CRISTAL PERFEITO - A Trilha do Grande Veículo

Reflexões e Tradução do Sutra de Lotus para Português do Brasil por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo do original “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated by The Buddhist Text Translation Society in USA.

Trecho II - CAPÍTULO DOIS: MEIOS HÁBEIS

30 30UTC jul 30UTC 2006

Trecho II - CAPÍTULO DOIS: MEIOS HÁBEIS

Naquela ocasião, havia na assembléia Ouvintes, Arhats cujas falhas haviam se extinguido, Ajnata Kaundinya e outros, doze pessoas ao todo, bem como Monges, Monjas, Leigos e Leigas que resolutamente decidiram tornarem-se Ouvintes e Pratyekabudas. Todos eles tinham o seguinte pensamento:

“Por que, agora, reiteradamente o Honrado pelo Mundo elogia os meios hábeis dizendo: ‘A Lei obtida pelo Buda é extremamente profunda, difícil de compreender e os seus profundos significados são tão difíceis de entender que nenhum dos Ouvintes ou Pratyekabudas poderiam alcançá-los’? O Buda pregou apenas o princípio da emancipação e nós já obtivemos esta Lei e alcançamos o Nirvana. Agora, nós não entendemos a sua intenção”.

Naquela ocasião, Shariputra, sabendo das dúvidas nos pensamentos da assembléia de quatro tipos de crentes, e ele mesmo não tendo entendido completamente, dirigiu-se ao Buda dizendo: “Por que razão o Honrado pelo Mundo, reiteradamente, elogia acima de tudo os meios hábeis dos Budas e a Lei Maravilhosa extremamente profunda e que é difícil de compreender? Desde o passado, eu nunca ouvi o Buda pregar de tal maneira. Neste momento, toda a assembléia dos quatro tipos de crentes encontra-se em dúvida. Eu somente rogo que o Honrado pelo Mundo exponha o seu objetivo: Por que o Honrado pelo mundo, reiteradamente, elogia a Lei que é extremamente profunda, sutil e difícil de compreender?”

Naquele momento, Shariputra, desejando enfatizar o significado das suas palavras, falou em versos dizendo:

“Oh Sol da Sabedoria, Grande e Honrado Sábio,
que muito tem esperado para pregar esta Lei;
fale-nos da sua consecução de tais poderes, coragem, e Samadhis;
da meditação para os Samadhis e para a emancipação,
e outras Leis inconcebíveis.

A respeito da Lei atingida no lugar da Iluminação,
ninguém está apto a levantar uma questão.
Eu acho o seu significado difícil de penetrar,
e sou também incapaz de indagar acerca dela.
Assim, você prega sem ser perguntado,
elogiando o caminho que você percorreu,
e aquela sabedoria suprema e sutil atingida por todos os Budas.
Todos os Arhats, sem falhas,
e aqueles que buscam o Nirvana,
tem caído numa malha de dúvidas:
‘Por que o Buda disse isto’?
Aqueles que buscam a Iluminação Provisória,
os Monges, as Monjas,
seres celestiais, dragões, espíritos,
Gandharvas e outros,
olham-se entre si perplexos,
e então fitam fixamente o Honrado pelo Mundo,
cheios de dúvidas:
‘Qual é o significado deste assunto’?
Imploramos que o Buda nos explique.

Dentre a multidão de Ouvintes,
o Buda declarou-me o mais sábio,
e ainda assim, agora, com a minha própria sabedoria,
não consigo dirimir minhas dúvidas.
Esta Lei é suprema?
Ou ela é um caminho a ser seguido?
Os discípulos, nascidos da palavra do Buda,
esperam com as palmas das mãos unidas, esperançosamente.
Rogam para ecoares o som sutil, oportunamente,
para dizer como esta Lei realmente é.
Os seres celestiais, dragões, espíritos e outros,
em número como as areias do Ganges,
Bodhisattvas que buscam o estado de Buda,
em número de oitenta mil;
e Reis Sábios Giradores de Roda que chegam de miríades de milhões de terras,
com as palmas das mãos unidas e pensamentos reverentes,
todos desejam ouvir acerca do caminho supremo”.

Naquele momento o Buda disse a Shariputra: “Chega! Chega! Não há necessidade de falar mais. Se este assunto fosse falado, os seres celestiais e humanos em todos os mundos ficariam assustados e cairiam na dúvida”.

Shariputra novamente dirigiu-se ao Buda dizendo: “Honrado pelo Mundo, eu apenas rogo que nos pregue a Lei. Eu apenas rogo que nos pregue a Lei. Qual é a razão? Há incontáveis centenas de milhares de miríades de milhões de asamkhyas de seres viventes na assembléia que viram Budas no passado. Suas raízes são profundas e sua sabedoria brilhante. Ouvindo as palavras do Buda, eles serão capazes de respeitá-las e compreendê-las”.

Naquele momento, Shariputra, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou o seguinte na forma de versos:

“Rei da Lei, Supremamente Honrado,
fale-nos da Lei sem restrições;
rogamos-lhe que não tenhas preocupações porque,
dentro dessas ilimitadas multidões,
estão aqueles que podem respeitá-la e compreendê-la”.

O Buda novamente admoestou Shariputra: “Se este assunto fosse falado, os seres celestiais, humanos e Asuras em todos os mundos ficariam assustados e cairiam na dúvida; e aqueles Monges de arrogância desmedida cairiam numa ardilosa armadilha ”.

O Honrado pelo Mundo reforçou o significado das suas palavras dizendo em versos:

“Chega, chega! Este assunto não deve ser falado.
Minha Lei é maravilhosa para além do que pode ser concebido,
e aqueles dominados pela arrogância que ouvirem-na,
certamente não a respeitarão ou a compreenderão”.

Naquele instante, Shariputra mais uma vez dirigiu-se ao Buda, dizendo: “Honrado pelo Mundo, eu apenas rogo que nos pregue a Lei; eu apenas rogo que nos pregue a Lei. Presentemente, nesta assembléia, estão aqueles que são meus semelhantes, centenas de milhares de miríades de milhões deles. Vida após vida, eles foram convertidos pelo Buda. Pessoas tais como eles certamente serão capazes de respeitá-lo e compreendê-lo. Eles obterão segurança e grandes benefícios através da longa noite”.

Então Shariputra, desejando reforçar o significado das suas palavras, recitou os seguintes versos:

“Supremo e Duplamente Honrado.
Rogo-lhe que pregue a Lei Insuperável.
Eu, o discípulo mais velho do Buda,
desejo que o faça em detalhes e sem restrições.
As ilimitadas multidões aqui reunidas,
podem respeitar e compreender esta Lei,
posto que o Buda, em vida após vida,
ensinou e converteu pessoas como estas.
Com pensamento único, com as palmas das mãos unidas,
todos desejamos ouvir a fala do Buda.
Há doze centenas de nós, ou mais,
buscando o estado de Buda.
Rogo, em nome dessa assembléia aqui reunida,
que a pregue em detalhes;
tendo ouvido esta Lei, exultaremos enormemente”.

Com relação a isso o Honrado pelo Mundo disse a Shariputra: “Uma vez que você tenha honestamente solicitado por três vezes, como posso deixar de pregar? Ouçam atentamente agora, pensem a respeito desta Lei com benevolência, e estejam atentos e concentrados nela; eu a explanarei em detalhes em vosso benefício”.

