CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Trecho IV - CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

20 20UTC ago 20UTC 2006

Trecho IV - CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

“Shariputra, suponha que num país, numa cidade, ou num vilarejo, exista um homem já avançado na idade e muito rico, de ilimitados bens e fortuna, possuindo muitas terras, casas e empregados”.

“Sua casa é ampla e espaçosa, tendo somente uma porta, mas repleta de muitas pessoas, talvez cem, duzentas ou quinhentas delas habitando ali”.

“Seus salões e quartos estão ruindo de velhos; suas paredes estão cedendo. Os pilares estão podres em suas bases; as vigas e travessas estão caindo perigosamente”.

“Subitamente, através da casa, um fogo se irrompe, deixando a casa em chamas”.

“Os filhos daquele velho homem, dez, vinte, talvez trinta deles estejam dentro da casa”.

“O velho homem, vendo o fogo subir pelos quatro cantos, ficou alarmado e fez a seguinte reflexão: ‘Embora eu tenha sido ágil o bastante para escapar em segurança através desta porta em chamas, todos os meus filhos permanecem dentro da casa ardente, felizes e apegados aos seus brinquedos, distraídos, desconhecendo essa situação, não alarmados e sem medo. O fogo os encurralará e o tormento os afligirá, mas em suas mentes eles não pensam nisto e nem têm qualquer intenção de escapar’”.

“Shariputra, o velho homem então refletiu: ‘Tenho corpo e braços fortes. Posso envolvê-los num pano, protegê-los num malote ou caixa e retirá-los da casa’. Ele refletiu ainda: ‘Esta casa possui somente uma porta estreita e pequena . Meus filhos são jovens, imaturos e nada sabem ainda. Apegados ao seu lugar de diversão, eles podem cair e serem consumidos pelo fogo. Devo falar-lhes a respeito deste temeroso assunto, que a casa pegou fogo e eles devem apressar-se em sair para não serem queimados’. Pensando assim, ele falou aos seus filhos, dizendo: ‘Saiam, todos vocês, rapidamente’! Embora o pai, em sua compaixão, buscasse induzi-los com boas palavras, todos os filhos permaneciam ainda alegremente apegados aos seus brinquedos e jogos, e recusavam-se a compreendê-lo. Eles não estavam assustados ou temerosos e não tinham a mais leve intenção de deixar a casa. E o que é mais, eles não sabiam o quê significava ‘fogo’, o quê significava ‘casa’ ou o quê significava ‘estar perdido’. Eles meramente corriam de um lado para outro no jogo, olhando para o seu pai”.

“Então o velho homem teve esta idéia: ‘A casa já está em brasas com o grande incêndio. Se meus filhos e eu não nos retirarmos a tempo, certamente seremos queimados. Deverei então utilizar-me de um meio hábil, de tal forma a evitar esse desastre’”.

“O pai, conhecendo as predileções dos seus filhos e as preferências de cada um por diversos brinquedos preciosos e brincadeiras raras, aos quais eles respondiam com felicidade, falou-lhes o seguinte: ‘As coisas com as quais vocês realmente gostariam de brincar são raras e difíceis de obter. Se vocês não as aceitarem, certamente arrepender-se-ão mais tarde. Coisas tais como: uma variedade de carros puxados por carneiros, puxados por cervos e por bois ; encontram-se agora do lado de fora da casa para o seu divertimento. Saiam todos rapidamente desta casa em chamas e eu darei tudo quanto vocês queiram’”.

“Então as crianças, ouvindo seu pai falar desses preciosos brinquedos que correspondiam exatamente aos seus maiores desejos, impeliram-se avidamente acotovelando-se uns aos outros em louca disparada, todos brigando para sair da casa em chamas”.

“Naquele momento, o velho homem ao ver que todos os seus filhos haviam saído em segurança e encontravam-se sentados no chão à beira da rua, sem mais nenhum obstáculo; sentiu-se em paz e cheio de satisfação”.

“Então todas as crianças falaram ao seu pai, dizendo: ‘Pai, os finos brinquedos que o senhor prometeu-nos instantes atrás, os carros puxados por carneiros, os carros puxados por cervos e os carros puxados por bois, por favor, dê-nos agora’”.

“Shariputra, naquela ocasião o velho homem deu igualmente a todos os seus filhos uma grande carroça. A carroça era alta e ampla, adornada com uma infinidade de jóias entrelaçadas, circundada por balaústres e pêndulos com sinos nos seus quatro lados. Além disso, era coberta com pálios adornados com vários tipos de jóias preciosas e raras, estirados com cordas de jóias e pingentes com borlas floridas. A carroça era forrada com belos tapetes e seus assentos de almofadas rosadas. Era puxada por um grande boi branco de delicada aparência, de grande força muscular, que tinha um pisar suave, tão leve como o vento, tendo também muitos criados que a seguiam e protegiam”.

“E por que é assim? Aquele velho homem possui ilimitados bens e fortuna, e todas as espécies de armazéns lotados até transbordar. Portanto, ele refletiu assim: ‘Minhas posses são ilimitadas. Eu não daria às minhas crianças carros pequenos e inferiores. Todos esses adolescentes são crianças a quem eu amo sem parcialidade. Possuindo tais grandes carroças feitas das sete jóias, infinitas em número, eu as darei igualmente a cada um. Por quê? Se eu as desse para um país inteiro elas não escasseariam; quanto menos se as desse para minhas crianças’!”.

“Entretanto, todas as minhas crianças estão andando em torno das grandes carroças, uma vez que obtiveram o que nunca esperavam; muito além das suas expectativas originais”.

“Shariputra, o quê você pensa? Quando aquele velho homem dá igualmente a todas as suas crianças a grande carruagem cravejada de jóias, ele é culpado de falsidade ou não?”

Shariputra respondeu: “Não, Honrado pelo Mundo. O velho homem não é culpado de falsidade porque ele apenas capacitou as suas crianças a evitar a calamidade do fogo, e com isso salvou as suas vidas. Por que é assim? Ao salvar suas vidas ele já lhes deu um fino brinquedo. Quanto mais ao utilizar-se de meios hábeis para salvá-los da casa em chamas”.

“Honrado pelo Mundo, se aquele velho homem não tivesse dado-lhes igualmente mesmo que um simples pequeno carro, ainda assim ele não teria dito falsidades. Por quê ? Porque o velho homem previamente tinha em mente o seguinte: ‘Usarei meios hábeis para levar minhas crianças para fora’. Por esta razão ele não é culpado de falsidade. Ele é igualmente sem culpa uma vez que, sabendo que seus bens e fortuna eram ilimitados e desejando beneficiar a todas as suas crianças, deu-lhes igualmente uma grande carroça”.

O Buda disse a Shariputra: “Excelente, excelente! É justamente como você diz”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

Corrupção e Inconsciência

17 17UTC ago 17UTC 2006

Corrupção e Inconsciência

Diariamente somos atropelados pelos noticiários da mídia impressa e eletrônica (radiodifusão, televisão, internet, etc.). São escândalos envolvendo autoridades, violência em todos os graus e verdadeiras tragédias humanas; preconizando uma catástrofe iminente ou, como preferem alguns, o final dos tempos. Alguns dos protagonistas dessas histórias do cotidiano do nosso mundo agem por pura má fé; enquanto outros, a grande maioria, são vítimas dos primeiros que maquiavelicamente os manipulam para criar o ambiente propício para a sua progressão e perpetuação da sua ação maligna.

