CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Trecho VI - CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

24 24UTC ago 24UTC 2006

Trecho VI - CAPÍTULO TRÊS: A PARÁBOLA

O Buda, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos, dizendo:

“Suponha que existisse um velho homem,
que tinha uma grande casa,
que era muito velha e, portanto, estava ruindo.
Seus salões eram altos e precários,
os pilares apodrecendo em suas bases,
as vigas e travessas enviesadas,
as fundações e alicerces cedendo.
As paredes e divisórias estavam rachadas e arruinadas,
o estuque despedaçando e caindo.
A cobertura estava toda caindo,
e os beirais e calhas estavam soltos.
As divisórias por todos os lados estavam tortas e disformes;
estando a casa toda cheia de sujeira e imundície de todos os tipos.

Havia quinhentas pessoas residindo ali.
Havia papagaios, falcões, abutres,
corvos, pegas, pombos,
serpentes negras, víboras, escorpiões e centopéias.

Havia sapos e baratas,
doninhas, texugos e ratos,
todo tipo de criaturas malévolas,
correndo para lá e para cá.
Havia lugares fedendo a excremento e urina,
inundados de imundície,
com besouros devoradores de estrume amontoados sobre eles.

Havia raposas, lobos e chacais,
que mordiscavam, pisoteavam,
e devoravam cadáveres,
espalhando os ossos e despojos.

Então, matilhas de cães chegavam correndo para agarrá-los,
famintos, débeis e atormentados,
procurando comida por todo o lado,
brigando e empurrando, rosnando, uivando e latindo.

Numa rápida visão,
os horrores naquela casa eram tais como os descritos.
Goblins e trolls estavam por toda parte.
Yakshas e espíritos malignos estavam comendo carne humana.

Havia criaturas peçonhentas de todos os tipos,
pássaros malignos e bestas chocando seus filhotes,
cada um protegendo os seus.
Yakshas corriam para o bando,
lutando entre si para devorá-los.
Tendo comido até saciar-se,
seus pensamentos maléficos tornavam-se mais raivosos.
O som da sua contenda era aterrador ao extremo.

Demônios Khumbanda estavam agachados no piso superior,
às vezes pulando a um pé ou dois de altura,
vagueavam errantemente,
divertindo-se como bem entendiam,
agarrando cães pelas duas pernas,
e batendo-lhes até perderem seu latido,
torcendo suas pernas em torno de seus pescoços,
torturando os cães para o seu próprio deleite.

Além disso, havia demônios,
com seus corpos muito altos e largos,
nus, enegrecidos e emaciados,
vivendo constantemente ali,
emitindo sons altos e horrendos,
rugindo a procura de comida.

E mais, havia demônios com gargantas como agulhas.
E ainda havia demônios com cabeças de boi,
ora comendo carne humana,
e então devorando cães.
Com seus cabelos desgrenhados,
eram nocivos, cruéis e perigosos.
Atormentados pela fome e pela sede,
eles corriam gritando e uivando.

Havia Yakshas, espíritos famintos,
e toda a sorte de pássaros malignos e bestas,
frenéticos e esfomeados, preenchendo as quatro direções ,
espreitando pelas janelas.
Os dramas e terrores daquela casa estavam além do que se pode medir.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

Arquivado em: O SUTRA DE LOTUS I

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