Tendo o Buda dito essas palavras, cinco mil Monges, Monjas, Leigos e Leigas presentes na assembléia levantaram-se dos seus assentos, fizeram reverência ao Buda e retiraram-se. Qual foi a razão? As raízes de suas ofensas eram profundas, graves, sendo eles de tal arrogância que alegavam haver obtido o que não haviam obtido ainda, e certificavam-se daquilo para o que não estavam certificados ainda. Com falhas tais como estas eles não poderiam ficar. O Honrado pelo Mundo permaneceu em silêncio e não os conteve.

O Buda então disse a Shariputra: “Minha assembléia agora está limpa dos seus galhos, ramos e folhas, e somente os troncos permanecem. Shariputra, é excelente que aqueles de grande arrogância tenham se retirado. Agora, devem ouvir atentamente que eu a pregarei para vocês”.

Shariputra disse: “Assim seja, Honrado pelo Mundo. Desejo alegremente ouvi-la”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

I – O Átomo

29 29UTC jul 29UTC 2006

I – O Átomo

Sabemos, da física atômica elementar, ser a matéria constituída de espécies atômicas cuja estrutura nuclear e órbitas eletrônicas as individualizam. No modelo clássico, à semelhança dos sistemas planetários, os elétrons distribuem-se em camadas ou níveis de energia ao redor do núcleo, formando o que se convencionou chamar nuvem eletrônica. Lembrando de que falamos de matéria ordinária, ou cenomatéria, os elétrons do mundo atômico se individualizam por seus números quânticos correspondentes.

Por sua vez, as partículas constituintes do núcleo atômico, prótons e nêutrons (admitamos um modelo simplificado), se ajustam a distâncias muito pequenas umas das outras, pois a força de caráter nuclear, que mantém juntas partículas de mesma carga com partículas de carga neutra, tem alta intensidade e curto alcance, além do qual, predominam as interações eletrostáticas coulombianas.

A ordem de grandeza da primeira órbita de Bohr3 para o raio nuclear poderá dar uma idéia da distância relativa da periferia do núcleo atômico para a primeira órbita: a primeira órbita atômica é cerca de 50.000 mil vezes o tamanho do núcleo atômico.

Como uma ilustração dessas relações do mundo atômico, tomemos como análogo o sistema solar, visto na figura, e as enormes proporções das órbitas planetárias para o raio do Sol. Na figura temos na quinta órbita o planeta Júpiter, faltando as representações das órbitas de Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Essas órbitas não representadas na figura são de tal ordem de grandeza que impossível seria representá-las nesta escala. Pode-se ainda observar “estranhos” corpos chamados Ulysses, New Horizons, Rosetta, Messenger e Sirtf: são naves terrestres a perscrutar o sistema solar. Essa noção de corpos “estranhos”, de impurezas, é importante para compreender a Verdadeira Natureza da Matéria. Os pontos ao fundo são estrelas ou galáxias distantes que, na nossa analogia, seriam outros átomos deslocados de seus lugares próprios, ou aglomerados destes, presentes numa solução sólida. Porém, veremos isso mais adiante.

Courtesy NASA/JPL-Caltech

Voltando ao mundo atômico, às distâncias interorbitais, da primeira órbita até a mais externa, soma-se a incerteza de se encontrar um elétron numa certa posição num dado instante, dada pelo Princípio da Incerteza devido a Heisenberg 19. Desse princípio tem-se que quão mais precisamente a posição de uma partícula é determinada, menor a precisão com que se determina o seu movimento ou onde ela se encontrará num próximo instante. Isto tudo torna o átomo um relativo “vazio”, guardadas as proporções, à semelhança de um sistema planetário visto sob uma ótica de longo alcance conforme ilustrado. Nestas condições, tudo o que possa interagir com o átomo em sua estrutura, seja de natureza ondulatória ou partícula (a rigor, características indissociáveis), tem apenas uma probabilidade de encontrar os seus constituintes nas órbitas eletrônicas ou no núcleo.

CAPÍTULO DOIS: MEIOS HÁBEIS

28 28UTC jul 28UTC 2006

CAPÍTULO DOIS: MEIOS HÁBEIS

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo despertou serenamente do seu Samadhi e disse a Shariputra: “A sabedoria de todos os Budas é extremamente profunda e ilimitada. O portal para essa sabedoria é difícil de compreender e difícil de adentrar. Ele não pode ser conhecido por qualquer dos Ouvintes ou Pratyekabudas ”.

“Qual é a razão? Os Budas, desde o passado, têm encontrado incontáveis centenas de milhares de dezenas de milhares de milhões de Budas, praticando exaustivamente as ilimitadas Leis das Vias daqueles Budas. Eles são forjados com coragem e vigor, e seus nomes são conhecidos em toda a parte. Eles atingiram a mais profunda Lei, jamais conhecida antes, e pregam-na de acordo com o que é apropriado , mas seu significado é de difícil compreensão”.

“Shariputra, desde que atingi o estado de Buda, eu tenho proclamado extensivamente os ensinos verbais por meio de várias causas, condições e analogias. Através de incontáveis meios hábeis tenho conduzido os seres viventes, levando-os a libertarem-se de todos os apegos”.

“Por que é assim? Porque o Tathagata já aperfeiçoou seus meios hábeis, sua sabedoria e visão”.

“Shariputra, a sabedoria e visão do Tathagata é vasta, ampla, profunda, e de longo alcance. Ele penetrou profundamente, e sem restrições, os poderes ilimitados e sem impedimentos, a coragem, a concentração em Meditação e os Samadhis da emancipação; abarcando todas aquelas Leis nunca antes obtidas”.

“Shariputra, o Tathagata é capaz de fazer várias distinções, pregando claramente todas as Leis. Suas palavras são ternas e deleitam os corações das multidões”.

“Shariputra, essencialmente falando, o Buda tem a completa compreensão de todas aquelas ilimitadas e abrangentes Leis nunca dantes obtidas”.

“Chega, Shariputra. Não é necessário falar mais. Por que é assim? Como a insuperável Lei alcançada pelo Buda é a mais rara e difícil de compreender, somente os Budas podem dominar o conhecimento acerca do Verdadeiro Aspecto de todas as Leis , isto é: os aspectos da aparência, natureza, entidade (substância), poder, influência (função), causas (inerentes), relações, efeitos (latentes), retribuições (efeitos manifestos), e consistência do princípio ao fim ”.

Naquele momento, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos dizendo:

“Embora sejam incontáveis os heróis do mundo,
nem todos os seres celestiais e pessoas,
e nem todas as classes de seres viventes podem compreender os Budas.
Os poderes dos Budas, sua coragem,
emancipação e Samadhis,
bem como outras Leis e atributos dos Budas,
não podem ser penetrados por nenhum deles.
No passado, seguindo incontáveis Budas,
eu percorri completamente todos os caminhos da Lei maravilhosa, sutil e profunda,
difícil de encontrar e difícil de compreender;
através de incontáveis milhões de kalpas,
eu trilhei todos esses caminhos.
No lugar da iluminação, eu experimentei a fruta,
e tenho pleno conhecimento e visão de tudo.
O grande efeito e retribuição dessas práticas,
as várias naturezas, aspectos e significados,
são tais que somente eu e os Budas das dez direções podemos compreender essas questões.

Esta Lei não pode ser demonstrada ou traduzida em palavras.
Através das linguagens ainda existentes e as já extintas,
dentre todos os tipos de seres viventes,
nenhum há que possa compreendê-la;
exceto aqueles muitos Bodhisattvas que são firmes no poder da fé.

Os muitos discípulos que fizeram oferecimentos aos Budas,
que eliminaram todas as falhas,
e que viveram a sua última encarnação;
nem a força de pessoas como essas é bastante para compreendê-la.
Ainda que o mundo fosse todo preenchido com pessoas como Shariputra,
e que juntas consumissem seus pensamentos para mensurá-la,
ainda assim elas não conseguiriam penetrar a sabedoria do Buda.