A banalização do sexo; do crime contra a pessoa; da violência de gênero, dos conflitos étnicos e religiosos; da agressão ao meio-ambiente; da má conduta social; e, finalmente, a banalização da própria vida parece estar transformando-nos em verdadeiros serviçais do demônio. Sim, a todos nós, inclusive aqueles que, atônitos diante do televisor, apenas assistem.

Não é assim. Participamos todos. Observem os anúncios e apelos comerciais entre uma má notícia e outra má notícia. Se fosse o contrário, convenhamos, seria absolutamente entediante uma seqüência interminável de boas notícias ou simplesmente informes de que tudo está em paz e as pessoas prosperam em suas vidas. Um noticiário deste tipo não venderia comprimidos, fechaduras, seguros, residências em condomínios fechados, comida para cães, convênios médicos, sorteios e bebidas alcoólicas; todos eles, veiculados subliminarmente antes, durante e após os noticiários.

Se você pensa em simplesmente desligar os aparelhos e tentar ignorar os fatos, lembre-se que a auto-exclusão social poderá transformá-lo na próxima notícia. A única solução é combater, uma vez que participamos de tudo isso. Mas, quem são nossos inimigos e por onde começar? Os incorrigíveis são distinguíveis daqueles que estão apenas doentes e são vítimas? Existe alguma diferença entre a corrupção da mente e a simples perda da consciência?

Positivamente existe. Por mais que as ações de uma e de outra se assemelhem, ou por mais que tais ações tenham a mesma conseqüência; a diferença está na índole da mente que as perpetram. Corrupção é sinônimo de falha, ausência, má formação ou degeneração; consequentemente, incorrigível. Por sua vez, a inconsciência está para um estado de letargia ou entorpecimento, podendo ser revertido através de estímulos externos. Até para dar consistência à realidade, esses dois tipos de mente precisam existir como partes essenciais da Verdade Última, ou seja, o Buda em estado de latência (inconsciente) e o Devadatta em estado potencial (o corrupto). Todavia, convém saber diferenciá-las mesmo quando agem em associação.

A mente corrupta precisa da mente inconsciente (ou doente) para manipular os atributos que ela não possui: a fé, a coragem e a sabedoria. A mente corrupta só pode desenvolver algum poder, emprestando das mentes inconscientes as virtudes que ela não possui.

Como vivemos numa época maléfica, profetizada pelo próprio Buda, época esta em que os três venenos da avareza, da ira e da estupidez penetraram profundamente nas vidas das pessoas, tornando-as inconscientes; numerosos são os exércitos e grande é a massa de manobra para os destituídos da fé, os covardes e indolentes que agem em seu próprio interesse.

A corrupção também pode surgir pelo envelhecimento, desagregação ou decomposição do caráter de um indivíduo. Neste caso, ela se manifesta da mais grotesca forma na figura do “velho sem vergonha”. Não deixa de ser maligna por ser grotesca; mas, diferente do corruptor que age freqüentemente manipulando as virtudes de outrem, o “velho sem vergonha” é corruptor de si mesmo, cai vitima de sua morte espiritual, perde a decência exalando o odor das suas intenções à distância. Felizmente, o potencial do “velho sem vergonha” para contagiar outras pessoas, mesmo os inconscientes, é menor porque ele torna-se repugnante. Embora menos perigoso, costuma instalar-se nas entranhas das instituições, passando muitas vezes despercebido na sua ação parasitária.

Como, de uma maneira geral, reconhecê-los? É sempre pela sua ação, e se não houvesse uma forma prática, essa seria uma luta inglória. Para esse efeito, lançaremos mão de dois registros insuspeitos, de épocas diferentes e que falam de uma mesma realidade. O primeiro registro é uma exclusão dos corruptos e o segundo uma advertência para os inconscientes. Aqui, uma vantagem oferecida somente pelo Budismo é que o teste pode ser feito em casa, não sendo necessário recorrer a nenhum intermediário entre a pessoa e o Ser Supremo.

O primeiro destaque é do Capítulo Juryo do Sutra de Lótus:

“… com a finalidade de salvar os povos,
deixei-os testemunharem o meu Nirvana.
Mas, na verdade, eu não morri.
Estou sempre aqui ensinando a Lei

Estou sempre aqui.
Mas, devido ao meu poder místico,
as pessoas de mentes corruptas não podem me ver,
mesmo quando estou perto”(3).

O segundo destaque é do romance de Ralph Ellison, “Homem Invisível”:

“Sou um homem invisível. Não, não sou um fantasma como os que assombravam Edgar Allan Poe; nem um desses ectoplasmas de filme de Hollywood. Sou um homem de substância, de carne e osso, fibras e líquidos – talvez se possa até dizer que possuo uma mente. Sou invisível, compreendam, simplesmente porque as pessoas se recusam a me ver”(9).

A distância das fontes é proposital, apenas para contrapor sabedoria e realidade, ainda que a primeira seja permanente e esta última transitória. Porém, por distantes que possam parecer, ambas se referem à angústia do Buda, por um lado, cujo inferno é o sofrimento de todos os povos e tem como objetivo conduzir as pessoas à iluminação e, por outro lado, à angústia de um jovem professor negro cujo inferno é o racismo norte-americano e tem como objetivo a conscientização da sociedade americana (brancos e negros) quanto à estupidez daquela segregação e discriminação. Nos dois casos a cegueira é a mesma: a da mente corrupta no primeiro caso, que não pode ver; e a da mente inconsciente e doentia do segundo caso, que se recusa a ver. A única diferença está em que a primeira é incorrigível e a segunda pode ser curada.

O teste segue de uma maneira muito simples. Observe se as ações do indivíduo se coadunam com as normas de boa conduta; se possuem algum sentido humanitário; se caracterizam uma intenção altruísta; se concorrem para o (re)estabelecimento da verdade e da justiça; se trazem uma mensagem de fé e esperança para os menos favorecidos; se, num sentido geral, são acolhedoras e benevolentes. Caso contrário, ponto a ponto, o corrupto denunciar-se-á através da improbidade (má conduta), da animalidade, do egoísmo, da mentira, da iniqüidade, da bajulação dos poderosos e da aversão aos menos favorecidos.

A aplicação do teste também não é difícil porque os corruptos ocupam todos os espaços de comunicação de massa para iludir e ludibriar os inconscientes, tão úteis para a sua progressão. Menos freqüentemente aparecem nas páginas policiais dos jornais, ou no imenso espaço reservado na mídia para noticiar crimes, porque ali geralmente encontram-se as suas vitimas. Não se deixe enganar. Não tenha também a ilusão de encontrar aqueles que verdadeiramente os combatem nesses espaços nobres da mídia, salvo por um exíguo tempo. Esta é uma luta silenciosa, que se desenrola a partir do despertar de cada pessoa. É um levantar-se só, combatendo-se primeiramente o poderoso inimigo interior e, depois, aquele que nos assedia quer seja no nosso circulo próximo, quer seja através dos meios de comunicação.

