CAPÍTULO SETE: A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA
27 27UTC set 27UTC 2006
O Buda disse aos Monges: “Há muito tempo, no remoto passado, há incontáveis, inconcebíveis Asamkhyas de kalpas, existiu um Buda chamado Vitória da Sabedoria da Grande Penetração, Tathagata, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, Um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, Senhor Supremo, um Herói Disciplinado e Justo, Mestre de Seres Celestiais e Humanos, Buda, Honrado pelo Mundo. Seu país era chamado ‘Boa Cidade’, e seu kalpa era chamado ‘Aspecto Magnífico’. Oh! Monges, há um grande, um longo tempo desde que aquele Buda passou à extinção”.
“Suponha que alguém triture todas as terras existentes em três bilhões de grandes mundos e as transforme em pigmentos, e então esse alguém passe através de mil terras ao leste deixando cair uma partícula do tamanho de um minúsculo grão de pó em cada uma daquelas terras; e então, passando através de outras mil terras deposite em cada uma outra minúscula partícula, e continue a fazê-lo até que todos os pigmentos se acabem. O que vocês pensam? Poderia um matemático ou seus discípulos avaliar os limites dessas terras e conhecer o seu número”?
“Não, Honrado pelo Mundo”.
“Monges, se as terras pelas quais essa pessoa passou, deixando ou não uma partícula de pó nelas, fossem todas trituradas e transformadas em pó, e cada minúsculo grão de pó fosse igual a um kalpa, então o tempo desde que aquele Buda passou à extinção excederia seu número em ilimitados, incontáveis, centenas de trilhões de Asamkhyas de kalpas”.
“Usando o poder da sabedoria e da visão do Tathagata, eu observo aquele tempo no distante passado como se fosse hoje”.
Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos, dizendo:
“Eu recordo que numa era passada,
ilimitados, incontáveis kalpas atrás,
existiu um Buda, duplamente honrado,
chamado Vitória da Sabedoria da Grande Penetração.
Suponha que uma pessoa triture toda a terra que exista em três bilhões de grandes mundos,
transformando-as inteiramente em pigmentos;
e então suponha que ela tenha passado por mil terras,
deixando cair uma partícula em cada uma delas,
e continue assim fazendo,
deixando cair uma partícula de pó em cada terra,
até que todas aquelas minúsculas partículas acabem.
Suponha que todos os países pelos quais aquela pessoa passou,
tendo recebido ou não uma partícula de pó,
sejam novamente triturados,
e completamente transformados em minúsculas partículas,
e que cada minúscula partícula seja um kalpa.
Aqueles grãos de pó seriam excedidos em número pelo número de kalpas desde que aquele Buda passou à extinção.
O Tathagata, com sua sabedoria sem obstruções,
sabe daquela extinção do Buda,
dos seus Ouvintes e Bodhisattvas,
como se estivesse vendo a sua extinção agora.
Monges, saibam que a sabedoria do Buda
é pura, sutil e maravilhosa;
sem falhas e sem obstruções,
ela penetra ilimitados kalpas”.
O Buda disse aos Monges: “O Buda Vitória da Sabedoria da Grande Penetração teve uma duração de vida de quinhentas e quarenta miríades de milhões de Nayutas de kalpas”.
“Quando este Buda estava sentado no Lugar da Iluminação, tendo destruído os exércitos de Mara, embora ele estivesse a ponto de atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi, as leis dos Budas ainda não apareceram diante dele. Mesmo que fosse por um pequeno kalpa, ou então por mais de dez pequenos kalpas que ele permanecesse sentado na postura de lótus, com o corpo e mente inertes, ainda assim as leis dos Budas não apareceriam diante dele. Por isso, os seres celestiais do Céu Trayastrimsha dispuseram para o Buda, sob a árvore Bodhi, um trono de leão de um Yojana de altura; e naquele trono o Buda permaneceu para atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi”.
“Tão logo ele sentou-se sobre aquele trono, os reis dos céus Brahma fizeram chover flores celestiais sobre uma área de cem Yojanas. De tempos em tempos, um vento fragrante substituía as flores murchas por uma chuva de flores frescas. Isto continuou sem interrupção por um período completo de dez pequenos kalpas como um oferecimento ao Buda, e aquela chuva de flores continuou a cair até a sua extinção. Da mesma maneira, os seres celestiais dos quatro reinos celestiais tocaram constantemente tambores celestiais como um oferecimento ao Buda, e outros seres celestiais tocaram músicas instrumentais celestiais por um período completo de dez pequenos kalpas, continuando até a sua extinção”.
“Monges, o Buda Vitória da Sabedoria da Grande Penetração passou por dez pequenos kalpas antes que as leis dos Budas finalmente se manifestassem diante dele, e então ele atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi”.
“Antes que aquele Buda deixasse sua casa ele teve dezesseis filhos, o primeiro deles chamava-se Sabedoria Acumulada. Cada um deles possuía uma variedade de finos brinquedos preciosos e incomuns. Quando eles ouviram que seu pai havia atingido o Anuttara-Samyak-Sambodhi, todos eles deixaram de lado aquelas coisas que eles valorizavam e foram de encontro ao Buda, acompanhados por suas chorosas mães. Seu avô, um Rei Sábio Girador de Roda, seguiu juntamente com uma centena de grandes ministros e com centenas de milhares de miríades de milhões de cidadãos circundando-o e acompanhando-o para o Lugar da Iluminação, todos desejando aproximarem-se do Tathagata Vitória da Sabedoria da Grande Penetração, para fazer-lhe oferecimentos, honrá-lo, reverenciá-lo e louvá-lo. Quando eles chegaram, eles curvaram as suas cabeças até seus pés em saudação, e circundando-o, em pensamento único juntaram as palmas das suas mãos, curvando-se em reverência ao Honrado pelo Mundo, e declamaram estes versos:
‘Honrado pelo Mundo,
de grande e magnífica virtude,
em prol da salvação dos seres viventes,
após ilimitados milhões de kalpas,
vós alcançastes o Estado de Buda,
cumprindo todos os vossos votos;
insuperável é a nossa boa sorte.
Sois muito raro, Honrado pelo Mundo,
tendo sentado por longos dez pequenos kalpas,
com o corpo, mãos e pés tranqüilos,
seguros e imóveis.
Vossa mente sempre aquietada,
nunca deu lugar à distração.
Alcançastes a vossa eterna extinção,
residindo solidamente na Lei sem falhas.
Agora que nós vemos o Honrado pelo Mundo serenamente realizar a Via do Buda;
todos nós obtivemos grandes benefícios,
e proclamamos nosso deleite e grande alegria.
Seres viventes, eternamente atormentados pelo sofrimento,
cegos, e sem um guia,
falham em reconhecer o caminho que põe fim àquelas penas,
e não sabem buscar a sua libertação.
Durante a longa noite os maus destinos multiplicam-se,
enquanto as multidões de seres celestiais reduzem-se em número;
vindos da escuridão, eles prosseguem para a escuridão,
nunca ouvindo o nome do Buda.
Agora, o Buda obteve a paz insuperável,
o descanso, a via sem falhas;
e nós, bem como todos os seres celestiais,
para atingir o supremo benefício,
por conseguinte curvamos nossas cabeças
e oferecemos nossas vidas ao Supremamente Honrado’.
N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