Realmente, suponha que as dez direções fossem preenchidas com aquelas pessoas que são como Shariputra,
e que os demais discípulos preenchessem todas as terras nas dez direções,
e que juntas essas pessoas consumissem seus pensamentos para mensurá-la;
ainda assim elas não poderiam concebê-la.
Se Pratyekabudas de aguçada sabedoria,
livres de falhas, na sua última encarnação,
também preenchessem as dez direções,
e seu número fosse como os bambus da floresta,
e se eles unissem seus pensamentos desejando contemplar a real sabedoria do Buda,
através de imensuráveis milhões de kalpas,
eles não poderiam conhecer a menor parte dela.

Suponha, novamente,
que Bodhisattvas resolutos em suas práticas,
que tenham feito oferecimentos a incontáveis Budas,
que tenham domínio dos princípios e das suas finalidades,
e que estão aptos a pregar a Lei,
cujo número seja como o arroz, o cânhamo, o bambu,
e a cana que preenchem as terras das dez direções;
e suponha que eles com um pensamento único e com maravilhosa sabedoria,
todos juntos estivessem a meditar sobre ela através de numerosos kalpas como as areias do Ganges,
ainda assim eles não poderiam conhecer a sabedoria do Buda.

Suponha que Bodhisattvas que atingiram o estágio de não-regressão,
em número como as areias do rio Ganges,
com pensamento único tentassem alcançar aquela sabedoria;
eles também não poderiam compreendê-la.

E o que é mais, Shariputra,
aquela Lei inconcebível, infalível, mais profunda e sutil,
eu alcancei perfeitamente,
e somente eu conheço o seu aspecto,
juntamente com os Budas das dez direções.

Shariputra, saiba que as palavras dos Budas nunca diferem.
Com relação às Leis pregadas pelos Budas,
deve-se dar lugar ao grande poder fé.
Quando essas Leis do Honrado pelo Mundo expirarem,
a verdade e a realidade devem ser pregadas.
Digo à assembléia de Ouvintes e àqueles que buscam o Veículo da Iluminação Provisória,
que eu os levarei a libertarem-se dos sofrimentos,
e a atingirem o Nirvana.
O Buda usa o poder dos meios hábeis,
demonstrando a doutrina dos Três Veículos,
de tal maneira que os seres viventes,
aprisionados em muitas situações,
possam delas se libertar”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

Trecho Final - CAPÍTULO UM: INTRODUÇÃO

26 26UTC jul 26UTC 2006

Trecho Final - CAPÍTULO UM: INTRODUÇÃO

Naquele momento Manjushri, em meio à assembléia, desejando reafirmar o significado das suas palavras, falou em versos, dizendo:

“Recordo-me que em eras passadas,
ilimitados, incontáveis kalpas atrás,
surgiu um Buda, alguém honrado entre as pessoas pelo nome de Brilho da Chama do Sol e da Lua.
Aquele Honrado pelo Mundo proclamou a Lei,
conduzindo ilimitados seres viventes,
e fazendo com que incontáveis milhões de Bodhisattvas entrassem na sabedoria dos Budas.

Antes que o Buda tivesse deixado o Lar,
nasceram seus oito filhos reais,
que vendo o Grande Sábio deixar seu lar,
também o seguiram para praticar a conduta Brahman.

O Buda então pregou um Sutra do Grande Veículo chamado Infinitos Significados;
em meio à assembléia, e em prol dela,
ele o expôs em minuciosos detalhes.
Quando o Buda terminou a pregação do Sutra,
ocupou o assento do Dharma,
sentando-se na posição de lótus,
e entrou no Samadhi chamado Lugar dos Infinitos Significados.
Dos céus caiu uma chuva de flores de Mandarava,
e tambores celestiais soaram espontaneamente,
enquanto todos os seres celestiais, dragões, e espíritos,
fizeram oferecimentos ao Honrado pelo Mundo;
e, em todas as terras Búdicas,
ocorreu um poderoso tremor.
A luz emitida de entre as sobrancelhas do Buda manifestou todos esses raros eventos.

A luz iluminou ao leste dezoito mil terras Búdicas,
revelando as retribuições cármicas do nascimento e da morte de todos os seus seres viventes.
Via-se, também, existir terras Búdicas adornadas com uma diversidade de preciosas gemas,
da cor do lápis-lazúli e cristal,
iluminadas pela luz do Buda.
Viam-se igualmente seres celestiais e pessoas,
dragões, espíritos, e Hordas de Yakshas,
Gandharvas e Kinnaras,
cada um fazendo oferecimentos ao Buda.

Também eram vistos todos os Tathagatas,
como eles completaram naturalmente a Via do Buda,
a cor dos seus corpos como montanhas de ouro,
eretos, serenos, sutis e delicados,
como feitos de puro lápis-lazúli,
pareciam imagens do ouro real.
Os Honrados pelo Mundo, naquelas assembléias,
proclamavam os profundos significados da Lei.
Em todas as terras Búdicas,
havia multidões de Shravaka, incontáveis;
através da iluminação da luz do Buda,
todas aquelas assembléias eram completamente vistas.
Havia também Monges que residiam nas florestas da montanha,
rigorosamente observando os puros preceitos,
como se guardassem pérolas brilhantes.

Também eram vistos Bodhisattvas praticando a doação,
a paciência, e assim por diante,
em número como as areias do Ganges,
iluminados pela luz do Buda.
Eram vistos também Bodhisattvas que haviam entrado profundamente na Meditação para o Samadhi,
com mentes e corpos tranqüilos e imóveis,
a procura da Via insuperável.
Também eram vistos Bodhisattvas que conheciam a marca da extinção tranqüila da Lei;
cada um dentro da sua terra Búdica pregava a Lei,
buscando o caminho do Buda.

Então, a multidão dos quatro tipos de crentes,
vendo o Buda Brilho da Chama do Sol e da Lua manifestar grande e poderoso poder transcendental de penetrações espirituais,
em seus corações todos regozijaram,
e perguntaram uns aos outros:
‘Qual é a razão para esses eventos?’

O Honrado pelo Mundo,
reverenciado por seres celestiais e humanos,
logo então despertou do Samadhi,
e elogiou o Bodhisattva Luz Maravilhosa:
‘Você age como olhos para o mundo,
tudo se converte em fé para você;
você está reverentemente pronto para manter o repositório da Lei.
Uma Lei tal como eu prego,
somente você pode certificar-se da sua compreensão’.
O Honrado pelo Mundo tendo elogiado-o,
e feito Luz Maravilhosa regozijar-se,
então pregou o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Por um período completo de sessenta kalpas menores,
ele não se levantou do seu assento.
A suprema e maravilhosa Lei que ele pregou,
o Mestre da Lei Luz Maravilhosa estava completamente apto a receber e a manter.

O Buda,
tendo pregado o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa,
e feito a assembléia regozijar-se,
mais tarde, naquele mesmo dia,
anunciou aos seres celestiais e humanos:
‘O significado do verdadeiro aspecto de todas as Leis
já foi pregado para todos vocês,
e agora, à meia-noite,
entrarei no Nirvana.
Vocês devem, com as mentes unas,
avançar com vigor, e evitar a lassidão,
porque os Budas são difíceis de encontrar,
senão em milhões de kalpas’.