Não deixa de ser frustrante escrever para cegos, seja lá de que tipo for. É precisamente aqui que você leitor entra em cena. Faça algo para abrir os olhos de pelo menos mais um.

Trecho III - CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

Trecho III - CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

Naquela ocasião, a assembléia de monges, monjas, leigos e leigas, bem como a grande multidão de Yakshas, Gandharvas, Asuras, Garudas, Kinnaras, Mahoragas, e assim por diante, vendo Shariputra receber a profecia da consecução do Anuttara-Samyak-Sambodhi na presença do Buda, regozijou-se enormemente e seus corações palpitaram em incontida alegria.

Cada um deles retirou seu manto superior e presenteou-o como um oferecimento ao Buda. O Shakra Devanan Indrah e o rei do Céu Brahma, juntamente com incontáveis seres celestiais, também fizeram oferecimentos ao Buda de seus maravilhosos mantos celestiais, flores celestiais de Mandarava e flores de Mahamandarava, entre outras.

Os mantos celestiais que eles lançaram ao ar permaneceram suspensos circundando todo o espaço. Enquanto flutuavam no espaço, uma centena de milhar de miríades de tipos de músicas celestiais começou a tocar, e a cair uma chuva de flores celestiais.

Então, eles proferiram essas palavras: “Há muito tempo em Varanasi, o Buda pela primeira vez girou a roda da Lei. Agora, ele gira novamente a insuperável, a magnífica Roda da Lei”.

Naquela ocasião todos os seres celestiais, desejando reforçar o significado das suas palavras, falaram em versos dizendo:

“Há muito tempo em Varanasi,
Tu giraste a Roda da Lei das Quatro Nobres Verdades,
discriminadamente pregando sobre a criação e extinção de todos os fenômenos compostos pelos cinco elementos.
Agora, novamente,
Tu giras aquela maravilhosa e insuperável Grande Roda da Lei,
pregando uma Lei profunda, insondável,
e que poucos são os que podem compreendê-la.

Nós, desde o passado,
temos freqüentemente ouvido o Honrado pelo Mundo ensinar,
mas nunca ouvimos sobre tal Lei,
tão profunda, tão maravilhosa e suprema.
O Honrado pelo Mundo pregou a Grande Lei,
e nós exultamos em alegre concordância,
assim como o grande sábio Shariputra recebe agora a profecia do Honrado pelo Mundo.
Nós, também, somos como ele,
e seguramente tornar-nos-emos Budas,
sendo os mais honrados e supremos através de todos os mundos.

A Via do Buda é inconcebível,
mas o Buda ensinou-a utilizando-se de meios hábeis,
de acordo com o que era apropriado.
Nossas ações meritórias,
nesta vida e nas vidas passadas,
bem como os méritos e virtudes obtidos por vermos os Budas,
podem ser dedicadas para a Via do Buda”.

Naquele momento, Shariputra dirigiu-se ao Buda dizendo: “Honrado pelo Mundo, eu agora não tenho mais dúvidas ou pesares, tendo recebido do Buda uma profecia da minha consecução do Anuttara-Samyak-Sambodhi. Mas, e as doze centenas de pessoas presentes cujas mentes atingiram a auto-realização, e que anteriormente residiram no estágio de aprendizado, que foram constantemente ensinadas pelo Buda que dizia: ‘Minha Lei pode libertá-los do ciclo do nascimento, velhice, doença e morte, conduzindo-os ao Nirvana’. Tanto aqueles que estão a aprender como aqueles que já completaram o aprendizado tendo se libertado do ego e de visões sobre existência e não-existência, e assim por diante, e que clamam terem atingido o Nirvana, agora, ouvindo do Honrado pelo Mundo aquilo que eles nunca ouviram antes, todos caíram na dúvida e na perplexidade. Pois bem, Honrado pelo Mundo, eu imploro que, em prol da assembléia dos quatro tipos de crentes, pregues sobre as causas e condições para libertá-los de suas dúvidas e pesares”.

Naquele momento o Buda disse a Shariputra: “Eu não havia dito antes que todos os Budas, Honrados pelo Mundo, pregam a Lei através de várias causas e condições, parábolas, frases e meios hábeis, tudo em prol do Anuttara-Samyak-Sambodhi? Todos esses ensinamentos são para promover a conversão de Bodhisattvas. Todavia, Shariputra, farei agora uso de uma parábola com o intuito de esclarecer o princípio, para que todos aqueles que são sábios adquiram compreensão através da parábola”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

Trecho II - CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

15 15UTC ago 15UTC 2006

Trecho II - CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

Naquela ocasião o Buda disse a Shariputra: “Eu, agora, em meio à grande assembléia de seres celestiais, humanos, Shramanas, Brahmanes e outros, declaro que no distante passado, na presença de vinte mil milhões de Budas, em prol da via insuperável, constantemente o ensinei e converti. E você, através da longa noite, acompanhou-me e recebeu a minha instrução. Usei de meios expedientes para conduzi-lo a nascer dentro da minha Lei”.

“Shariputra, no passado eu lhe ensinei a decidir-se pelo caminho do Buda, mas você esqueceu-se completamente disso, tendo dito para si mesmo que já houvera atingido a extinção”.

“Agora, novamente, desejando retomar o caminho, você tem praticado de acordo com os seus votos passados. Eu, em prol dos Ouvintes, prego este Sutra do Grande Veículo intitulado ‘O Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa’, uma Lei para instruir Bodhisattvas e da qual os Budas são guardiões e mentores”.

“Shariputra, numa era futura, após ilimitados, inumeráveis, inconcebíveis kalpas, tendo feito oferecimentos a alguns milhares de miríades de milhões de Budas, tendo reverentemente mantido a Lei correta, e tendo completado o caminho praticado pelos Bodhisattvas, você tornar-se-á um Buda chamado Tathagata Brilho da Flor, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, um Bem-Aventurado que Compreende o Mundo, um Mestre Insuperável, um Herói Justo e Destemido, um Buda, um Honrado pelo Mundo”.

“Seu país será chamado ‘Livre de Impurezas’. Seu chão será plano, puro e adornado, tranqüilo e próspero, e abundante em seres celestiais. Essa terra terá seu solo de lápis-lazúli e oito estradas entrecruzadas ladeadas com cordas de ouro, as quais terão fileiras de árvores feitas das sete jóias, constantemente floridas e carregadas de frutos”.

“O Tathagata Brilho da Flor também ensinará e converterá seres viventes através dos Três Veículos. Shariputra, quando este Buda vier ao mundo, embora não seja uma era de maldade, em razão dos seus votos passados, ele ensinará a Lei dos Três Veículos”.

“Aquele kalpa será chamado ‘Adornado com Grandes Jóias’. Por que será chamado ‘Adornado com Grandes Jóias’? Porque naquela terra, os Bodhisattvas serão considerados Grandes Jóias”.

“Aqueles Bodhisattvas serão em número ilimitado, incontável, inconcebível, além do alcance dos cálculos ou analogias. Exceto através do poder da sabedoria do Buda, ninguém será capaz de saber o seu número”.

