CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Distorções Numa Rede

30 30UTC set 30UTC 2006

Distorções Numa Rede

Chamaremos distorções a todas as tensões, discordâncias (quebras na periodicidade da rede) ou deslocações de planos habitados por deslizamento, que ocorram no estado sólido. Sendo assim, essas distorções poderão resultar de uma série de defeitos estruturais já mencionados aqui, cuja presença dentro de uma estrutura perfeita pode se estender por algumas distâncias atômicas, constituindo um pequeno universo de defeitos.

Vários estudos sobre dinâmica de defeitos puntiformes no estado sólido revelaram resultados sobre mecanismos de criação e aniquilação destes, que sugerem múltiplas alternativas de interpretação. Quando falamos sobre a difusão de defeitos simples com perda de identidade, três desses mecanismos foram enumerados. A predominância de um ou outro mecanismo será fortemente dependente das condições termodinâmicas, do estado inicial da estrutura, bem como do tempo decorrido da transformação. Portanto, tornam-se bastante complexos os problemas do estado sólido quando, perdendo-se o passado do processo, pretende-se estudar pequenos segmentos da transição. Todavia, um cuidadoso estudo dos mecanismos atuantes, ou mesmo um tratamento mais acertado das informações que nos chegam a todo o instante do cosmo, muito poderão contribuir para a revisão de alguns conceitos do raciocínio clássico.

Se você concordar que o que vemos ai é desordem, sendo um fenômeno local, é de curto alcance. Necessitamos, então, conceituar uma ordem que seja de maior alcance, capaz de suportar o recuo dessas reações. Que ordem é essa?

Trecho II - CAP. 7: A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

29 29UTC set 29UTC 2006

Trecho II - CAPÍTULO SETE: A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

Quando os dezesseis filhos encerraram a sua louvação ao Buda, eles então lhe suplicaram que girasse a roda da Lei, dizendo: ‘Honrado pelo Mundo, pregue a Lei, leve-nos à paz, mostre-nos a compaixão, e beneficie-nos tanto a seres celestiais como a humanos’.

Então, eles falaram em versos, dizendo:

‘Oh! Herói do Mundo,
incomparavelmente adornado com uma centena de bênçãos,
e que atingiu a sabedoria insuperável,
rogamos que a pregue em prol deste mundo para salvar-nos e libertar-nos,
bem como a todas as classes de seres viventes.
Demonstre-a, pregue-a em detalhes,
e leve-nos a atingir aquela sabedoria;
pois, se nós podemos atingir o Estado de Buda,
outros seres viventes podem fazer o mesmo.

O Honrado pelo Mundo conhece os profundos pensamentos que vão dentro da mente dos seres viventes;
ele conhece os caminhos que eles trilham e a força da sua sabedoria,
os prazeres e bênçãos que eles têm cultivado,
e todas as ações perpetradas nas vidas passadas.
O Honrado pelo Mundo,
sabendo todas essas coisas,
poderia girar a roda insuperável’?”.

O Buda, Shakyamuni, disse aos Monges: “Quando o Buda Vitória da Sabedoria da Grande Penetração atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi, em cada uma das dez direções, quinhentas miríades de milhões de mundos Búdicos tremeram de seis modos diferentes. O vácuo escuro entre aquelas terras, que nem as surpreendentes luzes do sol e da lua poderiam iluminar, tornou-se brilhantemente iluminado, e os seres viventes daqueles mundos puderam ver um ao outro. Todos eles disseram: ‘de onde teriam vindo todos esses seres viventes’?

Além disso, naquelas terras, todos os palácios dos seres celestiais, até todos os palácios Brahma, tremeram de seis formas diferentes. Uma grande luz resplandeceu por toda a parte, iluminando todo o universo e sobrepujando a luz dos céus”.

“Naquela ocasião, nas quinhentas miríades de milhões de terras ao leste, os palácios do Céu Brahma resplandeceram com uma luz duas vezes mais intensa do que seu brilho normal. Cada um dos Reis do Céu Brahma teve este pensamento: ‘agora os palácios estão mais brilhantes do que antes. Qual será a razão para esta manifestação’?”.

“Então, os Reis do Céu Brahma visitaram uns aos outros e discutiram esse assunto. Na assembléia havia um grande Rei do Céu Brahma chamado Salvando a Todos que em meio às multidões de Brahmas falou em versos, dizendo:

‘Todos os nossos palácios estão brilhantes como nunca dantes;
Qual é a razão para isto?
Busquemo-la juntos.
Seria porque um grande e virtuoso deus teria nascido?
Ou seria porque um Buda apareceu no mundo que esta grande luz brilha através das dez direções’?”.

“Naquela ocasião, os Reis do Céu Brahma de quinhentas miríades de milhões de terras, juntos com seus palácios, cada qual com um fardo cheio de flores celestiais, foram para o oeste à procura desta manifestação. Eles viram o Tathagata Vitória da Sabedoria da Grande Penetração sentado no trono de leão sob a árvore Bodhi no Lugar da Iluminação, reverenciado e circundado por seres celestiais, Reis Dragões, Gandharvas, Kinnaras, Mahoragas, e seres tanto humanos como não-humanos. Eles viram também os dezesseis filhos do rei solicitando ao Buda que girasse a Roda da Lei”.