Todos os discípulos do Honrado pelo Mundo,
ouvindo sobre a entrada do Buda no Nirvana,
cada um sentiu-se pesaroso e angustiado:
‘Por que o Buda deve entrar em extinção tão cedo?’
O Senhor da Sabedoria, o Rei do Dharma,
então confortou a ilimitada multidão:
‘Após minha passagem à extinção,
nenhum de vocês deveria preocupar-se ou temer,
o Bodhisattva Repositório de Virtudes,
com relação ao princípio do não refluxo da existência,
em pensamento penetrou-o totalmente;
ele será o próximo a tornar-se Buda,
chamado Corpo-de-Pureza,
e salvará incontáveis multidões’.

Naquela noite o Buda passou à extinção,
como uma chama que se apaga quando o combustível é consumido.
As relíquias foram divididas,
e incontáveis torres votivas foram construídas.
Os Monges e Monjas,
numerosos como as areias do Ganges,
redobraram o seu vigor no avanço em sua busca pela via insuperável.

O Mestre da Lei Luz Maravilhosa reverentemente sustentou o repositório da Lei do Buda,
e por oitenta pequenos kalpas ele propagou amplamente o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.
Todos os oito filhos reais,
ensinados e conduzidos por Luz Maravilhosa,
tornaram-se inabaláveis na via insuperável e encontraram-se com incontáveis Budas.
Tendo presenteado-os com oferecimentos,
eles praticaram corretamente a Grande Via,
e em sucessão, tornaram-se Budas,
transmitindo profecias em profusão.
O último deles, um deus entre os seres celestiais,
foi um Buda chamado Tocha Ardente,
um Mestre-Guia de todos os imortais,
que conduziu à liberdade incontáveis multidões.

O Mestre da Lei Luz Maravilhosa tinha um discípulo naquela ocasião cujo coração dava lugar à lassidão,
e que tinha grande apego à fama e à fortuna.
Buscando a fama e a fortuna incansavelmente,
ele freqüentemente visitava os grandes Clãs;
ele deixava de lado as suas recitações,
negligenciava, esquecia, e falhava na compreensão delas.
Estas, então, eram as razões pelas quais ele foi chamado ‘Ávido da Fama’.
Mesmo assim, ele também praticou muitas boas ações,
permitindo-lhe encontrar incontáveis Budas,
e fazer oferecimentos para todos eles.
Dessa forma,
ele trilhou o grande caminho e completou os Seis Paramitas.
Agora ele encontra-se com o Leão dos Shakyas ;
no futuro, ele tornar-se-á um Buda chamado Maitreya,
que salvará amplamente todos os seres,
em número para além de todas as contas.

Após aquele Buda ter passado à extinção,
o indolente era tu ,
e o Mestre da Lei Luz Maravilhosa,
era eu próprio, agora aqui presente.

Eu vi o Buda Brilho da Chama do Sol e da Lua;
sua luz e presságios eram como estes.
Assim, eu sei que o presente Buda deseja pregar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Os sinais presentes são como os presságios do passado,
são meios hábeis dos Budas.
O Buda agora emite essa luz brilhante para ajudar a revelar o significado do selo real.
Todos agora compreendem,
e com o pensamento único,
juntam as palmas das mãos e esperam;
o Buda fará cair a chuva da Lei,
para satisfazer todos aqueles que buscam o Caminho.

Aqueles que procuram os três veículos,
caso tenham dúvidas ou pesares,
o Buda os removerá agora,
tal que se retirem e não permaneçam na assembléia”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

O Homem e o Meio Ambiente - 2ª. Parte

24 24UTC jul 24UTC 2006

O Homem e o Meio Ambiente

Um paralelo da Física para a visão Budista das inter-relações entre o homem e o meio-ambiente

2ª. Parte

Porém, a própria investigação científica começaria a desestruturar muitas das nossas convicções no início do século XX. Aquela ciência que estava ao nosso serviço começou a ensaiar seus próprios passos. Notável foi a revolução do pensamento científico com os desenvolvimentos das teorias quântica e relativística. Em particular, na teoria quântica fomos levados a reconhecer a “probabilidade” como uma característica fundamental da realidade que governa os processos atômicos e mesmo a própria existência da matéria. A “certeza da vida” sofreu aqui um golpe contundente. Essa “probabilidade” ou “incerteza” inerente à existência da matéria, e à ocorrência de todos os fenômenos, é tão bem conhecida dos Budistas através do SANTAI (Três Verdades – da transitoriedade ou existência temporária, da não-substância ou vacuidade, e do caminho-médio ou dualidade).

Diferente da “certeza da vida” e do “universo constituído de objetos observáveis e manipuláveis”, que são noções fundamentais da ciência analítica, o mundo atômico revelou-se ser constituído de partículas que não existem com “certeza” em pontos (lugares) definidos; mas, apresentam “tendências a existir”. De forma semelhante, os eventos atômicos não ocorrem com “certeza” em momentos definidos e de modo definido; mas, apresentam “tendências de ocorrer”.

As inter-relações de uma partícula no mundo atômico, nunca isoladamente, irão determinar o padrão de probabilidades que representa as suas tendências a se encontrar nas diversas regiões do mundo atômico. Se uma partícula elementar do átomo possui um Carma, este Carma é o seu padrão de probabilidades. O ponto importante é que o padrão todo (ou seja, o somatório de todas as probabilidades, que é igual a 1) é que representa a partícula e lhe dá uma identidade. A partícula, portanto, não pode existir fora daquele padrão de probabilidades.

Isto implica na inseparabilidade da identidade da partícula e do conjunto de relações que determinam o seu padrão de existência. A teoria quântica revela assim, um estado de interconexão essencial entre a partícula e seu mundo (o átomo). A teoria quântica mostra que não podemos decompor o mundo atômico em suas menores partes, capazes de existir independentemente, sem perda das suas propriedades e relações essenciais naquele mundo. Mais do que isso, a teoria quântica força-nos a encarar o Universo Atômico não sob a forma de um conjunto de objetos, mas, sob a forma de uma complexa rede de inter-relações das partes num todo harmonioso e unificado. Isto é facilmente aceitável para nós porque, em relação ao mundo atômico, a nossa visão segue uma ordem de longo-alcance, ou seja, podemos perceber o todo.

Por outro lado, investigar, observar e realizar medidas no mundo dos átomos significa interferir nessa rede de inter-relações. O cientista, portanto, não pode ser visto como um mero “observador” distanciado do processo. Ele se envolve, participa e influencia nas propriedades e no comportamento dos objetos observados. Isto é tão importante que, recentemente, foi proposta na Física a substituição da palavra “observação” por “participação”. Essa idéia, entretanto, é antiga e familiar aos Budistas.

A noção de “participação” é assim fundamental na reformulação de conceitos e na determinação de uma nova atitude básica do homem com relação ao mundo exterior. O Budismo levou essa noção ao extremo em que o observador e o observável; ou seja, Sujeito(TI) e Objeto(KYO) são inseparáveis no princípio do ESHO-FUNI.

Em “Resposta a Shijo Kingo”, o Buda Mestre da Lei Nitiren Daishonin revela:

“… A verdadeira entidade manifestada em todos os fenômenos indica os dois Budas, Sakyamuni e Taho. Taho representa todos os fenômenos, e Sakyamuni a Verdadeira Entidade. Os dois Budas também indicam os dois princípios do Objeto(KYO) e o Sujeito(TI) ou a Realidade Objetiva e a Sabedoria Subjetiva. Buda Taho significa Objeto, e Sakyamuni, Sujeito. Embora sejam dois, estão unidos na Iluminação do Buda. Essa entidade nada mais é senão o Nam-Myoho-Rengue-Kyo”(1).