“Quando eles desejarem andar, flores feitas de jóias sustentarão os seus passos. Esses Bodhisattvas não serão como aqueles que apenas impõem seus pensamentos. Eles plantaram as raízes da virtude por longo tempo e, na presença de ilimitadas centenas de milhares de miríades de Budas, cultivaram puramente a conduta Brahman, constantemente recebendo o elogio dos Budas. Sempre cultivando a sabedoria do Buda e dotados com grande poder de penetração espiritual, eles serão bem versados em todos os portais da Lei, e primarão pela retidão, a sinceridade e a firmeza de caráter. Bodhisattvas tais como esses preencherão aquele país”.

“Shariputra, a duração da vida do Buda Brilho da Flor será de doze pequenos kalpas, não contado o tempo durante o qual, como um príncipe, ela ainda não havia tornado-se Buda. A duração da vida das pessoas naquele país será de oito pequenos kalpas”.

“Após doze pequenos kalpas, o Tathagata Brilho da Flor conferirá ao Bodhisattva Pleno de Firmeza uma profecia da consecução do Anuttara-Samyak-Sambodhi, e anunciará aos Monges: ‘O Bodhisattva Pleno de Firmeza será o próximo a tornar-se um Buda chamado Pacificamente Caminhando com os Pés sobre Flores, Tathagata, Arhat, Samyaksambuda. Sua terra búdica terá as mesmas características’”.

“Shariputra, quando o Buda Brilho da Flor tiver passado à extinção, sua Lei correta permanecerá no mundo por trinta e dois pequenos kalpas. A sua Lei adulterada permanecerá também no mundo por trinta e dois pequenos kalpas”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos dizendo:

“Shariputra, numa era vindoura,
existirá um Buda, honrado e muito sábio,
chamado Brilho da Flor,
que salvará ilimitadas multidões.

Tendo feito oferecimentos a incontáveis Budas,
e concluído os estágios da conduta do Bodhisattva,
os Dez Poderes e outras qualidades meritórias,
ele certificar-se-á para a via insuperável.

Após incontáveis kalpas terem passado,
haverá um kalpa chamado ‘Adornado com Grandes Jóias’,
e um mundo chamado ‘Livre de Impurezas’,
sendo puro e sem fendas,
tendo um chão de lápis-lazúli;
e suas estradas ladeadas com cordas de ouro terão árvores multicoloridas feitas das sete jóias,
constantemente florescendo e carregadas de frutos.

Os Bodhisattvas naquela terra serão sempre firmes na concentração,
nas penetrações espirituais e práticas dos Paramitas,
todos inteiramente formados.
Na presença de incontáveis Budas,
eles serão bem versados na via do Bodhisattva.

Grandes Senhores tais como estes serão convertidos pelo Buda Brilho da Flor.
Aquele Buda, quando ainda era um príncipe,
renunciou à posse de suas terras e à celebridade,
e, na sua encarnação final,
abandonou o lar para realizar a via do Buda.
O Buda Brilho da Flor residirá no mundo por um período de doze pequenos kalpas.
As pessoas daquela terra viverão por oito pequenos kalpas.

Quando aquele Buda entrar em extinção,
a sua Lei correta remanescerá no mundo por trinta e dois pequenos kalpas,
beneficiando amplamente os seres viventes.
Quando a sua Lei correta extinguir-se,
a sua Lei adulterada remanescerá por trinta e dois pequenos kalpas.
Suas relíquias serão amplamente distribuídas para os oferecimentos de seres celestiais e humanos.

Os feitos do Buda Brilho da Flor serão tais como esses.

Honrado pela sabedoria, duplamente realizado,
aquele Buda será supremo e além das comparações.
E ele é você Shariputra, você mesmo!
Assim, é justo que se alegre”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

II.1 – Noções do Fenômeno de Transporte

14 14UTC ago 14UTC 2006

II.1 – Noções do Fenômeno de Transporte em Meios do Estado Sólido

Sendo os elétrons portadores da carga elementar g, de cujo movimento tem origem o fenômeno de transporte chamado corrente elétrica, somente átomos portando elétrons em bandas de energia cuja população está fracamente ligada ao núcleo guardarão as propriedades de bons condutores de eletricidade. O fenômeno de condução elétrica em materiais no estado sólido é o movimento dos portadores de carga “acelerados” por uma excitação externa. Como a energia associada ao fenômeno terá um comprimento de onda e freqüência intrínsecas, para cada portador de carga teremos ondas materiais se propagando no meio condutor.

Através da rápida revisão de alguns conceitos e parâmetros da estrutura atômica, demonstra-se ser o átomo um relativo “vazio”. Dessa forma, se tivermos uma rede cristalina perfeita, isto é, com todos os átomos constituintes em seus devidos lugares e isenta de demais defeitos, numa temperatura tal que o movimento dos átomos em torno de suas posições de equilíbrio seja suficientemente pequeno; nestas condições, teríamos os portadores de carga movimentando-se livremente através da rede, sem que esta lhes oferecesse qualquer resistência. É como se define resistência elétrica nula: um cristal perfeito na temperatura do zero absoluto, ou seja, à temperatura em que os átomos estão vibrando apenas com a amplitude e freqüência características do ponto zero, o cristal perfeito tem resistência nula. Assim, um material nestas condições seria transparente ao movimento de cargas eletrônicas.

Por outro lado, a presença de defeitos comuns nos materiais como lacunas, átomos intersticiais e de impurezas, deslocações bem como a vibração dos átomos em torno das suas posições na rede, que aumentam com a temperatura, torna-se obstáculo ao movimento das cargas, pois, a interação dessas com as imperfeições fazem com que a propagação deixe de ser infinita para ser finita; isto é, os portadores de carga passam a ter um caminho livre médio. Em outras palavras, dentro de um meio hipotético ideal, onde os portadores de carga teriam livre trânsito, na realidade, existe todo um universo de defeitos de dimensões finitas a se opor ao movimento dos portadores que os enxergam como obstáculos. Figurativamente, deixa o material de ser transparente para ser um meio resistente e, ao colocarmos o portador como observador, deixa o material de ser um vazio não observável para ser um universo de corpos de toda uma gama de imperfeições que se distribuem num imenso “vazio”. Algo como a imagem abaixo.

CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

12 12UTC ago 12UTC 2006

CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

Com relação a isto, Shariputra, com alegre entusiasmo, levantou-se, juntou as palmas de suas mãos e fitou reverentemente a face do Honrado pelo Mundo e disse ao Buda: “Agora, tendo ouvido este som da Lei do Honrado pelo Mundo, meu coração alegra-se tendo obtido o que nunca antes obtivera”.

“Qual é a razão? No passado, eu ouvi uma Lei tal como esta do Buda, e vi os Bodhisattvas receberem profecias da sua consecução do Estado de Buda, mas nós não fazíamos parte disto . Eu estava profundamente magoado por ter perdido a esperança de atingir as ilimitadas sabedoria e visão do Tathagata”.