“Então, os Reis do Céu Brahma curvaram-se com suas cabeças aos pés do Buda, circundando-o uma centena de milhares de vezes, e espalharam flores celestiais sobre ele. As flores formaram uma pilha tão alta quanto o Monte Sumeru, e eles ofereceram-nas ao Buda bem como à árvore Bodhi, que tinha dez Yojanas de altura. Tendo feito oferecimentos de flores, cada um presenteou o Buda com o seu palácio, dizendo: ‘rogamos que nos mostre compaixão, e beneficie-nos aceitando e ocupando esses palácios que lhe oferecemos’! Então os Reis do Céu Brahma, diante do Buda, com pensamento único e com as vozes em uníssono, falaram versos em oração, dizendo:

‘Honrado pelo Mundo,
sois muito raro e difícil de encontrar;
perfeitamente dotado com ilimitadas virtudes meritórias,
podeis salvar e proteger todas as criaturas.
Grande Mestre de seres celestiais e humanos,
que sois compassivo com todo o mundo,
todos os seres nas dez direções recebem os vossos benefícios.
Nós que viemos de quinhentas miríades de milhões de terras,
deixamos de lado o regozijo do profundo Samadhi Dhyana,
a fim de fazermos oferecimentos ao Buda.
As bênçãos por nós adquiridas nas vidas passadas ornamentam os nossos palácios.
Oferecemo-los agora ao Honrado pelo Mundo,
suplicando-vos que nos mostre piedade e os aceite’”.

“Naquela ocasião, os Reis do Céu Brahma, tendo rogado ao Buda, disseram: ‘Rogamos apenas que o Honrado pelo Mundo gire a Roda da Lei, salvando os seres viventes, abrindo o caminho para o Nirvana’. Então, todos os Reis do Céu Brahma, com pensamento único e as vozes em uníssono, proclamaram esses versos:

‘Herói do Mundo, Honrado Duplamente Realizado,
imploramos apenas que exponha e proclame a Lei,
e através do poder da sua grande compaixão e piedade,
salve os seres viventes sofredores e atormentados’.

Com relação a isso, o Tathagata Vitória da Sabedoria da Grande Penetração assentiu pelo seu silêncio”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Religião? O que é?

28 28UTC set 28UTC 2006

Religião? O que é?

1ª parte

Não há nada mais real e verdadeiro do que um fato concreto diante dos nossos olhos. Não é? E se a ocorrência desse fato é prevista com exatidão, não pela capacidade premonitória de alguns, mas por uma Lei; então, essa Lei é Verdadeira e oferece uma Prova Real. Não é? A diferença básica está em que uma premonição antecipa a ocorrência de fatos isolados no futuro próximo ou distante. A Lei é diferente. Uma Lei estabelece uma relação causal inexorável, perpetuando a ocorrência do fato (ou efeito) sempre que a causa estiver presente.

Grandes incêndios, grandes enchentes, fortes ventos, secas, fome, conflitos internos, epidemias, invasão estrangeira, guerras. Tais são as calamidades e desastres previstos para uma nação quando sua sociedade torna-se desrespeitosa e hostil à Verdade. Às portas do novo século, e mesmo com toda a bagagem científica acumulada nos últimos cem anos, a humanidade parece impotente diante de fenômenos naturais (leia-se reações) resultantes da desagregação do sistema vida-meio-ambiente (incêndios, enchentes, secas, fome, etc.); da desagregação social (conflitos e guerras); e da violação da integridade individual (violência, doenças físicas, mentais e epidemias). Essas ocorrências assolam as civilizações há milênios, nada tendo em particular com a nossa época ou com o fim do mundo.

Todavia, se fizermos um mapeamento da freqüência e da intensidade dessas ocorrências sobre o globo terrestre, começaremos a notar que a distribuição desses “fenômenos” é heterogênea em qualidade, quantidade e intensidade. Parece haver regiões do planeta com mais “vocação” para este ou aquele tipo de calamidade. Claro que sim! Conflitos internos, invasões estrangeiras e guerras são desastres típicos das regiões do planeta onde coabitam diversas crenças religiosas. Uma torna-se o espelho dos erros da outra e não há paz. Já as calamidades dos incêndios, secas, fome endêmica, enchentes, etc.; são típicas das regiões onde há predomínio de 1(uma) religião e não resultam de contendas, mas, da ignorância. Em todos os casos, porém, a causa fundamental de todas as calamidades e desastres está em crenças cegas, errôneas e falsas doutrinas; e a razão fundamental de vivermos numa “casa em chamas” encontra-se no Sutra de Lótus: “…as pessoas preferem os ensinos inferiores, são pobres de virtudes e abundantes na corrupção.” (3)