A teoria quântica aboliu a noção de objetos fundamentalmente separados, introduziu o conceito de participação ao invés de observação, e pode vir a considerar necessário incluir a consciência, ou a “vontade”, ou a “determinação” humana em sua descrição do mundo. Conforme alguns investigadores científicos, existem partículas elementares (subatômicas) que, sujeitas ao “campo mental” de diferentes observadores, exibem diferentes comportamentos.

Aqui, para provarmos a Teoria Quântica na Prática Budista, basta estendermos o que já é amplamente aceito pela primeira no restrito campo da Física das Partículas para o macrocosmo ou o Universo de todos os fenômenos. Eho significa meio-ambiente; Shoho significa todos os fenômenos ou entidade da vida independente; Funi significa inseparáveis, daí a expressão Esho-Funi. Com toda certeza, essa noção de participação ao permear as relações do homem com a natureza e as relações deste na sociedade; forçará esse mesmo homem a rever as relações da sua mente para consigo mesmo, sua individualidade concreta, seu corpo. Essa verdadeira revolução humana, efeito e causa simultâneos de uma nova atitude básica do homem, como uma bola de neve, constituirá fonte inesgotável de soluções para os problemas que afligem a humanidade neste final do século XX.

John Lennon, numa de suas canções mais inspiradas dizia: “imaginem um mundo sem fronteiras…”. Não é difícil. Basta iniciar pela remoção da fronteira entre o indivíduo e seu próprio mundo (interior e exterior). O indivíduo só existe como uma fusão destes dois mundos. Como a entidade da vida poderá sobrexistir à destruição de qualquer um deles?

Trecho III - CAPÍTULO UM: INTRODUÇÃO

20 20UTC jul 20UTC 2006

Trecho III - CAPÍTULO UM: INTRODUÇÃO

“Então, existiu um outro Buda, também chamado Brilho da Chama do Sol e da Lua, e então um outro Buda, também chamado Brilho da Chama do Sol e da Lua, e assim por diante, tendo existido vinte mil Budas, todos com o mesmo nome, Brilho da Chama do Sol e da Lua, e também com o mesmo sobrenome, Bharadvaja”.

“Maitreya, seria de se esperar que todos aqueles Budas, do primeiro ao último, tendo o mesmo nome, Brilho da Chama do Sol e da Lua, e eram portadores dos dez títulos, que a Lei que eles pregassem fosse boa no início, no meio, e no fim”.

“Antes de o último Buda deixar seu lar, ele teve oito filhos reais. O primeiro era chamado Intenção; o segundo Boa Intenção; o terceiro Intenção Ilimitada; o quarto Intenção Preciosa; o quinto Intenção Crescente; o sexto Intenção Livre de Dúvidas; o sétimo Intenção Ressonante; e o oitavo Intenção da Lei. Os oito príncipes eram de impressionante virtude e emancipação, e cada um reinou sobre quatro continentes”.

“Quando os príncipes souberam que seu pai havia deixado o lar e alcançado o Anuttara-Samyak-Sambodhi, todos eles renunciaram suas posições reais e deixaram o lar também. Eles decidiram-se pelo Grande Veículo e constantemente praticaram a conduta Brahman. Todos se tornaram Mestres da Lei, tendo, na presença de dez milhões de Budas, plantado as raízes da benevolência”.

“Naquela ocasião, o Buda Brilho da Chama do Sol e da Lua pregou um Sutra do Grande Veículo chamado Infinitos Significados, uma Lei para instruir Bodhisattvas, uma Lei da qual os Budas são guardiões e mentores. Quando ele terminou a pregação daquele Sutra, ele então, em meio à assembléia, sentou-se na posição de lótus e entrou no Samadhi do Lugar dos Infinitos Significados; seu corpo e pensamento inertes. Então, dos céus caiu uma chuva de flores de Mandarava, flores de Mahamandarava, flores de Manjushaka, e flores de Mahamanjushaka que se espraiou sobre o Buda e toda a grande assembléia. Todas as terras Búdicas do universo tremeram nas seis direções. Naquele momento, toda a grande assembléia de Monges, Monjas, Leigos, Leigas, seres celestiais, dragões, Yakshas, Gandharvas, Asuras, Garudas, Kinnaras, Mahoragas, seres humanos e não-humanos, bem como reis menores e reis sábios giradores de rodas, e assim por diante, todos atingiram o que nunca houveram atingido antes. Exultados, com as palmas das mãos unidas, e com pensamento único, olharam fixamente o Buda. Então, o Tathagata emitiu uma luz do tufo de cabelos brancos de entre suas sobrancelhas que iluminou dezoito mil terras Búdicas ao leste, sem nada omitir delas. Todas as terras Búdicas agora eram vistas como realmente são”.

“Maitreya, sabe-se que naquela ocasião havia vinte milhões de Bodhisattvas na assembléia que deleitaram na audição da Lei. Ao verem essa luz brilhante iluminar todas as terras Búdicas, todos os Bodhisattvas obtiveram o que nunca antes possuíram e desejaram saber as causas e condições para esta luz”.

“Havia naquela ocasião um Bodhisattva chamado Luz Maravilhosa que tinha oitocentos discípulos. O Buda Brilho da Chama do Sol e da Lua então despertou de seu Samadhi e, em prol do Bodhisattva Luz Maravilhosa, pregou um Sutra do Grande Veículo chamado Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, uma Lei para instruir Bodhisattvas, uma Lei da qual os Budas são guardiões e mentores”.

“Por sessenta pequenos kalpas, ele não se levantou do seu assento. Aqueles ouvintes na assembléia também se mantiveram sentados por sessenta pequenos kalpas, com os corpos e pensamentos imóveis, ouvindo o que o Buda dizia como se houvesse passado o tempo de meio-dia. Naquela ocasião, na assembléia, não havia uma única pessoa que estivesse cansada, física ou mentalmente”.

“Ao final de sessenta pequenos kalpas, tendo terminado de pregar o Sutra, o Buda Brilho da Chama do Sol e da Lua imediatamente anunciou à assembléia de Brahma, Mara, Shramanas, Brahmans, seres celestiais, humanos e Asuras: ‘Hoje, à meia-noite, o Tathagata entrará no Nirvana absoluto’. Existia naquele tempo um Bodhisattva chamado Repositório de Virtudes, para quem o Buda Brilho da Chama do Sol e da Lua transmitiu uma profecia, dizendo a todos os Monges: ‘O Bodhisattva Repositório de Virtudes será o próximo a tornar-se um Buda com o nome de Tathagata Corpo-de-Pureza, Samyaksambuda’. Após o Buda ter transmitido a profecia, à meia-noite ele entrou no Nirvana absoluto”.

“Após a passagem do Buda à extinção, o Bodhisattva Luz Maravilhosa manteve o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa por um período de oitenta pequenos kalpas, expondo-o para os outros. Todos os oito filhos do Buda Brilho da Chama do Sol e da Lua serviram ao Bodhisattva Luz Maravilhosa como seu mestre. O Bodhisattva Luz Maravilhosa ensinou-os e converteu-os, fazendo com que se tornassem firmemente estabelecidos no Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

“Os príncipes, tendo feito oferecimentos a ilimitadas centenas de milhares de dezenas de milhares de milhões de Budas, todos alcançaram a Via do Buda. O último deles tornou-se um Buda chamado Tocha Ardente”.