“Honrado pelo Mundo, quando decidi residir sozinho nas florestas da montanha, aos pés das árvores, se sentado ou caminhando, eu continuamente tinha este pensamento: ‘Todos nós, igualmente, entramos na natureza da Lei. Por que o Tathagata conduziu-nos através da Lei do Pequeno Veículo? O erro é nosso, não do Honrado pelo Mundo’”.

“Qual é a razão? Se nós tivéssemos esperado pela preleção da causa para atingir-se o Anuttara-Samyak-Sambodhi, nós certamente teríamos sido conduzidos através do Grande Veículo. Mas nós não compreendemos que os meios hábeis eram pregados de acordo com o que era apropriado. Portanto, quando ouvimos a Lei do Buda ao encontrá-lo pela primeira vez, imediatamente entendemos e aceitamo-la, consideramo-la e certificamo-la”.

“Honrado pelo Mundo, de há muito eu tenho, dia e noite, continuamente me repreendido. Agora, ouvi do Buda o que nunca tivera ouvido antes, esta Lei sem precedentes, nunca dantes conhecida, e que eliminou todas as minhas dúvidas. Meu corpo e minha mente estão felizes e eu estou em paz”.

“Hoje, de fato, sei que sou um verdadeiro discípulo do Buda, nascido da palavra do Buda, convertido a partir da Lei; assim, venho compartilhar da Lei do Buda”.

Naquele momento Shariputra, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos dizendo:

“Ouvindo este som da Lei,
obtive o que nunca antes obtivera;
meu coração está transbordante de alegria,
e a malha de dúvidas em meu pensamento dissipou-se.

Desde há muito tempo,
beneficiado pelos ensinamentos do Buda,
nunca perdi o Veículo Maior.
O som do Buda é extremamente raro de ouvir,
e pode livrar todos os seres das suas aflições.
Já havia eliminado todas as falhas,
mas ouvindo-o, as minhas aflições também se dissiparam.

Quando residi nos vales das montanhas,
às vezes aos pés das árvores,
se sentado ou caminhando,
constantemente pensava a respeito deste assunto:
‘Ah, chorei amargamente em auto-reprovação,
por que me enganei tanto?’
Nós também somos discípulos do Buda,
e igualmente entramos na Lei sem falhas;
contudo, no futuro não estaremos aptos a proclamar a via insuperável.

A cor dourada do ouro, os trinta e dois sinais,
os Dez Poderes e todas as emancipações,
estão juntas numa única Lei,
mas não obtive essas coisas.
As oitenta características maravilhosas,
as dezoito Leis (propriedades) exclusivas,
virtudes de tais qualidades,
perdi-as todas.
Quando caminhava solitário,
eu via o Buda na Grande Assembléia,
sua fama preenchendo as dez direções,
beneficiando amplamente todos os seres.

Sentia ter perdido esse benefício,
tendo iludido a mim próprio.
Constantemente, dia e noite,
pensava sobre esse assunto,
e desejava indagar o Honrado pelo Mundo,
se o havia perdido ou não.
Freqüentemente via o Honrado pelo Mundo elogiando todos os Bodhisattvas,
e assim foi, por dias e noites,
em que ponderava sobre assuntos como este.
Agora eu ouvi o som do Buda,
oportunamente pregando a Lei que é sem falhas,
difícil de conceber,
e que conduz os seres viventes ao lugar da iluminação.

Outrora eu era apegado às visões distorcidas,
e era um professor de Brahmanes.
Todavia, o Honrado pelo Mundo conhecendo a minha intenção,
erradicou minhas visões errôneas ensinando-me o Nirvana.
Libertei-me das visões errôneas,
certifiquei-me da Lei da vacuidade,
e então disse para mim mesmo que havia alcançado a extinção.

Mas agora finalmente compreendo que esta não é a verdadeira extinção,
pois quando me tornar um Buda,
completo com as Trinta e Duas Marcas Distintivas,
reverenciado por seres celestiais, humanos,
multidões de Yakshas, dragões, espíritos e outros,
somente então poderei dizer:
‘Esta é a extinção eterna, sem resíduos’.
O Buda, em meio à Grande Assembléia,
disse que eu tornar-me-ia um Buda.
Ouvindo o som de uma Lei como esta,
todas as minhas dúvidas se dissiparam.

Quando pela primeira vez ouvi o Buda pregar,
minha mente encheu-se de grande temor.
Não será Mara (um demônio) disfarçado de Buda,
a perturbar e confundir minha mente? – pensei.
O Buda, através de várias condições,
analogias e palavras engenhosamente articuladas,
tornou a minha mente calma como o oceano.
Ao ouvir-lhe, a malha de minhas dúvidas se desfez.

O Buda disse que no passado,
cada um dos incontáveis Budas, agora extintos,
utilizaram-se serenamente dos meios hábeis,
e também pregaram esta Lei.
Os Budas do presente e do futuro,
em número sem limites,
também se utilizarão dos meios hábeis para proclamar uma Lei como esta,
da mesma forma como agora o Honrado pelo Mundo,
desde o seu nascimento até deixar seu lar,
tendo atingido a Via e girado a Roda da Lei,
também pregou através dos meios hábeis.
O Honrado pelo Mundo prega o verdadeiro caminho.
Demônios não fazem tal coisa;
portanto, eu agora estou certo de que este não é um demônio posando como um Buda.

Em razão de ter caído numa malha de dúvidas,
disse que aquilo que o Buda pregava eram coisas de um demônio.
Ouvindo do Buda a voz complacente,
profunda, de longo alcance, sutil e terna,
proclamando a ampla, clara e pura Lei,
minha mente se enche de grande alegria.
Minhas dúvidas estão eliminadas para sempre,
assim como permaneço resoluto na verdadeira sabedoria.

Estou certo de tornar-me um Buda,
reverenciado por seres celestiais e humanos.
Girarei a insuperável roda da Lei,
para ensinar e converter Bodhisattvas”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

O Mais Profundo Eu Somos Nós

11 11UTC ago 11UTC 2006

O Mais Profundo Eu Somos Nós

A Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos - 2ª. Parte

Assim é o Sutra de Lótus. O Sutra de Lótus é extenso e engloba todos os ensinamentos do Buda, reunidos na forma de princípios perfeitos executando a função de exprimir e revelar a Verdade. Podendo ser considerado o “corpo” dos ensinos Budistas, o Sutra de Lótus tem uma identidade: ele é a própria e Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos. O Sutra de Lótus também tem um nome: Saddharma-Pundarika-Sotaram, ou Myoho-Rengue-Kyo, ou Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Analogamente ao exemplo do corpo humano, ao pronunciar-se o nome do Sutra de Lótus precedido de dois caracteres cuja contração NAMU significa devotar a vida; ou seja, Nam-Myoho-Rengue-Kyo, todas as células (ou caracteres) daquele extenso ensinamento são penetradas e passam a executar a função de revelar a vida do Buda. É como ler o Sutra todo, fazendo vibrar harmonicamente todos os seus caracteres e os seus profundos significados. Isto não é natural? Por que não? Os caracteres do Sutra de Lótus são sons que harmonicamente formam expressões sonoras (idéias e princípios) que, como as células, as moléculas de um gás ou as sílabas de um poema perfeito; se estruturam e se arranjam na composição do Sutra. Esse conjunto de sons e significados, por mais heterogêneo que possa parecer (tal como o conjunto de materiais que forma a estrutura de uma ponte), poderá possuir uma freqüência de ressonância? O Mestre da Lei Nitiren Daishonin afirma que sim, e muito mais. Em sua escritura intitulada “Abrindo os Olhos de Imagens de Madeira ou Pintadas”, Nitiren Daishonin afirma: “Desde o falecimento do Buda, têm sido feitas duas espécies de imagens suas: de madeira e pintadas. Elas possuem trinta e uma características, mas falta-lhes a voz pura e de longo alcance. Portanto, não se igualam ao Buda. Elas estão também desprovidas do aspecto espiritual”(5).