Uma verdadeira religião deve ter como objetivo primordial a correta percepção do mundo fenomenológico. “Buda é aquele que atingiu a verdade (iluminação) no remoto passado e cujos ensinos visam conduzir todas as pessoas à mesma percepção da verdade tal como Ele o fez” (4). Buda, portanto, não existe como um Ser Supremo fora da vida das pessoas, mas sim como um estado de vida potencial e inerente à própria vida de todos os seres sensíveis e insensíveis. Como a essência da vida, dos sofrimentos aos prazeres, está nessa percepção da realidade, resta saber se essa percepção é correta, ampla e profunda; tal como o foi na iluminação do Buda. Nitiren Daishonin escreveu em Resposta ao Lorde Soya: “O mundo objetivo é o corpo de todas as leis, a sabedoria subjetiva significa o aspecto de iluminar e revelar o referido corpo”. (4)

CAPÍTULO SETE: A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

27 27UTC set 27UTC 2006

CAPÍTULO SETE: A PARÁBOLA DA CIDADE FANTASMA

O Buda disse aos Monges: “Há muito tempo, no remoto passado, há incontáveis, inconcebíveis Asamkhyas de kalpas, existiu um Buda chamado Vitória da Sabedoria da Grande Penetração, Tathagata, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, Um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, Senhor Supremo, um Herói Disciplinado e Justo, Mestre de Seres Celestiais e Humanos, Buda, Honrado pelo Mundo. Seu país era chamado ‘Boa Cidade’, e seu kalpa era chamado ‘Aspecto Magnífico’. Oh! Monges, há um grande, um longo tempo desde que aquele Buda passou à extinção”.

“Suponha que alguém triture todas as terras existentes em três bilhões de grandes mundos e as transforme em pigmentos, e então esse alguém passe através de mil terras ao leste deixando cair uma partícula do tamanho de um minúsculo grão de pó em cada uma daquelas terras; e então, passando através de outras mil terras deposite em cada uma outra minúscula partícula, e continue a fazê-lo até que todos os pigmentos se acabem. O que vocês pensam? Poderia um matemático ou seus discípulos avaliar os limites dessas terras e conhecer o seu número”?

“Não, Honrado pelo Mundo”.

“Monges, se as terras pelas quais essa pessoa passou, deixando ou não uma partícula de pó nelas, fossem todas trituradas e transformadas em pó, e cada minúsculo grão de pó fosse igual a um kalpa, então o tempo desde que aquele Buda passou à extinção excederia seu número em ilimitados, incontáveis, centenas de trilhões de Asamkhyas de kalpas”.

“Usando o poder da sabedoria e da visão do Tathagata, eu observo aquele tempo no distante passado como se fosse hoje”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos, dizendo:

“Eu recordo que numa era passada,
ilimitados, incontáveis kalpas atrás,
existiu um Buda, duplamente honrado,
chamado Vitória da Sabedoria da Grande Penetração.

Suponha que uma pessoa triture toda a terra que exista em três bilhões de grandes mundos,
transformando-as inteiramente em pigmentos;
e então suponha que ela tenha passado por mil terras,
deixando cair uma partícula em cada uma delas,
e continue assim fazendo,
deixando cair uma partícula de pó em cada terra,
até que todas aquelas minúsculas partículas acabem.
Suponha que todos os países pelos quais aquela pessoa passou,
tendo recebido ou não uma partícula de pó,
sejam novamente triturados,
e completamente transformados em minúsculas partículas,
e que cada minúscula partícula seja um kalpa.
Aqueles grãos de pó seriam excedidos em número pelo número de kalpas desde que aquele Buda passou à extinção.

O Tathagata, com sua sabedoria sem obstruções,
sabe daquela extinção do Buda,
dos seus Ouvintes e Bodhisattvas,
como se estivesse vendo a sua extinção agora.
Monges, saibam que a sabedoria do Buda
é pura, sutil e maravilhosa;
sem falhas e sem obstruções,
ela penetra ilimitados kalpas”.

O Buda disse aos Monges: “O Buda Vitória da Sabedoria da Grande Penetração teve uma duração de vida de quinhentas e quarenta miríades de milhões de Nayutas de kalpas”.

“Quando este Buda estava sentado no Lugar da Iluminação, tendo destruído os exércitos de Mara, embora ele estivesse a ponto de atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi, as leis dos Budas ainda não apareceram diante dele. Mesmo que fosse por um pequeno kalpa, ou então por mais de dez pequenos kalpas que ele permanecesse sentado na postura de lótus, com o corpo e mente inertes, ainda assim as leis dos Budas não apareceriam diante dele. Por isso, os seres celestiais do Céu Trayastrimsha dispuseram para o Buda, sob a árvore Bodhi, um trono de leão de um Yojana de altura; e naquele trono o Buda permaneceu para atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

“Tão logo ele sentou-se sobre aquele trono, os reis dos céus Brahma fizeram chover flores celestiais sobre uma área de cem Yojanas. De tempos em tempos, um vento fragrante substituía as flores murchas por uma chuva de flores frescas. Isto continuou sem interrupção por um período completo de dez pequenos kalpas como um oferecimento ao Buda, e aquela chuva de flores continuou a cair até a sua extinção. Da mesma maneira, os seres celestiais dos quatro reinos celestiais tocaram constantemente tambores celestiais como um oferecimento ao Buda, e outros seres celestiais tocaram músicas instrumentais celestiais por um período completo de dez pequenos kalpas, continuando até a sua extinção”.