“Em meio aos oitocentos discípulos do Bodhisattva Luz Maravilhosa havia um chamado Ávido de Fama, que era grandemente apegado ao lucro e aos oferecimentos. Embora ele tenha lido e recitado muitas escrituras, ele não as compreendeu e esqueceu quase tudo o que houvera aprendido. Por essas razões ele era chamado Ávido de Fama. Mas por ter também plantado boas raízes, ele pôde encontrar ilimitadas centenas de milhares de dezenas de milhares de milhões de Budas, fazendo-lhes oferecimentos e honrando-os, venerando-os e elogiando-os”.

“Maitreya, poderia o Bodhisattva Luz Maravilhosa ser qualquer outro? Eu mesmo o fui. E o Bodhisattva Ávido de Fama era você mesmo!”

“Os prodígios agora vistos não diferem daqueles, assim, em minha opinião, hoje o Tathagata pregará o Sutra do Grande Veículo chamado Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, uma Lei para instruir Bodhisattvas, uma Lei da qual os Budas são guardiões e mentores”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

O Homem e o Meio Ambiente - 1ª. Parte

19 19UTC jul 19UTC 2006


O Homem e o Meio Ambiente

Um paralelo da Física para a visão Budista das inter-relações entre o homem e o meio-ambiente

1ª. Parte

O homem contemporâneo tem debatido o processo de degradação do meio-ambiente, e da qualidade de vida das populações dos grandes centros urbanos, reduzindo o problema ao tecido superficial do mundo, ou seja, a sociedade civilizada. Na esteira de um conceito de “civilização” que se baseia na extração, beneficiamento, transformação e exploração dos recursos naturais; a sociedade industrial (ou pós-industrial como preferem alguns) se assemelha muito àquele lenhador que serra o próprio galho onde está sentado. Quando finalmente o equilíbrio natural do ecossistema da bacia de drenagem de um grande rio, juntamente com sua mata ciliar, é devastado, começa-se a falar da “despoluição” e da “limpeza” do rio. Que rio? O rio está morto! Morreu quando o ambiente que o sustentava foi destruído.

Nesta linha de raciocínio, natureza e homem excluem-se mutuamente e todas as propostas baseiam-se essencialmente num conjunto de ações do próprio homem, que segue apropriando-se de tudo que encontra na natureza e, com esta, nada compartilha. As inter-relações ou a interdependência entre o homem e o meio-ambiente são freqüentemente esquecidas.

A atitude básica de discriminar o Sujeito (TI) do Objeto (KYO) tem aberto um abismo nas relações do homem com o seu meio-ambiente, na medida em que, através do avanço tecnológico, o mundo se tem transformado ora num imenso laboratório de manipulação dos recursos naturais, ora numa grande usina de beneficiamento e transformação dos mesmos, sob pretexto de melhorar o padrão de vida da humanidade. Pretexto porque ao discriminar o sujeito do objeto, o homem não se enxerga como parte integrante e essencial do seu meio-ambiente, “esquecendo-se” às vezes de incluir-se na própria espécie humana, agindo cegamente em seu próprio interesse.

Uma vez consciente da catástrofe ecológica que se avizinha, por que o homem insiste em perpetrá-la?

A resposta é surpreendentemente simples. O homem tem total “certeza da vida” e dos prazeres que esta pode lhe proporcionar. Entretanto, tem total incerteza sobre a morte e o sentido cósmico de sua existência. Não compreende que a morte não é apenas um fato inevitável a interromper a vida e as suas sensações. A morte é uma (con)seqüência da vida, é uma fase onde o grande balanço dos atos de uma pessoa reflete-se como num espelho. Mas, isto é incerto, como incerta é a vida. Ao separar a vida da morte, o homem tornou-se o maior usurpador de si próprio. Sendo assim, pouco se pode esperar de estratégias que se baseiam nas “ações humanas”; pois, a “certeza da vida”, como um fator limitante da visão humana, compromete a ação básica do homem. Nenhuma estratégia pode mudar a sorte de um jogador cujas chances esgotam-se na sua própria ação: jogar.

Torna-se necessária uma nova visão do mundo. Uma nova consciência. Acredito que a semente de uma revolução em grande escala na ética humana esteja no princípio Budista de inseparabilidade do ser e seu meio-ambiente (ESHO-FUNI). Ao contrário da atitude básica de discriminar o Sujeito do Objeto, a característica mais importante da visão budista do mundo está na consciência da unicidade e inter-relacionamento de todas as coisas e eventos.

Na vida cotidiana, não temos percepção dessa unicidade porque nossa relação de troca com o ambiente segue uma ordem de curto-alcance. Por essa razão, dividimos o mundo em objetos e eventos isolados. Todavia, essa divisão não é uma característica fundamental da realidade sob uma ótica de longo-alcance, mas sim, uma abstração necessária para resolver as limitações do intelecto humano, que se baseia na discriminação e na categorização dos fenômenos.

A razão humana, assim mecanizada, experimentou grandes triunfos ao longo dos séculos, em particular no mundo das investigações científicas. A “certeza da vida” e de um “universo constituído de objetos observáveis e manipuláveis” deu origem ao campo primeiramente chamado de “ciência aplicada” e, mais tarde, “tecnologia”. O mundo e a humanidade transformaram-se num imenso campo experimental.


Trecho II - CAPÍTULO UM: INTRODUÇÃO

17 17UTC jul 17UTC 2006

Trecho II - CAPÍTULO UM: INTRODUÇÃO

Após o Buda ter pregado este Sutra, ele sentou-se em posição de lótus e entrou no Samadhi do Lugar de Infinitos Significados, corpo e mente imóveis.

Naquela ocasião caiu dos céus uma chuva de Flores de Mandarava, Flores de Mahamandarava, Flores de Manjushaka, e Flores de Mahamanjushaka, que se espraiou sobre o Buda e toda a grande assembléia. Todo o universo Búdico tremeu de seis formas diferentes.

Naquele momento, toda a grande assembléia de Monges, Monjas, Leigos, Leigas, Seres Celestiais, Dragões, Yakshas, Gandharvas, Asuras, Garudas, Kinnaras, Mahoragas, seres humanos e não-humanos, bem como os Reis Menores, os Reis Sábios Giradores de Roda, todos obtiveram o que nunca haviam possuído antes. Eles regozijaram, alegraram-se, juntaram as palmas das mãos e, com pensamento único, fitaram fixamente o Buda.

Então o Buda emitiu uma luz do tufo de cabelos brancos de entre suas sobrancelhas que iluminou dezoito mil mundos ao leste, sem omitir nenhum deles, desde abaixo do inferno Avichi até acima do céu Akanishtha. Deste mundo Saha eram vistos todos os seres viventes nas seis direções naquelas terras; além disso, eram vistos todos os Budas presentes naquelas terras e todos os Sutras e Leis pregadas por aqueles Budas eram ouvidas .

Também eram vistos os Monges, Monjas, Leigos e Leigas naquelas terras, que praticaram e atingiram a Via . Além disso, eram vistos os Bodhisattvas e Mahasattvas, as várias causas e condições, as várias crenças e compreensões, e os vários aspectos da sua prática da Via do Bodhisattva .

Além do mais, via-se o parinirvana dos Budas e, após o parinirvana dos Budas, a construção de torres decoradas com os sete tesouros para guardar suas relíquias .

Então, o Bodhisattva Maitreya teve este pensamento: “Agora, o Honrado pelo Mundo manifesta sinais de grandes poderes transcendentais. Qual é a razão para esses prodígios? O Buda, o Honrado pelo Mundo, entrou agora em Samadhi; contudo, esses sinais são eventos inconcebíveis e raros. Quem poderia questionar a respeito deles? Quem poderia responder”?