Voltando ao exemplo, o nome e a identidade de uma pessoa neste mundo são provisórios. Conforme Nitiren Daishonin revela em seus ensinamentos, a realidade última do âmago da vida de uma pessoa é o próprio Myoho-Rengue-Kyo. Este, portanto, é o verdadeiro nome de todas as pessoas e sua identidade é o Sutra de Lótus.

Ao recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, a pessoa não somente está estimulando cada célula do seu próprio corpo para harmoniosamente executarem suas funções, como também está estimulando cada entidade do mundo exterior a executar suas funções em harmonia consigo própria. Esta é uma descrição simples do fenômeno da fusão entre pessoa (sujeito (TI)) e o mundo objetivo (KYO), ou a incorporação da verdadeira doutrina de ITINEN SANZEN. Naquele momento da fusão, a determinação de uma única pessoa permeia todo o seu mundo interior como também seu mundo exterior, ou o próprio universo.

Ao aceitar a identidade do Sutra de Lótus como sendo o repositório da vida do Buda e recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo evocando a si próprio, uma pessoa está na verdade transpondo sua identidade provisória para assumir a sua natureza da Buda. São inimagináveis os benefícios que uma pessoa poderá desfrutar quando todas as funções do universo passarem a funcionar em sua proteção de maneira harmoniosa e coordenada. Creio ser esta a essência da prática do Budismo.

Quando uma pessoa ouve o seu nome, as células que compõem seu cérebro operam de maneira coordenada modulando a voz através do sentido da audição para identificar a origem do chamado ou quem o faz. O mecanismo da visão, composto por inúmeras outras células, busca a direção do chamado. Os membros e todos os outros órgãos esforçam-se fazendo o corpo voltar-se para quem o chama. Assim como a identidade e o nome nesta vida, o corpo também é provisório.

Ao recitar Nam-Myoho-Rengue-Kyo, a pessoa estimula a mente do Buda. Da mesma maneira, a visão mística do Buda é ativada desenvolvendo e aguçando a percepção do indivíduo e; assim, a vida do Buda que é a causa fundamental da nossa existência, emerge das profundezas de nossas vidas, iluminando-a.

Trecho Final - CAPÍTULO DOIS: MEIOS HÁBEIS

10 10UTC ago 10UTC 2006

Trecho Final - CAPÍTULO DOIS: MEIOS HÁBEIS

Quando pela primeira vez tomei assento no lugar da Iluminação,
em contemplação, ou caminhando ao redor da árvore,
por um período de três vezes sete dias ,
eu pensei em assuntos tais como estes:
‘a sabedoria que obtive é sutil,
maravilhosa e insuperável,
mas os seres viventes são de pouca capacidade,
apegados ao prazer, e cegados pela delusão;
seres tais como estes,
como possivelmente poderão se salvar’?

Então os Reis Celestiais Brahma,
bem como o Deus Shakra,
os Quatro Reis Celestiais Protetores do Mundo,
o Rei Celeste Grande Liberdade,
e outras multidões de seres celestiais,
com seguidores contados em bilhões,
reverentemente uniram as palmas das suas mãos,
e solicitaram-me girar a Roda da Lei.
Eu então pensei para mim mesmo:
‘Se eu fosse pregar somente o Veículo do Buda,
seres mergulhados no sofrimento seriam incapazes de compreender esta Lei.
Eles difamar-na-iam e desacreditar-na-iam,
e cairiam nos três maus caminhos.
É melhor que eu não pregue a Lei,
entrando rapidamente no Nirvana’.

Então me lembrei que os Budas do passado praticaram o poder dos meios hábeis,
e como eu agora atingi o Caminho,
quando assim estava pensando,
todos os Budas das dez direções apareceram,
e com o som Brahma encorajaram-me, dizendo:
‘Excelente, Oh Shakyamuni,
Supremo Mestre Guia.
Tendo atingido a Lei insuperável,
você segue o exemplo de todos os Budas,
ao empregar o poder dos meios hábeis.
Igualmente, nós também obtivemos essa Lei insuperável,
a mais maravilhosa.
Para os vários tipos de seres viventes,
fizemos distinções e ensinamos os Três Veículos.
Aqueles de pouca capacidade,
que se comprazem nas leis inferiores,
não compreendem que eles podem tornar-se Budas.
Essa é a razão de usarmos os meios hábeis,
para fazer distinções e ensinar os vários objetivos.
Mas, embora Três Veículos sejam ensinados,
o são unicamente em prol da instrução de Bodhisattvas’.

Shariputra, agora você sabe que,
quando eu ouvi o som profundo,
puro e maravilhoso dos Leões da Sabedoria,
eu bradei: ‘Homenagem a todos os Budas’.
Além disso, tive esse pensamento:
‘Encontro-me num mundo de impureza e de maldade;
portanto, seguirei de acordo com o que os Budas pregam’.
Tendo meditado sobre esse assunto,
segui diretamente para Varanasi.
Uma vez que o aspecto da extinção tranqüila de todos os fenômenos não pode ser expresso em palavras,
eu usei o poder dos meios hábeis para instruir os cinco Monges.
Isto se chamou o giro da roda da Lei.
Então, vieram o som do Nirvana,
assim como o ‘Arhatship’ (estado de Arhat),
o ‘Dharma’ (Lei), e a ‘Sangha’ (corpo de seguidores).
Desde os mais remotos kalpas,
eu tenho louvado e mostrado a Lei do Nirvana como um fim cabal para os sofrimentos do nascimento e da morte;
desde então, tenho sempre pregado isto.

Shariputra, agora você sabe,
que eu vi discípulos do Buda,
resolutamente buscando a Via do Buda,
em número de ilimitados milhares de miríades de milhões deles,
todos com pensamentos reverentes,
todos aspirando ao estado de Buda.
Eles haviam ouvido, dos Budas anteriores,
ensinamentos da Lei através de meios hábeis.
Isto me fez pensar:
‘A razão pela qual o Tathagata aparece é ensinar a sabedoria do Buda, e agora o tempo é exatamente correto’.

Shariputra, agora você sabe,
que pessoas com pouca capacidade e escassa sabedoria,
apegadas às aparências, à arrogância,
não podem compreender essa Lei.
Eu agora exulto, não tenho receio,
e diante dos Bodhisattvas,
eu descartarei os meios hábeis, colocando-os aparte,
para pregar somente o Caminho Supremo.
Quando os Bodhisattvas ouvirem essa lei,
a rede de suas dúvidas será rompida;
e doze centenas de Arhats atingirão o estado de Buda.
Da mesma forma com que os Budas das três existências
pregaram esta Lei,
assim o farei agora expondo a Lei sem distinções.