“Monges, o Buda Vitória da Sabedoria da Grande Penetração passou por dez pequenos kalpas antes que as leis dos Budas finalmente se manifestassem diante dele, e então ele atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

“Antes que aquele Buda deixasse sua casa ele teve dezesseis filhos, o primeiro deles chamava-se Sabedoria Acumulada. Cada um deles possuía uma variedade de finos brinquedos preciosos e incomuns. Quando eles ouviram que seu pai havia atingido o Anuttara-Samyak-Sambodhi, todos eles deixaram de lado aquelas coisas que eles valorizavam e foram de encontro ao Buda, acompanhados por suas chorosas mães. Seu avô, um Rei Sábio Girador de Roda, seguiu juntamente com uma centena de grandes ministros e com centenas de milhares de miríades de milhões de cidadãos circundando-o e acompanhando-o para o Lugar da Iluminação, todos desejando aproximarem-se do Tathagata Vitória da Sabedoria da Grande Penetração, para fazer-lhe oferecimentos, honrá-lo, reverenciá-lo e louvá-lo. Quando eles chegaram, eles curvaram as suas cabeças até seus pés em saudação, e circundando-o, em pensamento único juntaram as palmas das suas mãos, curvando-se em reverência ao Honrado pelo Mundo, e declamaram estes versos:

‘Honrado pelo Mundo,
de grande e magnífica virtude,
em prol da salvação dos seres viventes,
após ilimitados milhões de kalpas,
vós alcançastes o Estado de Buda,
cumprindo todos os vossos votos;
insuperável é a nossa boa sorte.
Sois muito raro, Honrado pelo Mundo,
tendo sentado por longos dez pequenos kalpas,
com o corpo, mãos e pés tranqüilos,
seguros e imóveis.

Vossa mente sempre aquietada,
nunca deu lugar à distração.
Alcançastes a vossa eterna extinção,
residindo solidamente na Lei sem falhas.
Agora que nós vemos o Honrado pelo Mundo serenamente realizar a Via do Buda;
todos nós obtivemos grandes benefícios,
e proclamamos nosso deleite e grande alegria.

Seres viventes, eternamente atormentados pelo sofrimento,
cegos, e sem um guia,
falham em reconhecer o caminho que põe fim àquelas penas,
e não sabem buscar a sua libertação.
Durante a longa noite os maus destinos multiplicam-se,
enquanto as multidões de seres celestiais reduzem-se em número;
vindos da escuridão, eles prosseguem para a escuridão,
nunca ouvindo o nome do Buda.

Agora, o Buda obteve a paz insuperável,
o descanso, a via sem falhas;
e nós, bem como todos os seres celestiais,
para atingir o supremo benefício,
por conseguinte curvamos nossas cabeças
e oferecemos nossas vidas ao Supremamente Honrado’.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Precipitação

26 26UTC set 26UTC 2006

Precipitação

Quando uma solução em equilíbrio termodinâmico, por um processo qualquer, é aquecida ou resfriada bruscamente, os processos de difusão são acelerados no sentido de a solução encontrar o estado de equilíbrio correspondente à condição final. Um modelo muito simples, mas de larga aplicação, prediz que para processos simples, ou únicos, decorrerá um tempo T para que o processo relaxe de 1/e da diferença entre a concentração inicial CI e a concentração final CF, dada por uma equação do tipo:

CF = (1 – CF/CI) e ** (-t/T)

Onde T é a chamada constante de relaxação do processo e t é o tempo decorrido da reação.

Situações reais, em particular do estado sólido, envolvem vários processos bem como a ocorrência de produtos de reação diversos. Podendo ser estudados a partir do modelo mais simples acima (no caso de predominância de um dos processos sobre os outros), uma boa aproximação pode ser conseguida se na equação acima deixarmos de considerar uma única constante de relaxação, mas um espectro de constantes que represente a atuação dos diversos processos envolvidos. No entanto, não cessam aqui as complicações, pois, se durante a mudança de um estado para outro forem mudadas as condições iniciais e finais (suponhamos que a faixa de aquecimento ou de resfriamento da solução ultrapasse a linha de equilíbrio de fase), tanto a seqüência quanto a variedade de precipitação de novas fases poderão ser afetadas, influindo assim na concentração de equilíbrio final qualitativa e quantitativamente. Por exemplo, admitamos que se tenha uma solução sólida em equilíbrio termodinâmico que se encontra num dado campo alfa de temperatura, isto é, a fase alfa da solução está em equilíbrio. Agora, admitamos que a nossa solução seja resfriada bruscamente até o campo beta de temperatura, ultrapassando a linha de equilíbrio de fases beta - alfa e que a fase alfa seja metaestável no campo beta.

