo com os seus ditames, não estarão cientes do mérito e virtude que obtiveram.

Qual é a razão? Somente o Tathagata conhece os tipos, as características, as substâncias e naturezas daqueles seres viventes; o quê estão almejando, o quê estão pensando e o quê estão praticando; como estão almejando, como estão pensando e como estão praticando; que Lei que praticam; e através de que Lei eles obtiveram aquela Lei. Os seres viventes residem numa variedade de níveis. Somente o Tathagata os vê como eles realmente são, claramente e sem obstrução. São como aquelas gramas, árvores, florestas e todas as ervas medicinais que não sabem se suas naturezas são superiores, médias ou inferiores.

O Tathagata compreende a Lei de um único aspecto, de um único sabor, o que significa dizer: ‘o verdadeiro aspecto da libertação, o verdadeiro aspecto da emancipação, o verdadeiro aspecto do Nirvana absoluto que é constantemente tranqüilo, inerte e que, ao final, retorna para o vazio’. Embora compreendendo todas essas coisas, o Buda contempla os desejos que vão nos pensamentos dos seres viventes e os protege. Por esta razão ele não prega imediatamente a sabedoria de todos os fenômenos.

Kashyapa, dentre todos vocês, é muita rara a habilidade para perceber que o Tathagata prega a Lei correta, sendo também rara a habilidade para compreendê-la e aceitá-la. Por que isto? Porque todos os Budas, os Honrados pelo Mundo, pregam uma Lei correta que é difícil de compreender e difícil de conhecer”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Homenagem a Nitiren Daishonin

12 12UTC set 12UTC 2006

Homenagem a Nitiren Daishonin

Esta é uma tradução livre dos dizeres da gravura abaixo, ilustrativa da “Perseguição de Tatsunokuti”, uma tentativa frustrada de decapitação do Bonzo Nitiren Daishonin ocorrida em 12 de setembro de 1271.

“Tatsu No Kuti”
(Boca do Dragão)

O Bonzo Nitiren Daishonin, venerado como o Mestre dos Mestres, possuindo altas virtudes e considerado como capaz de salvar dezenas de milhares de pessoas foi incriminado falsamente e condenado à morte por uma autoridade de péssima reputação, sendo então conduzido ao cadafalso de “Tatsu No Kuti” (Boca do Dragão), onde reinava completa escuridão, pois já não havia a luz do luar.

Naquele instante, inesperado vendaval desceu à terra em redemoinho e no céu espalharam-se estranhas nuvens que, juntamente com relâmpagos e trovões ecoando em todas as direções, transformaram-se em fortes chuvas, derrubando os muros em volta do cadafalso e rasgando o pano das cortinas, enquanto fortes descargas elétricas iluminavam alternadamente o cenário.

Repentinamente, do canto sudeste do céu, surgiram estranhas luzes, que eram grandes como a lua cheia e rápidas como as flechas, fazendo com que as montanhas e rios tremessem, como se o céu e a terra fossem se desmanchar. O renomado sabre “Jadô-maru”, empunhado em posição de iminente desfecho pelo algoz Tomosaburo Naoshigue, que estava atrás do Grande Mestre, foi então partido em três pela ira dos deuses celestiais.

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