Todos os Budas vêm ao mundo muito raramente,
e são difíceis de encontrar;
e quando eles aparecem no mundo,
é muito difícil que eles preguem a Lei.
Através de incontáveis eras, também,
é muito difícil ouvir esta Lei.
E aqueles que podem ouvir esta Lei,
tais pessoas também são raras como a flor de udumbara,
na qual todos se deleitam,
e na qual seres celestiais e humanos se comprazem,
por ela florescer senão uma vez em muito, muito tempo.
Alguém que ouve esta Lei,
mesmo que uma única palavra,
louva-a com alegria,
fazendo oferecimentos a todos os Budas das três existências;
tais pessoas são extremamente raras.
São mais raras que a flor de Udumbara.

Todos vocês não devem ter dúvidas,
de que eu sou o Rei do Dharma;
e declaro à assembléia:
‘Eu uso somente a via do Veículo Único para ensinar e converter Bodhisattvas.
Eu não tenho discípulos Ouvintes’.

Shariputra, todos vocês,
os Ouvintes e Bodhisattvas,
devem saber que esta Lei Maravilhosa é o segredo essencial de todos os Budas.

No mundo da maldade das cinco impurezas,
seres que estão alegremente apegados aos prazeres e desejos,
nunca buscarão a Via do Buda.
Pessoas más do futuro, em sua delusão,
ouvindo o Buda pregar o Veículo Único,
não o aceitarão ou compreenderão,
mas o caluniarão e cairão nos maus caminhos.
Mas, para aqueles com humildade e pureza,
que resolutamente buscam a Via do Buda,
às pessoas como essas,
eu exalto o caminho do Veículo Único, extensivamente.

Shariputra, agora você sabe,
que a Lei de todos os Budas é como esta.
Através de milhões de meios hábeis,
eu prego a Lei Insuperável de acordo com o que é apropriado.
Mas aqueles que não a estudam,
nunca virão a compreendê-la.
Uma vez que vocês já sabem que todos os Budas,
Mestres do Mundo,
trabalham através de meios hábeis,
vocês não devem mais ter dúvidas.
Deixem seus corações encherem-se de alegria,
porque agora sabem que atingirão o Estado de Buda”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

O Mais Profundo Eu Somos Nós

09 09UTC ago 09UTC 2006

O Mais Profundo Eu Somos Nós

A Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos - 1ª. Parte

Sabemos que o corpo humano, um exemplo familiar, é composto por trilhões de células que se agrupam e se organizam para formar órgãos e executar funções. O código genético, hoje objeto de manipulação do mais revolucionário campo da aplicação científica contemporânea, a Engenharia Genética, encarrega-se de transmitir a essência e também pequenas variações na codificação dessas células, bem como nos arranjos celulares. Como verdadeiros segredos milenares passados de pai para filho, assegurando às espécies singularidades que vão além do aspecto físico (como etnia, compleição e traços fisionômicos), chegando a determinar modos de conduta e padrões de resposta (reações) a certos estímulos; o código genético parece consubstanciar o conceito de inseparabilidade da identidade de uma célula e do conjunto de relações que determinam o seu Padrão de Existência, conceito já empregado aqui para a partícula subatômica e sustentado cientificamente pela Teoria Quântica. A Engenharia Genética comprova a existência de uma espécie de sabedoria portada pelo código genético, passível inclusive de evolução para adaptação das espécies às alterações ambientais, e que é transmitida célula a célula na geração e desenvolvimento de um ser vivo.

Seria impossível identificar uma pessoa se para isso necessário fosse identificar cada célula constituinte do seu corpo. Igualmente impossível seria a tarefa de chamar uma pessoa se para isso fosse necessário estimular cada célula do seu corpo para atender ao apelo. Todavia, as pessoas possuem uma identidade social e um nome. O simples pronunciar do nome de uma pessoa penetra em cada célula do seu corpo, transferindo-lhe um estímulo que provocará uma reação solidária e coordenada para atender ao apelo.

Até aqui, tudo ainda parece muito natural. Mas, seres inferiores como animais e plantas também respondem a um chamado. Corpos materiais como, por exemplo, certas ligas metálicas ressoam com precisão aos estímulos externos (um sino ou um diapasão). Ainda, uma estrutura complexa como a de uma ponte ou a de um edifício pode ruir em resposta a um estímulo externo na sua freqüência de ressonância. As moléculas de um gás, dentro de uma cavidade de um raio laser, recebendo pequenos estímulos na freqüência adequada, podem produzir um feixe de luz polarizada extremamente potente como resposta. Ainda parece muito natural aos olhos da ciência, mas, estamos falando agora de seres “insensíveis”, pedaços de metal, pontes, edifícios, moléculas de um gás dentro de uma cavidade; existe algo mais desconforme e caótico? Mas, essas “entidades” respondem. Teriam uma consciência?

Deixando por ora os “corpos”, vamos pensar em quem os anima. Os estímulos sobre os quais temos falado têm uma mesma natureza: a natureza ondulatória. Uma onda sonora, um raio luminoso ou uma batida cadenciada são simplesmente ondas que se propagam através de um meio. Este é um ponto de suma importância: através de. Mesmo na ausência dos “corpos” visíveis ou palpáveis, as ondas se propagam através de algo, alguma coisa, ainda que não possamos percebê-la ou mensurá-la. Uma das grandezas mais fundamentais da Física é a velocidade aproximada de propagação da luz no vácuo: 300.000 km/segundo, utilizada na definição de ano-luz. Mas, se o vácuo é o nada, então ali a luz se propaga através do quê? Algo que não podemos perceber.

Se nós convivemos tão bem com o “vácuo” ou “algo que não podemos perceber”, e isto hoje é amplamente aceito, podemos retomar a questão dos “corpos” perceptíveis. Quando o Mestre da Lei Nitiren Daishonin afirma em Resposta ao Lorde Soya: “Mundo objetivo é o corpo de todas as leis, a sabedoria subjetiva significa o aspecto de iluminar e revelar o referido corpo.”(4); ele está afirmando categoricamente que o corpo de todas as leis revela-se na presença de um estímulo (a ação de iluminar).

Imagine um poema composto para um tema (intenção) perfeito, que possua a métrica perfeita, que tenha rimas perfeitas, que contenha palavras com sentido perfeito de um idioma perfeito. Adicionalmente, suponha que esse poema tenha um título perfeito, o qual por si só já expresse todo o seu conteúdo. Quando esse poema for declamado por alguém que o conheça, emprestando-lhe uma voz profunda e de longo alcance; esse poema não ressoará como um trovão? Não transmitirá uma emoção e uma energia muito maior do que o simples pronunciar de palavras? Para o ouvinte que já experimentou a emoção de ouvi-lo pelo menos uma vez em outra ocasião; quando simplesmente o título do poema for pronunciado em alto e bom tom, o ouvinte não experimentará a mesma emoção? Não poderá talvez lembrar de todo o poema?