O que teremos como resultado será uma solução sólida supersaturada que tenderá ao equilíbrio através do processo de difusão, fazendo-o pela nucleação e crescimento de porções da fase beta, até que o equilíbrio seja alcançado. Se a situação for tal que apenas pequenos núcleos da fase beta tenham condições de existência (em termos de concentrações relativas de equilíbrio), tudo se passa como se a fase beta fosse uma estrutura de defeitos da fase alfa, pois, os mesmos átomos que a constituem foram arrancados de seus lugares na estrutura antiga. A nova fase, portanto, cresce em detrimento da antiga.

Particularizando mais ainda, se o resfriamento for tal que a temperatura final tenda à temperatura de equilíbrio de fases por valores inferiores, haverá flutuações estatísticas na concentração da fase beta, cujos núcleos crescerão e desaparecerão continuamente, tendo assim uma vida média associada à existência desses centros que, primeiramente na forma de pequenos embriões nascem, crescem até um dado raio subcrítico, e desaparecem em seguida a favor da manutenção do equilíbrio termodinâmico. Por outro lado, se a situação for favorável ao crescimento da fase beta, o núcleo crescerá até atingir o raio crítico, a partir do qual o equilíbrio passa a ser buscado por diminuição da energia livre, resultando em crescimento espontâneo da fase beta ou, em outras palavras, decomposição espontânea da fase alfa.

Tomaremos um exemplo não clássico, nem muito didático e, talvez, um pouco controvertido. Todavia, se há um objetivo que se deseja atingir com o presente trabalho, ele está no exercício sobre alguns conceitos bem estabelecidos da Física através de um novo prisma de observação do cosmo.

Sabe-se ser o átomo de urânio U-235 uma estrutura atômica instável por natureza. Façamos a analogia de uma massa de U-235 com uma fase sólida supersaturada que se decompõe espontaneamente com o tempo (guardadas as probabilidades do processo de desintegração nuclear). Assim, se tivermos átomos de U-235 em solução sólida, as partículas de alta energia (fragmentos nucleares) expelidas pelo processo de fissão natural podem, eventualmente, penetrar em outros átomos da estrutura, colidindo e transferindo energia cinética aos núcleos dos átomos-alvo, preconizando o processo de desintegração dos mesmos. Façamos analogias entre a energia carregada pelos fragmentos de fissão e a energia livre; e entre a massa do U-235 e o raio da porção de fase precipitada. Uma massa de U-235 subcrítica poderá ser fissionada somente com o fornecimento de energia livre não disponível; isto é, irradiando-se o alvo (a massa de U-235) com partículas aceleradas de uma fonte externa. Isto quer dizer que, nas condições de subcriticidade da massa, o andamento da reação envolve aumento da energia livre, não podendo ser espontâneo. Porém, alcançada a massa crítica, a produção de fragmentos é tal que a desintegração de outros átomos alvejados passa a ser continuada, dando lugar ao que se chama reação em cadeia. Nestas condições, o equilíbrio passa a ser alcançado com a diminuição da energia livre que do átomo alvejado faz nova fonte de partículas (fragmentos) super acelerados.

Note-se que o conceito de transformação de fase no exemplo acima ultrapassa o mero processo de rearranjo dos átomos de uma estrutura cristalina, para atingir uma idéia mais abrangente incorporando o conceito de transmutação nuclear. Oportunamente, deve-se lembrar a já introduzida noção de indissociabilidade dos conceitos de existência, movimento, luz, energia, ambiente e equilíbrio dinâmico; pois, as suas variadas formas de manifestação encerram tudo o que é observável na forma ou na transformação.

Trecho Final - CAPÍTULO SEIS: CONCESSÃO PROFECIAS

25 25UTC set 25UTC 2006

Trecho Final - CAPÍTULO SEIS: CONCESSÃO DE PROFECIAS

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, falou uma vez mais à assembléia: “Eu agora vos direi que Mahamaudgalyayana fará no futuro, com vários artigos, oferecimentos a oito mil e duzentas miríades de milhões Budas, honrando-os e venerando-os. Após a extinção daqueles Budas, ele erigirá para cada um deles uma torre de mil Yojanas de altura por quinhentas Yojanas de largura, feitas das sete jóias: ouro, prata, lápis-lazúli, madrepérola, carnelian, pérolas e ágata. Ele lhes fará oferecimentos de muitas flores, colares de contas, incenso em pasta, incenso em pó, incenso para queimar, pálios de seda e estandartes. Após aquilo, ele ainda fará oferecimentos a duas centenas de miríades de milhões de Budas da mesma maneira”.

“Ele então se tornará um Buda chamado Tathagata Fragrância da Tamalapatrachandana, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, Senhor Supremo, um Herói Disciplinado e Justo, Mestre de Seres Celestiais e Humanos, Buda, Honrado pelo Mundo”.