Ele ainda pensou: “O Príncipe do Dharma, Manjushri, conviveu no passado e fez oferecimentos a inumeráveis Budas. Seguramente ele presenciou tais raros sinais. Eu irei agora questioná-lo”.

Com relação a isso os Monges, Monjas, Leigos e Leigas; bem como os seres celestiais, dragões, espíritos e outros; todos tinham este pensamento: “Quem indagaria agora a respeito da luz brilhante do Buda e dos sinais de grande poder transcendental”?

Naquele momento, o Bodhisattva Maitreya, desejando resolver sua própria dúvida e, além disso, considerando os pensamentos da assembléia dos quatro tipos de crentes reunindo Monges, Monjas, Leigos e Leigas; bem como os pensamentos dos seres celestiais, dragões, espíritos e outros ali reunidos; questionou Manjushri da seguinte maneira:

“Quais são as razões para esses prodígios, para esses sinais de grande poder transcendental, para a emanação desta grande luz que ilumina dezoito mil terras ao leste, de tal forma que os adornos em todos aqueles mundos Búdicos são completamente vistos”?

Naquele momento, Manjushri dirigiu-se ao Bodhisattva e Mahasattva Maitreya e a todos os grandes senhores, dizendo: “Bons homens, em minha opinião, o Buda, o Honrado pelo Mundo, agora deseja pregar a grande Lei, fazer cair a grande chuva da Lei, tocar a grande concha da Lei, bater o grande tambor da Lei, e proclamar a grande doutrina da Lei”.

“Bons homens, eu estive, no passado, na presença de outros Budas, e vi tais presságios. Tendo emitido esta luz, eles imediatamente pregaram a grande Lei. Portanto, seria de se esperar que a manifestação de luz pelo presente Buda seja também assim. Em razão do seu desejo de levar todos os seres viventes a ouvir e compreender esta Lei, que no mundo é a mais difícil de entender, é que ele manifesta esses presságios”.

“Bons homens, como no passado, há incontáveis, ilimitados, inconcebíveis asamkhyas de kalpas atrás, existiu um Buda chamado Brilho da Chama do Sol e da Lua, Tathagata, Merecedor de Ofertas, de Conhecimento Correto e Universal, de Lucidez e Conduta Perfeitas, Bem Aventurado, um Cavaleiro Insuperável que Compreende o Mundo, um Herói que Subjuga e Doma, um Mestre de Seres Celestiais e de Pessoas, Buda, Honrado pelo Mundo que expõe a Lei Correta, boa no início, boa no meio, e boa no fim; seu profundo significado e longo alcance; suas palavras inteligentes e sutis; puro e inalterado, íntegro com as marcas da pureza, de conduta perfeita”.

“Para aqueles que buscavam ser Ouvintes, ele respondia com a Lei das Quatro Nobres Verdades, através da qual se pode superar o nascimento, a velhice, a doença e a morte para atingir o Nirvana; para aqueles que buscavam ser Pratyekabudas, ele respondia com a Lei dos Doze Elos da Causalidade; em prol dos Bodhisattvas, ele respondia com os Seis Paramitas, fazendo-lhes atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi e alcançar a sabedoria que abarca todos os fenômenos ”.

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

Santai (As Três Verdades)

16 16UTC jul 16UTC 2006

Santai (As Três Verdades)

Transitoriedade:

Sendo a mais perceptível das três verdades, é também a mais remotamente conhecida. Desde os primórdios da humanidade o ciclo do nascimento, crescimento, declínio e morte tem despertado a capacidade de indagação dos seres inteligentes. O homem primitivo assistia à morte de seu semelhante sem compreender o trânsito do Sol, da Lua e das estrelas; não compreendia o fluxo e o refluxo das marés; não compreendia a sucessão das estações climáticas, tampouco o desabrochar e o despetalar de uma simples flor. Tudo ao seu redor encontrava-se em movimento, ou seja, trânsito. Ele nada percebia, mas já intervinha e interferia no ciclo vital das plantas e dos animais para se nutrir. Matava. Com o passar dos tempos, o crescente apego aos objetos e relações de seu cotidiano despertou os sentimentos da perda, da angustia, da percepção do passado e da incerteza do futuro. Tudo em razão do apego. Esse mesmo homem veio, mais tarde, a aceitar a impermanência de todas as coisas, mas ainda sem compreendê-la. Pensou na eternidade, um mundo sem mutações e repleto dos bens que o apraziam e, claro, sem problemas. Criou assim a ilusão do céu e, em sua oposição, o inferno das dores do parto, do frio, da fome, da ansiedade, da ira, das lamentações e outros infernos. Portanto, tudo se reduziria à questão de para onde ir após a morte: céu ou inferno? Sem perceber o absurdo dessas idéias, as quais concorriam para interromper o ciclo da própria vida, aquele homem postulou o bem e o mal; personificou-os como deuses e colocou-os respectivamente no céu e no inferno. Fez mais: iconizou-os, fê-los a sua semelhança, mas eternos; transformou suas próprias lamentações e desejos em preces; e as lamentações e desejos dos seus deuses em pragas. Estavam lançadas as bases das religiões primitivas. Aquelas das práticas de austeridades e mortificações inspiradas na idéia de que podiam ser extintas as causas do sofrimento em vida e depois da morte. Muitas das crenças contemporâneas estão impregnadas desses conceitos.

Não-Substância:

Mais difícil de aceitar e de compreender do que o aspecto da transitoriedade, a percepção do aspecto não-substancial incorporado a todos os fenômenos vem numa fase posterior do conhecimento humano. Necessário para explicar o sentimento, a alma e outras coisas de existência indiscutível, o aspecto da não-substância foi logo imaginado como algo distinto e discreto da matéria. Algo que, “habitando” a matéria, animava-a e, desabitando-a, despojava-a. Isto então seria a própria vida e seus dons. Nascia o conceito do espírito capaz de dotar a matéria de vida, inspiração, talentos, destino e missão. Quem seria o grande espírito? É lógico: Deus. Somente muito recentemente, nos primórdios do século vinte, é que a ciência descobriu a equivalência de matéria e energia (ou seja, que são unas na existência da entidade física) e o comportamento dual, isto é, entidades que ora se apresentam como matéria ou corpos com dimensões finitas, e ora como onda (algo não-substancial e sem dimensões finitas). Muitas outras descobertas se sucederiam como a radiação emitida por alguns elementos químicos e a avassaladora energia liberada pela simples “quebra” da ligação das minúsculas partículas de um núcleo atômico. Todas essas descobertas viriam revelar e evidenciar a natureza não-substancial dos corpos materiais e de suas combinações na formação de entidades físicas complexas. A natureza ondulatória dessas “forças”, todavia, viria a abalar muitas convicções filosóficas e religiosas. Por exemplo, a convicção de que os espíritos entram e saem dos corpos; a convicção de que o universo seria constituído por corpos materiais visíveis e finitos; a convicção de que Deus “morava” no céu, apenas para exemplificar. Mas, retroagindo, estávamos ainda no tempo dos ensinos Mahayana Provisórios. A ciência humana é que tardou a chegar.