Trecho V - CAPÍTULO DOIS: MEIOS HÁBEIS

07 07UTC ago 07UTC 2006

Trecho V - CAPÍTULO DOIS: MEIOS HÁBEIS

Se há seres viventes que se encontraram com Budas no passado,
ouviram a Lei, praticaram a doação,
os preceitos, a paciência,
e um forte esforço de meditação para o Samadhi,
para a sabedoria,
e assim por diante cultivando méritos e virtudes,
todas as pessoas tais como essas atingiram a Via do Buda.

Quando aqueles Budas tornaram-se extintos,
se havia aqueles com corações condescendentes,
seres tais como esses atingiram a Via do Buda.

Após a extinção daqueles Budas,
aqueles que fizeram oferecimentos às suas relíquias,
construindo milhões de tipos de torres votivas,
feitas de ouro, prata, ou de cristal,
madrepérola, carnelian,
quartzo rosa, lápis-lazúli e outras gemas,
limpas, puras e magnificamente ornamentais,
trabalhadas para decorar as torres;
ou se caso houve aqueles que construíram templos de pedra,
de madeira de sândalo ou de aloés,
hovênia ou outras madeiras de lei,
tijolos, argila e similares;
ou se houve aqueles que, sobre dejetos estéreis,
amontoaram terra na construção de um relicário para o Buda;
ou mesmo se houve crianças que, a brincar,
amontoaram areia para construir uma torre votiva;
todas essas pessoas atingiram a Via do Buda.

Aqueles que erigiram imagens do Buda,
esculpindo todas as suas inúmeras marcas distintivas,
atingiram a Via do Buda.
Quer tenham usado as sete gemas preciosas,
bronze ou prata; branco ou vermelho;
cera, chumbo ou lata;
ferro, madeira ou argila;
ou, talvez, tecido laqueado na confecção de imagens do Buda;
tais pessoas atingiram a Via do Buda.

Aqueles que pintaram imagens brilhantes do Buda,
adornadas com as marcas distintivas de suas centenas de bênçãos,
se fizeram eles mesmos ou empregaram outras pessoas,
todos atingiram a Via do Buda.

Mesmo crianças que,
a brincar com palha, varetas, ou canetas,
ou mesmos com as pontas de seus dedos,
desenharam imagens do Buda;
pessoas como essas gradualmente acumularam méritos e virtudes,
encheram seus corações de grande compaixão,
e atingiram a Via do Buda.

Eles, como os Budas,
instruem somente Bodhisattvas,
resgatando e salvando incontáveis multidões.

Caso as pessoas, nas torres votivas ou nos templos,
fizerem oferecimentos com um sentimento reverente para as imagens cravejadas de jóias ou pintadas,
com flores, incenso, estandartes ou dosséis;
ou caso elas contratem outras pessoas para tocar música,
soando tambores, trompas ou conchas,
órgãos, flautas, alaúdes ou harpas,
guitarras, pratos ou gongos,
com muitos sons maravilhosos como esses,
tocados unicamente como oferendas;
ou se, com sentimentos de alegria e felicidade,
com sons e cantos elas louvarem as virtudes do Buda,
mesmo que através de um pequeno som,
essas pessoas atingiram a Via do Buda

Se pessoas com pensamentos dispersos derem mesmo que uma simples flor como oferecimento a uma imagem pintada,
elas gradualmente verão inumeráveis Budas.
Se elas curvarem-se em reverência e adoração,
ou meramente juntarem as palmas das suas mãos,
ou mesmo se levantarem uma simples mão,
ou fizerem um ligeiro assentimento com suas cabeças,
como um oferecimento às imagens,
elas gradualmente verão incontáveis Budas,
tendo elas próprias atingido a Via do Buda.

Se pessoas com pensamentos dispersos adentrarem torres votivas e templos,
e disserem não mais que ‘Namu Buda’;
elas terão entrado na Via do Buda.

Dos Budas do passado,
seja enquanto existentes ou após a sua extinção,
aqueles que ouviram esta Lei,
entraram na Via do Buda.

Os Honrados pelo Mundo do futuro,
que são ilimitados em número;
todos eles Tathagatas,
também pregarão a Lei através dos meios hábeis.

Todos os Tathagatas,
através de incontáveis meios hábeis,
ajudam todos os seres viventes a adentrar a sabedoria sem falhas do Buda.
Dentre aqueles que ouvem a Lei,
nenhum falhará em tornar-se Buda.

Todos os Budas fizeram este voto:
‘Assim como a Via de Buda que eu pratiquei,
desejo levar todos os seres viventes a igualmente conquistar este Caminho’.
E embora os Budas do futuro venham a pregar uma centena de milhar de milhões de leis,
incontáveis portais da Lei,
eles estarão, de fato, fazendo-o em prol do Grande Veículo.

Todos os Budas, Honrados Duplamente Realizados,
sabem que todos os fenômenos são eternamente desprovidos de uma natureza.
A semente do estado de Buda germina das causas e condições;
sendo assim, eles pregam o Veículo Único.
Esta Lei permanece latente e imutável,
residindo eternamente nos aspectos mundanos.
Alcançando a compreensão disto no Lugar da Iluminação,
o Mestre Guia ensina-o através dos meios hábeis.

Os Budas do presente nas dez direções,
que recebem os oferecimentos de seres celestiais e humanos,
em número como as areias do Ganges,
manifestam-se no mundo para trazer paz e conforto aos seres viventes,
e também para pregar uma Lei como esta.
Conhecendo a verdade suprema da extinção tranqüila,
eles utilizam-se do poder dos meios hábeis para fazer distinções entre os vários caminhos;
mas, na realidade, o fazem em prol do Veículo do Buda.

Sabendo da conduta dos seres viventes,
dos pensamentos que vão profundamente dentro de suas mentes,
seus atos habituais no passado,
a natureza dos seus desejos,
o poder do seu vigor e suas capacidades,
aguçadas ou não;
eles empregam várias causas e relações,
analogias, parábolas e expressões verbais,
para ensiná-los através dos meios apropriados.

Agora, eu também sou como eles.
Usando vários portais da Lei,
eu proclamo a Via do Buda para trazer paz e conforto aos seres viventes.
Eu uso o poder da minha sabedoria para conhecer a natureza dos desejos dos seres viventes;
e prego todas as Leis habilmente para levá-los todos à felicidade.

Shariputra, agora você sabe como eu os considero com os meus olhos Búdicos.
Eu vejo seres viventes nos seis caminhos,
empobrecidos, carentes de bênçãos e sabedoria,
entrando nos perigosos caminhos do nascimento e da morte,
onde sofrem incessantemente.
Eles estão profundamente apegados aos cindo desejos,
como um iaque enamorado da sua própria cauda,
eles sufocam a si mesmos com a avareza e a paixão,
cegos e no escuro, nada vêm.
Eles não procuram pelo poderoso Buda,
ou pela Lei que elimina os sofrimentos,
mas, ao invés, mergulham profundamente nas visões errôneas;
desejam livrar-se do sofrimento com mais sofrimento.
Em prol desses seres,
eu evoco um Sentimento de Grande Compaixão.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

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