“Seu kalpa será chamado Repleto de Alegria. Seu país será chamado Mente Deleitada. Sua terra será plana e lisa, com solo de cristal e árvores de jóias como adornos. Flores de pérolas reais espalhar-se-ão sobre o seu chão, purificando-o inteiramente, tal que aqueles que o verem regozijarão. Haverá muitos seres celestiais, humanos, Bodhisattvas e Ouvintes; ilimitados e incontáveis em número. A duração da sua vida como um Buda será de vinte e quatro pequenos kalpas. A sua Lei Correta perdurará por quarenta pequenos kalpas. A sua Lei Adulterada perdurará também por quarenta pequenos kalpas”.

Naquele momento, o Honrado pelo Mundo, desejando reforçar este princípio, falou em versos, dizendo:

“Meu discípulo Mahamaudgalyayana,
ao deixar este corpo,
verá oito mil e duzentas miríades de milhões de Budas,
Honrados pelo Mundo.
E, em prol da Via do Buda,
honrar-lhes-á e far-lhes-á oferecimentos.
Na presença daqueles Budas,
ele sempre praticará a conduta Brahman,
através de incontáveis kalpas,
observando reverentemente a Lei do Buda.
Após a extinção daqueles Budas,
ele construirá torres feitas das sete jóias,
com cúpulas de ouro.
E com flores, incenso e música instrumental;
ele fará oferecimentos para as torres dos Budas.

Gradualmente,
tendo realizado a Via do Bodhisattva,
numa terra chamada Mente Deleitada,
ele tornar-se-á um Buda chamado Fragrância de Tamalapatrachandana.

A duração da sua vida como um Buda será de vinte quatro pequenos kalpas.
Sempre, para seres celestiais e humanos,
ele exporá e proclamará a Via do Buda.

Haverá ilimitados Ouvintes,
em número como as areias do Ganges,
com os Três Esclarecimentos,
com os Seis Poderes Transcendentais,
e de grande e extraordinária virtude.

Haverá incontáveis Bodhisattvas,
vigorosos e solidamente resolutos e que,
com relação à sabedoria dos Budas,
serão irreversíveis.

Após a extinção daquele Buda,
sua Lei Correta perdurará por quarenta pequenos kalpas,
e a sua Lei Adulterada durará o mesmo.

A todos os meus discípulos que cultivaram virtudes extraordinárias,
a todos os quinhentos,
serão concedidas profecias de que,
numa era futura,
tornar-se-ão Budas.
Quanto às minhas próprias e vossas causas e condições anteriores,
eu agora direi: todos vocês, ouçam bem!”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Difusão – Sumidouros (com perda de identidade)

24 24UTC set 24UTC 2006

Difusão - Sumidouros (com perda de identidade)

Certos mecanismos da difusão no estado sólido funcionam como sumidouros de defeitos; isto é, os defeitos simples como lacunas e intersticiais que ali chegam perdem a sua identidade. Citaremos três mecanismos muito aceitos que tentam explicar os fenômenos relacionados com esses sumidouros. Antes, porém, adiantaremos a definição de precipitados, que serão discutidos mais detalhadamente no item seguinte.

Quando, por exemplo, uma solução sólida é resfriada bruscamente, uma nova distribuição em equilíbrio térmico é buscada pela solução através do processo de difusão. Quando a temperatura final é tal que outras fases sólidas possam existir em equilíbrio, essas fases precipitam, inicialmente como pequenos núcleos que tendem a crescer às custas de átomos que se encontram na fase primitiva, à qual costumeiramente chamamos fase matriz. Chamaremos essas pequenas porções embrionárias da nova fase simplesmente de precipitados, e suas fronteiras com a matriz chamaremos de interface.

• O primeiro modelo considera que: numa região de interface entre um precipitado coerente e a matriz, as lacunas que se aproximam têm a sua velocidade reduzida, sem contudo perderem a sua identidade, aumentando a probabilidade de recombinação com átomos intersticiais, resultando no desaparecimento do par de defeitos. As interfaces entre precipitados incoerentes e a matriz, entretanto, atraem preferencialmente lacunas, funcionando assim não como sumidouros, mas como centros de aglomeração destes defeitos;
• O segundo modelo diz: forças compressivas que podem existir nas interfaces entre precipitados coerentes e a matriz desencorajam a ancoragem de átomos intersticiais que ali chegam; mas, por outro lado, atraem lacunas estabelecendo uma corrente destes defeitos naquela direção, aumentando a taxa de recombinação ao longo da interface;
• O terceiro modelo, muito aceito, admite que: os precipitados impedem o movimento de deslocações (discordâncias da rede) pelo cristal, ancorando-as e, portanto, aumentando a eficiência dos sorvedouros fixos, no caso, as deslocações.