Caminho Médio:

As inquietações deixadas pelos encantos da percepção do aspecto não-substancial dos fenômenos, dentre eles o fenômeno da vida, estimulou e impulsionou sobremaneira o pensamento filosófico, agora ocupado em explicar os “mecanismos”, por assim dizer, de interação entre os corpos e os “espíritos”. Como estávamos há cerca de 1.000 (mil) anos antes de Cristo, a ciência humana ainda nada sabia sobre a natureza ondulatória de todos os fenômenos transitórios e não-substanciais. Como o pensamento era essencialmente “mecânico”, separou-se o espírito dos corpos que não podiam estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, e se lhes atribuiu a onipresença, ou seja, a incrível capacidade de encontrar-se em vários lugares ao mesmo tempo. Essas idéias permearam o pensamento filosófico e religioso por muitos séculos. Isto iria acontecer, todavia, a revelia das últimas pregações do Buda Shakyamuni da Índia, as quais, naquela época, faziam referência explícita ao Caminho Médio, ou seja, nem só matéria, nem só espírito; mas sim, ambos. Isto significando que, na verdadeira entidade da vida, o aspecto transitório (matéria) e o não-substancial (espírito) são unos e indissociáveis. Por que as grandes correntes filosóficas seguiram em frente, ignorando e escamoteando as bases de um ensino tão superior? Possivelmente porque lhes era incompreensível. Não dominavam os muito recentes conhecimentos da ciência sobre a dualidade da matéria, da transmutação nuclear, do imenso vazio que são os átomos constituintes dos corpos e sobre o grande vácuo ou o nada que parece sustentar o universo conhecido. Todas essas coisas são hoje conhecimentos corriqueiros a derrubar dogmas e crenças absurdas. Dentre esses conhecimentos, o mais surpreendente é o de que a matéria é uma onda que se propaga através dos seus micros constituintes, fazendo-os vibrar em torno de suas posições de equilíbrio. Mas isto ainda é insatisfatório, porque algo que oscila harmonicamente em torno do equilibro, na média, encontra-se no ponto zero e não apresentaria propriedades físicas. Descobriu-se então a anarmonicidade do movimento dos micros constituintes da matéria. Uma distorção, um desvio do movimento que, em média, os colocava afastados do ponto zero. A esse afastamento os cientistas chamaram Caminho Médio. Não é surpreendente que algo enunciado há milênios torne-se, comprovadamente, existente?

CAPÍTULO UM: INTRODUÇÃO

14 14UTC jul 14UTC 2006

CAPÍTULO UM: INTRODUÇÃO

Assim eu ouvi.

Naquela ocasião, o Buda residia no Monte Gridhrakuta, próximo à cidade do Palácio dos Reis (Rajagriha ), junto com uma congregação de grandes Monges, vinte mil ao todo. Todos eram Arhats que haviam eliminado todos os desejos e não tinham mais sofrimentos. Tendo atingido o autoconhecimento, eles haviam eliminado os elos da existência e suas mentes haviam atingido a emancipação.

Seus nomes eram: Ajnatakaundinya, Mahakashyapa, Uruvilvakashyapa, Gayakashyapa, Nadikashyapa, Shariputra, Maharn (Grande) Maudgalyayana, Mahakatyayana, Aniruddha, Kapphina, Gavampati, Revata, Pilindavatsa, Vakkula, Mahakaushthila, Nanda, Sundarananda, Purnamaitrayaniputra, Subhuti, Ananda e Rahula; e outros grandes Arhats tais como esses que a assembléia conhecia e reconhecia.

Além desses, havia aqueles com mais estudo e aqueles com menos estudo, dois mil ao todo, havia a Monja Mahaprajapati com suas seis mil seguidoras, e a mãe de Rahula, Monja Yashodhara, também com suas seguidoras.

Lá estavam oitenta mil Bodhisattvas Mahasattvas , todos irreversivelmente estabelecidos no Anuttara-Samyak-Sambodhi . Todos haviam obtido Dharanis , a eloqüência e o deleite na palavra, e girado a irreversível roda da Lei. Eles haviam feito oferecimentos para ilimitadas centenas de milhares de Budas e, na presença daqueles Budas, haviam plantado as raízes da virtude. Eles recebiam constantemente elogios daqueles Budas. Eles aplicaram-se na compaixão e eram bem capacitados a penetrar a sabedoria dos Budas. Eles haviam penetrado a grande sabedoria e alcançado a outra margem. Suas reputações repercutiam através de ilimitados reinos de mundos, abarcando incontáveis centenas de milhares de seres viventes .

Seus nomes eram: O Bodhisattva Manjushri, o Bodhisattva Contemplador dos Sons do Mundo, o Bodhisattva Que Adquiriu Grande Poder, o Bodhisattva Vigor Constante, o Bodhisattva Sem Descanso, o Bodhisattva Palmeira de Jóias, o Bodhisattva Rei da Medicina, o Bodhisattva Doador Intrépido, o Bodhisattva Lua Cheia, o Bodhisattva Grande Força, o Bodhisattva Força Ilimitada, o Bodhisattva Que Transcendeu os Três Reinos, o Bodhisattva Bhadrapala, o Bodhisattva Maitreya, o Bodhisattva Tesouro de Jóias, o Bodhisattva Mestre Guia; e outros Bodhisattvas e Mahasattvas tais como estes, oito mil ao todo.

Naquela ocasião, o Shakra Devanan Indrah estava presente com o seu séqüito de vinte mil seres celestiais. Junto deles estavam o Deus Lua, o Deus Fragrância Universal, o Deus Luz de Jóias, e os Quatro Grandes Reis Celestes com os seus seguidores, dez mil seres celestiais ao todo. Estava o Deus Conforto, e o Deus Grande Conforto, com seus seguidores, trinta mil seres celestiais ao todo.

Lá estava o Deus Rei Brahma, governador do Mundo Saha, bem como o grande Brahma Shikhin e o grande Brahma Esplendor, e outros, com seus seguidores, doze mil seres celestiais ao todo.

Lá estavam oito reis dragões: o Rei Dragão Nanda, o Rei Dragão Upananda, o Rei Dragão Sagara, o Rei Dragão Vasuki, o Rei Dragão Takshaka, o Rei Dragão Anavatapta, o Rei Dragão Manasvin, e o Rei Dragão Uptalaka, e outros, cada qual com o seu séqüito de várias centenas de milhares de seguidores.

Lá estavam quatro reis Kinnara: o Rei Kinnara Lei, o Rei Kinnara Lei Sutil, o Rei Kinnara Grande Lei e o Rei Kinnara Guardião da Lei, cada qual com o seu séqüito de centenas de milhares de seguidores.

Lá estavam quatro reis Gandharva: o Rei Gandharva Música, o Rei Gandharva Som Musical, o Rei Gandharva Harmonioso, o Rei Gandharva Som Harmonioso, cada qual com o seu séqüito de várias centenas de milhares de seguidores.

Lá estavam quatro reis Asura: o Rei Asura Balin, o Rei Asura Kharaskandha, o Rei Asura Vemachitrin, e o Rei Asura Rahu, cada qual com o seu séqüito de várias centenas de milhares de seguidores.

Lá estavam quatro reis Garuda: o Rei Garuda Grande Majestade, o Rei Garuda Grande Corpo, o Rei Garuda Grande Abundância, e o Rei Garuda Satisfação dos Desejos, cada qual com o seu próprio séqüito de várias centenas de milhares de seguidores.

Lá estava o filho de Vaidehi, o Rei Ajatashatsu, com seu séqüito de várias centenas de milhares de seguidores. Cada um fez reverência aos pés do Buda, postaram-se ao lado, e tomaram assento.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, tendo sido circundado pela Assembléia de Quatro Tipos de Crentes, recebeu oferecimentos, foi honrado, venerado, e elogiado; e então, em prol dos Bodhisattvas, pregou um Sutra do Grande Veículo chamado Infinitos Significados, uma Lei para instruir Bodhisattvas, da qual o Buda é guardião e mentor .

N.T. - Seguirão trechos selecionados do Sutra, dada a impossibilidade de publicá-lo na íntegra neste Blog.

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