Trecho III - CAPÍTULO SEIS: CONCESSÃO DE PROFECIAS

23 23UTC set 23UTC 2006

Trecho III - CAPÍTULO SEIS: CONCESSÃO DE PROFECIAS

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo mais uma vez dirigiu-se à assembléia de Monges dizendo: “Eu agora vos direi que numa era futura, Mahakatyayana fará oferecimentos de vários artigos e reverentemente servirá a oito bilhões de Budas, honrando-os e venerando-os. Após a extinção daqueles Budas, ele erigirá uma torre para cada um, com mil Yojanas de altura por quinhentas Yojanas de largura, todas feitas das sete jóias: ouro, prata, lápis-lazúli, madrepérola, carnelian, pérolas e ágata. Ele fará oferecimentos de muitas flores, colares de contas, incenso em pasta, incenso em pó, incenso para queimar, pálios de seda e estandartes para as torres. Após isto, ele ainda fará oferecimentos a vinte bilhões de Budas da mesma maneira. Tendo feito oferecimentos àqueles Budas, ele completará a Via do Bodhisattva”.

“Ele então se tornará um Buda chamado Tathagata Luz do Ouro de Jambunada, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, Senhor Supremo, um Herói Disciplinado e Justo, Mestre de Seres Celestiais e Humanos, Buda, Honrado pelo Mundo”.

“A sua terra será plana e lisa, com o solo de cristal e árvores de jóias como adornos. As estradas serão demarcadas com cordas de ouro, e o chão coberto com finas flores, purificando-o inteiramente, tal que aqueles que o verem deleitar-se-ão. Os Quatro Maus Caminhos não existirão ali, isto é, os infernos, os espíritos famintos, os animais e os asuras. Haverá muitos seres celestiais, humanos, Ouvintes em assembléia e Bodhisattvas cujo número será de ilimitadas miríades de milhões; tudo isto adornando aquela terra. A duração da sua vida como um Buda será de doze pequenos kalpas. Sua Lei Correta permanecerá no mundo por vinte pequenos kalpas. A sua Lei Adulterada permanecerá também por vinte pequenos kalpas”.

Naquele momento, o Honrado pelo Mundo, desejando reforçar este princípio, falou em versos, dizendo:

“Oh Monges, todos vocês,
ouçam com um pensamento único,
pois aquilo que eu digo é verdadeiro,
real e livre de erro.

Katyayana fará,
com uma variedade de artigos finos e delicados,
oferecimentos aos Budas.
Após a extinção daqueles Budas,
ele construirá torres com as sete jóias e também,
com flores e incenso,
fará oferecimentos às suas Relíquias.

Na sua última encarnação,
ele atingirá a sabedoria do Buda,
e alcançará a sua própria iluminação.
Seu país será puro,
e abrigará ilimitadas miríades de milhões de seres;
e ele receberá oferecimentos das dez direções.
Sua luz Búdica será insuperável.
Como um Buda, seu nome será Luz do Ouro de Jambunada.
Ilimitados e inumeráveis Bodhisattvas e Ouvintes,
servindo-o por toda a existência,
adornarão a sua terra”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

Um Sonho Sobre o Passado

22 22UTC set 22UTC 2006

Um Sonho Sobre o Passado

Eu estava deitado de bruços sobre uma espécie de tablado e não tinha total visão à minha volta. Ouvia o som da recitação do “Nam-Myoho-Rengue-Kyo” bem compassado e uma voz profunda. Havia também um surdo solitário com uma batida singela coincidindo com o som de “Nam”. Com este som ao fundo, vi claramente inscrições do Daimoku do Sutra de Lótus ( ou seja, Myoho-Rengue-Kyo) em três colunas. O Daimoku era assim recitado, com uma batida profunda do surdo sobrepondo-se ao som do “Nam”.

Enquanto isso, do lado para o qual o meu rosto estava virado, três homens, um de cada vez, fizeram evoluções ao som da recitação do Daimoku. Eram saltos (piruetas) que eles davam no ar, apoiados em uma perna só, mas à frente, bem alto e depois de algumas piruetas (acho que três cada um) eles se deitavam ao chão e ficavam imóveis. Eram esguios e um estava de branco, um de preto e outro de vermelho, em trajes típicos.

Quando isso terminou, o tablado em que eu me encontrava começou a andar velozmente. Lembro-me que eu tinha receio de bater a cabeça nas paredes e pelas portas por aonde ia passando; mas, eu dizia para eu mesmo não me mexer. Fui empurrado até um determinado local. Chegando lá, levantei-me e vi quem havia me empurrado até lá: André e Fernanda, meus filhos. Fiquei em pé, sai daquele local e fui para outro. Acordei em 15 de abril de 1989.

Até hoje nada me convence do contrário. Tudo isso aconteceu quando sofri aquele acidente de automóvel em 18 de maio de 1978 e fiquei à beira da morte. O tablado era uma maca e o local da correria foi o Hospital das Clínicas de São Paulo. O detalhe é que meus filhos não haviam nascido quando tudo aconteceu, e eu próprio viria a me tornar Budista cerca de 9(nove) anos após o acidente.

Trecho II - CAPÍTULO SEIS: CONCESSÃO DE PROFECIAS

20 20UTC set 20UTC 2006

Trecho II - CAPÍTULO SEIS: CONCESSÃO DE PROFECIAS

Naquela ocasião, Mahamaudgalyayana, Subhuti e Mahakatyayana ficaram muito agitados. Eles, em pensamento único, juntaram as palmas das suas mãos, olharam fixamente para o Honrado pelo Mundo, não abaixando seus olhares um momento sequer, com uma voz uníssona disseram esses versos:

“Supremo e Magnífico Herói, Honrado pelo Mundo,
o Rei da Lei dos Shakyas,
por compaixão de todos nós,
conceda-nos a Palavra do Buda!

Se, conhecendo os nossos pensamentos mais profundos,
possas ver que ganharemos profecias,
será para nós como um borrifo do doce orvalho,
dispersando o calor e dando-nos suave frescor.
Será como uma pessoa que,
vinda de uma terra esfomeada,
subitamente encontrasse um banquete real.
Com seu pensamento tomado pela dúvida e medo,
ela não ousará avançar e comer.
Mas, se ela obtiver a permissão do Rei,
então ela certamente ousará comer.

Nós, da mesma forma,
sempre pensamos acerca dos erros do Pequeno Veículo,
e não sabemos se estamos aptos a ganhar a insuperável sabedoria dos Budas.
Embora ouçamos a voz do Buda dizendo que nos tornaremos Budas,
nossos pensamentos são tomados pela preocupação e pelo medo,
como aquela pessoa que não ousava comer.
Se nós formos contemplados pela profecia do Buda,
então ficaremos felizes e em paz.

Supremo e Magnífico Herói, Honrado pelo Mundo,
vós que sempre desejastes paz para o Mundo,
por favor, conceda-nos profecias como se estivesse dando permissão para comer àquele faminto”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, sabendo dos pensamentos que estavam na mente dos seus grandes discípulos, disse aos Monges: “Subhuti, numa era futura, servirá e adorará três centenas de miríades de milhões de Nayutas de Budas, fazendo-lhes oferecimentos, prestando-lhes reverência, venerando-os e comprazendo-os, sempre cultivando a conduta Brahman, e completando a Via do Bodhisattva”.

“Na sua última encarnação, ele tornar-se-á um Buda chamado Tathagata Aparência do Nome, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, Senhor Supremo, um Herói Disciplinado e Justo, Mestre de Seres Celestiais e Humanos, Buda, Honrado pelo Mundo. Seu kalpa será chamado Posse de Jóias. Seu país será chamado Nascente de Jóias. Sua terra será nivelada, com o solo de cristal, e árvores de jóias como adornos. Ela será sem montanhas ou ravinas, pedras, espinhos, sujeira ou excrementos. Flores de jóias cobrirão o chão, purificando-o inteiramente. As pessoas da sua terra residirão em terraços cravejados de jóias ou em torres de finas pedras preciosas. A assembléia de Ouvintes será imensa, incomensurável, tal que não possa ser expressa em termos de números, por analogias ou comparações. A assembléia de Bodhisattvas será tão numerosa quanto incontáveis milhares de miríades de milhões de Nayutas”.

“A sua vida como Buda durará doze kalpas menores. Sua Lei Correta perdurará por vinte kalpas menores. A sua Lei Adulterada também perdurará por vinte kalpas menores. Esse Buda constantemente residirá no espaço vazio pregando o Dharma para as multidões e transpassando o portal através de incontáveis Bodhisattvas e Ouvintes”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este princípio, falou em versos, dizendo:

“Monges aqui reunidos,
eu agora vos falarei,
ouçam atentamente em pensamento único,
o que estou para dizer.
Meu grande discípulo, Subhuti,
tornar-se-á um Buda chamado Aparência do Nome.
Após fazer oferecimentos a incontáveis miríades de milhões de Budas,
seguindo as práticas dos Budas,
ele gradualmente percorrerá a Grande Via.
Na sua última encarnação ele obterá Trinta e Duas Marcas distintivas,
tornando-se altivo e belo como uma montanha de jóias.

Sua terra de Buda será insuperável em pureza e beleza.
Todos os seres viventes que o virem,
deleitar-se-ão nele.
E como um Buda,
ele salvará incontáveis multidões.
Dentro da sua Lei de Buda estarão muitos Bodhisattvas,
todos de faculdades apuradas,
girando a roda da não-regressão.
Essa terra será sempre adornada com Bodhisattvas;
a assembléia dos Ouvintes será para além de todas as contas;
todos tendo ganhado as Três Compreensões,
estarão sempre exercitando os seis Poderes Transcendentais,
perseverando nas Oito Emancipações,
e sempre possuindo grandes e surpreendentes virtudes.

Quando este Buda pregar a Lei,
ele manifestará ilimitados poderes transcendentais e transformações inconcebíveis.

As pessoas, tanto os seres celestiais como os humanos,
numerosas como as areias do rio Ganges,
todas juntarão as palmas das suas mãos para ouvir e aceitar aquelas palavras do Buda.

A duração da vida desse Buda será de doze pequenos kalpas;
a sua Lei Correta permanecerá no mundo por vinte pequenos kalpas;
A sua Lei Adulterada permanecerá por vinte pequenos kalpas também”.

N.T. - Seguirão trechos concatenados dos capítulos do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-los na íntegra neste Blog.

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